quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Ufa, que alívio!
Afinal era uma boa pessoa. "Somente" despassarada.
Finalmente tudo a andar bem. E ontem, pela primeira vez em algum tempo, dormimos como bébés.
Ufa.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Vida de cão #3: Chichis e cócós
Os cães quando são pequeninos não têm controlo sobre as necessidades fisiológicas. É mesmo assim.
Se não me engano, acho que só a partir dos 6 meses é que começam a desenvolver essa capacidade, a guardarem-se para quando forem à rua.
Sobretudo por esse motivo, castigar um cãozinho porque fez as necessidades no sítio que não desejamos é ineficaz e cruel. Só servirá para assustar e traumatizar a criatura.
Isso inclui aquela mania que algumas pessoas perpetuam de esfregar o focinho do cão na poça de chichi.
Há que ter alguma empatia e sensibilidade. Decerto nenhum de nós gostaria que nos fizessem o mesmo, especialmente se não conseguissemos controlar o que fazemos, quando e onde.
Na véspera de irmos buscar o Kiko, passámos numa loja de animais. Trouxemos o enxoval básico: cama, manta, brinquedos para roer, escova, coleira, trela, produtos para o pêlo e banho e uns resguardos.
Estes resguardos são feitos de um material absorvente que faz lembrar as fraldas dos bébés.
Costumam ser vendidos em conjunto com uma base de plástico toda pipi, mas que optei por não trazer. Achei que seria um desperdício de dinheiro pagar por um acessório que não considero essencial, é somente uma paneleirice, e terá um período de vida útil muito curto, pois a partir do momento em que cão faça as necessidades na rua deixa de ser necessário.
Assim em vez de pagar 20 euros pela base de plástico e mais 5 por uma embalagem de resguardos, trouxe só os últimos. 20 euros que já deram para comprar um saco de boa ração para puppies.
Escolhemos um cantinho da casa de banho para colocar o tal resguardo. É claro que é preciso acima de tudo muita calma e paciência para que o cão aprenda a fazer as necessidades aí.
Por calma e paciência entenda-se esfregona sempre à mão, bons reflexos e articulações bem oleadas - a sério, fica-se nas posições mais estranhas quando no último segundo se dá com uma poça de chichi e há que fazer tudo por tudo para não a pisar. Depois é, como nos ensinaram, agarrar no bicho, exclamar um não!, levá-lo ao resguardo e fazer daquilo uma grande festa.
- Kiko! Chichi! Kiko, cócó! Lindo menino! - repetido ad nauseam, com muitas festas e brincadeira à mistura.
Lemos algures que o intervalo entre comer/beber e fazer as necessidades é curto, que uma opção após a ingestão de alimentos é levar o bicho para tal cantinho e brinca-se com ele até a coisa acontecer.
Já o fiz. Mas é aquela coisa da lei de Murphy. Por mais tempo que lá fiques à espera, o cão só se vai soltar no momento em que for para outra divisão.
Mesmo assim, eu que nunca tinha tido um cão, estava à espera de um cenário muito pior.
Hoje é somente o quinto dia.
Já conseguimos que ele simpatize com o resguardo. Há momentos em que ele até vai para lá brincar.
Ontem fez lá o primeiro cócó, sozinho, sem incentivos nem pressões. Hoje de manhã, a mesma coisa.
Nada mau!
Chichis é que não. É dar-lhe tempo.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Não me ando a sentir nada bem
Eu odeio irritar-me. Sobretudo chateia-me que me obriguem a ser chata.
Faz-me mal à saúde, embrulha-se-me o estômago, baralha-se-me a tripa, fico vai não vai a pensar se vomito, dão-me tremeliques, e dói-me tudo.
Já tive tanto stress na minha vidinha, que gastei de vez a resistência que tinha para com as chatices, tipo os calços dos travões.
Se outrora fui, ou pelo menos parecia um couraçado, hoje nem pensar nisso.
Ora, há uma pessoa que se anda a portal muito mal connosco.
Que ficou de nos enviar algo segunda-feira sem falta. Amanhã já é quarta-feira.
Só não a identifico publicamente, porque ainda lhe dou hipótese de redenção e preciso mesmo daquilo. É meu de direito. Já cá devia estar na minha mãozinha, sem atrasos nem desculpas, com um sorriso e um agradecimento.
A pessoa já admitiu ser assim... despassarada, desatenta. As informações que me chegam é que, sim senhor, é boa pessoa, mas lá está, uma pessoa muito cabeça no ar, desorganizada, que nunca trata das coisas a tempo e horas.
Dou por mim a ter que lhe ligar todos os dias. E eu odeio visceralmente fazê-lo e odeio que mo façam. Acima de tudo odeio este tipo de pessoas que falham com os outros, que nos forçam à condição de chatos.
Somos todos adultos, deveriamos agir como tal. De forma responsável. A irresponsabilidade de uns pesa sempre nas costas de outros, e gera úlceras e mal-estar.
