quarta-feira, 2 de abril de 2014

Ah e tal, vais-me dizer que nunca sentiste inveja...





Não digo tal coisa!


Aliás, inveja é coisa que sinto sempre que há alguém a ganhar o primeiro prémio do Euromilhões que não eu. :P



Em relação à felicidade alheia





Estou sempre a torcer pela felicidade, tanto pela minha como pela dos outros. Gosto que as pessoas, todas as pessoas, sejam felizes, bem sucedidas, completas, realizadas.


Saber de Fulana ou Sicrano, sobre como a vida lhes corre bem, são boas notícias e deixam-me satisfeita. Então quando se trata de alguém por quem se nutre um especial carinho, ou alguém que por qualquer motivo pensamos ser especialmente merecedor de todo o bem que lhe chegue, é alegria redobrada na certa.


Acima de tudo faço-o de forma genuína e natural. Não o faço para ficar bem na fotografia, até porque em relação à percepção dos outros em relação a mim, acho a posição de "underdog" ou de "anónima" muito mais confortável, prazenteira, e implica muito menos trabalho e chatices. Prefiro que me conheçam pelo meu mau feitio, e praticar qualquer boa acção, o mais possível na sombra.
Também não o faço porque seja particularmente altruísta ou um ser iluminado que tenha vindo ao mundo para dar lições.


Faço-o sobretudo por uma questão de egoísmo saudável.




Confessem, agora troquei-vos um bocadinho as voltas.






Eu explico: se há coisa que eu gosto na vida é de paz, sossego e boas energias. É uma trindade fundamental ao meu bem-estar.  Que é algo relativamente fácil de obter quando as pessoas que nos rodeiam, (quantas mais melhor!), forem felizes.


Porque as pessoas felizes são bem resolvidas, emanam boas vibrações, são construtivas, produtivas, mais empáticas e geradoras de ideias e acções positivas. São um bálsamo para o mundo e para os outros, a felicidade ocupa-as, e os bichos da mesquinhez, da inveja, do ódio, e de tudo o que é podre e que contamina, qual doença infecciosa, vão minguando por falta de alimento.


Em conclusão, acredito na premissa que torcer pela felicidade dos outros é também investir na minha.













segunda-feira, 31 de março de 2014

Coisas de uma virginiana #1: As férias





Dizem que não há ser tão analítico e organizado quanto o nativo de Virgem.


Por aqui, há de tudo: momentos em que posso contestar, e outros em que me rendo às evidências.
Vou-vos relatar algumas das minhas "cenas virginianas", a começar por um tema que a todos nos é querido: as férias.


Para uma virgiana não existem férias. Não verdadeiramente.
Estar "de férias" significa descontrair, relaxar ao máximo, sintonizar o cérebro numa velocidade a meio gás e usufruir, apreciar, deixar fluir, o que é impossível para alguém sob a influência deste signo.
Quando muito, ou finge-se estar-se imbuído desse espírito por respeito a quem nos acompanha, (também na esperança que a coisa pegue), ou realmente consegue-se uma postura menos anal, porque fizemos bem o trabalho de casa, temos tudo sob controlo e podemos, finalmente, degustar a tal bebida enquanto sorrimos à "Mona Lisa", saboreando uma vitória contra os imprevistos e a ineficácia alheia.


O trabalho de casa são os preparativos para as férias e, juro-vos que este é um dos momentos em que este signo brilha com todo o seu fulgor. Quem nunca assistiu a tal coisa, é bem capaz de ficar encadeado!


Este ritual começa semanas antes da partida. O número certo de semanas depende de quão longe, exótico e desconhecido é o destino.


Se já houver uma decisão tomada em relação ao destino, já é meio caminho andado. O que todos os outros desconhecem, é que isso significa que tal localização já foi pesquisada e analisada até à exaustão.


Se a vossa cara-metade é deste signo, e se vos perguntar que tipo de actividades estão a pensar fazer nas férias, não é por acaso nem tem nada de inocente. A verdade é que conforme a vossa resposta, a/o virginiana/o irá plantar-se, o mais discretamente possível para não passar por obsessivo-compulsivo, em frente ao pc até ter um programa elaborado, pormenorizado, e ainda umas quantas alternativas.


A vossa resposta, em conjunto com a previsão metereológica, também será levada em consideração para fazer as malas.


Se forem como eu, no momento em que estão prontos para sair de casa, para além de toda a bagagem, irão com o fiel caderno/ pasta/ moleskine em punho: lá constará não só o trajecto (indo de carro), com detalhes sobre distância, tempo estimado, portagens, caminhos alternativos.
A morada do hotel, coordenadas, (mesmo que vocês insistam que é por isso que inventaram os gps, nós gostamos de nos sentir preparados e à prova de azares), contactos, número de reserva.
Não será esquecida uma lista generosa de restaurantes: as suas moradas, coordenadas, horários, preços médios, especialidade, ordenados por classificação e distância. Repetido para todas as atracções sejam museus, galerias, o que for.




