terça-feira, 13 de agosto de 2013

Ai que me saíste cá uma florzinha...



Já me chamaram "florzinha de estufa" e não o posso refutar. Contra factos não há argumentos!

Pudesse reconstruir-me, qual personagem de ficção, não hesitaria em satisfazer a fantasia que a minha imaginação sempre alimentou, de mexer no meu adn e trocar esta coisa da "florzinha de estufa" por uns pózinhos de Lara Croft, Michelle YeohBear Grylls ...
Com muita pena minha, é difícil ser-se a versão feminina do Indiana Jones, uma expert em artes marciais ou um perito em sobrevivência em condições extremas, que se atira de um helicóptero com a mesma facilidade com que qualquer um se atira para o conforto do sofá.
 

Porque quando falamos de personagens, receio que, na realidade, me enquadre mais na categoria Alexandra Rover, uma das personagens de Nim´s Island, interpretada por Jodie Foster.

 
 
Embora não me enclausure (muito), nem me afaste das pessoas (muito), sou aquela que enjoa por tudo e por nada. Que na antiga Feira Popular de Lisboa se limitava a cirandar pela casa do terror, porque até o mais inofensivo carrossel, ou a roda gigante (mini) me embrulhavam o estômago.
 
Sou aquela que enjoa em tudo o que é meio de locomoção, (e não só).
Que vai muito quietinha e focada para aguentar até ao destino sem vomitar, tarefa hercúlea quando se trata de partilhar um qualquer transporte público com pessoas, os seus odores corporais, e a insistência de alguns em banharem-se em perfumes fortes em pleno Verão.
 
Sou aquela que ficou surda durante um mês inteirinho após um vôo de duas horas.
Que sofre (verdadeiramente) com temperaturas demasiado altas ou baixas.
Que tem um déficit de energia, e que teve que aprender a gerir-se muito bem para chegar ao final do dia minimamente operacional, capaz de articular uma frase completa sem grunhir ou rosnar.
A quem o equilíbrio pouco assiste.
Que flipa em ambientes muito ruidosos ou agitados.
Que fica extenuada após a interacção com os outros, e que precisa de umas horinhas de solidão por dia como de ar ou água.
Que é um ogre quando está com sono, fome ou sede.
Que tem uma bexiga do tamanho de uma ervilha.
 
villains wikia
 
 
Mais há a acrescentar, (oh se há!), mas já deu para entender a enorme contradição que existe entre o meu desejo de aventura, e o pouco que o meu organismo me permite.
 
 
O lado mais triste é a contabilidade que se vai fazendo às oportunidades que se vão perdendo, às coisas que não se fazem. Tantos os convites que se recusam, sempre com muita pena.
 
 
 
Falando em oportunidades desperdiçadas, partilho o seguinte episódio:
 
- Poucas semanas antes de Passos Coelho, (sim, o actual 1º ministro), ser eleito como líder do PSD, lá para Março de 2010, os meios de comunicação social invadiam-nos com notícias sobre este. Lançava-se o prognóstico, vindo de todos os lados,  que este seria certamente o próximo 1º ministro.
 
Eu andava tão curiosa sobre a figura como todos os outros.
 Eu, que até me interesso por política, alimentava, nessa época,  um certo desejo em cruzar-me com Passos Coelho. Questioná-lo, indagar sobre a sua perspectiva nos temas que me são mais caros, trocar impressões.
Tivesse essa oportunidade, pensava eu, e daria o meu melhor nesse "interrogatório" para retirar a leitura mais exacta que conseguisse daquele que viria a tornar-se o próximo chefe do poder executivo.
 
O destino fez-me a vontade: colocou-nos a ambos no mesmo avião, a dois metros de distância.
Mas esqueceram-se de avisar Moros, o deus do destino e da sorte, que esta menina enjoa.
E lá fui, durante aquelas duas horas, a olhar em frente, de pele ligeiramente esverdeada, a maldizer o estômago que ia saltitante.