sexta-feira, 3 de julho de 2015

coisas de opinar: Mães, mais do que nunca, sinto-me solidária convosco!



Por uma imensidão de afectos, de cuidados, de responsabilidades sinto-me muito mais "mãe" do Kiko, do que dona, (termo com que nunca simpatizei, para dizer a verdade).
Bem sei que ter focinho, cauda e quatro patas fá-lo diferente dos vossos miúdos. Especismos e mil diferenças à parte, tenho descoberto e vivenciado uma imensidão de paralelismos. Uns deliciosos, outros nem tanto.

Um exemplo particularmente chato, (e que tenho a certeza absoluta que o vão reconhecer e concordar com o quão chato é), é que a partir do momento em que passei a ter um cão descobri que estou rodeada de experts em cães, todos muito opiniosos e seguros da validade e certeza das suas opiniões.

E eu, que nunca tinha tido um cão na vida, dou por graças a Deus ter dois dedos de testa e verdadeiras profissionais e entendidas na matéria a quem posso e devo recorrer para retirar dúvidas como a nossa treinadora e veterinárias. Ou seja, como o pessoal docente e pediatras dos vossos miúdos.

Geralmente gosto que as pessoas partilhem comigo as suas experiências. Na maioria das vezes retira-se sempre um ensinamento de valor, mais que não seja para retirar uma elação sobre o que não fazer, e por isso fico grata pela disponibilidade dos outros em partilhar as suas vivências.
Ou, para dizer a verdade, tento em todas as vezes lembrar-me de ser grata e gentil. Sorrir sempre mesmo quando por dentro penso "Sim, sim! Deve ser deve, isso e sopas!"

Depois há dias, como hoje, em que o pavio anda curto, em que não há mais que uma migalhinha de pachorra. Em que despedirmo-nos e prosseguir caminho sem mandar ninguém à merda é um feito extraordinário. Em que não há capacidade para sorrir ao ouvir disparates.
É que o Universo vive em constante equilíbrio e por tal, por cada coisa de valor que repartem connosco temos de aguentar com uma monumental laracha.


Imediatamente lembrei-me das minhas amigas mães, de como parece impossível sair à rua sem que sejam interpeladas por alguém que faz tudo por lhes impingir pontos de vista e verdades absolutas sobre como se criam filhos. Que são tão experts na matéria que olhar a criancinha de relance vale mais do que meses ou anos de convivência diária por parte da família ou que a opinião dos profissionais que as acompanham.


Como ainda tenho que levar o Kiko à rua mais umas quantas vezes e já estou com os azeites até me benzo. Googlei e descobri que a Santa Padroeira da Paciência é a Santa Rita. Vou já fazer umas rezas e pelo sim, pelo não, hoje escolho passar só por ruas em que não haja vivalma.