terça-feira, 26 de agosto de 2014

Cromices #35: Eu e os insectos





A minha reacção a insectos, (e bichezas assim), sempre foi visceral, irracional, acima de tudo, desproporcional.




Tirando as joaninhas e os caracóis que observava em pequena com curiosidade, brindando o pobre bicho com a cantilena "joaninha voa voa" ou "caracol, mete os corninhos ao sol", o histórico dos meus chiliques ainda alimentam momentos de risota em família.


Foram tantos ao longo dos tempos!

Desde o meu hábito de ir acordar os meus pais, de mansinho a meio da noite, caso estivesse um bicho no meu quarto. Hábito que se prolongou por mais de vinte anos.
Ou de optar por dormir no sofá caso não os quisesse acordar. De os meus pais me apanharem nessas ocasiões pela manhã, e desatarem-se a rir os dois por já saberem que se tratava de uma "situação-bicho".
Do cagaço que apanhei quando uma vez, depois de carregar no interruptor para acender a luz, mesmo a centímetros de distância estar uma centopeia maior que a minha mão, que tinha vindo do jardim.
De como desatei a correr de uma esplanada, deixando os meus interlocutores atónitos, porque havia uma vespa que não me largava.
De o marido já saber também o que são "situações-bicho", que passam por me ouvir aos berros, a correr pela casa, a pedir que me salve, entre "socorros" e "ai ca nojo!".






Mas, já lido um bocadinho melhor com estas coisas. Já estou muito mais tolerante para com as aranhas, por exemplo. Apanhamo-las com um papel e devolvemos-lhes a liberdade, mas fora de casa, e sabe bem fazê-lo.


Quem sabe um dia não ultrapassarei a repulsa que outros insectos me causam?