sexta-feira, 14 de novembro de 2014
coisas de pensar: Sobre isso da Legionella
Avançam os meios de comunicação sobre a possibilidade do surto de Legionella ser resultado de um crime ambiental.
(ler aqui)
Pergunto eu: caso se verifique a veracidade dessas alegações, e tendo em conta que deste surto resultaram 7 mortos, para além das centenas de infectados, a acusação de crime ambiental não deveria vir acompanhada de outra acusação, a de homicídio por negligência?
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
cromices #55: das minhas taras e manias
Na última vez que me dirigi ao centro de saúde, no início de Março, avisaram-me que tinha uma vacina em falta, que deveria ter sido tomada há anos.
Na verdade não sei do meu boletim de vacinas praticamente desde que me mudei da casa dos meus pais, e nunca mais me tinha lembrado disso. É o que acontece por norma às coisas que tento "arrumar melhor", na tentativa de não as perder. A emenda é sempre pior que o soneto. Sou assim despassarada.
Como estava doente, não a pude levar naquele dia.
Pedi uma segunda via do boletim, e avisaram-me que tinha que agendar a toma da vacina. Tudo muito bem, pensei eu. Se o objectivo é a eficácia, há que respeitar o modelo de organização escolhido.
A viagem até ao meu centro de saúde, embora não fique a uma grande distância da minha casa, é um pesadelo para quem, como eu, anda de transportes públicos. Requer um elevado grau de mentalização o facto de saber à priori que me espera o desperdício de duas ou mais horas, (somando ida e volta), à espera numa paragem.
Então, decidi por uma questão de eficiência, (já vos disse que adoro eficiência?!), e para me poupar a paciência (que não abunda por estes lados), juntar dois em um. Marcar a toma da vacina e levantar o boletim no mesmo dia.
Quando me restabeleci, procurei o número de telefone na internet e liguei para marcar a dita. Durante cerca de duas semanas seguidas, liguei, liguei, liguei dezenas de vezes por dia. Nunca ninguém me atendeu.
Fui investigando se aquele número era o correcto, e obtinha sempre o mesmo número. Continuei a tentar, sem qualquer resultado.
Em cada um desses dias, desistia quando me sentia a perder terreno na batalha contra a ira, quando estava por um fio, prestes a atirar o telefone contra a parede. Isto depois de chamar, a quem estivesse do lado de lá, tudo e mais alguma coisa.
Passados meses, decidi fazer como a avestruz, ignorar a questão. Só de pensar na mesma, deixava-me um peso no peito, a inspirar e a expirar pausada e forçadamente como as senhoras em trabalho de parto, que é como eu fico quando estou a meio de uma batalha pessoal, a tentar tudo por tudo para que não me dê um amok.
Um momento muito semelhante às cenas em que o Bruce Banner tenta impedir, à força toda, a sua transformação em Hulk.
Junte-se ao facto de eu ser a mulher Hulk, de perder a cabeça com demonstrações de ineficácia, (isto deve ser genético, porque já o meu pai também fica prestes a ter um colapso nervoso diante da ineficiência), o meu medo de agulhas e uma subtil paranóia com germes, doenças e afins.
Esta última, adjectivo-a de subtil porque não lhe autorizo que ganhe uma dimensão que lhe permita dominar a minha vida. A sua influência depende dos dias e das ocasiões, e meço-a conforme a energia que o meu lado racional tem que investir para que esta se mantenha pequena, subtil, imperceptível.
Como descrever esta minha "tara e mania"?
Ela ganha maior força quando estou na presença de pessoas doentes. Estas deixam-me desconfortável.
Fico apreensiva e nota-se na minha expressão facial, quando alguém espirra ou tosse na minha presença, sem o devido cuidado de tapar a boca. O tal "mínimo dos mínimos" que nem toda a gente segue.
O meu desconforto aumenta exponencialmente quando isso acontece num qualquer lugar fechado, tipo autocarro, carruagem de comboio, escritório, enfim qualquer lugar fechado em que nos vejamos forçados a respirar o mesmo ar. O meu reflexo é suster a respiração, mesmo tendo a percepção de que nada me vale, a não ser que tivesse a capacidade sobre-humana de o fazer durante toda a minha presença lá.
