sábado, 20 de fevereiro de 2016

coisas do armário: Le Smoking



Semanas antes do meu 18º aniversário já tinha uma ideia exacta do que queria vestir na minha festa: camisa preta, (encontrei uma na Mango que foi, durante anos, a minha favorita), calça preta e gravata branca (de seda, que comprei na Tie Rack). Sapatos e casaco a condizer. Acho que a moda serve sobretudo como diversão, e quis brincar com um look meio andrógino, meio gangster. Olhos dramáticos à anos 60 e uma cor mais viva nos lábios.

Foi a minha primeira gravata e gostei tanto que passei a fazer colecção, e até a roubar algumas do armário do meu pai. Durante muitos anos, sempre que vestia um fato, de calças ou saia, a gravata, usualmente negra, era-me imprescindível.

Um dia, também há muitos anos, apareceu no correio, publicidade a um curso de moda e costura da Ediclube. Na altura haviam imensas colecções de livros e enciclopédias desta editora. O panfleto era uma colagem de imagens coloridas de criações que tinham marcado a história da moda como o conjunto Chanel que Jackie Kennedy tornou famoso. Mas, o que me prendeu o olhar, (e por isso me lembro tão bem), foi o smoking de Yves Saint Laurent.
Imediatamente achei que, em raras ocasiões tinha visto uma mulher tão bonita e bem trajada: elegância, sofisticação e simplicidade. Simultaneamente, era o look mais sensual de sempre, onde tal qualidade residia não na exibição de pele, mas na atitude provocadora e confiante da mulher que enverga uma armadura masculina em saltos altos. Sublime esta materialização do conceito de que a sensualidade vem de dentro.

Conhecer um pouco da história do Le Smoking de Yves Saint Laurent só me faz gostar ainda mais deste.
O que é hoje considerada uma peça icónica do design de moda foi, na época da sua criação, em 1966, algo bastante desafiador. Era mal visto as mulheres andarem de calças, e em alguns e restaurantes e hóteis as senhoras nem sequer eram admitidas nestes preparos.
Tal aconteceu à socialite norte-americana Nan Kempner. A resposta da senhora foi brilhante e esteve à altura: despiu as calças e usou o casaco como microvestido.

Uma jovem e bela Catherine Deneuve foi a primeira a envergar o conjunto em 1967.


 
 
 
 
Foi, no entanto, a foto do Le Smoking pela objectiva de Helmut Newton para a edição de 1975 da Vogue que trouxe à interpretação de YSL da black tie, o estatuto de ícone.
 
 


Ao longo de 30 anos o Le Smoking foi-se adaptando aos tempos, reinventando-se, mas sempre usando o mesmo tecido.