terça-feira, 30 de setembro de 2014
cromices #47: diz-me que cicatrizes tens, dir-te-ei quem és.
As cicatrizes são medalhas, muitas vezes resquícios de histórias fenomenais do tipo aventureiro como "nadei com um tubarão de 5 metros e trouxe isto como recordação".
Como dona de casa aventureira que sou também tenho as minhas cicatrizes e as minhas histórias.
Numa canela, a marca que teima em não se desvanecer de quando fui atacada pela minha própria cama. A bicha estava em fúria e investiu com toda a força com uma das esquinas contra a minha perna. Entre urros de dor, consegui domá-la. Portanto acabou bem.
No peito do pé, envergo a marca de um ataque kamikaze de uma lata de insecticida que se atirou de uma prateleira a mais de 2 metros de altura. Contra todas as probabilidades, sobrevivi.
Num dedo carrego a lembrança de um duelo mortal com uma lata de atum samurai. Honrando a ética dos guerreiros da Papua Nova Guiné, após a minha vitória, comi-a.
Isto é uma selva senhores! Uma selva!
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
caixa de ressonância
cromices #46: Os observadores de humanos
Cada vez vejo que há menos diferenças entre nós e os animais.
E se nós, humanos, somos curiosos e gostamos de observar os animais no seu habitat, o mesmo deve acontecer com os animais em relação a nós, certo?
Certo! Como prova tenho um par de pombos que, sabe-se lá porquê, gostam de me ver acordar. Colocam-se no parapeito da janela do quarto e espreitam curiosos, trocando impressões.
Gostava tanto de saber o que dizem.
Sabedoria dos intas em 10 segundos #34
No outro dia, um conhecido decidiu juntar-se a um momento meu de trocas de mimos com "sobrinhos-emprestados-bébés-absolutamente-adoráveis-que-adoram-a-sua-titi-doida".
A sua intervenção não trouxe nada de novo nem acrescentou valor ao momento. Tratou-se simplesmente de mais "merda do costume", pardon my french, a típica observação que todas as pessoas sem filhos têm de gramar de vez em quando. A tão bem intencionada "devias ter filhos antes que seja tarde demais, senão depois vem o bicho papão do arrependimento e devora-te".
Há quem se pele de medo do arrependimento, dos "ses". A questão é que todos os dias tomamos muitas dezenas de decisões, variáveis em importância e complexidade, que vão desde o que se vai fazer para o jantar, até à roupa que se veste, às ofertas de emprego a que se decide responder.
E o ser humano tem uma capacidade de adaptação fenomenal, encontrar a felicidade em qualquer dos rumos que tome é quase sempre uma certeza.
Outra certeza é que haverão sempre momentos em que se devaneia, por curiosidade, sobre o caminho não tomado. É natural, é humano.
Saber lidar com isso de uma forma positiva é um requisito fundamental para se saber viver, e essa é a lição a reter.
sábado, 27 de setembro de 2014
coisas que gosto #15: Hidroponia
Sou uma pessoa curiosa por natureza, questiono-me sobre como o mundo funciona e vou à procura das respostas.
Um dos rituais que adoptei há muito tempo, e que faço questão de manter, consiste em aprender uma coisa nova todos os dias. Faz parte da minha rotina diária tal qual como lavar os dentes, beber um copo de água ao acordar, ou qualquer um das dezenas de gestos automáticos e essenciais do dia-a-dia.
É que eu não consigo viver sem pensar, sem fabricar ideias. Ao longo dos anos fui acumulando ideias em cadernos e mais cadernos, (sim, sou do século passado, e ainda conservo o hábito de escrever à mão), que hoje se amontoam numa pilha de dimensão respeitável. Esse monte de escritos e rabiscos é o meu legado.
Em suma, o conhecimento é o combustível das ideias.
O que é que isto tem a ver com Hidroponia? Tudo!
Sem curiosidade nunca teria descoberto este tema, pelo qual me apaixonei.
De uma forma bastante concisa e simplista podemos definir a Hidroponia como a técnica de cultivar plantas sem solo.
As plantas são colocadas em canais ou recipientes, (muitas vezes em calhas de pvc), onde circula uma solução específica de água e um cocktail de todos os nutrientes que estas necessitam.
As vantagens em relação à Agricultura tradicional são várias:
- O solo não é homogéneo, existem no mesmo terreno zonas com mais nutrientes e outras com menos. Na Hidroponia todas as plantas têm igual acesso aos nutrientes necessários ao seu desenvolvimento. Como consequência temos produtos mais uniformes, maiores e até mais robustos.
- As plantas cultivadas por meio hidropónico estão sujeitas a menos pragas, visto que geralmente estas têm como origem, o solo.
- Grande poupança de recursos. Em termos de água falamos de uma poupança em torno dos 50 a 70%. Em termos de nutrientes, idem, visto que é tudo medido e usado rigorosamente. Não há desperdício.
Um produtor português hidropónico de morangos avança que, em vez de gastar 60000 litros de água na rega de um hectare, bastam-lhe 2500 litros, e produz durante todo o ano. Fenomenal, não?!
(Podem ler mais aqui ).
- Maior produção, durante um período mais alargado. Há quem diga que a Hidroponia "rende três vezes mais". Isto porque não se está dependente da qualidade do solo e do clima como na Agricultura tradicional.
- Não há necessidade de solo, por isso qualquer zona, independentemente da localização ou dimensão está apta para a prática de Hidroponia. Estamos a falar de poder cultivar alimentos em varandas, terraços, em zonas onde o chão seja cimento, em locais do mundo onde nunca se imaginou que a agricultura fosse possível.
