terça-feira, 6 de outubro de 2015
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
coisas de opinar: Legislativas 2015
Já gastei mais energia com a política, já me agastei mais com os resultados. Já ganhei, outrora, um ou outro cabelo branco, por concluir que, independentemente do desempenho, as rédeas da governação não passarão para outros partidos que não sejam os do costume.
Não sou militante de nenhum partido. Não podemos ter certezas absolutas nesta vida, mas creio que nunca o serei.
Revejo-me num pensamento de Agostinho da Silva: "Eu não voto por rótulos. (...) Eu não quero saber das campanhas eleitorais para nada. Eu quero saber das ideias que as pessoas têm e da maneira como depois as vão defender e praticar."
Já usei do meu tempo em conversas que giravam em torno de política. Não me enfada minimamente cruzar-me com pontos de vista divergentes do meu. Sou tolerante em relação à diferença e olho para esta como uma boa base para o crescimento. Tenho alma de mediadora e sempre acreditei ser possível, apesar de todas as possíveis diferenças, encontrar "chão comum".
Sempre investi muita da minha energia a reflectir nos problemas da nossa sociedade e em possíveis soluções.
Gosto de conversar, trocar ideias. Pouco há mais interessante que a mente humana e sempre me interessou comparar com outros a leitura que faço do mundo.
Agora é-me tremendamente raro participar numa conversa em redor destes temas. Dou uma imensa importância ao poder de raciocínio e argumentação. Para a minha mente todos os pontos de vista são válidos desde que bem sustentados. Grassa amiúde uma tremenda inércia e preguiça mental. Não é a diferença que desilude, é esta incapacidade.
Não desrespeito quem fez uma opção de voto diferente da minha. Não há nada mais valioso que a liberdade e o seu exercício. A nossa vida é menos livre que julgamos, o que faz de todos os momentos que se aproximem desta condição muito valiosos.
Enfadam-me as campanhas eleitorais, a propaganda política, as arruadas, comícios e discursos. São uma vã expressão, caricatura que fica muito aquém da seriedade e clareza com que deveriam ser abordadas as diferentes propostas e ideias. Arrastam-se idosos para encher plateias em troca de um almoço, tal qual as excursões barateiras onde em troca do passeio low cost e do presunto, levam com uma sessão de vendas hardcore de colchões e traquitanas.
Enfada-me que muitos do que se dirigem a uma urna para exercer o seu direito de voto nunca se deram ao trabalho de ler um programa eleitoral na vida. Que se lhes pedirmos para justificar o seu voto, nunca nos dirão que a sua decisão foi baseada numa premissa lógica e racional de A mais B.
São como aqueles médicos de família que só de olhar para o paciente durante uns segundos, sem recorrer a um exame de qualquer espécie, adivinham a maleita.
Enfada-me a abstenção porque tem sido fundamental para se atingir o estado de estagnação em que nos encontramos. Cidadãos politicamente activos, participativos, informados e alertas são a melhor defesa possível no combate à corrupção, ao abuso de poder e à má governação. O "não querer saber", independentemente do motivo, será sempre lido na prática como "laissez faire".
Nestas Legislativas dirigi-me bem cedo às urnas. Fomos os segundos ou terceiros a entrar.
Visto sermos uma população pouco "activa, participativa, informada e alerta" não olho para as eleições com a esperança de dali sair um grande momento evolutivo. Já não me chateio muito, vou com expectativas reais e fazíveis em mente.
Em boa consciência, votei pelo PAN. O meu objectivo era ajudar este partido a conquistar um lugar na Assembleia porque acho que faz falta neste organismo a presença de alguém cujo foco é o bem estar animal. O objectivo foi cumprido, o que me deixa naturalmente satisfeita.
Quanto ao resto...
domingo, 4 de outubro de 2015
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Antropoformização involuntária #4
Desde há uns tempos que o Kiko dorme connosco.
Esperámos que ele aprendesse a fazer as necessidades fisiológicas na rua antes de lhe permitir certas liberdades.
