quinta-feira, 2 de outubro de 2014

coisas que gosto #16: Pelo regresso dos Alfaiates e das Modistas





Para a maioria das mulheres que conheço ir comprar roupa é actividade prazeirosa.
Eu gostava de ser assim, a sério, mas por algum motivo qualquer, ir à caça de trapos sabe-me quase sempre a obrigação.


Imaginemos que preciso de mais um par de calças. É rezar para que a minha busca seja bem sucedida na primeira meia-dúzia de lojas, porque simplesmente não tenho pachorra para repetir aquele ritual de pairar pela loja, escolher, despe-veste-despe-volta a vestir muitas vezes.
O pior por vezes é sentir que a moda da estação não nos diz nada, que não é para nós. Que na realidade só queriamos encontrar aquela peça básica que já conhecemos e nos agrada, sem frufrus nem rónhónhós e que desapareceu por completo do universo trapeiro.
Usualmente tenho a sensação que a peça perfeita seria uma espécie de monstro do Frankenstein, feito das partes de muitas peças, que em si só não me convencem nem cativam.


É que existe ciência, e é necessária perseverança, no acto de escolher aquilo que assenta bem, que tem bom cair, que tem uma boa relação qualidade / preço.




Quando se trata de ir comprar roupa, confesso que o meu momento favorito é acompanhar o marido na aquisição de fatos novos.


Gosto mesmo daquelas lojas pequenas, de décor masculino e clássico, que os painéis e prateleiras de madeira polida tornam acolhedoras. Onde nenhum fato sai sem sofrer as alterações necessárias para se fazer perfeito para aquele corpo, e que por isso fazem lembrar as alfaiatarias, mais comuns noutros tempos.


Nesse aspecto tenho inveja dos homens.


Imagino a loja perfeita para mim, a que me daria prazer ir, e parece algo de tempos idos.


Eu sou pelo regresso dos alfaiates e das modistas, da sua mestria e do seu brio. Quero entrar numa lojinha e tocar amostras de tecidos, folhear calhamaços de modelos, escolher exactamente o que quero e ter uma peça feita para mim, para o meu corpo.