quarta-feira, 28 de agosto de 2013

sumo do dia



Deitar na liquidificadora:

- Ananás aos pedaços (fresco, nada de enlatados!)

- Sumo de limão

- Água fresca qb


Gostaria de tomar um café com... #1


 Ian Anderson.
Génio, louco, compositor, guitarrista e flautista. Trovador, bardo, frontman dos Jethro Tull.



quarta-feira, 21 de agosto de 2013

coisas que me irritam #8



Em Agosto, nas estradas, todos os dias são Domingo.

E nem sequer me refiro aos turistas que andam visivelmente às aranhas, ou aqueles que decidem desfrutar de um passeio a menos de 40 km/h. Têm todo o direito.

Também coloco de parte o(a)s retardado(a)s que teimam em estacionar em frente aos estabelecimentos, mesmo que haja um estacionamento a 30 metros, mesmo que isso signifique estarem a ocupar toda uma via. E porque é que isto acontece precisamente em localidades onde as estradas são estreitas?!

Nem me refiro à Sra. D. Abécula que vi tentar entrar com o carro para o recinto da Feira Medieval em S. Pedro de Sintra, mesmo estando lá uma barreira e dois polícias frenéticos a fazerem-lhe sinais.

Benevolente como sou, até escapam as dúzias de indivíduos que apanhei nas últimas semanas a entrar na estrada principal usando a estratégia vou-acelerar-à-maluca-os-outros-que-por-acaso-estão-a-um-par-de-metros-de-distância-que-travem.

nwitimes


Ou ainda os supostamente embriagados, e os visivelmente embriagados.
O que vale é que, segundo dizem, falta menos de uma década para incorporarem nos automóveis, um gadget semelhante a um teste do balão, ligado à ignição do veículo. Significa que estando o automobilista alcoolizado, o automóvel recusa-se a ligar-se. Daquelas coisas que faziam falta para ontem!

Refiro-me, sim, aos piores casos possíveis - os condutores imprevisíveis. Esses sim, metem medo!

São aqueles que se sabem o significado de "velocidade constante" não a aplicam. Que vão a pisar ovos, que travam quase a fundo mal se apresente a mínima das curvas, mas que carregam a fundo no acelerador nas rectas, e quando estão a ser ultrapassados.

Portanto, a quem me lê e souber do paradeiro do condutor domingueiro que ia ontem, no final de tarde, a fazer o percurso Praia Grande - Colares, de melena grisalha ao vento ao volante do seu SLK descapotável, sejam amigos - mandem-lhe um abraço e informem-no dos horários dos autocarros.

Obrigada.




segunda-feira, 19 de agosto de 2013

No museu pessoal do traje




Em pequena, era a minha mãe que me escolhia a roupa, os sapatos, os penteados.
Invariavelmente, a rotina consistia em escolher-se o conjunto na noite anterior, deixá-lo fora do armário, bem à vista, para que, de manhã, conseguisse vestir-me sozinha sem grandes complicações.

O que nunca é fácil para uma criança ensonada, logo todas as técnicas pensadas para simplificar as manhãs são bem vindas!

Nunca liguei muito a roupa, portanto sempre achei o máximo que a minha mãe me poupasse à maçada de pensar sobre isso.
Por mim, qualquer peça escolhida por ela estava perfeita ( em parte pela minha falta de interesse, mas também pelo seu bom gosto).

Era muito mais importante para mim a escolha do material escolar, da bonecada que me iria acompanhar no novo ano lectivo na mochila, no estojo, nos cadernos.

Apenas exigia que não me vestisse de cor-de-rosa. Mais do que um pequeno apontamento na "cor proibida" era inadmissível, segundo a minha versão pirralha.
Isso e os sapatos de verniz, mas esses porque magoavam os pés.



Naquela idade eu não gostava muito dos tons rosa, talvez por associá-los a miúdas para quem brincar significava passar horas a escovar bonecas e a brincar às casinhas. Eu cá gostava também de livros, de ler e de colorir, de blocos de construção, do Spectrum. Porque a vida de uma menina não tinha que ser só bonecas, certo?

