quarta-feira, 23 de julho de 2014
caixa de ressonância
coisas que gosto #9: Bosão de Higgs
Adoro ciência.
Acho a Ciência profundamente Espiritual.
Aos seus olhos, somos energia, átomos e quarks. Somos pessoas, pedras e pássaros, estrelas e cometas, todos feitos do mesmo barro. Somos feitos de Universo e o Universo é feito de nós.
Descobriram a nossa essência, e que essa nos une não só enquanto espécie, mas a todas as espécies, a Tudo o que existe, muito para além do que a vista alcança e o nosso conhecimento imagina.
Para mim nada há nada mais Espiritual! Nem nunca houve nenhuma religião que conseguisse o mesmo.
(Infografia sobre o Bosão de Higgs, aqui )
terça-feira, 22 de julho de 2014
coisas de comer: Não acredito em dietas.
Não acredito em dietas, acredito em fazer algumas mudanças no nosso estilo de vida, para que seja mais saudável. Sem fanatismos nem exageros.
Porque enquanto seres humanos, referindo-me especialmente a mim, somos hedonistas, gostamos do que nos dá prazer, somos muitas vezes preguiçosos, e incapazes de grandes sacrifícios durante muito tempo.
Também não sou apologista de perdas de peso em tempo recorde. Ninguém me convence que é algo seguro e saudável. Para mim, emagrecer deve acontecer gradualmente.
Quando quis perder aquela meia dúzia de quilos que me faziam sentir desconfortável, implementei algumas mudanças no meu regime alimentar.
O meu objectivo não era apenas perder peso, mas sobretudo ter um maior cuidado com a minha saúde. Acredito que o bem que fizer ao meu organismo hoje, será recompensado no futuro.
O facto de ter diabéticos na família também contribuiu para a minha decisão.
Ninguém sabe o dia de amanhã, mas gostaria mesmo de viver uma vida longa e saudável q.b.
O que fiz então?
- Informei-me melhor sobre o que comemos. Comecei a prestar mais atenção à informação que vem nos rótulos das embalagens, logo a fazer melhores escolhas quando vou às compras.
- Reduzi, (quase que aboli), o consumo de alimentos processados, porque estes abusam nos açúcares, nas gorduras, sal, conservantes, e são muitas vezes geneticamente modificados (GMO's).
- Não uso caldos de cozinha, daqueles cubinhos e pózinhos que se encontram à venda.
- Aumentei o consumo de frutas e vegetais.
- Já usava pouco sal, passei a usar sal iodado. Quase que cortei totalmente com o uso de gorduras - basicamente só uso azeite, em poucas quantidades, manteiga muito de vez em quando. Prefiro usar e abusar de ervas aromáticas para dar vida e gosto aos alimentos, como tomilho, ervas de provence, oregãos, salsa, coentros, alecrim, etc.
- Reduzi o consumo de açúcar:
Não consumimos refrigerantes: optamos por sumos naturais feitos com fruta fresca na liquidificadora, muita água e chás.
Comemos bolos, mas nem pensar fazê-lo todos os dias. Mesmo quando feitos em casa, corto sempre na quantidade de açúcar que vem nas receitas, e opto por açúcar amarelo.
Chocolate, só negro, e apenas uns quadradinhos de cada vez.
- No Inverno abuso das sopas, no Verão das saladas. Gostamos das últimas sem qualquer tempero.
- Adequar as doses: como até ficar saciada, não empanturrada. Por vezes acontece, mas é a excepção, não a regra. Se não abusarmos das quantidades podemos comer de tudo.
- Deixou de haver maionese ou natas cá em casa. Por exemplo, por cá o molho do strogonoff é feito com uma redução de cerveja ou vinho branco, ervas aromáticas, picante e mostarda, e uma pequena noz de manteiga. E fica muito bom.
Também abdico do bechamel na lasagna, e faço o bacalhau com natas de forma alternativa.
- Cortei com a torrada besuntada de manteiga do pequeno-almoço. Passou a ser uma daquelas coisas excepcionais. Se tiver fome prefiro pedir uma sandes mista sem manteiga.
- Praticamente não faço fritos em casa: nem batatas, nem croquetes, rissóis, nada disso. Quando existem apetites por batata frita, (que surgem!), compra-se um pacote das da Titi, que são as melhores de todas! E não são para ser devoradas como snack, mas sim à refeição, como parte dos acompanhamentos, em conjunto com salada.
Mesmo as azevias no Natal, são por cá feitas no forno, desde sempre.
- Adequo o meu consumo de calorias às minhas necessidades. Nem pensar que sou uma maluquinha de contar calorias, nada disso! Se o meu dia não for muito puxado, basta-me um almoço leve. Por exemplo, uma tosta ou sopa, um chá ou sumo, e fruta.
