domingo, 23 de junho de 2013

Ir às compras de braço dado com D. Consciência...



Tenho a impressão que isto de ser consumidor já foi bem mais fácil. Aliás, voltando ao meu hábito de citar provérbios, diz o velho adágio que "a ignorância é uma benção", e é bem verdade!

Porque ir às compras munidos de uma consciência, aviso já, é de certa forma como tomar o mesmo comprimido que o Neo tomou no Matrix. Muda tudo de uma forma irreversível.

E aí começa o pesadelo do consumidor! Uma das implicações directas na minha experiência enquanto consumidora, é que já nem me lembro da última vez que comprei algo por impulso. Acho que é algo que aboli do meu léxico de consumo.

via audcole
 

Digamos que começam uma dieta, e que é esse é o primeiro passo que vos leva a procurarem mais informação sobre nutrição, alimentação saudável, as vantagens dos produtos orgânicos e não processados.
Garanto-vos que as primeiras vezes que voltarem ao hiper ou ao super do costume vão andar às aranhas! Vão começar a ler os rótulos das embalagens, vão chocar-se com os ingredientes esdrúxulos, e andar às voltas com o carrinho num quase total desânimo, rodeados de muitos milhares de produtos e quase sem nada para comer.

Digamos que querem apoiar a produção e a economia nacional, adquirindo o máximo de produtos made in Portugal.
Mais uma dor de cabeça colossal, pois é impossível só com essa denominação ter a garantia que as matérias-primas são de origem nacional, ou até se foi produzido em Portugal, ou por uma empresa portuguesa.

Digamos que querem apoiar o comércio tradicional, e até isto requer a perspicácia de saber distinguir aqueles com fornecedores portugueses e locais que merecem realmente o nosso apoio, daqueles que vão abastecer aos enormes armazéns grossistas, e nos cobram preços exorbitantes por uma alface desmaiada ou uma qualquer treta, que afinal acaba por ser de fabrico asiático.

Digamos que querem comprar um qualquer aparelho - um aspirador, um telemóvel, qualquer coisa. Como consumidores conscientes que são, e ainda mais se deterem algumas noções básicas de marketing, irão com toda a certeza passar dias a pesquisar artigos sobre o produto desejado na internet, a ver reviews (abençoados aqueles que se dão ao trabalho de as fazer), a ler quinhentas análises, a procurar a loja com o melhor preço e o melhor rating em termos de serviço pós-venda.
Porque querem um bom produto a um preço razoável - não querem pagar uma quantia obscena só porque a marca X gasta um balúrdio em campanhas publicitárias, nem querem apoiar uma empresa que tenha atitudes que achem desprezíveis.

Digamos que são contra os testes de produtos em animais. Parece-vos especialmente cruel sacrificar vidas por lábios cheios ou por um rabo com menos celulite? Se sim, somos do mesmo clube!
Então preparem-se para a epopeia que é encontrar produtos de beleza livres de crueldade! Garanto-vos que é bem mais fácil abraçar um look natural e andar de cara lavada.

Digamos que são contra as empresas cuja política para redução de custos e consequente aumento das margens de lucro, é subcontratar outras pseudo-empresas em países de "terceiro mundo" para fabricarem os seus produtos.
Pseudo-empresas que acabam por ser notícia pelos piores motivos, como aconteceu em Daca. Onde as pessoas trabalham muito em troca de muito pouco, nas piores condições, e cujas marcas clientes que fomentam a proliferação desta realidade são tantas e tão conhecidas de todos nós, que um consumidor com consciência arrisca-se seriamente a andar nú.

Digamos que acham injusto que sendo o agricultor o único a produzir, seja o elo mais fraco da cadeia de consumo. Aquele que, do total pago pelo consumidor final, leva a fatia mais magra. Então procuram produtos "fair trade", e encontram um paralelismo inquietante com o segmento "made em Portugal" - o de que ambos ainda têm que crescer muito, porque nem só de café e chinelos, ou de azeites, potes de mel gourmet, ou sabonetes em caixas bonitas a preços grotescos vive o Homem.

Ainda há quem me fale do enorme prazer em ir às compras...






quarta-feira, 19 de junho de 2013

Aquele abraço - Brasil e Turquia!



