terça-feira, 19 de abril de 2016

coisas de pensar: Crise de fé ou momento de claridade?


Cresci a celebrar o 25 de Abril.
Fui uma miúda idealista, sonhadora, com uma noção romântica das revoluções.
Cresci uma mulher pragmática, ciente das suas fraquezas e defeitos, mas com um sentido de justiça e princípios éticos e morais que considero acima da média.
Uns dias mais que outros, tentei agarrar o romantismo de outrora. Talvez mais pela nostalgia e apego a quem fui do que propriamente por fé na humanidade. Quando mo permito pensar e sentir, sinto uma saudade tremenda daquela miúda!

Olho para as consequências da Primavera Árabe, para o Brasil hoje, e quedo-me resignada.
Talvez a evolução não esteja ainda ao nosso alcance. A minha fé murcha perante o facto que o mundo em que vivemos não é mais que o reflexo do que somos. O mundo é um inferno. Faltou-nos alma para mais.
É pena. Momentos houve em que achei, com todo o coração, que merecíamos e seríamos capazes de mais e melhor do que andar com merda e iniquidade pelos joelhos.
Para espécie que se julga tão avançada seria de esperar que soubéssemos ser mais que uns macaquinhos que atiram fezes uns aos outros.

E agora, com a vossa licença, vou só ali limpar a réstia de romantismo que me escorre pelos dedos.