Há anos, quando éramos utentes de um health club ocorreu uma situação que, em certo grau, também contribuiu, (embora não fosse a causa principal), para que deixasse de frequentar ginásios.
Nestes espaços, quando vamos usar as máquinas de treino, é-nos dada uma toalhinha que devemos usar para limpar o nosso suor da máquina, deixando-a em condições para a próxima pessoa.
Um dia, em amena cavaqueira, os personal trainers disseram-me que já tinham comentado entre si que me achavam "muito gira e muito fofinha" por ter tanto cuidado a limpar as máquinas, o que não era muito usual.
Fiquei assim meio enojada ao saber que a maioria dos clientes não tinham o mesmo cuidado. Parei de usar as máquinas.
Quando o meu centro de saúde era o de Sintra - um edifício velho, onde os pacientes se amontoavam numa exígua sala de espera - muitas vezes optei por esperar pela minha vez na rua, atenta às chamadas. Entrava diversas vezes para observar o número da senha que aparecia no placard, sustendo a respiração até voltar à rua.
Sim, já me sentei diversas vezes na sala de espera, com outros utentes. E faço-o com mais facilidade se estiver acompanhada, logo distraída.
Esta "tara" faz-me desconfiada. Ou melhor, sempre desconfiei que a grande maioria das pessoas, na grande maioria dos sítios, não têm os cuidados que deveriam ter, que não sabem fazê-lo ou estão-se a cagar para a coisa, que os cuidados com manutenção, higiene e desinfecção dos espaços não se aproximam sequer dos níveis adequados. A verdadeira consequência desta "mania" é que me faz ralar com isso, uns dias mais que outros.
Que não há excepções, que se vê disto em todo o lado: locais de trabalho, transportes, restaurantes, cafés, hóteis, mercados, centros de saúde e hospitais...
A minha "tara" tem uma vozinha interior.
Quanto à falta de cuidado que acabei de descrever, e juntando-se-lhe esta coisa da Legionella, a vozinha empertigada diz-me "vês como tenho razão?!".
Esforço-me por não lhe dar ouvidos. Se o fizesse estava bem tramada da vida. Mas isso faz com que seja uma pessoa de Fé.
Fé que, no restaurante, tenham tido os cuidados suficientes para não me matarem com uma salmonella, que no consultório o médico tenha desinfectado o estetoscópio entre utentes, que a pessoa que me prepara o pequeno-almoço tenha lavado devidamente as mãos, e por aí fora. Acho que já deu para compreender.
Em conclusão, passados 8 meses ainda não fui tratar da puta da vacina nem levantar o boletim, pardon my french.
Tirando as nossas férias, essa minha "voz" arranjou sempre uma desculpa à altura. "Olha que há greve de médicos, não vais lá fazer nada"; "Olha, agora foram os enfermeiros, estás fodida!"; "Em Agosto é que te lembras? Deves ter cá uma sorte!"; "Já ouviste falar de ébola?! O seguro morreu de velho!"; "Olha mais uma greve, estás cá com uma pontaria! Já jogaste no euromilhões?"; "Experimenta ligar. Ninguém atende?! Ah "profissionais do sexo", porque não atendem?! Ide todas para o falo!"; "Olha, agora é a legionella! Tens a certeza que queres arriscar?"
terça-feira, 11 de novembro de 2014
coisas que gosto #19: Portas com Arte
Hoje, na minha deambulação pela blogo-vizinhança, encontrei no espaço da D. Rainha do blog "A Rainha e a Ervilha", algo que me deixou inspirada.
Tratava-se de uma porta pintada de azul, povoada por um cardume de sardinhas que ao invés de escamas vestiam padrões típicos de azulejos. Para coroar esta obra, versos de Vitorino Nemésio, da sua "Correspondência ao Mar". Podem ver como é linda, aqui.
De cada vez que vejo uma porta assim interrogo-me porque não somos recebidos por Arte e Poesia em todas as moradas!
