segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

caixa de ressonância





Childe Harold’s Pilgrimage [There is a pleasure in the pathless woods]


George Gordon Byron, 1788 - 1824


There is a pleasure in the pathless woods,
   There is a rapture on the lonely shore,
   There is society where none intrudes,
   By the deep Sea, and music in its roar:
   I love not Man the less, but Nature more,
   From these our interviews, in which I steal
   From all I may be, or have been before,
   To mingle with the Universe, and feel
What I can ne’er express, yet cannot all conceal.

   Roll on, thou deep and dark blue Ocean--roll!
   Ten thousand fleets sweep over thee in vain;
   Man marks the earth with ruin--his control
   Stops with the shore;--upon the watery plain
   The wrecks are all thy deed, nor doth remain
   A shadow of man’s ravage, save his own,
   When for a moment, like a drop of rain,
   He sinks into thy depths with bubbling groan,
Without a grave, unknelled, uncoffined, and unknown.

   His steps are not upon thy paths,--thy fields
   Are not a spoil for him,--thou dost arise
   And shake him from thee; the vile strength he wields
   For earth’s destruction thou dost all despise,
   Spurning him from thy bosom to the skies,
   And send’st him, shivering in thy playful spray
   And howling, to his gods, where haply lies
   His petty hope in some near port or bay,
And dashest him again to earth: —there let him lay.



quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Gostaria de tomar um café com... #5



Emma Watson.

Emma nasceu em 1990 e estreou-se como Hermione da saga Harry Potter, aos 11 anos de idade.

Sempre gostei de Hermione. O marido brincava comigo, dizendo-me que havia parecenças entre nós, que se tivéssemos uma filha, bem que poderia ser uma Hermione, por ter uma sabichona como mãe.

Enquanto me deleitava com esta saga fantástica, parte de mim reflectia sobre o possível futuro destes miúdos, que se iniciaram na 7ª arte com tão estrondoso sucesso. Que rumo dariam à sua vida? Saberiam aproveitar esta maravilhosa oportunidade ou, entrariam para a estatística como mais um dos tristes casos de actores que tiveram sucesso na infância e cresceram para uma realidade muito mais infeliz?

Hoje vi o discurso que Emma fez em 2014 enquanto embaixadora das Nações Unidas, sobre o Feminismo e a Igualdade de Género.

Não interessa de que jovem pessoa estamos a falar. Dá-me sempre gosto ver alguém crescer "bem". Tornar-se expedito, maturo, articulado, consciente.
Emma já não é Hermione, a menina de 11 anos. É uma mulher bonita, com classe, sofisticada, educada, bem formada. Apresenta-se bem, inclusive e sobretudo no discurso. Está a crescer enquanto bom exemplo para todos os jovens da sua geração. De todas as gerações. E eu fico feliz, porque sabe genuinamente bem ver uma vida florescer assim.




cromices #95: Johnny e Baby 2015


Ainda sobre o remake do Dirty Dancing.

Afinal qual é o pior que pode acontecer?

Que Johnny e Baby se conheçam numa rave? Que passem o dia a trocar sms onde se tratam por "kida" e "kiducho"? Que o repertório "dançástico" de Johnny inclua reggaeton? Que o ar de bad boy dos anos 60 seja trocado por algo tipo 50 cent com muito bling bling? Ou por um look que denote maior sensibilidade e angst, tipo emo de unha pintada e pálpebra sombreada, e uma adoração por romances vampirescos? As irmãs Houseman serão clones das Kardashian?  Será a icónica coreografia final, (aquela que serve para mostrar a todos, especialmente ao pai de Baby, que sim senhor, afinal ele até é bom rapaz), um kuduro? A cena final antes dos créditos será a actualização do estado de ambos no facebook para alguém "numa relação com"?




coisas de opinar: Remake do Dirty Dancing? Mas já não há nada sagrado?!



Acabei de saber aqui, no homem sem blogue, que estão a considerar fazer um remake do Dirty Dancing, em forma de telefilme com 3 horas de duração.

Qualquer mulher da minha geração vos saberá informar de antemão que o projecto vai dar caca da grossa!

Porque não há nem nunca haverá outro Dirty Dancing que não seja o original, aquele com a Jennifer Grey e o Patrick Swayze.

