quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

coisas de opinar: Sobre o racismo, #1.



Os Óscares deram origem ao mais recente conflito sobre o racismo. Tal deu origem a uma troca de opiniões a nível global, diria eu.
Debater um tema é sempre positivo, na minha opinião. Embora não tenha ainda encontrado uma opinião alheia na qual me reveja totalmente, valorizo-as a todas e respeito-as, sobretudo porque me fazem reflectir sobre os meus próprios pontos de vista. Sempre defendi que num debate a divergência de opiniões não é defeito. Aliás, é a diferença que nos faz crescer, alargar os nossos horizontes.
Também há que aceitar que, para um ponto de vista ser válido e correcto não implica que todos os outros estejam errados. Várias premissas podem ser simultaneamente válidas e verdadeiras, mesmo sendo diferentes.
Por fim, gosto de ter a honestidade de admitir que as minhas certezas são muito poucas, que não há vergonha alguma, pelo contrário, em confessar que não sei, que não detenho todas as respostas, mas que estou disposta em perscrutar o que sinto ser a minha perspectiva, que mesmo quando tenho uma opinião já formada esta não está escrita em pedra, não é imutável.
Sou permeável aos bons argumentos porque quero crescer e evoluir. Aos que gentilmente debatem comigo, só peço reciprocidade quanto a esta mesma conduta.

Decidi escrever e partilhar a minha "viagem" em relação a este tema.

A única certeza que possuo em relação a este tópico é o objectivo: sonho, desejo e anseio viver num mundo onde qualquer forma de discriminação e preconceito seja coisa do passado. Acredito que as pessoas devem unicamente ser julgadas pelas suas acções e carácter, nunca pela raça, etnia, género, nacionalidade, religião, orientação sexual ou qualquer outro traço similar.

Acredito piamente na Meritocracia, na Igualdade, como base do Novo Mundo que desejo ver surgir.

Uma pessoa, cuja opinião valorizo bastante, ainda dentro deste celeuma com origem nos Óscares, partilhou um dia algo sobre o quão importante é para as crianças das minorias verem-se representadas em eventos desta magnitude. Não retiro nenhuma validade, verdade ou valor ou a esta afirmação. Também eu quero que qualquer criança se sinta imbuída de poder, do tal "Yes we can!", que acredite em si e tenha uma vontade e uma garra de perseguir os seus sonhos, sem considerar por um único momento que a cor da sua pele, o seu background socioeconómico, o seu género ou qualquer outra característica a possa limitar, seja de que forma for.

Nesta aldeia global, temos que acreditar que, de certa forma, todas as crianças são nossas, e temos que fazer acontecer o que for necessário para que cresçam capazes e felizes.

Mas quando me dizem que o caminho passa também por transformar a cerimónia cinematográfica numa "cena por quotas" torço o nariz. A Meritocracia não vê cor, é daltónica. Merece ou não merece? Ponto final.
Se existirem jurados que escolhem os nomeados com base no preconceito, é despedi-los. Simples.
Não me venham é com argumentos que lá por serem "homens velhos brancos" as suas escolhas e votos não terão por base uma opinião profissional, mas serão sempre toldadas pelo preconceito.
Afirmações tais tiram-me do sério!
Assumir que determinada pessoa terá determinado comportamento apenas com base na cor da sua pele, género e idade é altamente discriminatório e racista! E é algo que condeno veementemente.
Sim, meus amigos, que o racismo é um conceito que se aplica a todas as cores de pele e raças, ou julgavam que não?!

Mas falarei mais sobre isto dos óscares noutra altura.

Quero voltar à questão das crianças e da importância dos exemplos, e ao produto da minha reflexão.
A nossa verdade é sempre nossa, porque é inevitável a subjectividade, irmos beber às nossas experiências.

Tentei lembrar-me de várias figuras que me inspiraram de alguma forma (não gosto do termo ídolos) ao longo da vida, desde a mais tenra infância aos dias de hoje. Ocorreram-me nomes como Buda, nascido no Nepal. Jesus, judeu nascido na Judeia, hoje Israel. Zeca Afonso, português. Che Guevara, argentino. Natália Correia, portuguesa. Madre Teresa, nascida na Macedónia. Platão, ateniense. Thomas More, nascido em Londres. Rosa Parks, nascida no Alabama. Oprah Winfrey, nascida no Mississippi. Júlio Verne, francês. Nikola Tesla, croata. Marie Curie, polaca. Carolina Beatriz Ângelo, portuguesa. Florbela Espanca, portuguesa. Nietzsche, alemão. Leonardo da Vinci, italiano.

E a lista é tão mais longa, mas as figuras já enumeradas servem para ilustrar que é possível encontrar um sem número de pessoas inspiradoras sem que a nossa escolha se baseie na raça, nacionalidade, género, religião. Para mim, educar ou sequer esperar que uma criança só se consiga rever ou inspirar em pessoas da mesma raça, género ou afins é educar para o preconceito, é alimentar o racismo. É limitador, é triste e um tremendo entrave à construção do mundo igualitário e meritocrático com que sonho.