Confesso, que me dá um imenso prazer, quando o marido pergunta onde vamos comer ou o que vamos fazer naquele momento, e eu saco vitoriosa do meu caderninho, e lhe apresento aquele rol de possibilidades, onde no meio estão algumas pérolas, escondidas aos turistas que seguem despreparados.












Caso para dizer: Murphy - 0, Virginianos - 1.

sexta-feira, 28 de março de 2014

O nome que daria a um filho





Aposto que, tal como eu, quem não tenha a maternidade como objectivo, pelo menos a curto prazo, (porque nunca se deve dizer nunca!), já deu por si a pensar numa lista imaginária de nomes possíveis com que baptizaria os petizes.


No topo da minha lista está Viriato.


Já vos estou a imaginar desse lado: "Ahhhh, credo! Coitadinha da criança! Porquê?!"


Porque acredito no poder das palavras, na importância dos nomes. Porque no caso de realmente estes influenciarem quem somos, então nem hesito em escolher o nome de uma figura inspiradora - o Viriato da lenda, da História, o líder dos Lusitanos, que foi reconhecido pelos seus inimigos romanos como sendo inspirador, valoroso, "um príncipe".


"Do Latin viri que significa homem, herói, pessoa de coragem, honra e nobreza;"




Se for para dar o corpo ao manifesto, passar pelas dores de parto, que seja para parir um herói, que este país e o mundo bem precisam de mais um a engrossar as fileiras.






cromices #9: Das capitais que nem todos conhecem...






Tenho amigos dos quatro cantos do mundo.


Algumas dessas amizades não começaram em cidades como Helsínquia, Londres ou Edimburgo, mas sim em Stormwind, Orgrimmar ou Ironforge.




terça-feira, 25 de março de 2014

coisas de ver #23



Hoje trago-vos uma série de televisão britânica intitulada "It's not easy beeing green". (Mais informação aqui ).


Não tenho por hábito fazer grandes comentários sobre as "coisas de ver" que por aqui vou deixando, mas esta é uma série que considero especial e digna de provocar uma excepção.


Conheci-a através de um livro que comprei recentemente na Amazon - ""Practical Self Suffiency"  - da autoria dos mesmos protagonistas que encontramos nesta série da BBC que hoje vos trago.


Sustentabilidade, ecologia, autonomia, são temas que me interessam. Alimento o sonho /objectivo de, num cenário a longo prazo, ter a capacidade de vivenciar a experiência que esta família de quatro descreve tão bem, no livro e na série.
Atrai-me o conceito de termos a capacidade de gerar a nossa própria energia, cultivar os próprios alimentos, viver de uma forma mais amiga do ambiente, que acaba também por ser mais amiga do ser humano, mais livre e satisfatória, e sem abdicar de muitos dos confortos do séc. XXI.


Assistir a esta série é como acompanhar de perto esta família na sua aventura. Tudo é apresentado de uma forma muito real, muito cândida: não se escondem as dificuldades, o facto que nem tudo funciona à primeira tentativa. Mas a alegria com que o fazem exala do ecrã, assim como a generosidade em explicar o que fazem e como.


E explicam bem! Já posso dizer que finalmente percebi o que raio é o "mulching".






Recomendo! Verdadeiramente!
















quinta-feira, 20 de março de 2014

coisas que me irritam #11: Aquele tom...





Existem pessoas cujo tom de voz é tão agressivo, carregado de raiva e queixume, negativo mesmo, e que é o único que possuem, quer estejam realmente a queixar-se, ou a descrever o melhor que lhes aconteceu na vida.


Usando os termos certos, não é algo que me irrite, é algo que me incomoda, que me complica o sistema, que me deixa desconfortável, causa mal estar, que transmite uma espécie de má energia. Tanto quanto levar com fumo de escape na cara, o cheiro a fossa séptica, ou o som de unhas a arranhar um quadro negro.


Porque se existe poder nas palavras, e a importância de sermos positivos e evoluídos nas peças com que construimos o nosso discurso, o tom não fica atrás.


Ninguém é perfeito, mas há que ter a consciência da nossa forma de expressão, para que esta eleve quem nos ouve, para que seja mais do que poluição sonora.


Uma das minhas vizinhas tem um tom de voz assim. Mesmo abafada, ouço-lhe a voz, intercalada com o som do aspirador. Confesso que prefiro gramar com o barulho da maquineta.


Haja música para camuflar ambos!






terça-feira, 18 de março de 2014

Num universo alternativo, a semifinal do Festival da Canção soaria assim



Confesso que o Festival da Canção teria-me passado totalmente ao lado, não fossem uns zunzuns sobre o tema vencedor pelas redes sociais.


Levada pela curiosidade procurei-o. Acabei por ouvir, na diagonal, as 10 canções que fizeram parte da semifinal. ( aqui ).


Não quero ser mázinha, até porque o gosto é algo bastante subjectivo, e porque quero respeitar o processo criativo alheio: digo apenas que, se fiquei fascinada, ou melhor, boquiaberta, não foi pelos melhores motivos.


