terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

coisas que me irritam: Poluição sonora


Os miúdos Fukushima são de tal forma barulhentos que conseguem, em meia hora, dar-me algo que nunca a discografia dos Sepultura conseguiu: uma dor de cabeça.

Ontem ao final da tarde, um deles arma uma birra no meio da rua. São miúdos que não se expressam de forma comum, têm o volume sempre no máximo e quando choram, não choram: inspiram uma lufada de ar e berram, gritam, esperneiam. Senhores, como berram! E como dura a berraria, naquele volume e estridência que não há parede, nem janela fechada que sirva de barreira, nem som de fundo em casa que abafe!

Que desatino, que violência, que desconforto! Que dor de cabeça!

Adoraria retirar prazer destes ruídos, ou pelo menos ser indiferente, mas não consigo. Porque se há coisa que mexe comigo são barulhos, alguns capazes de me deixar desnorteada como um veado encadeado por faróis.

Por exemplo, fico a ranger os dentes com o toc toc toc dos saltos altos, arrastar de móveis, berros, televisões com o volume demasiado alto, ruído branco dos aparelhos eléctricos, espaços cheios de gente a fazer muito barulho, alguns dos sons produzidos por motas, as vozes de algumas pessoas, aspiradores, pessoas que insistem em ouvir todos os toques do telemóvel em público, ruído de qualquer ferramenta ou maquinaria, aqueles que falam de forma gritada ao telefone e basicamente tudo o que interfira com o sono e o descanso na hora sagrada reservada para tal.

A grande excepção é a música. Gosto de ouvir música e não me incomoda notar que outros o fazem, desde que em horários apropriados.

Esta minha sensibilidade auditiva faz com que tenha cuidado com o meu próprio ruído, para não incomodar terceiros. Uma atitude especialmente importante quando se vive num apartamento.
Embora goste de ouvir música, só a ouço alta em determinados horários e só pontualmente durante longos períodos. Salvo nos momentos em que já ripostei a barulho da vizinhança com alguns temas da minha eleição.
Tenho atenção aos horários em que ligo máquinas e utensílios como o aspirador, máquina de lavar ou secar, ou até a varinha mágica. O meu bom senso dita-me que não vou aspirar às 9h da manhã nem passar uma sopa às 23h.
Inclusive para os banhos tento seguir uma regra de "bons horários": banhos demasiado tardios são a excepção, não a regra.
Tento não fazer muito barulho nas áreas comuns do prédio, pois faz eco, o som propaga-se e é bastante audível dentro das habitações.
A regra de serem proibidas obras ao Domingo é sagrada, e só é quebrada em caso de emergência.
"Trata os outros como queres que te tratem" - é o lema de ordem.

Assim sendo, embora até seja uma pessoa tolerante, não me coíbo de agir quando acho que atingi o meu limite.
Ao longo de 13 anos nesta casa ainda só tive que intervir uma meia dúzia de vezes, e só metade das vezes se tratava de ruído de vizinhança. Acho que é uma média bestial e demonstra que estou rodeada de bons vizinhos.
Quando acho que devo intervir é da minha natureza ser uma pessoa bastante pragmática e directa. Não sou daquelas pessoas que não enfrenta nem age, mas vai guardando rancor. Antes que me dê um amok, prefiro abordar as pessoas, informá-las, dialogar e esperar que isso seja o suficiente para garantir a resolução da situação. Em todas as situações este modelo tem-me servido bem, até porque na maioria das vezes acredito que as pessoas não têm mesmo noção da intensidade do barulho que produzem e de como este pode ser audível e incomodativo para terceiros.

Já pedi no café próximo da minha casa que falassem com o padeiro, e em meu nome lhe pedissem que baixasse o volume do rádio quando viesse entregar o pão às 5h da manhã, pois este acordava-me e estragava-me o sono.
Um dia cheguei a abordar os vizinhos de cima pelo barulho constante do arrastar de móveis, do aspirador a trabalhar o dia todo, todos os dias, desde manhã cedo, do poc poc poc infernal que é o barulho de bolas a bater no chão, de gavetas e portas de armário a bater no quarto a horas tardias, que a qualidade do nosso tempo passado em casa estava a ser seriamente comprometida.  Assim como já falei com outro vizinho sobre se seria possível, logo de manhãzinha cedo, terem mais atenção ao retirar o carro da garagem, se podiam evitar fechar a porta com tanta brutalidade e dispensar a música techno aos berros, pelo menos até se afastarem da janela do meu quarto. Com bons modos, foi o que bastou. E estou-lhes grata por isso.

Para quem não tem a mesma sorte o meu conselho é:
Conheçam a legislação sobre ruído. Sejam um bom exemplo: é demasiado hipócrita exigir de outros o que nós não cumprimos. Com bons modos e uma boa atitude, abordem as pessoas e informem-nas da situação. Se não resultar, repitam. Da terceira vez em diante, chamem a Polícia para que sejam as autoridades a chamar-lhes a atenção, e para que as ocorrências fiquem registadas, servindo de prova caso a solução resida na via judicial.