Sou portuguesa na carne, na identidade, e em tudo o resto. Mas o meu coração viaja. Ele é que sabe, e sabe que é um coração cidadão do mundo. Já a alma, nem sequer se prende a um só planeta, mas isso são outros quinhentos.

Hoje, o meu coração é turco e brasileiro. Este meu tambor é um romântico e morre de afectos por poetas guerreiros, por quem defende o que é justo.

Portanto, aqui segue "aquele abraço" além fronteiras...






sábado, 15 de junho de 2013

Manual de etiqueta para visitas pós-parto


Há dias uma amiga minha deu à luz.
A vinda ao mundo de novas vidas é sempre tocante, um momento de júbilo.

Nada mais natural do que o desejo de expressar essa alegria, de parabenizar e apoiar os novos pais, de conhecer os bébés. A questão é que, mesmo com a melhor das intenções, não é raro familiares, amigos e conhecidos tornarem-se, no mínimo, importunos.

Ainda hoje, uma conhecida perguntou-me se já tinha visitado os recém nascidos e pegados neles. Confesso que fui talvez demasiado seca e brusca na resposta, mas fiz questão de deixar bem claro que é demasiado cedo para andar a chatear os novos pais com essas coisas.

É claro que também eu vou querer dar as boas vindas a estes novos e lindos seres, mas deixei bem explícito à minha amiga, que para além de poder contar comigo, deverá ser ela a avisar-me quando for a altura ideal para uma visita.

via uol


Então parece-me uma boa ideia expôr aqui uma espécie de "manual de etiqueta para visitas pós parto". Não se trata de ciência espacial, apenas um pouco de empatia, respeito e bom senso traduzidos em algumas regras, cujo objectivo é facilitar a recuperação da mãe, a adaptação do novo ser e dos seus pais a esta nova realidade, o desenvolvimento das suas rotinas.


O "tal" Manual

1 - A mãe é que manda! As opiniões, gostos e vontades da família, amigos e conhecidos devem ser mandados às urtigas.

2 - A mãe decide se quer receber visitas aquando a sua estadia na Maternidade, e de quem. O papel do pai é apoiá-la, e de todos os restantes, aceitar e acatar a sua decisão, seja ela qual for.

3 - O ideal é que cada casal estipule e comunique ao seu círculo de familiares e amigos com alguma antecedência, o conjunto de regras a serem seguidas, inclusivé os horários das visitas.

4 - "Copos de água e conselhos só se dão a quem os pede", diz o velho adágio. Não massacre os pais, (especialmente a mãe), com mil e uma indicações sobre o que fazer e como fazer. Para isso existem os profissionais de saúde que acompanham a parturiente, e o que se adequa a um caso pode não se adequar a outro.

5 - Na maternidade seja breve nas suas visitas - não exceda os 15 minutos. Nunca apareça de surpresa - vá somente com conhecimento prévio e aprovação da mãe. Fale baixo. Tenha o telemóvel em silêncio. Não peça para pegar no bébé. Pergunte à mãe se precisa de alguma coisa. Que a roupa não cheire nem a tabaco nem a perfumes fortes. Lave as mãos. Abstenha-se de dar conselhos. Não entre acompanhado de alguém com quem a mãe não contava.

6 - Aquando uma visita à casa do bébé, siga as regras anteriores. Inclusivé prontifique-se para ajudar. Pergunte se a mãe precisa de alguma coisa do supermercado, da farmácia, se há louça por lavar, roupa para estender. Neste caso, visita que não ajuda, atrapalha.

7 - É comum que as parturientes usem o telemóvel como uma ferramental útil para comunicar a todos o nascimento do bébé. Uma mensagem, foto do pequeno e pimba, feito! Não o considere carta branca para insistir em telefonemas. Responda com uma mensagem breve, mas não espere uma resposta imediata, a mamã tem outras prioridades!

