sábado, 12 de abril de 2014

Deixem-se de merdas, ou vão para Bagdad



Para nós, estudantes daquela universidade, Bagdad ficava a um par de passos. Ali ao lado, na mesma avenida.


Esta Bagdad não era a cidade a 4784 km de Lisboa. Era um café e um mundo, onde o pessoal madrugador devorador de sandes mistas, galões e sumos Compal, partilhava espaço e tempo com a fauna noctívaga de olhos raiados e bafo a cerveja. Na mesma bizarra harmonia coexistiam nas paredes publicidade ao bitoque da casa, ao sumo de laranja natural, às noites de karaoke e aos espectáculos de transvestismo.




Havia um certo professor que quando se passava connosco dizia algo como "vejam lá se atinam, ou vão mas é tirar cafés ali para Bagdad".  E de repente éramos miúdos de 5 anos, com a mesma reacção destes quando se fala do bicho papão.