Nunca haverá outro Johnny Castle, nem outra Baby Houseman, a não ser todas as meninas da nossa geração que se imaginaram no seu lugar, especialmente durante a última e grandiosa coreografia que encerra o filme.
Ainda hoje, não acredito que haja alguma dessas outrora meninas que, ao rever o filme ou até uma ou outra das cenas mais icónicas, não viaje no tempo, soltando um suspiro entre o desenho de um sorriso, sentindo a presença vívida desse turbilhão de meninice.

Que gente sem imaginação, pá! Há lá necessidade de vir estragar as memórias de uma pessoa!






segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

cromices #94: Tanta coisa, tanta coisa...



Andamos à procura de um substituto para o sofá velhinho do escritório.

Quando encontramos uma alternativa que nos agrada a ambos, o Murphy aplica a sua lei, e não há o produto na loja onde nos encontramos. Óbvio!

Perguntamos a uma das funcionárias se seria possível informar-se sobre a disponibilidade do produto noutras lojas. Gentilmente replica que ser até seria, se a internet não estivesse em baixo.

Não faz mal, pensamos. Telefonamos nós e obtemos a informação.

Hoje ligo-me ao site. Começo por ligar para para a linha de apoio ao cliente. Uma mensagem gravada numa voz simultaneamente mecânica e num português com uma pronúncia muito manhosa dita a típica mensagem "se quer X prima tecla Y". Sigo o procedimento mas desligo a chamada quando me farto de Jingle Bells ao ouvido.

Tento o número da loja que pensávamos visitar como alternativa e em todas as vezes o único sinal é o de linha ocupada.

Quando experimento o chat do Apoio ao cliente do site da marca, outra mensagem automatizada informa-me que existem 3 pessoas à espera de atendimento. Ideia reforçada por uma segunda mensagem que avisa que os operadores estão ocupados de momento. Coisa que não anda nem desanda há um bom bocado.

Suspiro. Creio que com tanta tecnologia disponível não me resta outra alternativa senão enfiarmo-nos no carro, ir até lá, e ver com os próprios olhinhos se há a coisa ou não.

Parte de mim não resiste a enviar aos senhores do Apoio ao Cliente a seguinte mensagem telepática: "Três pessoas para atender e ficam no lodo?! A sério? A sério, a sério? Mesmo a sério?!"




sábado, 5 de dezembro de 2015

Antropoformização involuntária #5



De 5 a 23 de Dezembro podemos encontrar o Reino do Natal em Sintra.

Como muitos outros "pais", também levámos o nosso miúdo ao Parque da Liberdade para ver as decorações, os elfos e toda a actividade temática.

Crianças apontavam excitadíssimas para o cão. O cão em êxtase por ver tanta criança.

Sempre imaginei que, se Kiko soubesse escrever e enviasse uma carta ao Pai Natal, pediria algures entre snacks e petiscos, miúdos, resmas de miúdos, tal é a paixão pela criançada.

Hoje, ao vê-lo rodeado no tal parque cheio de crianças em todos os recantos, com um ar de êxtase e felicidade que só visto, tive a certeza.

Pois bem, Feliz Natal meu puto!


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Coisas de opinar: Outros tempos



Através da partilha de uma amiga, chegou à minha atenção um texto da autoria de João Miguel Tavares do blogue Pais de Quatro, intitulado "Apelo aos professores por parte de um pai desesperado e farto de trabalhos manuais".

Há um parágrafo em especial que me fez recordar a minha infância:

"3. Nunca - mas nunca - enviem trabalhos de casa que eles não consigam fazer sozinhos!

 Perdoem-me o sublinhado, mas este é o ponto mais importante. Eles não são auto-suficientes para fazer aquilo? Não mandem! Claro está que não me refiro às dúvidas que surgem ao tentar resolver um exercício de Matemática ou de Português. Isso é naturalíssimo e estou cá para ajudar. Refiro-me àqueles trabalhos manuais de encher o olho, àqueles projectos especiais hiperbólicos que estimulam imenso a competitividade dos pais, porque não será o meu filho a ter um globo terrestre em alto relevo mais pobrezinho do que o do Asdrúbal."


Não estou a ir para nova, é certo. Mas parece-me que esta coisa entre pais, escola e trabalhos de casa mudou muito em relativamente pouco tempo.

Eu também levava trabalhos para casa. Na sua maioria os regulares tpc das disciplinas.
Sentava-me à mesa da cozinha com os manuais, cadernos e estojo, e lá me ocupava de os fazer antes do jantar, normalmente na companhia da minha mãe, que ia passando a ferro e tratando da comida.

