domingo, 21 de setembro de 2014

cromices #41: Hoje baldei-me





O meu marido é uma pessoa muito mais activa, aventureira e com muito mais energia para queimar do que eu. E isso é bom porque me leva a experimentar coisas, a viver momentos, que se dependessem unicamente da minha natureza muito provavelmente não existiriam.


Não somos propriamente opostos. Temos muitas semelhanças, mas são sobretudo as diferenças que nos enriquecem, que nos fazem experimentar coisas novas, a descobrir mais sobre o que gostamos e não gostamos.


Como exemplo, posso dizer que o ajudei a despertar um maior interesse pela leitura. Em troca foi-me dado a descobrir que existem actividades de carácter desportivo que me dão prazer, que são para mim. Com limitações, é claro.


Acho que por vontade dele, (se eu não me recusasse, claro está), uma saída a dois incluiria irmos fazer downhill para a serra. Um dia quem sabe, (já aprendi a não dizer nunca), só que por enquanto está absolutamente fora de questão.


Querem saber o meu principal motivo? Vejam o vídeo.










Mas até não me porto assim tão mal. Posso fazer cara feia, por vezes até beicinho durante um par de minutos, mas alinho muitas das vezes, desde que acredite que a actividade em questão não seja completamente dissonante das minhas capacidades.


Ontem, por exemplo, cheguei a casa com os ténis ensopados e as calças cheias de lama, depois de andar por entre silvas e azevinhos, a agarrar-me a pedras e a raízes e a ramos de árvores, a saltitar pedras para passar cursos de água, para irmos fotografar uma cascata. E não poderia ter sido melhor!


Hoje baldei-me. Ganhou o dolce far niente, e eu preciso desses momentos como de pão para a boca, senhores!
Por vezes mais do que uma manhã de praia, a olhar para os "meus surfistas", a beberricar cafés e suminhos de maçã e gengibre na esplanada, ou qualquer outra da meia centena de actividades possíveis para passar o tempo. Há dias em que não há nada nem ninguém que me arraste da gruta.