segunda-feira, 17 de agosto de 2015

coisas de pensar: Comissão para a Protecção de Idosos



Pensar sobre o envelhecimento causa-me uma sensação agridoce.
Se, por um lado tento manter bem presente a noção que envelhecer é um privilégio. Que verdadeiramente é uma bonança ter nascido em Portugal, país onde a esperança média de vida alcança os 80 anos, ao contrário por exemplo da Serra Leoa onde o mesmo indicador aponta para os 38 anos. Que triste mesmo é quando a vida é curta.
O reverso da situação faz-me pensar que mesmo não havendo comparação possível com as abomináveis realidades de outros pontos do globo, não deixa de ser algo assustador envelhecer por aqui. Parafraseando: "este país não é para velhos".
O que não deixa de ser irónico, pois com a baixa taxa de natalidade e uma população cada vez mais envelhecida, no espaço de um par de gerações este será, nada mais nada menos que, um país de velhos.

Devido à petição, subscrita por mais de 5000 cidadãos, debateu-se no Parlamento a criação de uma Comissão para a Protecção de Idosos. Infelizmente é algo que ficará, por enquanto, em banho-maria.

Grassam pelos media as notícias sobre o tema. Já deu para levantar levemente o véu sobre a triste condição de muitos dos nossos idosos. Da solidão, das carências, dos familiares mal formados e miseráveis que lhes faltam com o necessário, capazes no entanto de lhes ficar com as reformas.

E penso: que pena perdermos com o passar dos anos as capacidades do corpo e da mente, ver a saúde minada e ficarmos à mercê de quem não sabemos ser ou não fiável. Seria tão melhor se fosse possível manter as mesmas capacidades de um corpo de 30 ou 40 anos até ao último dia da nossa vida. Chegar lá com autonomia e saúde.

No futuro voltarei a este tema. Hoje, gosto de pensar que se deu um pequeno primeiro passo para a construção de uma realidade mais compassiva, digna, justa para os nossos idosos. Uma realidade que, se tivermos sorte, pois envelhecer é um privilégio, será também a nossa.