Porta-se lindamente: não chateia nada, não faz barulho. Pode ficar um bocadinho eléctrico quando vamos para o quarto, dar-nos umas lambidelas, andar às voltinhas em cima da cama enquanto encontra a posição ideal, que é normalmente encostado a alguém, mas depressa acalma e entra num sono profundo.
Como qualquer criança de qualquer espécie, o Kiko é um macaquinho de imitação e talvez por isso já demos várias vezes por ele a dormir "à humano", esticado e com a cabeça em cima da almofada.
terça-feira, 29 de setembro de 2015
vida de cão #31: Qualquer dia o homem morre do coração!
Por norma sou a última a adormecer. Os membros masculinos cá do clã são mais susceptíveis aos poderes do João Pestana, especialmente após o jantar.
Não é preciso dizer que ambos adoramos o Kiko e de que maneira! Existe reciprocidade e é algo tremendamente bom de se sentir. Mas há uma pequena diferença: o Kiko gosta muito de mim, mas adora o meu marido. Não há humano no mundo como o paizinho! É uma adoração, um amor, um êxtase que só visto!
Um dos efeitos secundários de sermos objecto de tamanha adoração é que é coisa para nos dificultar o sono. Isto porque o Kiko sobe para o sofá e depois de o impedir, em surdina, que suba para cima da cara do seu "adorado paizinho", agora adormecido, lá acede deitar-se mas num estado híper alerta. Não desvia os olhos uma única vez do meu marido e eu sei que mal este mova, o que eventualmente acontecerá, será atacado pela fera à lambidela.
Mal este se moveu a resposta foi imediata, o que resultou numa mistura de cão totalmente eléctrico e uma pessoa a acordar sobressaltada, atacada em pleno sono.
Se eu podia ter evitado? Claro! Mas não era a mesma coisa.
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segunda-feira, 28 de setembro de 2015
vida de cão #30: O chamamento da matilha
Marido liga-me, como de costume, quando sai do emprego. Desde que temos o Kiko estas são mais do que chamadas telefónicas. São autênticas teleconferências vividas a três.
Pergunto-lhe se posso ir tirando o café da praxe, com que o recebo em casa num ritual de descompressão que serve também para partilharmos algo sobre o nosso dia.
Hoje o café teria que esperar mais um pouco. Culpa do trânsito, essa grande maleita da nossa era!
O puto, sempre atento à conversa, desata a uivar, no seu modo ainda meio desajeitado de quem ainda não domina totalmente a coisa.
Dizem que o uivo serve para chamar membros da matilha que estejam longe, o que tendo em conta o contexto não poderia ter sido mais bem metido! E só prova que o Kiko percebe muito melhor o "humanês" do que nós o "canês".
domingo, 27 de setembro de 2015
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
vida de cão #29: O acessório mágico que facilita dar banho ao cão
O patinho de borracha faz magia na hora do banho, já dizia o Egas.
De nada. ;)
caixa de ressonância
cromices #89: A Maya dos estacionamentos
Dizem que todas as mulheres são feiticeiras, que há um pouco de bruxa em toda a gente.
Comigo, esse adágio revela-se na hora de estacionar, de tal forma que já temos um jogo para quando estamos a chegar a casa.
- Achas que temos lugar? - pergunta o marido ainda a uma boa distância do destino.
Respondo, totalmente convicta e segura. Ele duvida. Duvida sempre - "tens a certeza? Já estou a ver tantos carros estacionados! Sabes que a esta hora...". E eu asseguro-lhe que sim. Ele torce o nariz mas nunca resiste a ver se acertei na minha previsão. Confesso que nem eu resisto.
E geralmente acerto, em cerca de 90% das vezes o que me parece uma média brutalmente boa. Como ontem que lhe disse que estaria o "nosso lugar do costume" à espera e lá estava ele, o único na praceta.
terça-feira, 22 de setembro de 2015
cromices #89: Sobre as tampas ou visita ao passado
Nada mais justo do que falar também sobre as tampas que levei. Sobre estas o que tenho a dizer é que deveria ter levado muitas mais, ao quadrado, ao cubo!