- Não se mistura arroz com batata. Ou um, ou outro. Juntos são uma bomba calórica.
- Redução no consumo de batata. Mesmo nas sopas, sempre usei pouca batata. Gosto de cremes com muita variedade de legumes na sua composição, de preferência, de cores diversas.
- Fast food só muito de vez em quando, ou como se diz, quando o rei faz anos.
Gosto de comer. Como de tudo: pão, queijo, doces, you name it. Sou uma boa boca, com um bocadinho de bom senso. Se dou uma no cravo, sei que terei que compensar, dando uma na ferradura.
Sublinho que acima de tudo é um investimento em saúde, não em estética.
Para mim, a estética pela estética tem pouco valor, ao passo que a saúde não tem preço.
cromices #24: Como se vai chamar o bébé?
Aqui, há uns aninhos, estava com mais meia dúzia de quilos.
Pode não parecer muito, mas para quem mede menos de 1,70m, (só um bocadinho, tá?!), é o suficiente para ficar com umas bochechas tipo "esquilo que está a armazenar nozes para o inverno", e um belo de um pneu (é sempre bom ter um suplente!).
Um dia cruzámo-nos com um casal de amigos que já não víamos há algum tempo num shopping.
Até esse momento nunca achei que estivesse gorda o suficiente para me confundirem com uma grávida.
E para falar a verdade, até nem estava. Mas essa amiga, (boa pessoa e muito querida), tinha uma espécie de obsessão vincada pela maternidade.
Mal tinhamos acabado de trocar cumprimentos, ela ataca-me com a destreza de um gato e a velocidade de uma metralhadora:
"Ai, estás tão linda!", "A mim não me enganas!", "Estou tão contente por vocês!", "É para quando?".
Depois, não foi de modas, aproxima-se de mim, toca-me na barriga e pergunta-me se já sabemos se é menino ou menina.
Eu e o marido, boquiabertos, surpresos, de olhos esbugalhados a olhar um para o outro. Sobre nós pairava um balão de pensamento partilhado, com um enorme "Awkward!" em letras garrafais.
Acto contínuo, à mesma velocidade alucinante, questiona-me sobre o nome.
Sorri, com algum ar de gozo, e respondi: Banha.
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Peão vs Automobilista
Gosto muito de caminhar, da mesma forma que há quem seja apaixonado por andar de bicicleta, ou conduzir, ou surfar, ou whatever...
Tal faz com que esteja frequentemente num cenário peão vs automobilista.
Tenho uma mania, que é de tal forma parte de mim que o gesto sai naturalmente: sorrio e aceno levemente, em forma de agradecimento, aos condutores que páram nas passadeiras que atravesso.
Sim, já me disseram que não tenho que o fazer, que é obrigatório parar, e tudo isso.
Também já me perguntaram por que o fazia.
A resposta é simples. É de conhecimento geral que parar nas passadeiras pode ser obrigatório, e quem não o faz pode sujeitar-se a uma sanção. Mas por mais leis que existam, agir bem ou agir mal será sempre uma escolha pessoal.
Não imagino melhor forma de fomentar as boas escolhas que reconhecer e recompensar quem as faz.
Da minha parte, enquanto pedestre, nada mais posso fazer do que ser gentil.
E gosto muito do facto que quase todos aqueles com que me cruzo retribuem o aceno e o sorriso!
E ao contrário, como ajo?
Digamos que, na época em que tinha que atravessar a 24 de Julho todos os dias, gota a gota, o copo foi-se enchendo com as más atitudes de tantos e tantos condutores. Tanta desatenção, falta de cuidado e respeito para com os peões, mesmo numa passadeira, e com o sinal vermelho!
Um dia o copo transbordou.
Um veículo de alta cilindrada vinha de tal forma depressa, que ignorou a sinalização, e ia albarroando um grupo de pessoas que naquele momento atravessava na passadeira.
Travou a fundo, ficando a meio da mesma e a escassos centímetros de mim.
Com o coração na boca, não fui de modas. Peguei no chapéu de chuva com ambas as mãos e desatei a bater no capot, a vociferar como estava farta daquela merda, que todo o santo dia era a mesma coisa, os mesmo imbecis, perante o olhar perplexo do condutor.
Depois segui caminho. E sim, estava muito mais aliviada. O facto de ser um carro xpto também ajudou à terapia.
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E com duas palavrinhas apenas...
Já trabalhei numa sapataria.
Por norma, quando apareciam clientes "estrangeiros" as minhas colegas iam-me chamar.
