quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

cromices #64: Vou manter a tradição pela metade.



Refiro-me, é claro, ao dia de hoje: o último dia do ano, o reveillon.

Comecei uma dieta especial há anos: a de cortar com as promessas, e isso inclui, especialmente, as tradicionais resoluções de ano novo.

Não sou boa com promessas. Acho que quando começamos uma frase com "havemos de" já é meio caminho andado para algo ficar, na melhor da hipóteses, pela metade. Pelo dito e não feito.
Porque se é algo que queremos mesmo fazer, fazemos e ponto.
Talvez não no momento imediato, porque a vida, infelizmente, não se rege só de vontades. Mas, haver vontade é iniciar o trilho para a realização de algo, não ficar apenas pelas frases soltas.

Também eu, no passado, me dedicava neste dia do ano a reflectir sobre as tais resoluções, o que faria de diferente no novo ano, a elaborar a lista de acções, grandes e pequenas, mais ou menos mundanas, que fariam de mim, na teoria, uma "melhor" pessoa.

No entanto, nunca deixei de fumar, nem nunca me cheguei a inscrever num ginásio ou qualquer actividade desportiva, deixei de ter mau feitio ou atingi outro qualquer objectivo por efeito de uma dessas listas.
Pelo contrário. Concluí que esta tradição é um subproduto de uma qualquer parte do nosso cérebro que se dedica à culpa. É um exercício onde nos apontamos o dedo, debruçamo-nos sobre os aspectos mais negativos da nossa personalidade, as coisas que lá por dentro achamos que ficaram por fazer, por cumprir, em que errámos. Pois, se assumimos nesse instante querer fazer mais e melhor, de certa forma, estamos a considerar que não foi feito o suficiente e bem.

A evolução pessoal é desejada e necessária. Digo o mesmo quanto à reflexão sobre a própria natureza e as consequências dos próprios actos, mas considero-a mais benigna se feita em pequenas doses, ao longo do ano. Não há pastilha para a azia que resolva tal enfartamento se se guarda o festim para um único dia.

E, se é dia para se celebrar, para "entrar com o pé direito", abraçar o conceito de mais um ano de vida, (embora o nosso conceito de tempo seja apenas uma percepção partilhada, a vida é um óptimo motivo para se celebrar), para quê e como fazê-lo devidamente após uma sessão de auto-culpabização?!

A única tradição que mantenho é a minha transmissão de votos: desejo-vos (nos) um Bom Ano!
Que cada ano novo seja em tudo melhor que aquele que finda, para todos nós! De coração. Sem promessas.
Até para o ano!




domingo, 28 de dezembro de 2014

Vida de cão #9: Dizem que dá sorte.



O Kiko é esperto que nem um alho, disso não há dúvidas. Teimosia também não lhe falta, tanta ou mais que a esperteza.

Em relação às necessidades fisiológicas estamos, de certa forma, a perder a guerra. Estamos a ser vencidos pelo cansaço. A agarrarmo-nos à ideia que quando finalmente for possível levá-lo à rua, (já faltou mais!), poderemos começar um novo capítulo, em que finalmente andaremos por casa sem a necessidade de ligar todas as luzes e olhar atentamente para o chão a cada passo.

Sobre esta necessidade ontem aprendi uma lição valiosa.

Já é hábito, (especialmente agora que faz frio e sentimos na pele o apelo da letargia e da hibernação), instalarmo-nos os três no sofá depois do jantar a ver uma coisa qualquer no aconhego da mantas.
Também é hábito volta e meia adormecermos.

Ontem quando acordei de uma dessas providenciais sestas em família dirigi-me ao wc. Pelo caminho passei pelo escritório. Esqueci-me que umas horas antes tinhamos fechado a porta da sala, impedindo o Kiko de entrar por um bocado como castigo, e que haveria consequências desse time out algures.
Entrei pelo escritório na penumbra, apenas iluminada pela luz que vinha do corredor. Era suficiente para o que tinha de fazer.
Senti algo debaixo dos pés. Estava ensonada, e por momentos julguei que tivesse pisado um dos cinquenta brinquedos de Sua Excelência. Continuei a andar. Um, dois, três passos até o meu cérebro achar que aquela consistência não parecia nada a de um brinquedo.
Pois é. Pisei uma mega poia, sujei a sola dos chinelos e andava, no breu, a deixar pegadas no soalho.

Só vos digo, é um petisco do caraças andar a meio da noite a lavar chinelos e chão.

