sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Saudades do meu Alentejo
O Cante Alentejano foi eleito Património Imaterial da Humanidade, como sabem. É uma notícia feliz, que nos orgulha.
Inevitavelmente é uma notícia que me faz pensar no Alentejo, no "meu" Alentejo.
Este é uma amálgama de memórias felizes. Imagens, cheiros, sons, sabores, emoções.
Primeiro e acima de tudo, são os meus Avós.
E hoje, por causa do Cante, penso no "meu" Alentejo, e sem querer emociono-me. Tenho tantas saudades dos meus Avós!
Passaram-se uns bons anos desde o momento em que os meus Avós partiram até que voltei a estas terras, desta vez na companhia do meu marido.
É uma daquelas coisas que nem tento explicar, talvez eu seja uma mariquinhas e pronto, não há nada a fazer, mas há sempre uma lágrimazinha fujona que tento disfarçar, quando me encontro diante daquelas planícies.
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
coisas que gosto #20: Telepatia
De acordar a pensar numa amiga com quem não falava há já algum tempo, e de nesse mesmo dia receber um telefonema dessa mesma amiga.
Opá, tão bom!
E ainda há quem julgue que a telepatia é matéria de ficção!
cromices #58: Não dar cavaco...
A expressão portuguesa "não dar cavaco" significa "não responder, não prestar ou não dar atenção, ignorar, não contemplar alguém ou alguma coisa, não estabelecer ou recusar o diálogo".
Ora, é que nem de propósito!
Temos um Presidente da República, de seu nome Cavaco, que tem como hábito não dar cavaco.
Temos um Presidente da República, de seu nome Cavaco, que tem como hábito não dar cavaco.
Já li muito sobre a importância da escolha dos nomes, da sua influência na personalidade da pessoa, mas sinceramente nunca esperei dar de caras com um exemplo tão literal!
Isto é caso para aconselhar os futuros pais a escolherem nomes como Justo, Honesto, Honrado ou Meritório.
Pelo sim, pelo não, é coisinha para justificar os vinte e tais nomes próprios de qualquer Alteza Real, e dar azo a que a moda pegue.
Eu cá imagino algo tipo "Amável Saudável Honrado Salvador da Pátria Eficaz Trabalhador Talentoso Criativo Sortudo Meritório Atlético Inteligente Bem Sucedido Respeitador Ecologista Amado Feliz Visionário Sábio Longa Vida" - João para os amigos.
Assim era tudo muito mais fácil, a partir do momento que qualquer cidadão saberia à partida que era um estúpido do caraças se votasse num indivíduo de seu nome "Trafulha Off Shore".
Mas já estou a divagar...
O que eu queria mesmo dizer é que, o nosso mui querido Presidente, como é seu apanágio, calou-se caladinho aquando a detenção do Sócrates.
Ora, eu tenho a mania de me tentar colocar no lugar do outro, de reflectir sobre o que faria na sua posição. É assim que construo as minhas expectativas em relação ao próximo.
E, a minha expectativa em relação à pessoa que ocupa o cargo de Presidente da República, Cavaco ou não Cavaco, era que se chegasse à frente, que emitisse, o quanto antes, um parecer a partir de Belém.
Que despendesse de cinco minutinhos para afirmar a Portugal e ao Mundo que a Justiça é basilar em qualquer nação que se queira chamar de civilizada, que todo o cidadão é inocente até prova em contrário, mas que não existe absolutamente ninguém que esteja acima da lei.
Que todo o crime cometido por qualquer cidadão é grave e condenável e deve ser punido de acordo com a sua severidade, mas que um crime cometido por um cidadão que se movimente dentro da esfera política e em nome do Estado é duplamente mais sério, pois este, pelo cargo que assumiu, tem o dever perante milhões de cidadãos, de se comportar de forma escrupulosamente idónea.
Que o papel da Justiça é agir. E quando existe acção por parte desta, a mensagem que o País e o Mundo devem reter, é que Portugal está decidido em focar-se no Bem Comum, em expurgar-se de toda a corrupção e vilania que atrasam o progresso, a evolução e o bem estar de todos cidadãos.
Que o papel da Justiça é agir. E quando existe acção por parte desta, a mensagem que o País e o Mundo devem reter, é que Portugal está decidido em focar-se no Bem Comum, em expurgar-se de toda a corrupção e vilania que atrasam o progresso, a evolução e o bem estar de todos cidadãos.
Just saying...
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Ai, andas tão caladinha e tal...
E não é que não tenha nada para vos contar, que me faltem temas sobre os quais opinar e assim.
Pelo contrário!
O problema é mesmo esse, estou tão eléctrica, com tanta coisa a passar-me pela cabeça ao mesmo tempo, que bloqueei.
Vou tomar um cafézinho a ver se acalmo.
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Inspirações / Aspirações
Desejos #3: O primeiro livro
Ainda me lembro de um dos primeiros livros que recebi. É uma memória forte, vincada, tão boa, de quando ainda era demasiado pequena, de quando ainda faltava muito para aprender a ler.
Era um livro enorme, de capa dura: "As Viagens de Gulliver" de Jonathan Swift.
