quarta-feira, 22 de julho de 2015

coisas sobre mim #1: Maria



Chamo-me Ana. Ana Maria.

Em miúda odiava o meu nome. A parte da Maria.
Haviam sempre muitas Anas. Ana Sofia, Ana Filipa, Ana Rita, Ana Claúdia, Ana Cristina and so on...
Tantas combinações possíveis e haveria de me ter calhado Maria na rifa, pensava eu. As únicas Anas Marias que conheci durante a infância eram da geração dos meus pais ou dos meus avós.
"Deram-me nome de velha!" - queixava-me eu aos meus pais. - "Não há ninguém da minha idade que se chame Ana Maria" - o que fazia de mim, de certo modo, única, que é das coisas que mais se detesta quando se está na adolescência e se sente um desejo maior de integração, de pertença, de aceitação por parte dos pares, de não querer sobressair. É por estas e outras que é a tal idade do armário.

De um momento para o outro parei de me queixar do meu nome. Aceitei-o, passei a gostar dele, a acarinhá-lo, a senti-lo ainda mais meu por ser incomum.
Bastou-me saber que havia sido escolhido pelo meu pai, o nome que havia sido de uma irmã que não sobreviveu para além da primeira infância. Que o anúncio do meu nome junto da família gerou comoção. Em nome da ternura e do amor foi-me passado em testemunho o nome que hoje é tão meu que nem imagino possível ser outro.

Portanto, se me quiserem chamar Ana Maria, estejam à vontade.