8 - O pós-parto é doloroso, seja de um parto natural ou cesariana. O corpo da mãe está a recuperar e a habituar-se a novas necessidades, como o aleitamento.
O bébé é frágil, acabou de entrar num novo mundo. Os pais e o recém nascido precisam das primeiras semanas só para eles, para se conhecerem, criarem laços, compreenderem as necessidades do pequenino, adaptarem-se aos seus novos papéis de vida.
Há que entender que, para além da mãe da nova mamã, de quem se espera um apoio excepcional, todas as outras presenças vão ser mais prejudiciais do que benéficas, pelo menos nas primeiras semanas, no primeiro mês ou até dois, dependendo de cada caso.
Espera-se do círculo de familiares e amigos que saibam usar de bom senso durante este período, porque digo eu, que as recém mamãs não têm qualquer obrigação de fazer fretes!

quinta-feira, 6 de junho de 2013

A caixa de ressonância #1


Ressoar é existir eco, provocar uma vibração de uma qualquer amplitude. É encontrar um reflexo, um pedaço de nós nos outros.
Porque debaixo da carne, numa espécie de mundo subterrâneo, vive algo muito mais verdadeiro, livre e selvagem: a alma. Aquela parte de nós que vive de riso, que dança livremente, que abraça com força, que ama com uma intensidade que se sente até ao tutano, que se alimenta de raios de sol.

O ciclo da vida, quando feita de carne e osso, pode ser demasiado curta para, quem caminha a passos curtos e vagarosos, conclua a viagem que leva a esse mundo perdido, interior cintilante.

Daí a importância das expressões da alma. A alma dos outros é de certa forma um atalho para a nossa. Existem músicas, livros, expressões, imagens, e outras mil coisas que ressoam em mim com uma imensa amplitude, são o meu atalho, que me permitem um momento de sintonia com o melhor de mim, esse tal ser que habita num planalto escondido.
Cada momento destes, em que algo parece perfeito, incólume, brilhante, é uma peça com que se pavimenta o caminho que nos leva à autodescoberta.

Partilharei convosco, peça a peça, algumas das expressões de alma alheias que ecoam na minha "caixa de ressonância".






segunda-feira, 3 de junho de 2013

coisas que fazem bem: melancia


Simplesmente porque hoje tivemos um dia de sol radiante, é um bom motivo para falar de uma das frutas mais apetecíveis durante o Verão - a melancia.

Este fruto é sem dúvida um dos grandes favoritos - é o segundo fruto mais consumido à escala global, somente ultrapassado pela banana. A sua doçura natural, o seu aspecto convidativo, o facto de ser tão refrescante e de ser baixa em calorias, (100 gr equivalem a cerca de 20 calorias), são argumentos mais que suficientes para a sua popularidade.
Apesar de doce, o seu consumo é permitido a diabéticos, embora em doses moderadas.


via sami

Mas existem muitos mais motivos para consumir melancia - seja numa talhada, em sumo.
O sumo para além de delicioso, auxilia na limpeza de estômago e intestinos.
Até o aproveitamento das suas sementes para chá e sumo trazem benefícios, pois têm um efeito vasodilatador e vermífugo.

A melancia é rica em nutrientes: vitaminas do complexo A, B e C, ferro, cálcio e muita água, (cerca de 93%). Este facto torna-a especialmente indicada para quem sofre de problemas renais ou  do tracto urinário, pois ajuda a eliminar os resíduos.

Ela também contém potássio e magnésio, que ajudam a baixar os níveis de sódio no sangue; citrulina, um aminoácido que previne a doença arterial; L-arginina, muito benéfico para o sistema cardiovascular; e fibras, que lhe dá propriedades laxantes.

O seu elevado teor de minerais alcalinos, dão-lhe propriedades antireumáticas, e favorecem o aleitamento, (ajuda à digestão do leite materno), para além de ajudarem na cura de constipações e alívio da febre.

A presença de licopeno e glutationa dão a esta fruta poderes antioxidantes.

Como curiosidade, cientistas passaram a chamar a melancia de "viagra natural", pela presença de citrulina (em maior percentagem na casca, mas também com algum significado na polpa), que se converte no aminoácido arginina, sendo este o precursor do óxido nítrico, com propriedades vasodilatadoras.

Ou seja, tantos motivos para apreciar ainda mais uma boa talhada de melancia!



quinta-feira, 30 de maio de 2013

As minhas certezas #1



Que as almas gémeas existem. Que há 13 anos que encontrei a minha.





quarta-feira, 29 de maio de 2013

O "tal" Código de Conduta


Morar num apartamento, independentemente da localização, área, tipologia ou tipo de acabamentos do mesmo, é basicamente como partilhar casa com um qualquer número de outros indíviduos. Desconhecidos que, por casualidade, acabaram por pertencer a uma espécie de família alargada.