Era um livro belissimamente ilustrado. E, mesmo sem saber ler, adorava passear os dedos e os olhos pelas suas páginas, num estado de absoluto maravilhamento.
O amor à primeira vista acontece, e é um momento que jamais se esquece. É indelével essa minha memória de há trinta e tais anos atrás: foi o momento que me apaixonei irreversivelmente pelos livros, e tudo o que estes nos permitem.
Um livro tem o poder, especialmente junto de uma criança, de ser um portal mágico para a Imaginação. E não há magia como a própria Imaginação!
E se a descobrirmos em tenra idade, existe uma grande chance que, mesmo na vida adulta, nunca percamos a capacidade de imaginar, de criar, de nos maravilharmos, o que é em si uma das maiores dádivas da vida, algo digno de preservar por toda a existência, custe o que custar.
Esta memória é tão feliz e tão forte, que a revivo em forma de filme, a cores, e com todos os sentidos. Parece que me vejo a agarrar aquele enorme e lustroso volume, com as minhas mãos pequeninas, de lhe sentir o peso e a textura. Sinto de novo a emoção da novidade, da descoberta, de gostar daquela coisa nova, e sorrio.
Relembrei-me deste momento delicioso quando pensei nos filhos das minhas amigas, nesses sobrinhos-emprestados-lindos-que-a-tia-doida-adora, e de repente soube que tia quero ser para eles.
Ainda são demasiado pequeninos, mas quando chegar a altura, quero ser a tia que lhes oferece o primeiro livro, o primeiro de muitos.
Reclamo para mim esse privilégio! Quero que tenham uma memória tão mágica e feliz quanto a minha.
Os livros trouxeram tanta coisa boa para a minha vida, que quero partilhar isso com eles.
Ainda bem que não é para já, preciso de tempo para escolher o "livro perfeito".
caixa de ressonância
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
coisas de pensar: Para turista ver
Todos sabemos que o Turismo tem uma importância fulcral para a nossa economia, diz que o seu contributo para o P.I.B. tem para nós mais impacto do que para outro qualquer país do Mundo, (aqui ).
Contudo, quando ouço sobre as estratégias deste sector, quando falam "do investimento para o turismo" há um arrepio que me percorre a espinha, e não é de prazer.
Odeio quando enchem a boca para falar de estratégias para o turismo, de construir isto, aquilo e aqueloutro para turista ver. É que me fazem lembrar os resorts 5 estrelas em destinos de terceiro mundo, ou a Cuba pré Castro, playground dos americanos: beber, fumar e ir às putas. As putas tristes.
Podem dizer os de fraca memória, que não somos Cuba.
A esses refresco a memória sobre como era o Algarve há poucas décadas atrás. Onde quase tudo o que existia relacionado com o turismo era direccionado para o turista estrangeiro, em que o visitante nacional chegava a ser tratado com desdém e maus modos, relegado porque havia sempre que estar, primeiro e acima de tudo, disponível para os que não pagavam em escudos.
As putas podiam estar na Cuba de outrora, mas ali era-se recebido por alguns dos seus filhos.
Mais tarde, motivados por uma crise, compreenderam que era inviável depender somente do visitante estrangeiro, e tiveram um momento epifânico, aprenderam a valorizar o turista nacional e com base nessa nova atitude houve progresso e evolução, com ganhos para todos os envolvidos.
Muitos até ganharam "amnésia" em relação ao velho Algarve. Eu gosto de recordar, não para constranger, mas para lembrar o resultado de quando se mete "palas nos olhos" e se ignora o quão fundamental é saber produzir e servir, em primeiro lugar, para os da "casa", para nós.
Não quero viver num parque temático. Sobretudo não quero que aumente a disparidade da qualidade entre o que existe para o cidadão e para o turista.
Não quero que as nossas aldeias, vilas e cidades não sirvam para viver, só para visitar. Em que porta sim, porta sim, hajam hostels, e hotéis de charme e espaços design rónhónhó, lojinhas gourmet, estabelecimentos pseudo-tradicionais com ementas em inglês, francês e alemão, com preços proibitivos, e monumentos nacionais que nem todos os cidadãos conhecem e poucos visitaram mais de uma vez, porque os preços dos bilhetes, também esses são para turistas.
Quem me conhece bem, sabe que quando critico é porque tenho na manga mais do que a crítica.
E a minha sugestão é:
- Olhem para as localidades na óptica dos cidadãos.
Invistam em infraestruturas, em remodelações, que aumentem a qualidade de vida destes: segurança, espaços verdes, ciclovias e pedovias, transportes públicos de qualidade.
Reabilitem os tantos edifícios moribundos que sobejam por todo o lado, (quantos destes verdadeiros tesouros arquitectónicos), e transformem-nos nos tais hostels, mas também em habitações, em espaços para a cultura, para a prática de desporto, para a saúde e a educação.
Não foquem no turismo. Foquem-se em tornar um sítio feliz, vibrante, acessível para todos, e os turistas virão.
Se os cidadãos encontrarem nas suas terras um espaço convidativo, apelativo, pessoas de todo o mundo quererão comungar dessa experiência.
E essa é a única "estratégia para o turismo" que defendo, sem ghettos, sem eles e nós.
caixa de ressonância
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