sexta-feira, 21 de novembro de 2014
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
coisas de pensar: Para turista ver
Todos sabemos que o Turismo tem uma importância fulcral para a nossa economia, diz que o seu contributo para o P.I.B. tem para nós mais impacto do que para outro qualquer país do Mundo, (aqui ).
Contudo, quando ouço sobre as estratégias deste sector, quando falam "do investimento para o turismo" há um arrepio que me percorre a espinha, e não é de prazer.
Odeio quando enchem a boca para falar de estratégias para o turismo, de construir isto, aquilo e aqueloutro para turista ver. É que me fazem lembrar os resorts 5 estrelas em destinos de terceiro mundo, ou a Cuba pré Castro, playground dos americanos: beber, fumar e ir às putas. As putas tristes.
Podem dizer os de fraca memória, que não somos Cuba.
A esses refresco a memória sobre como era o Algarve há poucas décadas atrás. Onde quase tudo o que existia relacionado com o turismo era direccionado para o turista estrangeiro, em que o visitante nacional chegava a ser tratado com desdém e maus modos, relegado porque havia sempre que estar, primeiro e acima de tudo, disponível para os que não pagavam em escudos.
As putas podiam estar na Cuba de outrora, mas ali era-se recebido por alguns dos seus filhos.
Mais tarde, motivados por uma crise, compreenderam que era inviável depender somente do visitante estrangeiro, e tiveram um momento epifânico, aprenderam a valorizar o turista nacional e com base nessa nova atitude houve progresso e evolução, com ganhos para todos os envolvidos.
Muitos até ganharam "amnésia" em relação ao velho Algarve. Eu gosto de recordar, não para constranger, mas para lembrar o resultado de quando se mete "palas nos olhos" e se ignora o quão fundamental é saber produzir e servir, em primeiro lugar, para os da "casa", para nós.
Não quero viver num parque temático. Sobretudo não quero que aumente a disparidade da qualidade entre o que existe para o cidadão e para o turista.
Não quero que as nossas aldeias, vilas e cidades não sirvam para viver, só para visitar. Em que porta sim, porta sim, hajam hostels, e hotéis de charme e espaços design rónhónhó, lojinhas gourmet, estabelecimentos pseudo-tradicionais com ementas em inglês, francês e alemão, com preços proibitivos, e monumentos nacionais que nem todos os cidadãos conhecem e poucos visitaram mais de uma vez, porque os preços dos bilhetes, também esses são para turistas.
Quem me conhece bem, sabe que quando critico é porque tenho na manga mais do que a crítica.
E a minha sugestão é:
- Olhem para as localidades na óptica dos cidadãos.
Invistam em infraestruturas, em remodelações, que aumentem a qualidade de vida destes: segurança, espaços verdes, ciclovias e pedovias, transportes públicos de qualidade.
Reabilitem os tantos edifícios moribundos que sobejam por todo o lado, (quantos destes verdadeiros tesouros arquitectónicos), e transformem-nos nos tais hostels, mas também em habitações, em espaços para a cultura, para a prática de desporto, para a saúde e a educação.
Não foquem no turismo. Foquem-se em tornar um sítio feliz, vibrante, acessível para todos, e os turistas virão.
Se os cidadãos encontrarem nas suas terras um espaço convidativo, apelativo, pessoas de todo o mundo quererão comungar dessa experiência.
E essa é a única "estratégia para o turismo" que defendo, sem ghettos, sem eles e nós.
caixa de ressonância
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
fashion coisa #3: O traje que melhor nos assenta
Quer sejamos homem ou mulher, independentemente da nossa altura, peso, idade, raça, da forma do nosso corpo, há um traje especial que assenta a todos que nem uma luva.
É a nossa pele.
Tivesse eu poderes, e uma das primeiras coisas que faria era erradicar do pensamento humano os complexos para com o próprio corpo, os preconceitos em relação à nudez, a falta de amor próprio.
Não vos estou a incentivar à prática do nudismo, (mas se vos der na gana, força!), nem à exibição gratuita do vosso corpo. Por favor, não distorçam esta mensagem.
O que eu gostaria é que todas as pessoas se sentissem, na sua nudez, tão elegantes, confiantes, graciosas, exuberantes e felizes como se estivessem a envergar o mais belo conjunto Dior, Valentino ou Armani.
Porque ao contrário do que algumas mentes doentes e perversas querem fazer crer, não há nada de ordinário, obsceno, feio e pecaminoso nos nossos corpos nus.
Aí sim, os trajes que se adquirem nas lojas, serviriam para adornar, aquecer e não para camuflar e esconder. Porque se dizem que a moda é bela, uma forma de arte e afins, é uma pena que sirva para isso.
Mais importante, é um desperdício de tempo e de vida não sermos felizes na nossa pele.
caixa de ressonância
terça-feira, 18 de novembro de 2014
cromices #57: A preparar-me para o Inverno...
Cá por casa usa-se muito a expressão "ursa na gruta" em relação à minha pessoa.