Numa dessas ocasiões dei por mim diante de uma família, com quem comunicar parecia uma missão impossível.
Tentei os óbvios "do you speak english", "parlez vous français", "habla español", "parla italiano".
Sem sucesso.
Atirei-me com medo ao "sprechen sie deutsch", (sou a nódoa das nódoas em alemão).
Nada.
Ouvi-os a falar entre si, e pareceram-me de leste.
Eu que não sei falar russo, atirei na mesma expressão todas as palavrinhas russas que me ocorreram: "russki gorbatchev vodka perestroika?"
Sucesso! Efusiva demonstração de alegria por parte dos clientes!
Gosto muito de uma das características do povo português: somos desenrascados como poucos.
E foi assim que usando só "da" e "nyet", (sim e não), apontando para os sapatos, usando gestos para "pequeno" e "grande", e o polegar para cima usado para indicar que era mesmo aquele par ou perguntar se estava ok, conseguimos comunicar.
cromices #23
As minhas desculpas à pessoa que me acordou com uma chamada.
É que tenho uma reacção incomum: a de conseguir atender o telefone a dormir. E embora a minha dicção seja boa mesmo a dormir (é um dom, eu sei!), a verdade é que não faço a mínima ideia do que estou a ouvir, muito menos do que estou a dizer.
sábado, 19 de julho de 2014
cromices #22
A pessoa mais optimista do mundo foi, de certeza, aquela que achou que pisar merda lhe traria boa sorte.
Eu sou aquela que anda a ziguezaguear pelos passeios, a contornar os imensos montinhos de boa sorte que para aí andam. É que no final de contas, até sou feliz e grata, e deve haver quem precise mais de bons augúrios.
As minhas lições: Nullius in verba!
Uma das grandes demandas da minha vida tem sido a busca de conhecimento. Se preferirdes, podeis chamar-lhe uma espécie de busca pela iluminação.
Tal não me distingue de nada ou ninguém, pelo contrário. É um trilho que, a cada passo percorrido, nos aproxima, independentemente de todas as diferenças que nos pareçam separar.
Na minha "caixa de ferramentas" não poderia faltar, naturalmente, a curiosidade. Nada se aprende sem curiosidade. E claro, a liberdade, crucial para se ser curioso.
A minha levou-me também ao estudo das grandes religiões mundiais, de filosofias.
Na medida da minha humanidade, fiz os possíveis para evitar julgamentos fundados em preconceitos. A minha consciência seria a minha bússola. O meu objectivo, apreender o que na minha percepção era "trigo", deixar de parte "o joio".
Em resumo, a grande conclusão, (a minha, cada um deve buscar a sua), a que cheguei é a "essência de todas as coisas", chamemos-lhe assim. Existe uma centelha na raíz de tudo o que existe, um ponto comum, uma espécie de coração universal que nos une.
Como explicar?!
Como estamos a falar em religião, quando procuramos a essência das mesmas, o fundamental, o basilar, a sua centelha divina, verificamos que não existem diferenças, apenas semelhanças. É que o coração de todas as religiões bate pelos mesmos princípios elevados, como o Amor, a Compaixão, a Solidariedade, etc. E o mesmo coração bate em todas as coisas vivas.
Apenas a "forma" nos distingue, não a "essência". Este é o primordial elo de ligação entre tudo e todos.
A "forma" das religiões foi construída em redor da "essência", como as paredes de um templo, ou as camadas de uma cebola, em volta do sanctum sanctorum.
E ao longo do tempo, "a mensagem vem-se perdendo com a tradução": a "forma" não honra a "essência".
Para mim, neste contexto, a "forma" é religião, a "essência" é espiritualidade.
Pessoalmente considero-as díspares. Sou pela espiritualidade.
A espiritualidade, é pura, atemporal, é a demanda pessoal e livre de todos pelo reconhecimento desses princípios raíz do qual o Amor é pedra basilar.
A religião é, no seu pior, um produto dos homens para controlar os seus semelhantes. Muitos dos seus aspectos não nos honram. Talvez tenha começado como uma boa intenção.
Não demonizo as religiões, nem quem nelas se encontra. (Guardo isso para o fanatismo.) Encontrei tanto de valor em cada uma delas, ensinamentos e pessoas!
Porque há-de sempre haver gente de bem, em todo o mundo e em todas as crenças, que consegue conciliar numa expressão harmónica e luminosa a forma e a essência. Ainda bem. Serão estas gentes os seus guardiães.
Não sou religiosa, sou espiritual. O meu amor pela liberdade não me deixa abdicar do meu poder pessoal, aceitando cegamente que me digam em que acreditar, o que fazer e como, nas questões da alma; que me sirvam uma versão já mastigada do que é certo e errado, que existam hierarquias em matérias de espírito. Não consigo.
