segunda-feira, 21 de julho de 2014

Peão vs Automobilista





Gosto muito de caminhar, da mesma forma que há quem seja apaixonado por andar de bicicleta, ou conduzir, ou surfar, ou whatever...


Tal faz com que esteja frequentemente num cenário peão vs automobilista.


Tenho uma mania, que é de tal forma parte de mim que o gesto sai naturalmente: sorrio e aceno levemente, em forma de agradecimento, aos condutores que páram nas passadeiras que atravesso.


Sim, já me disseram que não tenho que o fazer, que é obrigatório parar, e tudo isso.
Também já me perguntaram por que o fazia.


A resposta é simples. É de conhecimento geral que parar nas passadeiras pode ser obrigatório, e quem não o faz pode sujeitar-se a uma sanção. Mas por mais leis que existam, agir bem ou agir mal será sempre uma escolha pessoal.
Não imagino melhor forma de fomentar as boas escolhas que reconhecer e recompensar quem as faz.
Da minha parte, enquanto pedestre, nada mais posso fazer do que ser gentil.


E gosto muito do facto que quase todos aqueles com que me cruzo retribuem o aceno e o sorriso!




E ao contrário, como ajo?




Digamos que, na época em que tinha que atravessar a 24 de Julho todos os dias, gota a gota, o copo foi-se enchendo com as más atitudes de tantos e tantos condutores. Tanta desatenção, falta de cuidado e respeito para com os peões, mesmo numa passadeira, e com o sinal vermelho!


Um dia o copo transbordou.
Um veículo de alta cilindrada vinha de tal forma depressa, que ignorou a sinalização, e ia albarroando um grupo de pessoas que naquele momento atravessava na passadeira.
Travou a fundo, ficando a meio da mesma e a escassos centímetros de mim.


Com o coração na boca, não fui de modas. Peguei no chapéu de chuva com ambas as mãos e desatei a bater no capot, a vociferar como estava farta daquela merda, que todo o santo dia era a mesma coisa, os mesmo imbecis, perante o olhar perplexo do condutor.


Depois segui caminho. E sim, estava muito mais aliviada. O facto de ser um carro xpto também ajudou à terapia.