sexta-feira, 26 de setembro de 2014

cromices #45: Chefes que (quase) matam não é para todos ou, se preferirem, the show must go on!





Um dos maiores cagaços que apanhei na vida, (talvez O maior), aconteceu há uma carrada de anos durante uma reunião de trabalho.


Todas as pessoas dirão a certa altura que os chefes os tiram do sério. Mas, poder dizer que os chefes os matam, (ou quase), é outro nível, muito mais avançado. Só para alguns!


Foi uma reunião em três actos:


- O 1ºacto começa com todos sentados, a dialogar pausadamente, a folhear documentos e a tirar notas.


- O aumento da pulsação e o surgimento de alguns tiques marcam a introdução do segundo. Trata-se da reacção natural do organismo à qualidade do conteúdo do discurso do interlocutor.


- O último acto inicia connosco já de pé, a tentar expôr pela trigésima vez, com a maior calma possível e compostura, o argumento que defendemos.


Continuamos o discurso sem parar para indagar sobre que raio de manchas vermelhas são aquelas que vemos na mesa de reuniões, ou o porquê da cara de pânico do homem. E lá continuamos a debitar factos e números e outros dados relevantes, a jugular a latejar e agarrados ao braço esquerdo, que sabe-se lá porquê está a doer para caramba. Mas há que continuar que isto passa já mal acabe a trampa da reunião e consiga uma pausa para um café e cigarro!
Outra vez aquela cara?! Mas estou a falar chinês ou quê?!


De repente o tempo dá a sensação de abrandar. O suficiente para perceber que as manchas eram de sangue que escorria pelo nariz, ganhei consciência de que estava efectivamente a apertar o braço esquerdo. Antes de ter tomado total consciência do sucedido, lembro-me que ainda pedi desculpa pela nojice e comecei a limpar o sangue da mesa, o que acho que fez que o meu interlocutor saísse do modo atónito e reagisse correctamente.




Por fim, soltei ou pensei um "Foda-se! Que grande merda!". E um dos motivos porque estou muito contente por aqui continuar, é que para a próxima estarei preparada com umas "last words" de melhor qualidade.