Isto na época pré-pc, que depois tornar-se-ia imperioso que tudo fosse impresso e encadernado.

Enquanto tratava das suas tarefas, a minha mãe ia-me perguntando sobre a escola, a matéria, se estava a perceber tudo, se tinha dúvidas. O meu pai demonstrava o mesmo interesse, e quantas vezes me disseram que se aparecesse uma dúvida, que a apontasse para a retirar com o professor na próxima aula.
Que nunca tivesse vergonha de colocar dúvidas nas aulas, ou até de pedir a um professor que se repetisse, pois esse era o papel deles, e se um dia alguém se o recusasse a fazer que deveria contar-lhes.

Assumiam que existiam matérias que lhes era impossível explicar. Mas estavam sempre presentes e interessados. Inquiriam-me e eram muito atentos sobre o bom cumprimento dos meus deveres, desde o bom comportamento, à pontualidade, assiduidade, a levar todos os materiais necessários para a escola e a ter os trabalhos feitos.
Da mesma forma que me questionavam sobre a prestação dos professores, também os questionavam sobre o meu comportamento.

Houve uma única vez que a minha mãe me ajudou a completar um trabalho. Andava no quinto ou sexto ano e andávamos a fazer bordados em Trabalhos Manuais. Eu, fartinha e frustrada com a minha falta de jeito para a coisa, com já ter sido obrigada a recomeçar nem sei quantas vezes, uma tarde enfiei a malfadada capa de almofada na mala. Em casa, implorei em lágrimas à minha mãe que tratasse ela do assunto.

É que na minha altura, os miúdos que apareciam nas aulas com trabalhos demasiado bem feitos, daqueles que se notava claramente que havia ali dedinho dos pais na coisa eram mal vistos, tanto pelos docentes como pelos colegas. Eram batoteiros. Simples como isso. E como tal era uma coisa rara de acontecer, até porque os professores avisavam os pais que se enviavam tpc, estes eram só para os miúdos. Que não queriam uma coisa perfeita, queriam era algo feito pelos alunos.

Os projectos que envolviam grandes coisas de artes manuais e afins eram normalmente realizados na escola, nas aulas da especialidade ou numa qualquer aula fora do comum, como por exemplo a organização de uma feira ou dia dedicado a uma disciplina ou tema.

Se me mandassem fazer recortes, colagens e afins para casa, enfim, as tais coisas "para encher o olho", para além da carga habitual de deveres, os meus pais reviravam os olhos. "Um desperdício de tempo é o que era, e tantas horas passadas na escola serviam para quê?! Qual a utilidade de andar a perder tempo de descanso e convívio com recortes e coisinhas?". Eu concordava na altura e ainda concordo. Acho que este tipo de actividades são mais úteis e prazeirosas como ocupação de tempos livres durante as férias.

A minha mãe sempre esteve presente em todas as reuniões de pais. Essa assiduidade requeria um sacrifício que muitas vezes não tínhamos a certeza se todos os professores saberiam sequer entender, quanto mais valorizar. Portanto quando o director de turma se lembrava de marcar duas reuniões num espaço de tempo demasiado curto, ou mudava o horário em cima da hora, tornava-me a mensageira dos meus pais: "Diz à tua professora que, como sempre, fazemos por ir, mas que não pode ser assim! Lembra-lhe que as pessoas trabalham, têm responsabilidades e horários para cumprir. Que há quem tenha que dar satisfações à entidade patronal. Que se não há novidades, faça o favor de chamar somente os pais dos alunos com que realmente quer falar."

Entretanto, as coisas mudaram tanto.
Eu, que não percebo nada desta coisa de ter filhos, pergunto-me como é que os pais se conseguem coordenar com tanto tpc e projecto que acabam por ser eles a fazer, (e que pelos vistos nem é esperada outra coisa), com tanta feirinha, festinha e teatrinho, e dia disto e daquilo, e rifas da escola, e mil e quinhentas actividades extra-curriculares.

E se com tudo isto ainda conseguem ter um vislumbre de vida própria, de momentos de lazer, de intimidade vivida a dois, de convívio vivido a muitos, Senhoras e Senhores, tiro-vos o chapéu!



coisas de ver #60: Esta é especialmente para nerds...


... como nós.