- O trabalho em redor de uma cultura hidropónica é uma fracção do necessário na Agricultura tradicional. Para começar não é necessária a dura tarefa de preparar o solo, nem nada relacionado.
Na Hidroponia grande parte do trabalho consiste em controlar o sistema automático de rega e a saúde das plantas, garantir que a solução de nutrientes está perfeitamente equilibrada. Mesmo a colheita é exponencialmente mais fácil e menos trabalhosa, a começar pelo facto que as calhas onde as plantas estão, se encontram ao nível da cintura.
Isto significa que pouco mais de meia dúzia de pessoas são suficientes para uma área de cultivo enorme.
Só para que tenham a noção deixo aqui o link, (aqui ), de uma notícia que nos fala sobre como graças à Hidroponia, agricultores conseguiram, com sucesso, produzir hortaliças com água dessalinizada no meio do deserto mais árido do mundo!
Estou mesmo apaixonada por este conceito! Acredito que a Hidroponia é a solução para erradicar de uma vez por todas a fome no mundo.
Eu que sempre defendi a tese que todos nós deveriamos cultivar pelo menos parte dos nossos alimentos, vejo aqui uma forma possível de traduzir essa ideia para a realidade, quer habitemos no campo ou na cidade.
Além disso, se alguém me perguntar, enquanto profissional de marketing, sobre uma ideia de negócio viável eu sugiro, com todo o entusiasmo e ênfase, a Hidroponia.
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sexta-feira, 26 de setembro de 2014
caixa de ressonância
cromices #45: Chefes que (quase) matam não é para todos ou, se preferirem, the show must go on!
Um dos maiores cagaços que apanhei na vida, (talvez O maior), aconteceu há uma carrada de anos durante uma reunião de trabalho.
Todas as pessoas dirão a certa altura que os chefes os tiram do sério. Mas, poder dizer que os chefes os matam, (ou quase), é outro nível, muito mais avançado. Só para alguns!
Foi uma reunião em três actos:
- O 1ºacto começa com todos sentados, a dialogar pausadamente, a folhear documentos e a tirar notas.
- O aumento da pulsação e o surgimento de alguns tiques marcam a introdução do segundo. Trata-se da reacção natural do organismo à qualidade do conteúdo do discurso do interlocutor.
- O último acto inicia connosco já de pé, a tentar expôr pela trigésima vez, com a maior calma possível e compostura, o argumento que defendemos.
Continuamos o discurso sem parar para indagar sobre que raio de manchas vermelhas são aquelas que vemos na mesa de reuniões, ou o porquê da cara de pânico do homem. E lá continuamos a debitar factos e números e outros dados relevantes, a jugular a latejar e agarrados ao braço esquerdo, que sabe-se lá porquê está a doer para caramba. Mas há que continuar que isto passa já mal acabe a trampa da reunião e consiga uma pausa para um café e cigarro!
Outra vez aquela cara?! Mas estou a falar chinês ou quê?!
De repente o tempo dá a sensação de abrandar. O suficiente para perceber que as manchas eram de sangue que escorria pelo nariz, ganhei consciência de que estava efectivamente a apertar o braço esquerdo. Antes de ter tomado total consciência do sucedido, lembro-me que ainda pedi desculpa pela nojice e comecei a limpar o sangue da mesa, o que acho que fez que o meu interlocutor saísse do modo atónito e reagisse correctamente.
Por fim, soltei ou pensei um "Foda-se! Que grande merda!". E um dos motivos porque estou muito contente por aqui continuar, é que para a próxima estarei preparada com umas "last words" de melhor qualidade.
Quando as mulheres falam de sexo #35
Em modo "cowboyada", claro está...
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Por quem se torce
Cá em casa não se vê futebol, salvo episódios mais que raros. A atenção que se poderia atribuir ao esférico é direccionada para outros desportos, incluíndo MMA, (Mixed Martial Arts).
Embora seja um desporto violento não é uma ode à violência. É acima de tudo uma questão de técnica, preparação física e mental, resiliência e atitude.
No início de cada combate, enquanto os atletas se dirigem à arena, temos por hábito escolher um favorito. Tratando-se algumas vezes de desconhecidos, a aposta baseia-se em instinto e na observação de pequenos detalhes.
Normalmente somos pelos underdogs. Partilhamos um carinho especial por estes.
Invariavelmente dou por mim a torcer por aqueles que se abstêm do uso de violência gratuita num desporto dessa natureza, (acredito que só os tontos não conseguem ver que mesmo ali há mundo para além disso), pelos que preferem um combate "limpo", sem golpes baixos nem "ground n'pound", os que dominam as técnicas de submissão, as chaves de Jiu-Jitsu que permitem uma vitória sem provocar grande dano ao adversário. Aqueles que sabem que poderiam ganhar facilmente se continuassem a massacrar a perna já fragilizada do outro atleta e por isso mesmo recusam-se a fazê-lo.
Torço pelos que "tocam luvas" no início de cada round, os que após a vitória se inibem de demonstrações efusivas de contentamento, em especial quando o outro atleta está magoado, e se sentam no tatame calma e inexpressivamente, porque hão-de saber que o respeito vale mais que a humilhação do outro.
Pelos que se preocupam pelo bem estar do oponente, o cumprimentam respeitosamente no fim do combate. Aqueles em cujo discurso vitorioso se limitam a agradecer a oportunidade, a relatar o quanto se preparam duramente para o evento e o mais importante, a sublinhar as qualidades do atleta derrotado.
E é aqui que percebo claramente que os desportos simbolizam a vida, em todas as arenas desta.
caixa de ressonância
cromices #44: A minha honesta review da "Casa dos Segredos"
... e outros reality shows em geral. Ah, que se lixe, meta-se no pacote 90% do que tem sido produzido em televisão nos últimos tempos!
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