Faz parte. Dizem que dá sorte. Pelo tamanho da coisa é bom que não me esqueça de jogar no próximo Euromilhões. É que pisei a bosta com ambos os pés, aposto que agora nada me impedirá de me tornar milionária.


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

A quem está desse lado



Creio já ser uma boa altura para vos deixar aqui os meus votos natalícios, ainda que de forma singela.
  Este ano recorro aos clichés. Há clichés que apenas se tornam em tal porque possuem uma essência de verdade e constância.
Sem mais delongas, Amor, Saúde e Prosperidade, são os três desejos que vos envio, como se fossem os "meus" reis magos a caminho do vosso Presépio - lar, família e coração.
Acredito que havendo estes três pilares, nada faltará na Vida. Que assim seja. No Natal e em todos os dias.




segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Vida de cão #8: das gracinhas que enchem o coração



Sentamo-nos no chão com a pernas cruzadas.

Atiramos a bola.

O kiko corre. Com velocidade e destreza apanha-a. Corre na nossa direcção, de bola na boca. Lança-se no ar para aterrar no nosso colo.

Ajeitamos-lhe a postura. Ele ali fica, enroscado, a mordiscar a bola e a fazer barulhinhos de satisfação.

O melhor de tudo é perceber que não é a bola nem o elogio a recompensa. Somos nós.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Cromices #64: Este poderia ser um post sobre moda...



Facto #1: Sou friorenta.

Facto #2: Gosto de roupa desportiva, acima de tudo confortável, tipo o que se encontra na secção de caminhadas da Decathlon.

Facto #3: Estou-me cagando para modas. Mais que defeito é feitio.


Como é que as pessoas reagem ao meu sentido fashionista?

- "Ai tão gira! Parece que vem da neve!" - isto digo pela senhora da esplanada da praia onde fomos tomar o pequeno-almoço.

E é isto.


caixa de ressonância







cromices #63: a bela música que vem dos canos!



Somos uns privilegiados: quando queremos água é só abrir a torneira.

E o gesto é tão reflexo, automático, que aposto que é coisa rara qualquer um de nós pensar no quão somos realmente uns privilegiados por isso.

Até ao momento em que falta a água, como hoje. Momentos que volta e meia têm que acontecer porque existem contratempos, manutenção que tem que ser feita, mas que nos apanham sempre de surpresa.

E dou por mim a maldizer a louça por lavar, a aguentar sem ir ao wc até ao inevitável momento em que parece que a bexiga vai rebentar, a fazer render a água que ainda existe no autoclismo, a lavar as mãos naquele fiozinho de água tão estreito que por sorte ainda escorre da torneira.

Até que de repente se ouve uma sinfonia nos canos, sinal que a água voltou. É uma melodia desarmónica, mas soa tão bem!

Vida de cão #7: o acessório mágico



Sabem aqueles sopradores que servem, lá está, para soprar quaisquer impurezas ou partículas das lentes das máquinas fotográficas?

Acreditem ou não é um acessório extremamente útil nisto do treino canino.

Dizem que quando os cães estão a ter um daqueles momentos muito chatos, em que não entendem um "não", (por exemplo se exercem demasiada força com os dentes na interacção com os humanos ou outros momentos similares), uma das técnicas aconselhadas é borrifá-los com um spray ligeiro de água no focinho.
Mas, como não queremos que ele ganhe aversão à água, (gostar de banho é fundamental), encontrámos neste acessório de fotografia a resposta.

Ainda agora mesmo, depois de uma boa sessão de brincadeira para lhe dar atenção e gastar energias, o Kiko não estava a querer compreender que tinha chegado o momento de acalmar, o que também é uma lição importante.  Então sentei-me aqui, à secretária, e lá estava ele a tentar subir-me pelas pernas, (que unhas, senhores!).
Como o "não" não estava a fazer efeito, fui buscar o soprador. Duas borrifadelas de ar foram suficientes.

Acalmou e foi para a cama fazer uma sesta. Daqui a um bocado vou recompensá-lo por ter entendido e respondido da melhor forma com ração e mais uns mimos.

O ar é obviamente inofensivo, não o magoa de forma alguma, e nem sequer o assusta. Esta deve ter sido a segunda ou terceira vez que utilizei o borrifador no Kiko, mas recomendo. Bate aos pontos, pela eficiência e grau de humanidade, outras técnicas como elevar o tom de voz, (o que é fácil de acontecer quando nós humanos começamos a ficar frustrados), e especialmente as palmadas por mais suaves que sejam.