Eu, que passo 90% da minha vida a pensar, muitas vezes imagino como seria, aos meus olhos e sentidos, o melhor local para se viver. Entrego-me à fantasia dos pormenores e, garanto-vos, nesse meu lugar imaginado, as casas receberiam-nos com portas com arte, como se todas elas fossem um portal para um sítio, quiçá, mágico.
Tenho a crença profunda que o lugar da Arte é também, e sobretudo, nas ruas. Por todo o lado. Não só em livros, galerias e museus.
Mal comecei a estudar Publicidade, já tinha a certeza que, se um dia tivesse que escrever uma tese, esta seria como a Publicidade poderia desempenhar também um papel na democratização das Artes, ser um veículo destas. Imaginava outdoors e mupis a suportarem obras de Vermeer, Rubens e Van Gogh, e muitos outros, aumentando o apelo visual de locais, tantas vezes tão desinteressantes.
Porque o Mundo seria melhor se em todas as esquinas, a Alma humana encontrasse alimento. Porque acima de tudo a Beleza, que nos chega através da expressão artística, é isso mesmo: alimento espiritual que nos eleva e faz de nós melhores. Não é coincidência que a Beleza seja uma das Três Graças!
Já chega de verborreia! Deixo-vos com portas com Arte, e de como estas têm o poder de melhorar um pedaço de mundo.
O top "Bored Panda" das portas mais bonitas do mundo, aqui!
coisas que gosto #18: A lenda de S. Martinho
Desde criança que gosto muito desta tradição outonal do Magusto, em especial da lenda de S. Martinho.
Fica aqui então a história de S. Martinho segundo as palavras de Rita Cipriano, num artigo que fui buscar ao site Observador.pt.
"São Martinho, ou Martinho de Tours, nasceu em cerca de 316 na antiga cidade de Savaria na Panónia, uma antiga província na fronteira do Império Romano, na atual Hungria. Filho de um comandante romano, cresceu na região de Pavia, em Itália, no seio de uma família pagã. Criado para seguir a carreira militar, foi convocado para o exército romano quando tinha quinze anos, viajando por todo o Império Romano do Ocidente.
Apesar de ter recebido uma educação pagã, foi em adolescente que Martinho descobriu o Cristianismo. Mas foi só mais tarde, em 356, depois de ter abandonado o exército que foi batizado. Tornou-se discípulo de Santo Hilário, bispo de Poitiers (na zona oeste da atual França), que o ordenou diácono e presbítero, regressando de seguida a Panónia, onde converteu a mãe. Mudou-se depois para Milão, de onde terá sido expulso juntamente com Santo Hilário. Isolado, terá passado algum tempo na ilha da Galinária, ao largo da costa italiana.
De volta à Gália, foi perto de Poitiers que fundou o mais antigo mosteiro conhecido na Europa, na região de Ligugé. Conhecido pelos seus milagres, o santo atraía multidões. Foi ordenado bispo de Tours em 371 e fundou o mosteiro de Marmoutier, na margem do rio Loire, onde vivia na reclusão. Pregador incansável, foi também o fundador das primeiras igrejas rurais na região da Gália, onde atendia tanto ricos como pobres. Morreu a oito de novembro de 397 em Candes e foi sepultado a onze de novembro em Tours, local de intensa peregrinação desde o século V.
É na data do seu enterro, três dias depois de ter morrido em Candes, que se comemora o dia que lhe é dedicado. Acredita-se que, na véspera e no dia das comemorações, o tempo melhora e o sol aparece. O acontecimento é conhecido pelo “verão de São Martinho” e é muitas vezes associado à conhecida lenda de São Martinho.
A lenda de São Martinho
Num dia frio e chuvoso de inverno, Martinho seguia montado a cavalo quando encontrou um mendigo. Vendo o pedinte a tremer de frio e sem nada que lhe pudesse dar, pegou na espada e cortou o manto ao meio, cobrindo-o com uma das partes. Mais à frente, voltou a encontrar outro mendigo, com quem partilhou a outra metade da capa. Sem nada que o protegesse do frio, Martinho continuou viagem. Diz a lenda que, nesse momento, as nuvens negras desapareceram e o sol surgiu. O bom tempo prolongou-se por três dias.