Para mim não existem dogmas: Nullius in verba!
Esse é por enquanto o meu caminho, nem melhor nem pior que o vosso.
sexta-feira, 18 de julho de 2014
As minhas lições
Se tivesse que partilhar um conselho de valor com o mundo, seria o seguinte:
- Ouçam sempre o vosso instinto.
Todos temos a tal vozinha interior, o chamado "sexto-sentido". A grande lição reside em aprender a não ignorá-lo. E é uma lição que se aprende à nossa própria custa, garanto-vos eu.
Todos sabemos que o senso comum e a inteligência são grandes aliados na vida, mas junte-se o valioso instinto, e seremos ainda mais bem sucedidos.
Essa "vozinha" é uma grande aliada, e pode evitar-nos alguns dissabores, grandes e pequenos.
Deixem que vos conte um episódio, em que a minha "vozinha" me salvou do que poderia ter sido um acontecimento grave.
Um dia, a pedido do meu chefe, fiquei no escritório até mais tarde do que o habitual.
Saí para apanhar o comboio já passavam das 20 horas.
Não ia contente, (isto de ser mulher, andar sozinha de transportes públicos depois de escurecer, linha de Sintra, vocês sabem...), mas relaxei mal vi que a composição ia cheia de gente, homens e mulheres, com roupa normal de trabalho.
Sentei-me num lugar junto à janela, e saquei do mp3 como de costume. Ouvir música depois de sair do escritório era a minha forma de me despir do stress laboral.
A minha estação de saída era a Portela de Sintra.
De estação em estação o comboio descarregava pessoas, praticamente ninguém entrava. Após passar por Rio de Mouro e Mercês a carruagem ficou definitivamente vazia, não fosse eu e um fulano que havia entrado nessa estação.
Naquela longa carruagem, com tantos lugares à disposição, o fulano sentou-se exactamente atrás de mim.
A minha nuca eriçou-se. Não sou paranóica, mas já tinha aprendido a ouvir o meu instinto, e se este me gritava que algo se passava ali, eu não iria cometer o erro de duvidar.
Aproveitei o facto das janelas reflectirem o interior da carruagem para o mirar, discretamente, usando a minha visão periférica. O seu aspecto não reflectia nada de extraordinário, mas estava decidida, mesmo assim, a jogar pelo seguro.
Fingi-me descontraída, trauteando vagamente a música que ouvia (quase sem som, pois já tinha baixado o volume), fazia de conta que não estava atenta à sua presença. Tratando-se de uma ameaça, acreditei ser importante que me julgasse distraída.
Comecei a levantar-me lentamente e a dirigir-me a uma das portas na outra extremidade da carruagem. Com a cabeça a mil, tentei antever os possíveis cenários. Mentalmente, tentei acordar o meu corpo, (sempre discretamente, a fingir que ia "curtindo" a minha música), afastar o cansaço, chamar toda a adrenalina e pôr-me alerta, no caso de ser preciso reagir.
Pensei que se ele fizesse o mesmo, seria um sinal claro de más intenções. O fulano, também lentamente, levantou-se do lugar e seguiu-me.
Neste segundo agradeci ao meu instinto, e numa pose ainda o mais discreta possível, prendi o casaco em volta de um dos braços para o caso de me ter de defender de um ataque com arma branca, e chamava toda a minha energia para as pernas, para que se chegássemos a vias de facto, eu lhe desse um pontapé nos genitais com a maior força possível.
Fui ainda recordando outros possíveis golpes como usar a palma da mão para lhe empurrar a cana do nariz para dentro, ou até dedos nos olhos, pisar os dedos do pé com toda a força ou uma joelhada no plexo solar.
É o que dá ver muitos filmes de acção, mas foi o que me ocorreu. E o comboio que nunca mais chegava à Portela!
A estação da Portela estava mais próxima. Mal as portas se abriram saí a correr, primeiro para a direita, depois travei bruscamente, e desatei a correr para o lado contrário.
Fiz bem. Quando o fiz, olhei para o fulano de relance e pareceu-me haver efectivamente uma arma branca, para além que ele estava a ter a reacção de me seguir para a direita. O facto de ter mudado subitamente de direcção fez com que ele voltasse para o interior do comboio.
Os nossos olhares cruzaram-se brevemente. Fiz-lhe cara de má e o olhar mais intimidante que consegui. Estava nervosa, muito mesmo, mas tive que lhe passar a mensagem de que não sou uma presa!
Em muito graças à minha vozinha interior!
quinta-feira, 17 de julho de 2014
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