domingo, 6 de outubro de 2013

Rota dos Intas: Luso - onde as andorinhas são felizes (I)



Existem pessoas para quem as férias não acontecem em Agosto, nem envolvem, obrigatoriamente, destinos de praia.

Nada contra Agosto nem contra praia. Mas, existe uma miríade de prazeres que se estende ao longo das quatro estações.
E quem se predisponha a conhecer o nosso país, não ficará certamente desapontado com a multiplicidade de destinos aliciantes.

Férias são férias, e sabem sempre bem. E Outubro, mês outonal, tem os seus méritos.
Para além da beleza bucólica da estação, os destinos turísticos já não estão a abarrotar de gente , (o que arruinaria o nosso conceito de busca de sossego), e a cereja no topo do bolo é, pagar preços de época baixa, que se inicia na maioria das unidades hoteleiras no mês de Outubro.


Para estas férias a escolha recaiu sobre a Vila do Luso.
Para nós, que partimos em busca de contacto com a Natureza, de sossego e serenidade, de boa gastronomia, com o intuito de recarregar baterias, garanto-vos que foi uma escolha feliz.

Esta pequena vila turística do concelho da Mealhada, distrito de Aveiro, fica a cerca de 250km de Lisboa, cerca de 100km do Porto, e a 30km de Coimbra.



Li algures, durante a nossa estadia, que Saramago, o "nosso" Nobel da Literatura, terá dito que "não existem palavras que descrevam o Luso".

A Vila do Luso é de todos os locais que já visitei, aquele em que encontro mais semelhanças com a Vila de Sintra. Em ambas encontramos o verde exuberante, o traçado arquitectónico de alguns edifícios e villas que cativam o olhar.





É a Vila que dá nome à conhecida água mineral, onde existem as Termas de Luso.

O edifício do Grande Hotel de Luso, obra do arquitecto Cassiano Viriato Branco, datado de 1940, é visível de qualquer ponto da Vila, qual esfínge do modernismo da primeira metade do séc. XX.




Estar no Luso, é sentir a tranquilidade a apoderar-se de nós, a transformar-nos os gestos, a noção de tempo. É encontrar prazer nas vistas, degustá-las. Fazer por imitar as pessoas da terra na brandura e calma. Trocar palavras, e saber que há quem não trocaria a vida ali por coisa alguma.
Que há gente que nunca se apaixonará pelas cidades, que olham meio condoídos para quem vem das urbes e, que de alguma forma, transparece nos gestos a vocação de querer curar as maleitas urbanas dos turistas.




Estar no Luso, durante a semana, é passear na maior avenida e precisar somente dos dedos de uma mão para contar os carros que a cruzam simultaneamente.



É estar sempre a dois passos de um jardim, onde os locais se dirigem para praticar exercício físico, onde patos grasnam alegremente na nossa direcção à espera de uma qualquer guloseima.
É olhar para o relógio e perguntar como será possível já ter passado uma ou duas horas, quando foi somente há instantes que nos sentámos na esplanada.



É ver alguns edifícios espalhados pela Vila, de bonita traça, fechados, que já foram pensões ou outra coisa qualquer, e ficar feliz por estar a haver obras de melhoramento. Porque o Luso fez-nos bem, queremos que continue a existir, próspero e sossegado, porque havemos de voltar.


Porque afinal, em lado algum vi andorinhas tão felizes, em acrobacias prodigiosas, entre as varandas do hotel.



(nos próximos posts, onde ficar, o que visitar, e onde comer)