quarta-feira, 24 de setembro de 2014
caixa de ressonância
terça-feira, 23 de setembro de 2014
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segunda-feira, 22 de setembro de 2014
cromices #43: Não tenho absolutamente motivo nenhum para correr
Há tempos atrás quando embarcámos na demanda de uma vida mais saudável, a corrida foi uma das actividades escolhidas pelo marido.
Adoro caminhar, mas correr não é para mim. Enquanto consigo ficar em razoavelmente bom estado depois de 4 horas a caminhar, suplico por uma morte rápida e misericordiosa antes do primeiro quilómetro a correr. Mesmo assim, não sei como fui persuadida a acompanhá-lo algumas vezes numas voltinhas aqui em redor do burgo.
Não há rigorosamente nada no acto de correr que me motive e dê prazer, tirando uma pequena excepção: uma descida acentuada marcava sempre o fim do percurso, e tinha piada dar tudo por tudo aí, aproveitar a embalagem e sentir que os pés mal tocavam no chão, sendo que parte dessa alegria residia no facto do martírio estar a terminar, que mais uns passos e já se vislumbrava a porta de casa.
Quando decidi mandar a corrida de vez às urtigas, disse que a única hipótese de o voltar a fazer, é caso estivesse numa savana e tivesse que dar uso às pernas para fugir de um leão, ou algo assim.
Depois vi num qualquer documentário sobre a vida animal, que nestas situações de vida ou morte, nunca devemos fugir dos grandes felinos, mas enfrentá-los, fazer muito barulho, tentar criar a ilusão que somos maiores.
(se por acaso estiverem curiosos sobre como reagir a um ataque de um leão, podem ler mais aqui )
E aí percebi quão enorme é o meu grau de embirração e desgosto para com a corrida, quando me pareceu preferível enfrentar o rei da selva e esperar por um milagre, do que correr.
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domingo, 21 de setembro de 2014
cromices #42: Dolce far niente
Tirei o dia para me dedicar à bela arte do não fazer nenhum.
E como está a correr? - perguntam vocês.
Bem, já fiz a cama, lavei a louça de ontem, arrumei a sala, aspirei a casa e lavei o chão da cozinha, fiz uma máquina de roupa, e dobrei outra tanta. Daqui a nada vou tratar do almoço.
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cromices #41: Hoje baldei-me
O meu marido é uma pessoa muito mais activa, aventureira e com muito mais energia para queimar do que eu. E isso é bom porque me leva a experimentar coisas, a viver momentos, que se dependessem unicamente da minha natureza muito provavelmente não existiriam.
Não somos propriamente opostos. Temos muitas semelhanças, mas são sobretudo as diferenças que nos enriquecem, que nos fazem experimentar coisas novas, a descobrir mais sobre o que gostamos e não gostamos.
Como exemplo, posso dizer que o ajudei a despertar um maior interesse pela leitura. Em troca foi-me dado a descobrir que existem actividades de carácter desportivo que me dão prazer, que são para mim. Com limitações, é claro.
Acho que por vontade dele, (se eu não me recusasse, claro está), uma saída a dois incluiria irmos fazer downhill para a serra. Um dia quem sabe, (já aprendi a não dizer nunca), só que por enquanto está absolutamente fora de questão.
Querem saber o meu principal motivo? Vejam o vídeo.
Mas até não me porto assim tão mal. Posso fazer cara feia, por vezes até beicinho durante um par de minutos, mas alinho muitas das vezes, desde que acredite que a actividade em questão não seja completamente dissonante das minhas capacidades.
Ontem, por exemplo, cheguei a casa com os ténis ensopados e as calças cheias de lama, depois de andar por entre silvas e azevinhos, a agarrar-me a pedras e a raízes e a ramos de árvores, a saltitar pedras para passar cursos de água, para irmos fotografar uma cascata. E não poderia ter sido melhor!
Hoje baldei-me. Ganhou o dolce far niente, e eu preciso desses momentos como de pão para a boca, senhores!
Por vezes mais do que uma manhã de praia, a olhar para os "meus surfistas", a beberricar cafés e suminhos de maçã e gengibre na esplanada, ou qualquer outra da meia centena de actividades possíveis para passar o tempo. Há dias em que não há nada nem ninguém que me arraste da gruta.