Conseguia, com os meus argumentos, fugir dos rosas, mas não dos sapatos de verniz.

Fazem parte das minhas memórias vestidos em padrões vichy, blusas impecavelmente brancas, as suas golas redondas por fora dos casacos de malha, bordado inglês, saias plissadas e de xadrez, meias argyle até ao joelho, calças de bombazine, collants em canelado, coloridos e super quentinhos no Inverno, a icónica loja da Cenoura...

No cabelo, sempre uma bandolete e a franja, que me acompanharam até à adolescência.






Lembro-me particularmente bem de um conjunto de Verão, num padrão abstracto em roxo e verde, que eu insistia em combinar com umas sabrinas douradas, usado vezes sem conta, até à exaustão.
Teria 11 anos, e envergava aquele conjunto "original" com a maior da felicidade e confiança. Era confortável e aquela mistura de cores fazia-me sorrir.
E esses argumentos são os suficientes para uma criança que não tem pressa em deixar de ser criança.
E isso é do melhor!



sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Sabedoria dos intas em 10 segundos #7



As manias tiram-se.


O outrora magnífico palácio da memória...


... está em ruínas.

Dizer isto é render-me às evidências.
Aceitar que a pequena e mui eficiente Miss Lemon, que operava num 2º andar com vista para a Av. do Hipocampo, do "outrora magnífico palácio" mudou-se.
Queixava-se das condições de trabalho. Diz que teve um esgotamento, meteu baixa por tempo indefinido. Mudou-se para a praia do Encéfalo. Parece que os dias são mais prazeirosos por lá...

Volta Miss Lemon! Sinto tanto a tua falta, dessa tua eficiência magistral.

Sinto falta de saber todos os números de telefone e moradas de cor. Os da família, dos amigos, dos colegas, das escolas, dos empregos...
Sabes que demorei semanas para decorar, correctamente, o meu novo número de telemóvel? Que angústia!

Lembras-te quando "o melhor que encomenda" me ligava para o escritório, a dois minutos de se encontrar com um cliente?
Questionava-me sobre o teor de um documento, com perto de 100 páginas. À rasquinha, em cima da hora, porque não leu o que deveria ter lido. Esperava que, à velocidade da luz, lhe indicasse de memória o paradeiro de um ou outro tópico.
E tu, Miss Lemon, vinhas em minha salvação: "página 48 ou 49, mais ou menos a meio" - para me salvares no momento em que a minha boca já se movia para declamar, ao telefone, aos ouvidos do meu empregador, os vários sinónimos de "trambolho".

Desculpa, mas aí erraste, querida Miss Lemon!
Mataste à nascença o que poderia ter sido mais do que um momento de pura poesia.
Teria sido a nossa salvação (tenho a certeza que foi "o melhor que encomenda" que te levou ao esgotamento, à deserção). A nossa carta de alforria!


Soubesse que me poderias abandonar e teria declamado como ninguém, com punjança e bravado:

- Vossa Mercê é um trambolho! Digo,

troço coisa carga acusação arrecova ataque carregação carregamento carrego embaraço fardel fardo ónus pesadume porte responsabilidade sova surra  acanhamento apertura assado atalho atrapalhação atravanco buraco busilis cerimónia cipoal complicação confusão constrangimento contratempo dificuldade durida embargo embondo embrulhada empacho empecilho encrenca enleio enrascada entalação entaladela entrave estorvo imbeleco imbondo impedimento irresoíução labirinto óbice obstáculo osso peia pejo perplexidade perturbação rascada resistência timidez tropeço embrulhos barreira empeço pespego travanca trangalho enfiada !


Tudo por ti, saudosa Miss Lemon!
Pelos muitos serões de estudo a que me poupaste, à facilidade de fechar os olhos e ver recriado, em versão cinematográfica a correr por trás das pálpebras, a tal aula em que se falou de tal, o tal livro, o tal filme.
Pelos muitos anos que passei, segura de ti, a pensar que agendas eram para velhos com problemas de memória.


Volta depressa. A chave está no sítio do costume. Se não me encontrares é porque saí para comprar uma agenda.