quinta-feira, 9 de abril de 2015

cromices #77: Um acordar à Hitchcock



A janela da divisão que serve tanto de escritório como de quarto do Kiko dá para uma moradia. Nas traseiras desta existe um pombal, ladeado pelas árvores de um pequeno pomar.

Um dos passatempos do Kiko é sentar-se no sofá e observar todo o cenário que lhe chega pelas vidraças. Olha com especial interesse e atenção a rotina dos pombos. É uma atenção que existe de ambas as partes, embora, até hoje, sempre à distância.

Hoje de manhã ouço um estrondo. Levanto-me num ápice para ver o que se trata e dou com o cão de pé, com as patas dianteiras apoiadas no parapeito. Do outro lado do vidro um pombo curioso e atrevido passeava-se no parapeito, toda a sua atenção centrada na cabeça do meu rodinhas baixas - a única parte da sua fisionomia que chega ao nível das vidraças. Impossível não me desmanchar a rir!
Ainda bicou o vidro, levantou vôo e aterrou uma segunda vez (daí o estrondo - alguém lhe tire o brevet, faz favor!).
Pareceu-me andar à procura de uma fresta por onde entrar. Então é que haveria de ser um regabofe!

Qual seria a intenção do pombo?

Cá para mim era um bombardeiro kamikaze enviado para invadir a base do inimigo, e retaliar com umas bombas de mau cheiro, como vingança por todas as vezes que o Kiko os tenta perseguir durante os passeios.