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
cromices #40
Sim, o problema deve ser meu. Tenho uma mente badalhoca e um sentido de humor básico, incorrecto, perverso e indelicado.
Mesmo assim, não me cheirou bem que usassem na rádio a expressão "lufada de ar fresco" para descrever uma qualquer coisa relacionada com kuduro.
Coisas de pensar: Sintra precisa mesmo de mais um Centro Comercial?
Há notícia de que a construção de mais um Centro Comercial em Sintra foi aprovada. Será um Jumbo, localizado junto ao nó de Mem Martins no IC 19, quase em em frente ao Fórum Sintra, que abriu portas em 2011. Por sua vez, este fica encostado ao Retail Park.
Podem ler mais aqui.
Eu cá sou totalmente contra e ficam aqui os meus argumentos.
- Há quem argumente ser contra esta construção numa perspectiva de defesa do pequeno comércio / comércio tradicional do Concelho. Esse não é o propriamente o meu argumento.
Acredito que é possível a existência harmoniosa entre ambos os modelos.
Enquanto consumidora e de acordo com a minha própria experiência, a coexistência de comércio de rua e de Centros Comerciais trazem um acréscimo à qualidade de vida do cidadão, desde que se encontre o ponto óptimo de equilíbrio.
Acho que ambos são essenciais para uma vida com qualidade. Pessoalmente encontro boas razões para ser cliente tanto do comércio local tradicional como da oferta inserida em shoppings, e não consigo imaginar-me a abdicar de um destes modelos.
Quando eu era pequenina, há coisa de trinta anos atrás, na aldeia onde cresci só havia uma mercearia.
Se as pessoas queriam fazer compras dentro da própria localidade, sem terem que recorrer ao mercado de Sintra ou ao Jumbo de Cascais, não tinham outra hipótese.
Como é óbvio, essa mercearia prosperou e transformou-se num supermercado.
Nada de errado nisso, pelo contrário, excepto que não há comerciante, (grande ou pequeno), que não fique meio destrambelhado quando detém o monopólio de qualquer coisa, com aquela certeza de poder fazer o que lhe dá na telha sem sofrer consequências, e quem sofre é inevitavelmente o consumidor pela adopção de práticas menos boas.
Depois em 1991 foi inaugurado o Cascaishopping, e aumentou exponencialmente a qualidade de vida de muita gente, de várias zonas circundantes.
Hoje não faltam Centros Comerciais por tudo o que é sítio, mas naquela época o Cascaishopping foi pioneiro.
Será difícil fazer chegar às gerações mais novas a tradução fiel da sensação que foi passar de um ambiente com pouco comércio local, quase nulo em variedade, para um espaço enorme com hipermercado, e muitas lojas de tudo e mais um par de botas, algumas grandiosas que ficam na memória como a Printemps que ocupava vários andares. Ah, e até poder ir ao cinema com os amigos! Que diferença!
Hoje os Centros Comerciais brotam do chão como cogumelos, são mais que muitos, e acho que já atingimos o ponto de saturação em que é fundamental dizer "já chega".
Basicamente estes espaços de comércio são clones uns dos outros, não trazem nada de novo. As lojas são praticamente as mesmas. Muda a marca do hipermercado, uns são Continente, outros Pingo Doce, Corte Inglés, Jumbo ou whatever, mas em todos eles temos Zaras, e Mangos e afins, e mais de metade dos restaurantes servem exactamente o mesmo prato.
Acho terrivelmente estúpido e contraproducente a construção de Shoppings tão próximos uns dos outros. Um dos resultados de tal coisa é termos lojas da mesma marca a competirem pelos mesmos clientes. Não é algo absolutamente idiota?!
Defendo o modelo em que dentro de cada localidade deve reinar o pequeno comércio.
Acho fundamental, por uma questão de qualidade de vida, ambiental, económica, que toda a pessoa consiga fazer a sua vida dentro da sua localidade sem recorrer a transportes.
Onde moro existem várias lojas de comércio tradicional que convivem em harmonia com um supermercado, e observo ser um modelo que resulta na prática, porque os consumidores, eu incluída, frequentam ambos.
