segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Boa viagem.



Todos os dias morrem pessoas. Muitas. Faz parte do ciclo da vida.
No entanto, tenho sempre a sensação que a morte só deixa de ser algo mais ou menos abstracto quando toca a um dos nossos.

Infelizmente, já tive vários casos na família de pessoas que partiram precocemente, por um qualquer problema de saúde.
Neste caso, a repetição nunca serve de preparação.
Habituei-me facilmente ao privilégio de, neste nosso mundo moderno, termos uma esperança média de vida de oitenta ou mais anos. Cada ano subtraido a essa conta eleva o expoente da sensação de defraudamento.

Há dias partiu mais uma das minhas pessoas, de forma precoce e inesperada.

A vida é maravilhosa, mas tem um preço: nunca é isenta de preocupações, agruras, maleitas. É a condição de sermos humanos.

Quando um dos meus parte, de forma reflexa dou por mim a perguntar-lhe se apesar de tudo, a vida lhe valeu a pena, se as alegrias e os momentos bons suplantaram tudo o resto. Embora seja retórica, simultaneamente desejo, com intensidade, sentir que me responde que sim. Que as pétalas foram mais que os espinhos. Que a vida vale e valerá sempre, mas sempre, a pena.

Deixa-me cabisbaixa a partida, mas há sempre uma serenidade que me invade.
Sempre foi a minha forma de lidar com a morte de um dos meus. Recolho-me, tranquila e silenciosa. Mentalmente ouço a minha voz a entoar uma espécie de oração, uma despedida, um exercício de imaginação onde me despeço e lhe desejo uma transição suave e luminosa para aquele outro plano de existência que, há muito tempo e em plena consciência, optei por acreditar.
Lá, onde correm rios de leite e mel, onde não existe entrave algum à felicidade e à plenitude, apenas Amor e Alegria infinitos, é para onde o meu coração envia aqueles que partem.

Boa viagem Tia C. Até um dia.