Não pensem que me enganei ao escolher o termo - "família alargada", porque a partir do momento em que se partilham paredes, em que os momentos privados passam a ser comuns, (como notar que o vizinho de cima se levantou a meio da noite para ir à casa de banho, porque ouvimos a descarga do autoclismo), eu diria que, no mínimo estão preenchidos os requisitos para nos considerarmos primos em terceiro grau.

Morar num apartamento é uma experiência totalmente distinta de morar noutro qualquer tipo de habitação, e isso reflecte-se sobretudo na quantidade de cuidados necessários, do cumprimento de regras das quais depende em absoluto a harmonia entre vizinhos.
Para além do que é definido por lei (que prometo que um dia coloco por aqui), existe uma espécie de Código de Conduta com base no senso comum, muito próprio desta tal vida em apartamento, que julgo não se encontrar explanado em lado nenhum, e que é tão essencial para a paz entre este tipo de "famílias alargadas" quanto as regras encontradas nos documentos legalmente consagrados.


via blabaismo

Passo então a listar essas regras implícitas, sobre as quais não se costuma escrever nem falar, mas que todos esperam que sejam seguidas minimamente. Para quem nunca habitou num apartamento, estou certa que muitos dos itens que se seguem parecerão, na melhor das hipóteses, obtusos, picuínhas, e capazes de restringir em muito a liberdade de qualquer indivíduo na sua casa. Estarão correctos!
Culpem os empreiteiros por construirem casas que parecem de papel ou as próprias leis da Acústica!

Por algum motivo a casa de sonho da maioria das pessoas é uma moradia isolada e não um apartamento! Confesso que nem eu sou excepção a esta regra!
Mas sem estas orientações, a vida neste contexto de quase comunidade, seria infernal!
Basicamente, o espírito por detrás destas é o antigo adágio que nos lembra de tratar o próximo da mesma forma com que desejamos ser tratados.


O "tal" Código de Conduta

1 - Ao usar, seja a porta do prédio, de casa, janelas, estores ou até armários, não seja bruto! Não existe qualquer necessidade de causar um estrondo de cada vez que manuseia qualquer coisa.

2 - Por favor, não ande de saltos altos em casa. O toc-toc dos mesmos é dos barulhos mais irritantes que existe. Em casa, opte por usar calçado "silencioso".

via readexpress

3 - Evite arrastar móveis, o som que daí resulta para o seu vizinho de baixo é penoso! Se não o consegue evitar, considere seriamente adquirir os chamados protectores de pés de móveis que, para além de protegerem o chão, abafam em parte o ruído de arrastamento.

4 - Se tem crianças, pense em criar uma zona de brincadeiras e revestir o chão dessa área com espuma, daquela colorida e fofinha, de encaixe, que não só as protege, mas é também uma forma de evitar riscos no pavimento. Coloca-se e retira-se com a maior das facilidades, pois são vendidas em peças que encaixam umas nas outras tipo "puzzle", e os vizinhos de baixo agradecem, pois quem nunca deu em doido com o "pom pom pom" constante de uma bola bem por cima da cabeça?!

5 - Seja razoável na escolha dos horários em que liga o aspirador - nem demasiado cedo, nem demasiado tarde. O mesmo princípio aplica-se ao uso de outros utensílios ruidosos, seja a varinha mágica, o berbequim, etc.

6 - Se aprecia ouvir música em altos berros enquanto conduz, satisfaça esse prazer. Lembre-se somente de diminuir o volume do auto-rádio quando entra numa zona residencial, especialmente durante o período nocturno. Em casa, não abdique de ouvir música se gosta de o fazer. Seja feliz, mas use de bom senso em relação aos horários e ao volume.

7 - As áreas comuns dos prédios, vulgo entradas, são geralmente zonas com muito eco, onde qualquer som ganha uma dimensão redobrada. No período de descanso nocturno tenha especial atenção a esse pormenor. Movimente-se o mais silenciosamente possível.