Eu nem discuto. Já me rendi ao facto que sou um animal. Que tantas e tantas vezes, os meus instintos animalescos estão muito mais despertos e saem-me com maior naturalidade, do que propriamente isto de ser pessoa, humana, e a necessidade de às vezes pensar antes de agir como tal, como se fosse algo novo, uma lição ainda não assimilada totalmente.
E eu sou um animal que hiberna.
E como os animais que hibernam, chegado o Outono, aumenta a letargia e o apetite. O corpo pede calorias, calor, aconchego, não está virado para práticas desportivas nem grandes aventuras.
Confirma-se: "ursa na gruta" assenta-me que nem uma luva.
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
caixa de ressonância
Quando falo de Amor #6: O papel de anti-herói
Acreditem em mim quando vos digo que as pessoas com pior feitio são as que mais (vos) amam.
Sei do que falo. Tenho um feitio execrável, épico de tão bera, sustentado por uma capacidade de amar nunca menor.
Deduzo que aos olhos de alguns, eu devo parecer uma louca, porque só os loucos e os tolos são desprovidos da capacidade de serem diplomáticos, de dizer e fazer o que lhes vem à cabeça sem a consideração pela opinião alheia que tantas vezes nos constringe.
É claro que sei ser diplomata. E bem.
A grande questão reside no papéis que decidimos assumir. A Vida é como uma grande peça, que necessita, para se desenrolar e acontecer que, todos nós subamos ao palco. Cada um veste o papel que quer, ou que acha que deve vestir.
E, tal como nas melhoras peças, nem tudo o que parece, é.
Eu decidi vestir o papel de anti-herói. Mais por obrigação do que por vocação, talvez. Por saber que não é um papel desejado. Que assim sendo, mais vale assumi-lo do que correr o risco de ninguém lhe pegar, ou de este peso recair sobre as costas de alguém que quero ver protegido.
E, como todos estes papéis, também este é necessário.
É fácil antipatizar com esta personagem. O anti-herói quando entra em cena, não nos vai passar a mão pelo pêlo, não nos vai facilitar a vida concordando com tudo o que dizemos e fazemos, não vai ignorar o que é errado com um sorriso e uma palmadinha nas costas. Não é um "enabler".
O anti-herói não precisa de ser pessimista, nem desprovido de emoções. Poderá abraçar-vos, falar-vos da luz no fundo do túnel, do copo meio cheio ou da bonança após a tempestade.
Pode até ser bastante empático e pragmático, sentir o mesmo que vós, quem sabe até de uma forma muito mais profunda do que vos é possível, enquanto procura, qual cão pisteiro, uma solução para os problemas.
Mas vai fazê-lo cumprindo o seu papel, o melhor que souber, não sem antes, com uma frontalidade quase caústica, sem usar paninhos quentes nem ser delicodoce, vos dizer na cara que fizeram merda, que erraram, vai-vos apontar o que seria esperado de vós, confrontar-vos, questionar e debater, fazer de advogado do diabo e simultaneamente de encarnação da Justiça, vai-vos moer o juízo, andar em cima de vós, enumerar as consequências dos vossos actos, exigir que aprendam a lição, que façam melhor da próxima vez.
Tudo por Amor. Porque só se rala quem quer bem. Só quando somos indiferentes a alguém é que os deixamos acelerar no erro, até se espetarem violentamente contra um muro.
cromices #56: Anita e os acidentes domésticos
O marido diz que eu sou "muita bruta", e eu dou a mão à palmatória. Também admito que sou meio descoordenada e que é com a maior das facilidades que a cabeça se me descola do pescoço, para ir pairar, feito balão, no "mundo da lua".
Conheço-me bem, mais vale admitir a verdade!
Ora esta mistura é meio caminho andado para alimentar uma propensão à ocorrência de acidentes domésticos.
De vez em quando, lá se ouve um "pum catrapum zás pás". É uma daquelas coisas que ocorrem com uma regularidade não assim tão frequente, mas as vezes suficientes para deixar o homem da casa "vacinado". Já não vem a correr, sobressaltado, como há uma década atrás. Já evoluimos para o estado em que isto, tendo em conta que raramente ocorre algo sério, dá material para "private jokes".
- "O que é que partiste?!" - berra ele de outra divisão. E eu respondo, entre risos, que "Está tudo bem! Nada, não foi nada... de especial". Ao que ele replica, gozão como só ele, "Já tinha saudades!"
E ele sabe que se for algo sério, eu trato de dar o alarme. Como no outro dia, em que calhou mal estar distraída enquanto lavava o maior e mais afiado facalhão cá de casa.
Cortei dois dedos. Nada de especial. Pareciam aqueles cortes de papel. Durante dois segundos pensei "Meh, coisa pouca. Está tudo bem", e continuei com o que estava a fazer.
Até que um dos dedos começa a sangrar. Muito. E eu entro no modo "drama queen": é de ver todo aquele sangue. Porque com queimaduras até me porto bem: água fria, pomada com fartura, e siga a marinha.
E acabamos na casa de banho, com ele a fazer-me o curativo, e eu a fazer beicinho e a queixar-me que tenho um "dói dói".
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