Redima-se e não haverá parte segunda deste post. E eu torço para que isso aconteça. Mesmo!
Continue a dar-me cabo da pouca sanidade que me resta, e passo do modo gentil assertivo para o modo besta destravada.
cromices #59: A emoção dos descontos
Já por meia dúzia de vezes apanhei na televisão o Extreme Couponing, aquele programa em que vemos donas de casa a sairem dos supermercados com vários carrinhos completamente atestados de produtos quase à borla.
Sendo coisa que se passa lá para as Americas seria impossível que a coisa não se pautasse pelo exagero, e até uns certos laivos de absurdo. Pelo menos assim parece aos meus olhos europeus.
Na minha cabeça uma pessoa "normal" não precisa de uma centena de frascos de molho para salada ou refrigerantes, e isso de andar a catar o contentor do lixo à caça de cupões, como se vê em alguns episódios do programa, não me convence.
Tal como por cá, quando existem eventos promocionais que atraem muita gente e dão origem a um caos infernal, que teve naquilo do Pingo Doce o maior expoente nacional, eu sei bem onde vou: para bem longe. Como já assisto ao UFC pela televisão não sinto propriamente a necessidade de ver velhotas, num combate até à quase-morte, armadas com frangos congelados e cuvetes de bifes.
Por outro lado quem não entende o apelo da poupança. Certo?!
Também gosto de poupar. Quem não gosta?
Então ouvi dizer que no supermercado cá do burgo havia coisas com 50% de desconto. Desconto directo, que é dos melhores que existem.
Saquei do tablet e analisei o panfleto da promoção.
Recuso-me a comprar coisas que não preciso nem uso só porque estão baratas.
Entretanto a coisa começou-me a agradar, estavam presentes alguns produtos que já costumo comprar: o mesmo detergente para a louça, gel de banho, papel higiénico, amaciador e afins.
Decidi aproveitar. Já que tinha que ir lá mesmo buscar frutas, legumes e outros essenciais.
Com alguns trocos que tinha no cartão cliente o desconto total ficou em quase 30 euros.
E de repente vi a luz!
Há uma certa descarga de adrenalina contida no acto de não pagar a totalidade do preço.
E de repente, vi-me em versão americana, a liderar um comboio de carrinhos de compras cheios de paletes, não de molho para saladas ou coca-cola, (vade retro!), mas pronto, vá lá, águinha das pedras e mostarda.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Vida de Cão #2: O Compromisso
Os animais podem ser muitas coisas: membros da família, companheiros, melhores amigos, terapeutas, guias, e sem dúvida, maravilhosos. Todos eles.
Não são brinquedos, muito menos descartáveis.
Há quem encare os animais de estimação como filhos, e eu pertenço a esse grupo de pessoas.
Sei que há muita gente que não entende tal conceito, que revira os olhos e se benze perante tal ideia, que nos acham maluquinhos.
E eu continuo na minha, não só por uma questão emocional, mas também racional:
É que, tal como um filho humano, o nosso animal de estimação depende de nós para tudo. Para alimento, abrigo, afecto, protecção, assistência médica e educação.
Ambos, seres humanos e não humanos contam com a figura que encaram enquanto pai/ mãe / tutor/ guardião / seja lá o que queiram chamar, para tudo isso. Procuram-nos se têm medo, fome, sede, se estão tristes ou alegres, se necessitam de orientação, se estão doentes, se querem carinho ou brincar. Ambos nos observam, nos imitam, aprendem connosco, e acabam por ser de certa forma o nosso reflexo. Espelho das nossas capacidades e incapacidades.
O meu senso dita-me que qualquer pessoa que demonstre estar apta para tal, sendo consciente e cumpridora, mostra ser Pai ou Mãe, honrando a essência do termo, seja para com um menino ou um cãozinho.
Conheço pessoas de tal forma responsáveis com o papel que assumiram com os seus animais, e até com os animais de "ninguém",( as vítimas de um imenso infortúnio, da negligência e da crueldade, que esperam por uma verdadeira família), capazes de envergonhar muitos pais de crianças humanas, cuja maior aptidão para a parentalidade é terem orgãos genitais. Infelizmente, também existem demasiadas crianças que mereciam bem melhor, perdoem-me o eufemismo.
Sobretudo aqui considero que não há diferenças entre crianças e animais: um só animal ou criança maltratados é um a mais!
Para mim, a grande diferença é a esperança de vida. De um filho humano espera-se que continue a viver mesmo depois de partirmos. É a ordem natural das coisas. Acredito que, quando essa ordem é subvertida, deve ser a dor mais atroz e tenebrosa.
Um animal, em comparação, vive muito menos. Já o sabemos à partida, mas na realidade, acho que ninguém está preparado.