Na noite seguinte, Cristo apareceu a Martinho num sonho. Usando o manto do mendigo, voltou-se para a multidão de anjos que o acompanhavam e disse em voz alta: “Martinho, ainda catecúmeno [que não foi batizado], cobriu-me com esta veste”.
As tradições do dia de São Martinho
O dia de São Martinho é festejado um pouco por toda a Europa, mas as celebrações variam de país para país. Em Portugal é tradição fazer-se um grande magusto, beber-se água-pé e jeropiga. Esta é também uma altura em que se prova o novo vinho, produzido com a colheita do ano anterior. Como diz o ditado popular, “no dia de São Martinho, vai à adega e prova o vinho”.
De acordo com alguns autores, como José Leite de Vasconcelos e Ernesto Veiga de Oliveira, a realização dos magustos remonta a uma antiga tradição de comemoração do Dia de Todos os Santos, onde se acendiam fogueiras e se assavam castanhas. Em outros países, como na Alemanha, acendem-se fogueiras e fazem-se procissões, e em Espanha matam-se porcos, tradição que deu origem ao ditado popular “a cada cerdo le llega su San Martín” (“cada porco tem o seu São Martinho”).
Também no Reino Unido existe a expressão “verão de São Martinho” que, apesar de já raramente utilizada, está também ligada com a crença de que o tempo melhora nos dias que antecedem o feriado."
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
A desigualdade aprende-se em casa ou, o grande pecado maternal
Retrocedamos por breves momentos até ao passado longínquo da nossa espécie, digamos aos tempos da Idade da Pedra.
Vivêssemos nesta época e qualquer um de nós teria que saber caçar, fazer fogo, conhecer que plantas e frutos seriam comestíveis e os que teriam propriedades medicinais, fazer ferramentas a partir de pedra e muitos outros utensílios a partir dos materiais encontrados na natureza, como cestos, construir abrigos, fazer vestuário a partir das peles dos animais, etc.
Este contexto é um óptimo exemplo para perceber que todos estes conhecimentos são essenciais, e pessoa que não os detivesse seria inapta para a sobrevivência. Tão simples quanto isso.
Depois, em algum momento da nossa evolução (?) começaram, sabe-se lá porquê, a serem criadas distinções sobre que tarefas seriam mais "apropriadas" para homens e mulheres.
E começaram-se a formatar todos os seres humanos segundo uma lista de estereótipos que viraram norma social.
Uma das grandes consequências para além da desigualdade, é a incompetência, a inaptidão.
(Há muito para dizer sobre esteréotipos e desigualdade, e por isso mesmo vou tentar não me dispersar, senão perde-se o fio à meada.)
Hoje, pelo menos na nossa sociedade, as tarefas que definem o nosso quotidiano e nos são indispensáveis, terão o mesmo fim que tinham na Idade da Pedra, (alimentação, abrigo, etc), mas evoluíram na forma. Vamos às compras, não vamos à caça. Não fazemos utensílios, compramo-los.
Saber cozinhar, tratar da roupa, limpar a casa, gerir o orçamento e fazer compras, são algumas das tarefas rotineiras que qualquer pessoa deve dominar para ser considerado um indivíduo capaz e autónomo.
Não se espera que todos saibam desempenhar todas as tarefas com mestria, mas espera-se certamente que nos saibamos desenrascar minimamente.
Um dos títulos deste post é "o grande pecado maternal", e a escolha foi propositada, pelo seguinte:
Sempre me causou espécie as mães que distinguem os filhos das filhas.
Vem-me à memória uma colega de escola, de quando tinha cerca de 11 ou 12 anos, a imagem dela a passar a ferro com a mãe, e de como já dominava essa tarefa e muitas outras, enquanto o irmão mais velho estava protegido de todos esses afazeres.
Assim como esta lembro-me de tantas outras histórias e pessoas.
De uma mãe, trabalhadora, e de como ficava até de madrugada a passar a roupa do marido e filhos, pilhas imensas, a cozinhar almoços para o dia seguinte. Que insiste em se levantar da mesa, durante a refeição, para ir buscar tudo o que alguém se lembre de pedir.
