terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

cromices #111: Panfletos vs pulseiras electrónicas



Se costumam seguir o que por aqui partilho já estão carecas de saber que não consigo ficar indiferente à questão das ruas sujas e de cães à solta.

Decidi tornar-me proactiva em relação a essas mesmas questões, de abraçar essas causas com o intuito de aumentar o nível de consciência sobre a importância de todos seguirem um par de princípios e regras na sua vida quotidiana, como "deitar o lixo no lixo", "apanhar os dejectos caninos" e "andar com o cão à trela" ou "andar com o cão solto só sob supervisão do dono e nem em todas as circunstâncias".

Digamos que me sinto, de certa forma, em campanha eleitoral: já perdi a conta ao número de pessoas a quem mostrei o rolinho de sacos que levo sempre no bolso para apanhar as "prendas" do Kiko, numa demonstração de "não custa nada, está a ver?!". Ou ainda dos desgraçados que já tiveram que gramar com as minhas queixas sobre cães à solta e os meus ataques de pânico. Faço-o não porque goste especialmente de partilhar coisas cá da minha vida, mas porque tenho sempre esperança que tal leve ao entendimento que o abuso de uma liberdade pode e é incómoda para terceiros. Que as consequências existem e não são assim tão invisíveis ou abstractas.

Mas ainda está muito longe de chegar. É preciso fazer muito mais.

Ocorreu-me que talvez não fosse má ideia fazer um blogue dedicado a este tema, explicando tim-tim por tim-tim tanto os malefícios e as consequências da ausência de civismo, como o que é correcto fazer e porquê, e como a qualidade de vida pode aumentar exponencialmente para todos com ruas limpas e seguras.

Mas só um blogue não chega, ocorreu-me. Simultaneamente deveria fazer vários panfletos e espalhá-los por vários locais, ruas, lojas e caixas de correio.

Depois há dias, em que penso, que faça o que fizer nada será o suficiente para alcançar o tal objectivo de ruas limpas e seguras. Em que a existir uma verdadeira solução, eficaz, esta haveria de ser algo distópica, como andarmos todos com uma pulseira electrónica que nos desse um choque, tipo taser, de cada vez que se cospe no chão, quando deita lixo por aí, não se pára numa passadeira ou não se apanha os cócós dos patudos.

 Acho que só assim.