Da dor que advém da perda de um animal sei falar. Já a senti e é das coisas mais horríveis com que já tive que lidar na vida. Deixa marcas.
O que acontece é que com o passar do tempo as memórias felizes vão-se sobrepondo ao sentimento de perda, de luto em todas as suas fases, da tristeza à frustração, da dor à ira.
Por exemplo, eu que perdi o Ulisses para uma doença auto-imune, e os manos Eros e Zeus para a insuficiência renal tive uma longa fase de luto, em que me senti tão, mas tão zangada com o "Universo" pelo nosso destino. Tão furiosa e frustrada por ter dado o melhor de mim, de ter procurado agir sempre de forma certinha e responsável e, mesmo assim perder a batalha contra as doenças. Senti-me pequenina e impotente. Tão triste e vazia sem eles.
Agora, anos depois, recordo-os transbordando unicamente de afecto. As tais memórias felizes que nos fazem sorrir.
Senti-me (sentimo-nos) preparada para um novo compromisso, e foi dessa vontade que surgiu o Kiko, que agora enquanto escrevo se encontra a dois passos de distância, num sono de primeira infância.
(Pausa na escrita. Pôr a máquina da roupa a trabalhar pela terceira vez hoje, dar-lhe de comer, limpar mais um chichi, e brincarmos com a bolinha. Retomo o post, sempre dá para descansar um bocadinho. Adiante...)
Ora bem. Nunca tinha tido um cão.
Sempre que alguém me vinha pedir conselhos e opiniões sobre gatos, eu fazia questão de frisar os aspectos mais trabalhosos e chatos da relação. Falava dos cócós, dos vomitados, do pêlo, dos custos com veterinários, dos objectos arranhados...
Fazia-o porque há que fazer esmorecer aqueles que não estão preparados para lidar com o pacote completo do que significa ter um patudo na família. Fazia-o pelo animal.
Só depois falava dos afectos e de toda a magia que surge da cumplicidade entre um humano e um animal. De não se saber porra nenhuma sobre reciprocidade e amor incondicional até aquele momento.
Também isto não é diferente no caso de uma criança humana. Acho que ao invés de andar toda a gente a tentar impingir a maternidade, frisando uma e outra vez que é uma coisa maravilhosa, o tal "tens que ter!", mais valia focarem os outros pontos, aqueles mais chatos. Tipo as noites sem dormir, as fraldas cagadas, os custos com saúde, educação e tudo o resto, a possibilidade de terem uma "criança" em casa por mais de trinta anos. Pelas crianças. Para que quem pense que quer assumir esse papel, saiba ao que vai, reflicta, queira mesmo. Que saibam que não é uma gravidez que faz ou salva uma relação amorosa entre duas pessoas.
Só depois do sermão deveriam falar na redenção da alma humana através da alquimia suprema.
Fizemos exactamente o mesmo connosco a partir do momento em que o assunto "cão" veio à baila.
Aceitei o compromisso, o tal do pacote completo.
Embora o Natal esteja perto, não foi uma decisão impulsiva. Ponderámos, pedimos ajuda a quem conhece e sabe, pesquisámos, procurámos "o" cão, aquele cujo perfil casa melhor connosco. Aquele que na sua perfeição inata se adequa melhor aos donos que vão dar o melhor de si, mas que ainda têm muito para aprender.
With eyes wide open.
Hoje, ao terceiro dia, após pulgas, muitos chichis e cócós, não esmoreço. Estou feliz.
O compromisso é para toda a vida, e 15 anos parece tão pouco, mesmo ao virar da esquina.
Vida de Cão #1: Programa de Domingo à noite
Nós os três, (eu, o marido e o Kiko), no sofá a ver o Cesar Millan.
sábado, 29 de novembro de 2014
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Saudades do meu Alentejo
O Cante Alentejano foi eleito Património Imaterial da Humanidade, como sabem. É uma notícia feliz, que nos orgulha.
Inevitavelmente é uma notícia que me faz pensar no Alentejo, no "meu" Alentejo.
Este é uma amálgama de memórias felizes. Imagens, cheiros, sons, sabores, emoções.
Primeiro e acima de tudo, são os meus Avós.
E hoje, por causa do Cante, penso no "meu" Alentejo, e sem querer emociono-me. Tenho tantas saudades dos meus Avós!
Passaram-se uns bons anos desde o momento em que os meus Avós partiram até que voltei a estas terras, desta vez na companhia do meu marido.
É uma daquelas coisas que nem tento explicar, talvez eu seja uma mariquinhas e pronto, não há nada a fazer, mas há sempre uma lágrimazinha fujona que tento disfarçar, quando me encontro diante daquelas planícies.
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
coisas que gosto #20: Telepatia
De acordar a pensar numa amiga com quem não falava há já algum tempo, e de nesse mesmo dia receber um telefonema dessa mesma amiga.
Opá, tão bom!
E ainda há quem julgue que a telepatia é matéria de ficção!
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