terça-feira, 16 de setembro de 2014

As lições de Setembro ou se preferirem, este país tropical chamado Portugal





Pertencemos ao grupo de pessoas para quem as férias nunca são em Agosto.


Aliás, para mim Agosto, mesmo na época em que era estudante nunca teve sabor a férias. Primeiro, porque os meus pais como todos os trabalhadores da área de Hotelaria e Turismo nunca tiraram férias em plena época alta, como é óbvio.
Depois eu próprio passei muitos Agostos a trabalhar, mesmo em miúda. Sempre era melhor do que andar a queixar-me constantemente do facto de não haver nada para fazer, nem companhia, visto que a maioria dos amigos e colegas haviam partido para férias.


Agosto não é melhor que Setembro, nem Setembro melhor que Agosto. É tudo uma questão de hábito, necessidade e gosto pessoal.


Eu cá prefiro Setembro, sobretudo porque detesto a sensação de me ver rodeada de um mar de gente onde quer que vá.
Já me habituei à ideia que Agosto é sobretudo para os pais, que são obrigados a ajustar a vida à rotina escolar, e outras pessoas que por motivos profissionais e/ou familiares são obrigadas às férias nessa altura.


Agosto é bom para trabalhar pelos mesmos motivos que Setembro é excelente para férias. Há menos trânsito, menos confusão, e aquela sensação que é "tudo nosso", sem grandes estorvos.


Mas há uma lição a aprender com Setembro, e todos os dias até agora têm sido uma oportunidade para tal: há que ignorar o tempo feio, o prenúncio de tempestade, os aguaceiros, e avançar sem medos para a praia, para a serra, para onde apetecer.


O tempo está estranho, os olhos e a pele registam realidades distintas. É simultaneamente tempo de romãs e melancia. Talvez seja o nascimento de um novo estado, o clima "tropical" mediterrâneo.


Temo-nos forçado a ignorar o aspecto feio do clima, e na verdade temos colhido bons frutos com essa atitude. Temos feito praia e tudo o que poderiamos fazer em Agosto. Só é preciso é a coragem de não ficar por casa.