terça-feira, 5 de janeiro de 2016

coisas de opinar: Sobre o ciúme



Há tanto que me passaria ao lado não fossem as redes sociais e a blogosfera!

Pelos vistos, o tópico quente do minuto é a cena de ciúmes protagonizada por Ivete Sangalo, que parou de cantar durante um concerto para chamar a atenção do marido que se demorava numa conversa com uma mulher.

Em instantes o tema virou viral, assim como o vídeo da cena. As pessoas dividem-se, como é costume, desta vez entre quem admite ser ciumento e quem não se revê e até fica embaraçado com estas demonstrações.

Pertenço ao clube de pessoas para quem as relações são mais aprazíveis, saudáveis e felizes se não existirem ciúmes.
Para mim o ciúme é sinónimo de insegurança, sentimento exacerbado de posse, narcisismo mas nunca de amor. "É um temperozinho para apimentar a relação", dizem alguns. Eu, que não gosto de nada temperado com vinagrete de nitroglicerina e xanax, lembro que há mil e uma maneiras de chegar ao mesmo destino sem passar pelo ciúme.

Nunca relação amorosa saudável existe confiança e estabilidade. Na ausência destes atributos, a solução nunca estará no ciúme como forma de controlo e vigilância do outro, nem noutra qualquer forma de controlar entenda-se. Isso seria como tentar curar uma gripe com uma pneumonia.

Somos humanos, imperfeitos e frágeis, e todos nós sentimos inseguranças. Mas, a magia das boas relações é que, após passar algum tempo, o suficiente para ambos se conhecerem, transformam-se num porto seguro, num refúgio onde podemos em segurança despir todos os medos e incertezas. Tanto aquelas em relação a nós como ao outro.
Se não houver essa magia, se calhar também não há futuro para a relação.

Sempre olhei para os ciúmes como um deal breaker, um quebra-relações. E com isto refiro-me tanto às pessoas que fazem cenas de ciúme como às que apreciam ser o foco dessa atenção.
Para mim, só há uma única resposta digna de dar a um parceiro ciumento: "Põe-te nas putas! A tua mãezinha que te ature!"

É que fico sempre cismada com as pessoas ciumentas. O que no inicio da relação pode parecer aquela "pimentinha" pode progredir até para violência doméstica e acabar, no pior dos casos, como crime passional.
E mesmo que não chegue a tanto, quem é que, estando no seu juízo perfeito, se imagina feliz numa relação em que, sem dar motivo, tem que gramar com interrogatórios sobre as pessoas com que se conversa, com que se trabalha, sobre a roupa que se veste, os hábitos, tudo e mais alguma coisa! De haver dramas e apontares de dedo por se chegar um pouco mais tarde... É caso para bater na madeira, chiça penico! Vade retro!

Por tudo isso, defendo que ciúme nunca será amor, mas doença. Que mói e por vezes também mata.