sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Quem avisa amigo é: a burla da lata de leite para bébé.





Um dia, no estacionamento do Retail Park, fomos abordados por uma mulher, que implorava por dinheiro para uma lata de leite em pó.


Gosto de ajudar, quando me é possível e quando sinto empatia e confiança para com as causas. Embora acredite que a solidariedade é um dever, confesso que não sou fã de dar dinheiro, porque o dinheiro custa a ganhar e não estou para sustentar vícios alheios.


Por causa dos muitos que abusam da boa vontade alheia, uma pessoa acaba por se sentir intrujada, que foi no conto do vigário uma e outra vez, e desenvolve um mecanismo de defesa, que assenta na desconfiança e na capacidade de dizer que não.
A quem acha que está na disposição de nunca criar tal imunidade, posição onde estive um dia, só vos digo, ide trabalhar para Lisboa, a serem abordados de dois em dois passos, depois falamos.


Lembro-me de uma situação particular desses meus tempos, algures para os lados da Avenida de Roma, de uma vez em que fui abordada por um vendedor da Cais. A figura, razoavelmente bem vestida e com uma aura de pompa e arrogância, aborda-me para que lhe dê almoço. E eu, apressada, afianço-lhe que, no caminho de regresso ao escritório, lhe traria uma sandes e um sumo.

A figura replica que ele próprio está cheio de pressa, que lhe desse 10, 15 ou 20 euros, para ir buscar uns frangos assados e ir para casa, almoçar com a família.
Passei-me dos carretos!
Disse-lhe várias coisas, uma delas que fixasse a minha cara, porque da próxima vez que se se atrevesse a abordar-me, fosse para o que fosse, tinhamos o caldo entornado, e eu chamaria a polícia e o denunciaria à Cais. Ouviu tudo com ar de enfado, mas nunca mais me interpelou.


Adiante.
Naquele dia, acedemos ao pedido. E largámos 15 euros para que ela fosse comprar a lata de leite para o suposto bébé, na esperança que houvesse realmente ali verdade. Porque a fome é uma coisa muito feia, então com uma criança ao barulho...


Mais tarde informaram-me que é prática comum, os toxicodependentes que andam a pedir, usarem esta burla da lata de leite para bébé, porque é aceite pelos traficantes como moeda de troca.


Foi uma informação que nunca mais esqueci, e hoje partilho este conhecimento convosco. É claro que a decisão é vossa, são livres de dar o que entenderem a quem entenderem, longe de mim querer influenciar isso. Só acho de valor que saibam o que se passa.


Voltei a lembrar-me disto, porque há dias numa esplanada fomos abordados por um vendedor da Cais, que veio com a mesma história da lata de leite, a pedir os 15 euros.
Recusei. Disse-lhe que se tivesse fome, lhe pagava um saco de pão para levar para casa. Não quis. Disse que outro estabelecimento daquela zona lhe dava comida.
Comprámos-lhe uma revista, e demos-lhe um par de euros.
Entre nós comentámos que se for honesto, dá-lhe para almoçar uma sopa e uma sandes ali na zona, se não, o estrago também não é muito.