sábado, 15 de junho de 2013

Manual de etiqueta para visitas pós-parto


Há dias uma amiga minha deu à luz.
A vinda ao mundo de novas vidas é sempre tocante, um momento de júbilo.

Nada mais natural do que o desejo de expressar essa alegria, de parabenizar e apoiar os novos pais, de conhecer os bébés. A questão é que, mesmo com a melhor das intenções, não é raro familiares, amigos e conhecidos tornarem-se, no mínimo, importunos.

Ainda hoje, uma conhecida perguntou-me se já tinha visitado os recém nascidos e pegados neles. Confesso que fui talvez demasiado seca e brusca na resposta, mas fiz questão de deixar bem claro que é demasiado cedo para andar a chatear os novos pais com essas coisas.

É claro que também eu vou querer dar as boas vindas a estes novos e lindos seres, mas deixei bem explícito à minha amiga, que para além de poder contar comigo, deverá ser ela a avisar-me quando for a altura ideal para uma visita.

via uol


Então parece-me uma boa ideia expôr aqui uma espécie de "manual de etiqueta para visitas pós parto". Não se trata de ciência espacial, apenas um pouco de empatia, respeito e bom senso traduzidos em algumas regras, cujo objectivo é facilitar a recuperação da mãe, a adaptação do novo ser e dos seus pais a esta nova realidade, o desenvolvimento das suas rotinas.


O "tal" Manual

1 - A mãe é que manda! As opiniões, gostos e vontades da família, amigos e conhecidos devem ser mandados às urtigas.

2 - A mãe decide se quer receber visitas aquando a sua estadia na Maternidade, e de quem. O papel do pai é apoiá-la, e de todos os restantes, aceitar e acatar a sua decisão, seja ela qual for.

3 - O ideal é que cada casal estipule e comunique ao seu círculo de familiares e amigos com alguma antecedência, o conjunto de regras a serem seguidas, inclusivé os horários das visitas.

4 - "Copos de água e conselhos só se dão a quem os pede", diz o velho adágio. Não massacre os pais, (especialmente a mãe), com mil e uma indicações sobre o que fazer e como fazer. Para isso existem os profissionais de saúde que acompanham a parturiente, e o que se adequa a um caso pode não se adequar a outro.

5 - Na maternidade seja breve nas suas visitas - não exceda os 15 minutos. Nunca apareça de surpresa - vá somente com conhecimento prévio e aprovação da mãe. Fale baixo. Tenha o telemóvel em silêncio. Não peça para pegar no bébé. Pergunte à mãe se precisa de alguma coisa. Que a roupa não cheire nem a tabaco nem a perfumes fortes. Lave as mãos. Abstenha-se de dar conselhos. Não entre acompanhado de alguém com quem a mãe não contava.

6 - Aquando uma visita à casa do bébé, siga as regras anteriores. Inclusivé prontifique-se para ajudar. Pergunte se a mãe precisa de alguma coisa do supermercado, da farmácia, se há louça por lavar, roupa para estender. Neste caso, visita que não ajuda, atrapalha.

7 - É comum que as parturientes usem o telemóvel como uma ferramental útil para comunicar a todos o nascimento do bébé. Uma mensagem, foto do pequeno e pimba, feito! Não o considere carta branca para insistir em telefonemas. Responda com uma mensagem breve, mas não espere uma resposta imediata, a mamã tem outras prioridades!

8 - O pós-parto é doloroso, seja de um parto natural ou cesariana. O corpo da mãe está a recuperar e a habituar-se a novas necessidades, como o aleitamento.
O bébé é frágil, acabou de entrar num novo mundo. Os pais e o recém nascido precisam das primeiras semanas só para eles, para se conhecerem, criarem laços, compreenderem as necessidades do pequenino, adaptarem-se aos seus novos papéis de vida.
Há que entender que, para além da mãe da nova mamã, de quem se espera um apoio excepcional, todas as outras presenças vão ser mais prejudiciais do que benéficas, pelo menos nas primeiras semanas, no primeiro mês ou até dois, dependendo de cada caso.
Espera-se do círculo de familiares e amigos que saibam usar de bom senso durante este período, porque digo eu, que as recém mamãs não têm qualquer obrigação de fazer fretes!