terça-feira, 10 de novembro de 2015

100 motivos para não ter filhos #1: A introdução ou o grande motivo para se ter filhos


Decerto já estão carecas de saber que não temos filhos, e que se trata, não de uma imposição, mas de uma opção.
Talvez um dia mudemos de ideias. Talvez não. É bom sentir a liberdade das opções em aberto.

Antes que fiquem totalmente horrorizados com o título desta nova rubrica deixem-me contar-vos o seguinte: um dia passeava-me numa livraria quando, me deparei com um livro que aos meus olhos me pareceu totalmente inovador e excêntrico quando comparado ao que esperamos encontrar relacionado com a temática "filhos". Prometia o título exactamente isto: a enumeração de n motivos para não se ter filhos.
A autora, (não me recordo do nome), confessava que após anos a sentir que tinha que justificar a sua opção perante os muitos que se indagavam sobre esta, decidiu meter mãos à obra e esmiuçar o tema.

Quer se concorde ou se discorde da opção em si, assim como dos argumentos que a sustentam, acho que a exposição desses mesmos argumentos são uma grande mais valia. A existência de pessoas que não se identificam com o papel de progenitores causa verdadeira estranheza a muitos dos que optaram pela outra via. Dessa estranheza resultam sempre algumas elações mal fundamentadas e longe da verdade, como a ideia que as pessoas que optam por uma vida sem filhos simplesmente não gostam de crianças, o que poderá aplicar-se a algumas, mas certamente não a todas.

Igualmente não podemos depreender que todos aqueles que são Pais gostam de crianças. Alguns gostam, outros não. Assim como nem todos os que são Pais têm vocação para a coisa. Lá está, não existe universalidade em todas as premissas.

Agora que olho para o título o número 100 enche-me os olhos e parece-me uma tremenda empreitada. A escolha foi ditada de forma aleatória e pelo meu gosto por números redondos. Logo se vê no que isto vai dar.

Quanto aos motivos para se ter filhos, para mim há um único que é de valor e o único que seria o nosso guia, caso mudássemos de via: o Amor.
Poderão vocês pensar: "Dah, mas existe outro?!" - e eu responder-vos-ia que certamente o mundo é hoje mais permissivo para com o Amor, mas que ao longo da História da Humanidade, (incluindo o tempo presente), somam-se mais crianças que foram geradas com outros motivos e para com outro fim do que pelo mais nobre dos motivos.

Ao longo dos tempos gerar filhos sempre foi uma das formas predilectas para se obter mão-de-obra barata, quer fosse para a Agricultura da Idade Média ou para as fábricas da Revolução Industrial, etc.
Durante o Império Romano, as famílias com três ou mais filhos tinham benefícios fiscais. Três filhos significaria um número suficiente para responder à elevada taxa de mortalidade, garantir a continuação da linhagem da família e engrossar o exército de Roma.
Até a China, no presente, revê a política do filho único simplesmente porque precisa de mão-de-obra.

Já houve quem, indagando sobre a nossa opção, se saísse com "quem cuidará de vós quando forem velhos?". As imensas histórias sobre idosos ao abandono só ilustram que ter filhos não assegura a presença destes enquanto cuidadores. No entanto, o medo da velhice e de certa forma o egoísmo de se querer garantir que, por obrigação filial, haverá um providenciador/ cuidador foi por incontáveis gerações, (e ainda é), um grande motivo para gerar descendência.
Ainda ontem vi o filme "Como água para chocolate" e lá estava um excelente exemplo disto mesmo: a mãe que não permitia que a filha mais nova casasse porque o seu papel seria cuidar dela na velhice.

Ainda há quem seja gerado por uma sede de poder, como se passa no caso das famílias reais. Porque se imiscuiu na mente de muitos, e por demasiado tempo que, existem linhagens especiais que, por tal, devem ocupar um lugar cimeiro de supremacia em relação aos outros, e que esse hábito terá continuidade havendo descendência.

Há muitos, mas muitos mais, exemplos. Mas acho que já consegui ilustrar suficientemente bem a minha perspectiva, na qual defendo o Amor como o único motivo nobre para se gerar filhos, e que ao longo da nossa existência enquanto espécie muitos têm sido gerados por motivos que considero mui pouco ou nada nobres.