Há mães que quando ouvem opiniões sobre a divisão igualitária das tarefas domésticas entre homens e mulheres, ficam horrorizadas. "Era só o que faltava! Ai, nem pensar!". Ainda as há assim.
Há mães, que se dirigem à casa dos filhos para limpar, tratar da roupa e cozinhar.
E que vontade que inibo com um enorme esforço de, quando me deparo com mãezinhas destas, de lhes perguntar, qual o grau de deficiência do rapaz, coitadinho. Não tem bracinhos? Sofre de algum tipo de paralisia ou algo assim, que o impeça de fazer as coisas?
De outra, que, aos dois empregos que tem fora de casa, some-se um terceiro: o de cuidar do filho, homem já feito, levando-o nas mãozinhas, fazendo-lhe tudo. Anda exausta. Diz que gosta, faz cara feia às críticas. E eu nada digo. Mas causa-me espécie.
Diz-se que a vida é de cada um, que cada um é que sabe de si. Tudo muito bem e bonito, não fossem as repercussões irem muito além da sua vida, do seu espaço.
Para começar, a longa história da desigualdade entre géneros e os seus frutos não são um mistério para ninguém. Não há mulher no mundo que não a tenha sentido na pele, pelo menos uma vez.
Por isso, das mulheres, mães de filhos, o que eu espero é que promovam a Igualdade em casa, pois está nas mãos delas quebrar este ciclo, educando meninos que quando forem homens se saibam comportar fora das limitações impostas durante tanto tempo, da formatação dos estereótipos.
No entanto, há mães que pelo seu comportamento estão a promover a continuidade da desigualdade.
Um menino que seja ensinado a cozinhar, a passar a ferro, a arrumar, a lavar a louça, a participar de todas as tarefas domésticas não será menos homem por isso. Exactamente da mesma forma que uma mulher que saiba o suficiente de mecânica e bricolage para se desembaraçar sozinha, nunca será menos mulher.
Pelo contrário, serão seres humanos mais bem preparado para a vida, capazes e independentes. Que na minha cabeça, é algo que todo o pai e mãe desejam para os seus filhos.
Não ensinar a um filho essas capacidades básicas de sobrevivência só porque é do sexo masculino não é protegê-lo, é criar um imbecil, um incapaz.
É adiar a igualdade entre géneros, a concórdia, a harmonia, o entendimento, a evolução, por mais uma geração.
É habituá-lo à ideia que o papel das mulheres é serem criadas dos homens, servi-los, fazerem-lhes a papinha toda e lavar-lhes o cú com água de rosas, porque é o exemplo que mãezinha lhes deu. É alimentar-lhes a crença que um dia vão casar com uma mulher tal e qual a santa da mãezinha, que nunca na vida terão que mexer uma palha, que tudo em casa aparece feito como se de magia se tratasse.
Felizmente, nem todos os filhos destas mães caem no pior cenário. Alguns criam na vida de adulto uma realidade diferente, porque nunca gostaram nem se reviram no ambiente em que cresceram.
Outros, darão continuidade à misoginia. Nem que fosse só um, já era demais.
Minhas senhoras, aceitem a grande importância do vosso papel enquanto mães e educadoras, compreendam que as vossas escolhas têm grandes repercussões. Eduquem os vossos filhos no espírito da Igualdade, e certamente teremos um mundo diferente e mais evoluído no espaço de duas gerações.
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Hooliganismo - tolerância zero!
Hooliganismo é uma expressão derivada do inglês "hooligan" que significa "vândalo". É usada geralmente para descrever um comportamento destrutivo e violento por parte de adeptos desportivos.
Por acaso, é até bastante adequado que se use uma palavra de origem inglesa para apelidar este problema, visto que o hooliganismo teve a sua origem naqueles lados e, ainda hoje, os adeptos ingleses mantêm a pior reputação à escala global, bem justificada diga-se.
Eu odeio hooliganismo. Este tipo de comportamento perverte e conspurca o desporto, qualquer que este seja.
