sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Je suis Charlie



Acredito em Deus. Num Deus sem nome, sem nacionalidade, sem língua, sem género, sem geografias, e sem religião.

O meu Deus está acima de tudo o que é humano, à excepção da Alma/ Energia que levamos cá dentro mas que passamos vidas incontáveis sem saber muito bem o que é.
Nunca conheci pessoa alguma que conhecesse bem a sua Alma. Daí não acreditar em ninguém quando me diz que conhece Deus melhor que os outros, que serve de intermediário, que tem linha directa para o Divino.
Temos imaginação e é já uma tremenda dádiva. Todos lhe imaginamos as características, mas não deixa de ser imaginação. Tem o seu valor, e apenas se torna errado se eu tentar forçar meu produto imaginado a outro, castrando-o dessa mesma capacidade individual.

Eu também imagino Deus. Inevitavelmente, à minha maneira. Apego-me à minha imaginação, mas isso deve ser mau feitio. Nunca gostei nem admiti que me tentassem diminuir ou tirar as liberdades: de pensamento, de expressão, de crença, de individualidade.

Uma das minhas certezas é que Deus tem sentido de humor. Se assim não fosse o riso e o sorriso não seriam das raras e verdadeiras expressões universais, transcendendo geografia e raça, idade e género.
O meu Deus olha para as religiões, para o que se faz em Seu Nome, e decide ser ateu.