Durante anos a fio, praticamente todo o nosso tempo livre era dedicado a um hobby: World of Warcraft.

Vivemos a evolução do jogo, desde a edição "vanilla" - que é a expressão utilizada pelos jogadores quando se referem ao jogo pré-expansões, - até ao lançamento da 4ª expansão, "Mists of Pandaria" em finais de 2012.

Para mim, continua a ser dos jogos mais excepcionais de sempre e confesso que por vezes bate uma saudade, tanto do jogo como dos jogadores. Fizemos amigos com jogadores de todos os cantos da Europa, (porque jogávamos no servidor europeu), desde a Escócia, à Inglaterra, à Finlândia, etc. Ainda mantemos o contacto com alguns.

O maior defeito do Wow era ser tão bom e consumir demasiado tempo.

Uma das sensações era que a Blizzard estava à frente do seu tempo e não houve, durante anos, concorrente com capacidade para lhe fazer frente. A atenção aos detalhes, o perfeccionismo, a qualidade notava-se em tudo desde a jogabilidade, aos gráficos, à criatividade. Os filmes, ou cinematics, que serviam de trailer ao jogo e às expansões eram assombrosos e sempre nos deixaram com água na boca para um "filme a sério".

Podem ver aqui quase todos os trailers.

E eis que, finalmente, é anunciado o filme "Warcraft", com estreia prevista para Junho de 2016. Mal posso esperar!





quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Vida de cão #38: O cão suiço



Divago a pensar que, se realmente olhássemos com verdadeira atenção para a radiografia de um cão, não encontraríamos algures um relógio. Se não, qual a explicação para o facto de eles serem tão certinhos com os horários?

Passa pouco das 7h da manhã quando o Kiko dá sinal para ir à rua. Quantas vezes ele dá sinal e segundos depois toca o despertador. Se for antes, ele espreguiça-se, boceja, abre um olho e volta a dormir, provando que sabe bem ainda não ser a hora do costume.

O mesmo acontece com os restantes três passeios diários, com a hora das refeições, com a chegada do adorado paizinho a casa e até com a sesta que dorme após o almoço.

Certinho como um relógio suíço!


quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

cromices #93: Metro de Lisboa sempre a inovar!



Manhã cedo. Chega a hora definida e o rádio despertador liga-se. Marido e Kiko já saíram para a caminhada matinal e eu fico a ronhar mais um pouco enquanto ouço o noticiário.

Tenho uma vertente sádica, (já vos tinha avisado que sou uma pessoa horrível, não já?!), e confesso que um dos prós de ser dona de casa é ouvir os relatórios sobre o trânsito. Não consigo evitar sorrir, às vezes ainda de olhos fechados, e pensar "Ufa! A mim nunca mais me apanham nessas embrulhadas!"

Mas, as agruras de quem se dirige a Lisboa todas as manhãs não se ficam pelo trânsito. Não nos podemos esquecer das greves que, têm sido de tal forma frequentes, que acredito estarem em campanha activa pela conquista da medalha de ouro no pódio das inconveniências.

Então, pela maquineta de ondas hertzianas sai a expressão "greve preventiva". E uma pessoa abre os olhinhos, num misto de estranheza e risota "Wtf?! Que raio de coisa?"

Segundo as palavras de Joana Petiz, "Não é contra as políticas ou a gestão de António Costa - concorde-se ou discorde-se dos seus planos para Portugal, é primeiro-ministro há menos de duas semanas! - que se param as máquinas e se deixam largas dezenas de milhares de utentes em terra. É contra as ações levadas a cabo pelo anterior governo. O que os trabalhadores do Metropolitano se preparam para fazer é assim uma espécie de greve preventiva, em que se reclama por antecipação e se ameaça fazer pior se as suas exigências não merecerem atenção e ação."

Com esta os grevistas do Metro candidatam-se a vários prémios:
- Criatividade e Inovação pelo novo conceito;
- Defesa dos Preliminares no local de trabalho;
- Galardão "Céu é o limite", por demonstrarem que, por piores que fossem os estereótipos com que os funcionários públicos são habitualmente associados, afinal a coisa pode ser alargada para todo um novo patamar;
- Prémio "Pimp the Institution", pelo extraordinário feito de chularem de tal forma o direito de greve que conseguiram transformar a outrora Mui Honorável Sra D. Greve numa pega velha, sem a credibilidade e seriedade de outros tempos.

