quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Por quem se torce



Cá em casa não se vê futebol, salvo episódios mais que raros. A atenção que se poderia atribuir ao esférico é direccionada para outros desportos, incluíndo MMA, (Mixed Martial Arts).


Embora seja um desporto violento não é uma ode à violência. É acima de tudo uma questão de técnica,  preparação física e mental, resiliência e atitude.


No início de cada combate, enquanto os atletas se dirigem à arena, temos por hábito escolher um favorito. Tratando-se algumas vezes de desconhecidos, a aposta baseia-se em instinto e na observação de pequenos detalhes.


Normalmente somos pelos underdogs. Partilhamos um carinho especial por estes.


Invariavelmente dou por mim a torcer por aqueles que se abstêm do uso de violência gratuita num desporto dessa natureza, (acredito que só os tontos não conseguem ver que mesmo ali há mundo para além disso), pelos que preferem um combate "limpo", sem golpes baixos nem "ground n'pound", os que dominam as técnicas de submissão, as chaves de Jiu-Jitsu que permitem uma vitória sem provocar grande dano ao adversário. Aqueles que sabem que poderiam ganhar facilmente se continuassem a massacrar a perna já fragilizada do outro atleta e por isso mesmo recusam-se a fazê-lo.
Torço pelos que "tocam luvas" no início de cada round, os que após a vitória se inibem de demonstrações efusivas de contentamento, em especial quando o outro atleta está magoado, e se sentam no tatame calma e inexpressivamente, porque hão-de saber que o respeito vale mais que a humilhação do outro.
Pelos que se preocupam pelo bem estar do oponente, o cumprimentam respeitosamente no fim do combate. Aqueles em cujo discurso vitorioso se limitam a agradecer a oportunidade, a relatar o quanto se preparam duramente para o evento e o mais importante, a sublinhar as qualidades do atleta derrotado.




E é aqui que percebo claramente que os desportos simbolizam a vida, em todas as arenas desta.