sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Coisas da minha terra: O potencial do betão inacabado





Numa das ruas principais da minha localidade, existe um terreno de grandes dimensões onde se queda uma placa de betão enorme, vestígio de uma obra há muito inacabada.


Passo por essa rua inúmeras vezes, numa frequência quase diária.


Não sei o que pensavam fazer daquilo. Já me ocorreu que poderia ser mais um condomínio privado, embora sem grande convicção devido à configuração daquele chão em betão. Já me disseram que aquilo se destinava a um centro comercial. Enfim...


A única coisa certa é a minha reacção sempre que por lá passo. É raro que não me quede por ali durante um minuto ou dois, a lamentar silenciosamente que, das milhares de ideias que poderiam ser postas em prática num terreno daquela dimensão, a escolhida fosse um centro comercial.
E isso entristece-me mais do que alguém possa adivinhar. E adivinho eu, mais do que alguém possa entender.


Olho para aquele espaço e imagino. E usando a imaginação, vejo-lhe o potencial, e é tanto!


Ao contrário de um centro comercial, vejo um espaço verde, polivante, um pulmão para a localidade.
Com espaço e condições para a prática de exercício físico para pessoas de todas as idades.
Imagino aulas ao ar livre: venham as iogas, e as zumbas, e o diabo a sete!


Onde o próprio jardim e os seus canteiros poderiam, só pela sua existência, dar origem a um clube de jardinagem e horticultura.


Onde poderiam acontecer arraiais, com música num coreto e tudo, e inúmeros outros eventos como um mercado de produtos agrícolas, do agricultor ao consumidor, de quinzena a quinzena por exemplo. Haja criatividade.


Onde sobraria ainda espaço mais que suficiente para uma infraestrutura que albergasse o que realmente fazia falta por aqui, (que não é, garanto-vos, mais um centro comercial): porque não uma incubadora de empresas, um centro de dia, um gabinete médico, um ATL, uma biblioteca com acesso à internet e uma sala para formações e workshops, onde cada membro da comunidade/ localidade poderia ensinar o que sabe melhor.


Sim, entristece-me que no meio de tanta coisa escolham um centro comercial, e que nem isso saibam terminar.

Por outro lado, ver aquela obra inacabada alimenta-me a esperança de ver por lá outra coisa, quem sabe algo que vá de encontro ao que desejo e imagino.