8 - Chegou de uma saída nocturna e está a ter um último dedo de conversa com a sua companhia? Lembre-se de o fazer no carro, ou se o fizer na rua, não use o mesmo volume de voz que usaria para comunicar dentro da discoteca. Lembre-se que há quem esteja a dormir!

9 - Não se sacodem toalhas, tapetes e afins, à janela quando se mora num prédio. Não há excepções neste ponto.

10 - Não se pendura roupa a pingar no estendal. Igualmente há que ter cuidado com o uso de lixívia e outros produtos similares que possam danificar a roupa do estendal do vizinho, ou outra propriedade.

11 - Os fumadores não devem nunca atirar cinza nem beatas pela janela, nem conspurcar as áreas comuns com as mesmas.

12 - O escoamento de água presente em todas as varandas serve unicamente para a água da chuva, de forma a impedir inundações. Nunca deve ser usado para escoar a água suja com detergente depois de lavar o piso da varanda. As varandas não são pátios,  não se limpam à "mangueirada".

13 - No caso de haver áreas de lazer comuns como piscina, etc, os condóminos devem abster-se de monopolizar as mesmas, através da presença de convidados considerada incómoda pela sua frequência ou quantidade. Contudo há várias soluções engenhosas possíveis como a criação de horários, onde ficam calendarizados os dias em que cada condómino pode trazer convidados a seu bel-prazer. Há até condomínios onde se cobra determinada quantia por convidado, de forma a que cada um contribua para a manutenção da área que usufruiu.

14 - A fachada de um prédio não é a "baliza" mais apropriada para um jogo de futebol.



15 - Pela segurança de todos, as instalações de gás ou de qualquer equipamento susceptível de causar dano, deve ser instalado por profissionais qualificados, seguindo escrupulosamente todos os parâmetros de segurança. Igualmente, aquando uma ausência demorada, (como férias), deve haver o cuidado de cortar o fornecimento de gás e água usando as torneiras de segurança.

16 - Na hora do churrasco, há que verificar se o fumo irá incomodar os vizinhos, entrando nas suas casas, deixando mau cheiro nas roupas que estão a secar no estendal.

17 - Uma garagem é um espaço pensado para estacionamento de veículos. Ponto. Não deve nunca ser usada para armazenamento de produtos e bens, que pela sua natureza, sejam susceptíveis de causar incómodo, (ex: cheiros), ou sejam perigosos por serem tóxicos, inflamáveis, etc. Não são espaços que devam ser usados como oficinas, para comércio ou actividades recreativas.
Normalmente existe alguma tolerância para com o uso dado a estes espaços, desde que as actividades realizadas passem despercebidas, não causando incómodo, mas devem ser absoluta e imediatamente cessadas caso se verifique o contrário.

18 - A boa manutenção dos edifícios é obrigatória por lei. Isso implica vistorias, pinturas e arranjos diversos que, por sua vez, se traduzem em custos. Participar activamente nas reuniões de condomínio, e aceitar as responsabilidades inerentes é dever de todos, sem excepção.

19 - Cada pessoa deve adoptar hábitos de higiene e limpeza suficientemente eficazes, não só pela sua qualidade de vida, mas também para não incomodar os vizinhos.

20 - Os proprietários das fracções que sejam alugadas as terceiros, devem ser os primeiros a educar os inquilinos sobre o Código de Conduta.


domingo, 26 de maio de 2013

coisas que gosto: De me perder...


Ontem foi um bom dia para passear e foi exactamente o que fizemos.
Lá fomos nós por entre paisagens serranas, percorrendo devagarinho estradas que pareciam só nossas. Daquelas que nos levam por entre pequenas povoações, de seus nomes curiosos, de tal modo camufladas no meio do arvoredo que acredito que, os filhos de outras terras têm obrigatoriamente que se perder para as encontrar.

E como nós gostamos disso! De nos perder propositadamente, de pedir ao gps que nos leve ao destino pelo caminho menos percorrido.

Mais do que um gosto é uma necessidade. A de recarregar baterias em locais onde a expressão da Natureza ainda é maior do que a presença do Homem.
Porque morar num apartamento deixa-nos exaustos!
Os olhos ficam sedentos de planos mais abertos, onde a linha do horizonte não seja escrita pelos telhados de outros edifícios, de cenários generosos em verde onde o paisagismo não tenha sido pensado por alguém.
Quantas vezes nos desviamos por tal estrada ou caminho, só para passar por um prado, um retalho de terra intocado.