O "grande" Centro Comercial é necessário porque oferece outros produtos e serviços, e pelas suas características e dimensão, deve localizar-se num ponto em que sirva um número considerável de localidades, bastando um só nessa posição geográfica.
- Dizem que este Jumbo vai ocupar cerca de 17000 m2. E eu, absolutamente contra este empreendimento, digo que nem só de Centros Comerciais vive o Homem.
Nas proximidades existe uma Decathlon e quantas vezes já me deparei com famílias que aparentemente usam a loja como espaço de diversão. Se por um lado é engraçado e até salutar uma loja onde as crianças se sentem à vontade para experimentarem bicicletas, bolas e tudo o resto, é muito triste que o façam por falta de alternativa.
A IC 19 é a "estrada mais movimentada da Europa", Sintra o segundo município mais populoso de Portugal.
Não teria mais lógica usar esses 17000 m2 para construir um espaço verde, um pulmão para limpar o ar da estrada mais congestionada, e para servir a imensa população do município que tanto sofre, (em especial na zona da linha de Sintra que é um exemplo de péssimo urbanismo, de betão sobre betão), com falta de espaços verdes adequados ao convívio, à prática desportiva, aos momentos de lazer, etc?
terça-feira, 16 de setembro de 2014
bucket list #3: Toga party
Sim, leram bem, é mesmo "toga party".
E culpo Hollywood e todos aqueles filmes palermas sobre miúdos ainda mais palermas, a fazerem palermices durante os anos de faculdade.
Sim, quando ingressei no ensino superior, levava comigo a secreta esperança de que as "toga parties" fossem uma tradição global.
Uma ida a Coimbra, (uma visita de estudo no 8º ou 9º ano), alimentou de certa forma essa esperança. Quando a professora me encontrou estava eu, de sorriso rasgado a imaginar um futuro feliz, na companhia da Orxestra Pitagórica, no meio de um churrasco em praça pública, acompanhada de simpáticos universitários em fraldas e com camisas e gravatas a servirem de turbante.
Afinal as "toga parties" não pertencem à nossa tradição, e ainda não me recuperei dessa tristeza.
As lições de Setembro ou se preferirem, este país tropical chamado Portugal
Pertencemos ao grupo de pessoas para quem as férias nunca são em Agosto.
Aliás, para mim Agosto, mesmo na época em que era estudante nunca teve sabor a férias. Primeiro, porque os meus pais como todos os trabalhadores da área de Hotelaria e Turismo nunca tiraram férias em plena época alta, como é óbvio.
Depois eu próprio passei muitos Agostos a trabalhar, mesmo em miúda. Sempre era melhor do que andar a queixar-me constantemente do facto de não haver nada para fazer, nem companhia, visto que a maioria dos amigos e colegas haviam partido para férias.
Agosto não é melhor que Setembro, nem Setembro melhor que Agosto. É tudo uma questão de hábito, necessidade e gosto pessoal.
Eu cá prefiro Setembro, sobretudo porque detesto a sensação de me ver rodeada de um mar de gente onde quer que vá.
Já me habituei à ideia que Agosto é sobretudo para os pais, que são obrigados a ajustar a vida à rotina escolar, e outras pessoas que por motivos profissionais e/ou familiares são obrigadas às férias nessa altura.
Agosto é bom para trabalhar pelos mesmos motivos que Setembro é excelente para férias. Há menos trânsito, menos confusão, e aquela sensação que é "tudo nosso", sem grandes estorvos.
Mas há uma lição a aprender com Setembro, e todos os dias até agora têm sido uma oportunidade para tal: há que ignorar o tempo feio, o prenúncio de tempestade, os aguaceiros, e avançar sem medos para a praia, para a serra, para onde apetecer.
O tempo está estranho, os olhos e a pele registam realidades distintas. É simultaneamente tempo de romãs e melancia. Talvez seja o nascimento de um novo estado, o clima "tropical" mediterrâneo.
Temo-nos forçado a ignorar o aspecto feio do clima, e na verdade temos colhido bons frutos com essa atitude. Temos feito praia e tudo o que poderiamos fazer em Agosto. Só é preciso é a coragem de não ficar por casa.
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