Nem todos os adeptos são hooligans. E eu diria que os hooligans não são verdadeiros adeptos, embora gostem de se considerar os maiores fãs do seu clube.
Na minha opinião, são bestas, que encontram dentro do desporto, um espaço onde expressar o seu apetite pela violência, destruição e caos, destruindo o próprio desporto que dizem amar.
Um amigo contou que, na noite de ontem, após o jogo entre o Sporting e Schalke 04, equipa alemã de Gelsenkirchen, (que a equipa portuguesa ganhou, com um resultado 4-2), estava ele num estabelecimento do Bairro Alto, quando foi surpreendido por vários carros que circulavam em sentido contrário porque tentavam escapar de uma manada de adeptos alemães, que à sua passagem atiravam "pedras, garrafas, tudo...". O resultado foram estragos, muitos. Carros vandalizados, com vidros partidos, amolgados.
Se não aconteceu algo ainda pior, digo eu, é porque entretanto a polícia perseguiu-os à bastonada.
Para quem me considerar pessimista - afinal, que mal tem demonstrar um amor fervoroso pelo seu clube, não é?! - deixo-vos com um breve vídeo sobre o trágico dia de 29 de Maio de 1985, onde o jogo entre o Liverpool e a Juventus, no estádio Heysel na Bélgica, terminou, graças ao hooliganismo, em 600 feridos e 41 mortos.
(Atenção que este vídeo tem algumas cenas que podem ferir a susceptibilidade dos mais sensíveis, mas partilho-o porque acho tremendamente necessário dar a conhecer a verdadeira expressão do hooliganismo, para que finalmente se compreenda que isto não é uma questão menor.)
Acho que por aqui somos demasiado brandos a lidar com esta situação. Que, como todos os problemas, também a cura para o hooliganismo passa por atacar o problema na raíz, e não só focar nos sintomas.
Acredito que as sanções para este tipo de comportamento deveriam ser tão penosas e brutais que os fizesse realmente pensar duas vezes antes do acto. Deixá-los mesmo bambos das pernas só de pensar nas consequências, como decerto devem ficar os correios de droga quando se imaginam a passar por Singapura. Isto, sem a pena de morte, como é óbvio.
À turba de adeptos alemães que ontem à noite provocaram estragos em Lisboa, era prendê-los. Em troca da liberdade teriam que pagar a factura. Esta incluiria não só os estragos que causaram, como todas as despesas que resultaram das suas acções, inclusive processos judiciais, horas de trabalho das forças de segurança pública e todos os outros envolvidos, e todos os gastos que o Estado Português teve com a sua detenção, ao cêntimo, desde refeições, duches, electricidade, tudo.
Depois era escoltá-los, algemados, até embarcarem com destino à terra deles, ficando identificados como "personas non gratas" em território nacional, por um período de tempo, ou para sempre, conforme a gravidade das suas acções.
Para deter o hooliganismo é absolutamente necessária uma concertação entre Estado, Sociedade, clubes desportivos e restantes adeptos.
Acredito que só acções drásticas como um adepto culpado de hooliganismo ser considerado "persona non grata", repudiado pelo próprio clube; identificado numa base de dados, uma espécie de lista negra, e ver-se impedido de se associar a qualquer outro clube e de participar em qualquer evento desportivo, poderão contribuir para erradicar este problema.
Se o problema é o consumo excessivo de álcool e estupefacientes nos eventos, proíba-se o consumo deste nos recintos. Sejam impedidos de entrar aqueles que já lá chegam sob o efeito dos mesmos.
Os clubes participariam destas acções? Sem dúvida, mesmo que tivessem que ser coagidos.
- Hooligans como sócios? Ninguém joga até se resolver a situação.
- Venda de álcool no recinto? Multa pesada. Não há actividades neste enquanto esta não for paga, e a situação resolvida. Quanto mais demorarem, mais juros pagam. Não voltará a haver jogos acompanhados de cerveja fresquinha enquanto o hooliganismo não for erradicado.