É que passados todos estes anos não são as tampas que recordo - aliás, ou estou a ficar totalmente esclerosada ou estas acabam por ser tão irrelevantes que preciso de um esforço hercúleo para recordar e mesmo assim sem grande sucesso.
O que me vem à cabeça é um ou outro nome de quem, enquanto miúda, nunca tive coragem de convidar nem sequer para um café.
Eventualmente ultrapassei o medo das tampas. Um medo, que como qualquer outro, depois de ultrapassado torna-se risível.
Mesmo assim, imagino-me a viajar até ao passado, numa visita aquela jovem estudante de liceu de cabelos longos, botas da tropa, jeans justos, camisa de flanela aos quadrados e blusão à motard, tipo e.t. a entrar-lhe pelo quarto dentro no meio da noite, ao melhor estilo sci-fi.
Assegurar-lhe-ia que não se deveria ralar com o futuro, que o futuro vai de boa saúde, risonho e até vem com marido e cão incluídos, os melhores do mundo.
Que trate melhor do seu presente, o meu passado. Que boas notas e decidir uma carreira profissional acabam por ter, com o passar dos anos, uma importância menor que aquilo que nos define como pessoa. Que não há que ter medo algum de levar uma tampa, quando muito esta ensina-nos a ser mais gentis com quem no futuro estiver no mesmo lugar que um dia ocupámos e, que eu saiba isso é tremendamente positivo.
Que a partir da manhã seguinte fosse corajosa que convidasse "aquele alguém" para um café e aproveitasse a oportunidade para o conhecer melhor, os seus gostos, sonhos, ambições, o que têm em comum e as diferenças. Que fizesse o mesmo, todos os dias, até conhecer todos os colegas de turma, todos os outros alunos do liceu. Que escrevesse sobre a experiência, que a abraçasse como um projecto. Todas as pessoas são genuinamente interessantes a partir do momento que as olhamos com genuíno interesse.
Garanto-te, miúda, que será incrível! - diria eu, com um piscar de olho, enquanto voltaria para a minha máquina do tempo.
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
cromices #88: O grande papel de Platão na vida amorosa.
Quem é que nunca levou, ao longo da vida, algumas tampas e deu outras tantas?!
Teria eu cerca de dezasseis anos quando um amigo se declarou. Longe de me achar a última bolacha do pacote disse-lhe que daria a resposta no dia seguinte. Não porque precisasse de reflectir sobre os meus sentimentos em relação à pessoa que, tão simplesmente não existiam no plano por ele pretendido, mas precisava de ganhar tempo para pensar como haveria de descalçar aquela bota.
Dar tampa é fácil. Mas fazê-lo sem ferir susceptibilidades é uma arte que ainda muitos desconhecem e não dominam. Ao longo da vida olharemos e seremos olhados amiúde com interesse passional, romântico, sentimental. Nem sempre os planetas se alinharão para dar origem a uma história de amor portanto devemos cultivar modos gentis também nestas ocasiões.
Chegado o dia seguinte e como já é costume na minha vida, salvar-me foi uma questão de improviso.
Lembrei-me de Platão. Mais precisamente do conceito de amor platónico e desato, também eu, numa declaração amorosa. Que sim, também eu gostava muito dele, mais do que ele poderia imaginar... mas como irmão. Pois se me imaginasse tendo um irmão seria como ele, ou melhor, ele. Sim, ele seria o irmão perfeito! Olhá-lo com olhos que não o do amor fraternal, beijá-lo, seria algo de incestuoso. Impossível! (Sim, a dramatização e a lábia é um dos meus poucos dons inatos). Que não era ele, mas eu. (Sim, o velho chavão já vem de há muitos anos atrás).
A verdade é que me safei, (pelo menos suficientemente bem para alguém tão verde), da bota e de ferir um amigo. Ganhei um novo amigo: Platão. Recomendo.
Foi-me útil em mais ocasiões e despoletou em mim uma veia criativa nesta arte dos desenlaces.
caixa de ressonância
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