A maior recompensa destas fugas é o silêncio. Entrar numa serra é deixar para trás o barulho dos vizinhos, dos carros e das motos, de quem passa nas ruas, dos equipamentos eléctricos. É renovar a paciência para tudo isto quando já não resta nem uma grama de boa vontade para com os outros.

Quando todos os sinais de existência de outras pessoas são exasperantes, o melhor remédio é perdermo-nos.




sexta-feira, 24 de maio de 2013

coisas de pensar: Os Versos de Ouro de Pitágoras


Pitágoras foi um filósofo grego, matemático e pensador excepcional.

Todas as crianças aprendem na escola o Teorema de Pitágoras. Seria igualmente importante transmitir-lhes a essência dos seus Versos de Ouro.
Acredito que os mesmos reflectem uma sabedoria universal e intemporal, de cariz filosófico com o poder de engrandecer qualquer indivíduo, independentemente do seu género, estatuto, nacionalidade ou credo.

Pitágoras por Rafael


Os Versos de Ouro de Pitágoras


1. Honra em primeiro lugar os deuses imortais, como manda a lei.

2. A seguir, reverencia o juramento que fizeste.

3. Depois os heróis ilustres, cheios de bondade e luz.


4. Homenageia então os espíritos terrestres, e manifesta por eles o devido respeito.
 
5. Honra em seguida a teus pais, e a todos os membros da tua família.

6. Entre todos os outros, escolhe como amigo aquele que se distingue por sua virtude.
 
7. Aproveita sempre suas suaves exortações, e segue o exemplo das suas ações virtuosas e úteis.
 
 8. Mas evita, tanto quanto possível, afastar-te do teu amigo por um pequeno erro.
 
 9. Porque a força é limitada pela necessidade.
 
10. Lembra que todas essas coisas são como eu te disse.
 
11. Mas acostuma-te a vencer essas paixões: primeiro, a gula; depois a preguiça, a luxúria e a raiva.
 
12. Nunca faças junto com outros, nem sozinho, algo que te dê vergonha.
 
13. E, sobretudo, respeita a ti mesmo.
 
14. Pratica a justiça com teus atos e com tuas palavras.
 
15. E estabelece o hábito de nunca agir impensadamente.
 
16. Mas lembra sempre um fato, o de que o destino estabelece que a morte virá a todos;
 
17. E que as coisas boas do mundo são incertas, e assim como podem ser conquistadas, podem ser perdidas.
 
18. Suporta com paciência e sem murmúrios a tua parte, seja qual for,
 
19. Dos sofrimentos que o destino determinado pelos deuses lança sobre os seres humanos.
 
20. Mas esforça-te por aliviar a tua dor no que for possível,
 
21. E lembra que o destino não manda muitas desgraças aos bons.
 
22. O que as pessoas pensam e dizem varia muito; agora é algo bom, em seguida é algo mau.
 
23. Portanto, não aceites cegamente o que ouves, nem o rejeites de modo precipitado.
 
24. Mas, se forem ditas falsidades, retrocede suavemente e arma-te de paciência.
 
25. Cumpre fielmente, em todas as ocasiões, o que te digo agora:
 
26. Não deixes que ninguém, com palavras ou atos,
 
27. Te leve a fazer ou dizer  o que não é melhor para ti.
 
28. Pensa e delibera antes de agir, para que não cometas ações tolas,
 
29. Porque é próprio de um homem miserável agir e falar de modo impensado. 
 
30. Mas faze aquilo que não te trará aflições mais tarde, e que não te causará arrependimento.
 
31. Não faças nada que sejas incapaz de entender,
 
32. Mas aprende tudo o que for necessário aprender, e desse modo terás uma vida feliz.
 
33. Não esqueças de modo algum a saúde do corpo,
 
34. Mas dá a ele alimento com moderação, o exercício necessário e também repouso à tua mente.
 
35. O que quero indicar com a palavra moderação é aquilo que não te provocará mal-estar.
 
36. Acostuma-te a uma vida decente e pura, sem luxúria.
 
37. Evita todas as coisas que causarão inveja.
 
38. E não cometas exageros no uso de bens materiais. Vive como alguém que sabe o que é honrado e decente.
 
39. Não ajas movido pela cobiça ou avareza. É excelente usar a justa medida em todas essas coisas.
 