- A equipa ganhou, e os adeptos festejam fervorosamente nas ruas, deixando uma onda de destruição e vandalismo? Vitória anulada. Assim talvez todos percebessem que ser hooligan não é sinónimo de amar o desporto e o seu clube, pois este tipo de comportamento significaria ser o responsável directo pela sua derrota.
Para concluir, o hooliganismo pesa no bolso de todos os contribuintes. Para cada jogo que ocorre, são tomadas medidas extraordinárias por parte das forças de segurança pública, e isso sai-nos do bolso. É dinheiro dos impostos que poderia ser direccionado para coisas de jeito, como saúde ou educação, ou tantas causas que bem precisam de um investimento, mas que por causa da bestialidade de alguns tem que ser utilizado para este fim.
Pois então, que sejam os clubes desportivos a pagar esta factura. Se se recusarem, não há jogos para ninguém.
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quarta-feira, 5 de novembro de 2014
cromices #54: Da infalibilidade da Lei de Murphy
Um dos principais corolários de Murphy, dita tão simplesmente que "se existe a probabilidade de algo correr mal, essa mesma probabilidade se tornará numa certeza."
E quem é que já não sentiu o efeito do caos na sua vida que o levasse a pensar que, afinal este engenheiro aeroespacial, de seu nome Edward Murphy, é que a sabia toda?!
Se se quiserem rir um pouco com os diversos adágios da Lei de Murphy, é ir aqui, ao último parágrafo.
Ao longo da vida já passei pelas mais diversas situações, que me tornaram uma crente nesta filosofia.
O corolário que eu acrescentaria à longa lista já existente, seria algo tipo "se não te sabes rir de ti mesmo, a vida tratará disso."
Das várias situações possíveis que poderia utilizar para ilustrar a presença, mais ou menos constante, de Murphy na minha vida, escolho esta:
Há anos, num certo dia em que íamos receber visitas em casa, (e que naturalmente houve a preocupação de ter tudo muito arrumadinho), no curto espaço de tempo em que nos tivemos de ausentar para ir comprar uma coisa qualquer, (pouco tempo antes da sua chegada), um dos nossos gatos, (o Zeus), teve um ataque súbito e descomunal de... diarreia.
O pobre do bicho bem foi aliviar-se à caixa de areia, onde é suposto fazê-lo. O grande mal residiu no facto dos gatos terem a mania de dar com as patas no areão, para cobrir os dejectos. Ao fazê-lo, o Zeus não cobriu dejecto algum. O gesto apenas serviu para sujar as patas e fazer voar o "produto", tipo o que acontece quando se mete algo numa liquidificadora a trabalhar sem tampa.
Quando chegámos deu-nos um treco! Havia impressões de patinhas por todo o chão, porcaria na zona em redor do wc felino.
Contudo, não havia mesmo tempo para perder com chiliques.
E, tudo ficou normalizado, casa e gato limpos, nem um segundo antes de tocarem à campaínha.
cromices # 53: Neste exacto momento morro de inveja de quem...
... tem jeito para o bricolage. Porque eu nessa matéria não tenho jeito para nada de nada, nicles batatóides, rien de rien.
Safo-me no desenho e na caligrafia, tirando isso as minhas mãozinhas parecem dotadas de um talento maior para destruir do que para arranjar.
Invejo quem se desenrasca sozinho em tudo o que for necessário, quem tem o talento para se desenvencilhar, e bem, haja o que houver.
Fosse eu assim, e teria sido capaz de ter uma reacção de jeito, que não fosse ficar com cara de tacho a olhar para os estores de uma janela que, hoje de manhã, ao invés de subirem, descambaram totalmente, desprenderam-se da caixa.
Nestas situações as pessoas dividem-se entre quem vai à procura da caixa de ferramentas, e quem, como eu, anda à caça de um técnico de reparações. Oh vida!
terça-feira, 4 de novembro de 2014
Quando os homens falam de amor #41
(mas lembrem-se, touradas só no quarto, sim?)
coisas da casa #11: A casa de meio milhão de euros
Como muitas outras pessoas, presumo que na sua maioria mulheres, de vez em quando dão-me umas ganas de visitar imóveis que estejam assim à mão de semear, em exposição, de porta aberta...
