terça-feira, 17 de março de 2015

Vida de cão #16: O ninja do chichi


Amanhã o Kiko faz seis meses.
Já pesa 6.600 kg. Só de pensar que, aquando a nossa primeira consulta veterinária a balança marcava 3kg certinhos!

Nesta altura, acho que o objectivo mais importante de todos foi atingido com sucesso: a ligação emocional.
Não me (nos) imagino sem o meu pirralho e sente-se, da parte dele, também uma intensa ligação connosco. Há lá coisa melhor que ser recebida com uma cauda a abanar a mil à hora e uma excitação louca, mesmo depois de uma ausência de apenas dez minutos?!

Ele continua esperto que nem um alho, para algumas coisas.
No treino de obediência, por exemplo, há coisas que ele aprende à primeira. O mesmo acontece com alguns truques que o marido lhe ensina em casa.

A maior dificuldade reside, ainda, na questão dos chichis e afins.
Temos lido tudo e mais alguma coisa sobre o tema, a experimentar dezenas de métodos e teorias.
Torna-se um bocado frustrante, confesso. Especialmente quando ele consegue aprender coisas à primeira, mas não isto.

Mal o trouxémos para casa experimentámos uns resguardos específicos, absorventes como as fraldas dos bébés. Foi um fracasso. Ao invés de lá fazer as necessidades, usava-os como espaço de brincadeira. Desistimos dos resguardos quando os começou a estraçalhar. Ficaram de reserva à espera de uma segunda oportunidade.

Passámos para uns tapetes de algodão, daqueles coloridos para a casa que se encontram em qualquer superfície comercial por tuta e meia. Durante algum tempo pensámos que a coisa ia funcionar.

Agora a opção é um misto de folhas de jornal espalhadas pelo chão, mais uma base de plástico para os ditos resguardos colocada no sítio definitivo onde queremos que ocorram as micções, (aquela mesmo que eu não queria comprar no início porque achava que era um desperdício de dinheiro!), com um jornal por cima onde o Kiko já urinou para o atrair, com a ajuda extra de umas gotinhas de um produto que supostamente serve para estimular os cães a fazerem naquele local e, chão lavado com um produto enzimático para eliminar totalmente os odores (ao nível do olfacto apurado dos cães) que cheira maravilhosamente bem mas custa os olhos da cara.

Resultados?

Bem, anteontem à noitinha, estávamos ambos em coma no sofá. Há filmes que surtem tal efeito.
O sacaninha conseguiu fazer um chichi na ponta do sofá sem que ninguém desse por isso.
Como foi do meu lado, marido fartou-se de gozar comigo, por não ter notado. O que seria difícil visto que estava num sono profundo.

Ontem, (que o karma não dorme em serviço e age rápido), estava o marido no sofá, entretido com o tablet enquanto esperava pelo jantar. Em menos de nada o Kiko pula lá para cima, e consegue fazer um chichi quase nas barbas do meu gajo, sem que este desse conta.

Pagam as máquinas de lavar e secar que não têm tido descanso com os cinquenta cobertores, mantas e cobertas que uso com o fim de proteger o sofá e de nos taparmos.

Não tivemos escolha senão esfregar-lhe o focinho no chichi e fechá-lo no quarto dele. O castigo escolhido foi estar afastado de nós o resto da noite.

O grande objectivo é fazê-lo entender que tem um sítio, a tal base de plástico, onde pode fazer as necessidades à vontade.
É um acessório que comprámos tendo em vista a rotina que queremos criar a longo prazo. Talvez soe estranho e completamente o oposto do que a maioria das famílias com cães pretendem, mas não queremos um cão que só faça as necessidades na rua. Não quero ser acordada às 6h da manhã, ou ter que ir lá fora numa noite invernosa só por causa das necessidades. Prefiro mil vezes limpar o tabuleiro, (o que até é tremendamente fácil),  mas não sentir que a nossa vida gira em redor da obrigação de ir à rua de duas em duas horas.
Saímos muito, damos bons passeios, brincamos na relva, na serra, na praia. As nossas saídas têm sobretudo um carácter lúdico e servem para nos exercitarmos. Gosto que assim sejam, e que o continuem a ser, muito mais do que idas ao wc ao ar livre.