terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A melhor empresa do mundo #3: Apoio à Parentalidade


No que toca à taxa de Natalidade, Portugal é uma referência. Adiantam os meios de comunicação, que temos a segunda mais baixa taxa de fecundidade do Mundo, (aqui), apenas ultrapassados pela Bósnia-Herzegovina; e que tivemos a taxa mais baixa de toda a Europa em 2013, (aqui).

A leitura que me atrevo a retirar das estatísticas é que, claramente a parentalidade não é fácil em Portugal.

E porquê?

- Acredito que seja em primeiro lugar por questões financeiras.

Em Portugal os salários são baixos, dos menores praticados a nível europeu. Dizem que o salário médio mensal de Portugal foi metade da média europeia em 2013, (aqui). Estamos a falar de um número que ronda os 984 euros.
Ora bem, se tivermos um casal em que ambos aufiram este valor, líquido, a coisa faz-se à boa maneira portuguesa - com "cabeça", corta daqui, corta dali, sem espaço de manobra para luxos, - e consegue-se criar um núcleo familiar de classe média com uma criança, quiçá duas.
Não nos esqueçamos é que, ano após ano, engrossam a olhos vistos as fileiras de pessoas que auferem o salário mínimo, assim como as que se encontram em situação de trabalho precário e as desempregadas. E que a média, enquanto indicador estatístico apenas nos diz o meio caminho entre o salário mais baixo e o mais alto.


Já ouvi da boca de pessoas idosas, que neste "tempos modernos" se complicam muito as coisas. Que no tempo delas os filhos criavam-se à mesma, quantas vezes em situações de verdadeira dificuldade. Que "quem alimenta uma boca, alimenta duas".

Vejo que a noção de parentalidade modificou-se radicalmente em poucas gerações. Enquanto membros da sociedade já não aceitamos que criança alguma ande aí ao deus dará, descalça, ranhosa e mal-nutrida, como era usual nesses outros tempos.
Hoje em dia esperam-se dos pais coisas tremendas. Dizem que os filhos não chegam acompanhados de manual, mas as expectativas, os tais "o que fazer" dão para encher enciclopédias, com capítulos sobre tudo, desde os brinquedos, à alimentação, saúde, educação, tudo. Não há pormenor demasiado pequeno ou insignificante que não seja explorado até à exaustão. Até porque tudo isto movimenta um mercado de muitos milhares de milhões de euros.

(Verdadeiramente horrível é que, hoje em dia, estejamos a perder a batalha contra a pobreza infantil. aqui)

Já não se trata somente de esticar o pão para alimentar mais uma boca. São as fraldas, os leites de farmácia e as papas, os mil e quinhentos acessórios, cadeirinhas e carrinhos, roupas, as consultas no pediatra, as actividades de lazer, e a mensalidade do infantário que, se for um filho, leva uma imensa talhada do salário, se forem mais, torna-se geralmente impossível e faz com que compense que um dos cônjugues fique em casa a olhar pelos miúdos.
Sortudos dos que podem contar com os avós para isso!

Depois penso na licença de maternidade, do quanto esta é curta, das amigas que são mães, do aperto que sentiram em terem que voltar ao trabalho, separando-se de um bébé tão novo, tão pequenino, tão indefeso, tão dependente delas.

De como as empresas se habituaram ao mau vício de maltratar as pessoas até na questão da parentalidade. Com que à vontade é que se vai contra a lei, impunemente, e se questiona durante uma entrevista de emprego se a pessoa pensa ter filhos, de a preterir se o confirma. E de isto ser a ponta do iceberg!


- Que faria eu, na melhor empresa do mundo?

Um dia estava a ver um episódio da série "Bones/Ossos" e fez-se luz. A personagem Ossos e a sua melhor amiga Angela tinham sido ambas mães, e embora tivessem que lidar com o regresso ao trabalho e tudo o que isso implica, os bébés estavam a metros de distância, num infantário dentro do próprio Jeffersonian.

Por isso, a melhor empresa do mundo teria um infantário.

Mais uma vez, seria uma infraestrutura aberta a outras empresas em redor, com a intenção de diminuir os custos. Não seria um benefício cedido gratuitamente, mas sem dúvida que a mensalidade seria muito mais baixa do que os preços normalmente praticados, pois o objectivo não seria nunca gerar uma grande margem de lucro, mas sim cobrir os custos e conseguir algum excedente para continuamente investir na manutenção e melhoria das instalações e serviços prestados.

Para além de ser uma ajuda às famílias a nível financeiro, também teria um grande valor emocional, visto que pais e crianças não teriam que passar por uma grande separação.