Cá para mim são os claros vencedores!

Os vencidos são, como sempre, todos os utentes do Metropolitano. Por falar nisso, meus amigos, já consideraram que há melhores fins para o dinheiro do passe?


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

coisas de pensar: Haverá solução para a pobreza?



Ainda sobre a erradicação da pobreza. Antes de encerrar este tema, apetece-me deambular um pouco mais por esta matéria, apresentando-vos uma reflexão.

Quando imagino o melhor dos mundos possíveis ocorre-me a construção de uma sociedade humana regida por princípios como a igualdade, paz, sustentabilidade, respeito pelo próximo e pelo meio ambiente.

Há muitos entraves na realização desta visão e a pobreza é um deles.

A pobreza material força muitas vezes o sacrifício de valores éticos e morais que gostaríamos de ver como bússola das condutas em todos os momentos.
A alguém que falte o essencial e, como tal, não consiga ter olhos nem consciência para algo que não seja a sua própria condição, é muito difícil esperar, pedir ou exigir, que viva sob regras pacifistas, que se recuse ao crime, que se eleve, que defenda o meio ambiente...

A pobreza material é um tremendo entrave à realização do próprio ser humano, na sua elevação, na conquista do seu melhor. Sem pessoas melhores não haverá um mundo melhor. O mundo e a mudança que queremos ver neste nasce, invariavelmente, dentro de nós. Não é que o Mundo seja somente a nossa espécie, mas a sobrevivência de todas as outras depende intimamente da nossa capacidade de crescer para além da nossa condição sub-humana de destruidores de vistas curtas.

Acredito que a erradicação da pobreza é possível.  Sem dúvida difícil, como tudo o que vale a pena, mas possível.

O primeiro passo é transformar o próprio conceito de riqueza. Todos os dias, e cada vez mais, somos bombardeados, através dos media, por campanhas engenhosas de marketing e publicidade e a aclamação de figuras públicas que o são pelo seu exemplo de futilidade, excesso e desperdício.

Como não estarmos cada vez mais próximos da insurreição social, com cada vez mais pessoas insatisfeitas, frustradas e zangadas, se ao longo dos anos temos sido, através de muitos meios e canais, formatados para acreditar piamente que a felicidade e valor de cada um estão intimamente ligados à quantidade de recursos que se possui? E o que se possui há-de ser igual aos exemplos de futilidade que habitam em ecrãs e monitores: as casas, os carros, a tecnologia, a roupa, os hábitos...

Este conceito de riqueza é a nossa sentença de morte, de extinção. Não é sustentável, nem sequer possível que vivamos num planeta com mais de 8 mil milhões de pessoas e que todas queiram uma casa, e um carro, pc's, tablets, telemóveis, roupas, sapatos e acessórios da última moda e toda a parafernália que nos habituámos a possuir.

Há que redefinir o conceito de riqueza como algo mais frugal, que cubra todas as nossas necessidades essenciais, que nos faça sentir seguros, com um nível simpático de conforto, mas acima de tudo sustentável e sem excessos.

O segundo passo tem a ver com Igualdade. Para erradicar a pobreza há que extinguir os casos de grande riqueza. A extinção de uns está dependente da extinção dos outros.
É essencial que deixe de existir o tremendo fosso que hoje os separa, o melhor sendo a não existência de fosso algum.
Após milénios e milénios de existência de sociedades humanas organizadas em pirâmide, tem havido uma incessante recusa em implementar o óbvio: que se a integridade de toda a estrutura depende da sua base, então há que fortificar esta.

Acho mil vezes preferível uma sociedade onde só exista classe média, em que a diferença entre os que auferem menos e mais existe mas não é gritante.

Por fim, enquanto houver sobrepopulação existirá pobreza. Em 2011 quando foi noticiado o marco dos 7 mil milhões de humanos, não vi qualquer motivo para celebrar mas um motivo de preocupação.
Com excesso de população a pobreza será sempre inevitável, e com esta as guerras pelos recursos, as calamidades naturais e ecológicas, o desrespeito pelos Direitos Humanos, o desemprego, a criminalidade, o abuso dos mais frágeis, a estupidificação das massas, a escassez de recursos, o retrocesso da civilização...


Em suma, defendo que é possível a erradicação da pobreza através da redefinição da percepção do conceito de riqueza, da Igualdade, e do controlo de natalidade.