segunda-feira, 21 de setembro de 2015

cromices #88: O grande papel de Platão na vida amorosa.



Quem é que nunca levou, ao longo da vida, algumas tampas e deu outras tantas?!

Teria eu cerca de dezasseis anos quando um amigo se declarou. Longe de me achar a última bolacha do pacote disse-lhe que daria a resposta no dia seguinte. Não porque precisasse de reflectir sobre os meus sentimentos em relação à pessoa que, tão simplesmente não existiam no plano por ele pretendido, mas precisava de ganhar tempo para pensar como haveria de descalçar aquela bota.

Dar tampa é fácil. Mas fazê-lo sem ferir susceptibilidades é uma arte que ainda muitos desconhecem e não dominam. Ao longo da vida olharemos e seremos olhados amiúde com interesse passional, romântico, sentimental. Nem sempre os planetas se alinharão para dar origem a uma história de amor portanto devemos cultivar modos gentis também nestas ocasiões.

Chegado o dia seguinte e como já é costume na minha vida, salvar-me foi uma questão de improviso.
Lembrei-me de Platão. Mais precisamente do conceito de amor platónico e desato, também eu, numa declaração amorosa. Que sim, também eu gostava muito dele, mais do que ele poderia imaginar... mas como irmão. Pois se me imaginasse tendo um irmão seria como ele, ou melhor, ele. Sim, ele seria o irmão perfeito! Olhá-lo com olhos que não o do amor fraternal, beijá-lo, seria algo de incestuoso. Impossível! (Sim, a dramatização e a lábia é um dos meus poucos dons inatos). Que não era ele, mas eu. (Sim, o velho chavão já vem de há muitos anos atrás).

A verdade é que me safei, (pelo menos suficientemente bem para alguém tão verde), da bota e de ferir um amigo. Ganhei um novo amigo: Platão. Recomendo.
Foi-me útil em mais ocasiões e despoletou em mim uma veia criativa nesta arte dos desenlaces.