40. Faze apenas as coisas que não podem ferir-te, e decide antes de fazê-las.
 
41. Ao deitares, nunca deixes que o sono se aproxime dos teus olhos cansados,
 
42. Enquanto não examinares com a tua consciência mais elevada todas as tuas ações do dia.
 
43. Pergunta: “Em que errei? Em que agi corretamente? Que dever deixei de cumprir?”
 
44. Recrimina-te pelos teus erros, alegra-te pelos acertos.
 
 
 
45. Pratica integralmente todas essas recomendações. Medita bem nelas. Tu deves amá-las de todo coração.
 
46. São elas que te colocarão no caminho da Virtude Divina,
 
47. Eu o juro por aquele que transmitiu às nossas almas o Quaternário Sagrado,
 
48. A fonte da Natureza, cuja evolução é eterna.
 
50. Quando fizeres de tudo isso um hábito,
 
51. Conhecerás a natureza dos deuses imortais e dos homens,
 
52. Verás até que ponto vai a diversidade entre os seres, e também aquilo que os reúne em si e os coloca em unidade uns com os outros.
 
53. Verás então, de acordo com a Justiça, que a substância do Universo é a mesma em todas as coisas.
 
54. Desse modo não desejarás o que não deves desejar, e nada nesse mundo será desconhecido de ti.
 
55. Perceberás também que os homens lançam sobre si mesmos suas próprias desgraças, voluntariamente e por sua livre escolha.
 
56. Como são infelizes! Não vêem, nem compreendem que o bem deles está a seu lado.
 
57. Poucos sabem como libertar-se dos seus sofrimentos.
 
58. Esse é o peso do destino que cega a humanidade.
 
59. Como grandes cilindros, os seres humanos rolam para lá e para cá, sempre oprimidos por sofrimentos intermináveis,
 
60. Porque são acompanhados por uma companheira sombria, a desunião fatal entre eles, que os lança para cima e para baixo sem que percebam.
 
61. Trata, discretamente, de nunca despertar desarmonia, mas foge dela!
 
62. Oh, Grande Zeus*,  pai dos homens, você os livraria de todos os males que os oprimem, se você mostrasse a cada um o Espírito que é seu guia.
 
63. Porém, tu não deves ter medo, porque os homens pertencem a uma raça divina,
 
64. E a natureza sagrada revelará a eles os mistérios mais ocultos.
 
65. Se ela comunicar a ti os seus segredos, colocarás em prática, com facilidade, todas as coisas que te recomendo.
 
66. E ao curar a tua alma a libertarás de todos esses males e sofrimentos.
 
67. Mas evita as comidas pouco recomendáveis para a purificação.
 
68. E a libertação da alma; usa um claro discernimento em relação a elas, e examina bem todas as coisas,
 
69. Buscando sempre guiar-te pela compreensão divina que tudo deveria orientar.
 
70. Assim, quando abandonares teu corpo físico e te elevares no mais puro éter,
 
71. Serás divino, imortal, incorruptível, e a morte não terá mais poder sobre ti.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Os meus pecados #2


Não encontro grande prazer em cozinhar só para mim mas, é algo que gosto de fazer para os outros. Leia-se aqueles que amo, sejam família ou amigos, ou até para os animais.

O meu pecado é que não sei fazê-lo em doses medidas, contidas, razoáveis. Faço sempre muito mais do que o necessário. Segundo a minha cara metade, cá em casa, cozinha-se para um regimento. Neste caso um regimento de dois.
Tivesse eu um restaurante e seria, certamente, um daqueles onde as doses são fartas, a comida caseira, e o cardápio improvisado de acordo com o humor da cozinheira.

Há quem diga que são mais "olhos que barriga". Eu acho que é mais coração.
Se cozinhar é um acto de amor e de afectos, - que o é certamente -  fazê-lo em doses generosas é uma expressão natural disso mesmo.

via "na minha panela"






domingo, 19 de maio de 2013

coisas de casa #2 - o bule perfeito


Pode não ser o mais bonito, mas é sem dúvida funcional.

via Ikea

 
 
 

Este bule de vidro chama-se Riklig, e encontra-se na Ikea.