Acredito que no Festival da Eurovisão, por várias razões, nem todas relacionadas com a qualidade da peça musical, seremos sempre um "underdog". Aceitemos o facto, e foquemos a nossa participação na estratégia de levar além fronteiras o melhor da portugalidade.
Abandone-se a fome pelo troféuzinho. Essa fome que leva compositores a enveredar pelo trilho do que consideram vendável, mais popular, sei lá, e que acaba por ser uma caca, com pouco ou nada do que somos, em termos de cultura, de sonoridade, de identidade criativa.


Portanto, apresento aqui a minha versão alternativa de semifinal de Festival da Canção. São sons, intérpretes, bandas, que na minha perspectiva representariam melhor esse conceito de portugalidade que deveriamos levar ao mundo.
E o difícil foi escolher só 10!


Gostava que participassem, que fizessem o vosso alinhamento, que opinassem. Que tal?

















































sábado, 15 de março de 2014

Lembrança de Apolo em chamas ou, um argumento para a liberalização das drogas





Acho que não existe ninguém no mundo que não tenha perdido alguém para o buraco negro das drogas, seja um familiar, amigo, ou simplesmente um conhecido.


Durante a minha adolescência, morreram três pessoas do meu círculo alargado de amigos. Perderam-se definitivamente, sem retrocesso.
Acho que o mesmo se pode dizer daqueles que sobreviveram: perderam-se definitivamente, sem retrocesso. São uma sombra do que foram, envergam o fato pesado das marcas da dependência. Marcas indeléveis, visíveis no corpo e na psique, mesmo após o acto de enorme coragem de vencer a dependência.
São casos verdadeiramente raros aqueles que têm a benção de uma segunda oportunidade, de se apresentar ao mundo renovados, de ter outras realidades como cartão de visita, sem que a aparência os traia, ou que troquem velhos vícios por outros.




Também nós - todos aqueles que assistimos ao desperdício da vida - ficámos com uma cicatriz indelével, marca das suas histórias.


Igualmente quando penso neste tema, lembro-me de um rapaz, de quem nunca soube o nome.




Estaríamos nos anos 90. Eu, uma adolescente, ia com os meus pais em mais uma viagem até à casa dos meus avós.
No mesmo trajecto de todas as vezes, num mesmo semáforo que fechava sempre que lá passávamos, algures num ponto encardido de Lisboa onde a primeira reacção há-de ser sempre fechar os vidros e trancar o carro, lá estava ele: um jovem louro, com cabelo à Kurt Cobain, lindo, cheio de vigor, sorridente, a irradiar vida e luz e cor naquele ponto lúgubre da cidade, onde quem lá pára não é por bons motivos. Pululava por entre as várias viaturas, paradas no sinal vermelho, como se estar na rua a limpar os vidros dos carros em troca de alguns trocos fosse a melhor coisa do mundo.


Nem há palavras para como aquela contradição teve impacto em nós. A memória é volátil, e já lá vão uns bons anos, mas lembro-me do meu pai, quando abordado por aquele jovem, ter-lhe oferecido ajuda.
O rapaz sorria, e educadamente recusou. O meu pai despediu-se com um "tem cuidado, cuida-te", e com o sinal verde, fomos os três de coração apertado.


As viagens à casa dos meus avós ocorriam, mais ou menos, de dois em dois meses. Em todas as viagens víamos aquele jovem, no mesmo semáforo. Num período de cerca de um ano, talvez um pouco mais, assistimos à sua mudança: gradualmente foi-se a luz, a alegria, a vivacidade, a beleza. Em cada viagem, aquele jovem cada vez mais magro, macilento, cinzento, deixava de ser Apolo.


A última vez que o vimos, o jovem Apolo parecia um cadáver, esquelético como os protagonistas das fotos ilustrativas dos horrores do terceiro mundo, tinha imensas dificuldades em mover-se e parecia quase alheio ao que o rodeava.


Na viagem seguinte, e em todas as outras após essa, não o vimos mais.


Nunca deixarei de o lembrar, e de sentir tristeza com o seu destino, embora fosse um estranho. É impossível ficar indiferente ao desperdício da vida.




É também por ele que defendo a liberalização das drogas.
Se não é possível erradicar de vez o tráfico e o consumo das mesmas, parece-me preferível a existência de espaços assépticos e controlados pelo Estado, semelhantes a enfermarias, especificamente criados para serem o único local onde é permitido o consumo dessas substâncias. Para mim, antes assim do que a degradação de espaços públicos, de zonas que se transformam em locais chave de tráfico e consumo.
Defendo um cenário onde as drogas se vendam como um medicamento - melhor que seja o Estado a lucrar com a venda das mesmas do que os traficantes, podendo investir esses proveitos fiscais na reabilitação e tratamento de quem procure um novo rumo.
Talvez assim não existissem buracos negros espalhados pela cidade que sugam a vida de quem neles se pára, nem Apolos em semáforos.














segunda-feira, 10 de março de 2014

Até já





Tenho tanto, tanto, para pôr em dia por aqui!


Prometo que em breve o farei.


Já sorrio. Já ouço música. E, o meu apetite, que andava pelas ruas da amargura, até já deu sinal de vida quando ferrei o dente num mega muffin de chocolate com pepitas... Oh, os poderes mágicos do chocolate!


Um abraço e até já! :D