A última vez que o fiz foi aqui pelo burgo já há uns tempos. Tratava-se de uma casa novinha, com um preço que se aproximava do meio milhão de euros.
Eu, que adoro Arquitectura e Design, e que não moro numa casa de meio milhão de euros, quis ver o que haveria de fabuloso lá dentro que justificasse tal valor.
Como gosto muito de Arquitectura, tenho ideias próprias, muito bem definidas, sobre a minha visão de uma "boa casa", do que esta deve comportar, ainda mais para custar tamanha exorbitância, (embora seja tremendamente fácil encontrar casas bem mais caras, eu sei), e estava sobretudo curiosa para ver se os meus conceitos estavam de acordo com os parâmetros seguidos naquela construção.
Para mim numa "boa casa" encontra-se um bom casamento entre forma e função, um uso inteligente do design. Acredito que uma casa pode e deve ser altamente funcional e bonita, e que ambos os conceitos devem estar presentes, pois se o primeiro nos dá conforto e nos facilita as rotinas, o segundo inspira-nos e eleva-nos.
Funcionalidade e estética, quando bem trabalhadas, aumentam em muito a qualidade de vida de qualquer pessoa, acredito piamente nisso.
São-me especialmente importantes as seguintes particularidades numa casa, que considero basilares: construção de elevada qualidade (em caso de se ter que optar, prefiria sempre sacrificar o orçamento dos revestimentos, pavimentos e decoração, mas nunca cortar na qualidade dos materiais de construção), intemporalidade, eficiência energética e ecologia, aproveitamento da luz natural, design inteligente, praticidade, polivalência e carácter.
Por meio milhão de euros, esperava a existência de duas salas. Uma formal, e a outra familiar e aberta, na qual poderia estar presente uma cozinha tipo americana. Se estivessem divididas por enormes painéis de correr ao invés de uma parede, poderiam transformar-se numa enorme e única sala sempre que desejado e necessário.
A cozinha deveria ter como apoio uma copa, a chamada "butler's pantry", uma despensa e idealmente, uma mud room (em breve falar-vos-ei em detalhe de todas estas divisões).
Por meio milhão de euros, esperava uma "master suite" com closet. Ficaria positivamente surpreendida se o quarto pensado para as crianças pelo construtor/ engenheiro /arquitecto também tivesse closet, mesmo que pequeno, pois denotaria uma grande compreensão pela necessidade, raramente correspondida, de espaços pensados para a organização.
Por meio milhão de euros esperava, em algum ponto da casa, encontrar um pormenor arquitectónico bem executado que lhe atribuísse carácter, que seduzisse.
Por meio milhão de euros, encontrei uma casa de vários andares, (pois o lote não era muito grande), onde a escala era 8 ou 80. Uma enorme sala e varanda a combinar, (desculpem, "sun deck"como me disseram, que estava muito bem), e uma garagem, no nível mais inferior da casa, do tamanho de todo o piso.
Para contrastar, tudo o resto era à Portugal dos Pequeninos: cozinha minúscula, despensa nem vê-la, casas de banho miniatura, os quartos idem.
O quarto ensuite não era excepção, era micro mesmo. Tão, mas tão pequeno que é bom que o casal que a compre não se imagine numa cama maior que 1,40m, que não se zanguem por terem de partilhar o roupeiro embutido de duas portinhas, que também não havia espaço para qualquer cómoda ou outra peça. Para quem goste de se exercitar logo pela manhã, podem sempre guardar a roupa na enorme garagem e descerem dois lances de escadas sempre que precisarem de algo.
Ah, e que consigam tomar duche sem descolar os bracinhos do corpo, pois seria a única forma de lá caberem.
Não me agradou. Achei-a pouco funcional e nada memorável. Tivesse eu essa quantia para gastar num imóvel, (quem me dera!), e não seria aquela a minha nova casa.
Esta é a minha opinião, e esta é o produto de uma percepção bastante subjectiva.
Mas serei a única a pensar que quem desenha estas casas perdeu um bocadinho o tino?!
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
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