Sou impaciente. Gosto de coisas simples e práticas.
Gosto de chá. Prefiro os que se vendem em folha, porque gosto fazer as minhas proprias combinações de plantas, seja para aproveitar as suas propriedades, para realçar sabores, ou simplesmente porque me dá na veneta.
Sou hedonista -  prefiro passar mais tempo a apreciar o sabor e o aroma do chá, do que a reunir todas as pecinhas e porcelanas para um contexto mais tradicional.

O depósito interior, onde se colocam as folhas de chá não poderia ser mais fácil de retirar, e isso contenta-me. A vida e o mundo já são complexos q.b., não há pachorra para uma declaração de guerra por parte dos objectos que se tem em casa.

Os últimos chás que experimentei são da Starchild e podem ser adquiridos na Ishtar. Recomendo vivamente!





coisas que me irritam #5 - Os Vampiros Emocionais


Irritam-me as pessoas que parecem transportar, para onde quer que vão, uma nuvem negra e tempestuosa, carregada de mau tempo, eternamente pairando sobre si.

São as pessoas que mal nos cumprimentam, encurralam-nos com um monólogo interminável e agressivo sobre todos os males da vida, sobre a vida de quem parece só existir males. Frase após frase, vão debitando sobre o emprego, a casa, a família...

(Não confundir com o diálogo natural entre amigos, em que se trocam confidências e conselhos, em que há dias mais e menos alegres que se reflectem nos discursos, fortalecendo os elos que nos ligam.)

E como é longa a lista de queixas sobre os colegas, os superiores hierárquicos, os filhos, a cara metade. Como é insuportável a família até ao 50º grau de parentesco, a tal vizinha, a rotina da vida, o estado da nação, o resultado do futebol, o sabor do café, a parangona do jornal, a conta do supermercado!

E nós, estúpidos reféns da educação, gentileza e até da empatia, a sentirmo-nos invadidos por quem ultrapassou a cortesia de nos questionar sobre o nosso bem estar, antes de tocar o mesmo velho disco riscado. Assaltados por quem nos vem roubar o tempo, a energia - porque as pessoas negativas são exaustivas - por quem nos vem chover em cima, e amargar o sabor do quer que estávamos a beber.

São pessoas tóxicas, que em certa forma e grau demonstram uma disfunção no relacionamento para consigo mesmo e os outros, que se tornaram dependentes da atenção obtida por parte dos interlocutores. São também pessoas conhecidas como Vampiros Emocionais, definição  que engloba em si vários tipos de comportamentos, e debatido no campo da Psicologia.


via Outra Medicina

 

A única solução está em sabermos como nos defender deste tipo de comportamentos. Vigiarmo-nos para não sermos nós os vampiros. Saber identificar os sintomas e ter a coragem necessária de impôr limites aos comportamentos alheios quandos estes ameaçam o nosso bem estar.
Saber dizer não, sem remorsos nem negatividade, também é uma das grandes lições da vida. Alimentar relações interpessoais saudáveis é um jogo de equilíbrio, de reciprocidade e respeito. Tal nunca significou, nem deve ser confundido, com estar totalmente disponível para o outro, colocando para segundo plano a relação que devemos cultivar connosco.

Com o tempo a lição do "não" tem-me sido cada vez mais fácil de assimilar e reproduzir. Aprendi a ter mais respeito para comigo própria e a colocar-me, muitas vezes, em primeiro lugar na minha lista de prioridades.
O reflexo dessa minha aprendizagem pode ser tão simples quanto o gesto de beber o meu café rapidamente na esplanada e vir-me embora, se aparece alguém cujo claro propósito é impor-me um desses monólogos pessimistas, onde nada se recebe em troca dos nossos ouvidos, da nossa atenção, do nosso tempo, da nossa energia a não ser uma dor de cabeça.


Mais sobre vampirismo emocional, aqui. e aqui.




As pessoas de quem gosto #2



imagem via Pautas e Linhas
 

Gosto de quem entende que a Reciprocidade é essencial nas relações.


"A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro."