quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
cromices #108: Não há remédio como... a lei?!
Há dias, depois de mais um episódio a.k.a. figura triste, desabafei com amigos, (às vezes desabafar é preciso porque faz um bem danado!), que esta coisa das pessoas deixarem os cães andarem à solta, sem supervisão, estava a piorar tanto a minha ansiedade que começava a ter ataques de pânico de cada vez que via algum animal sem trela nas proximidades.
A J. perguntou-me se não deveria fazer algo para me ajudar a ultrapassar este problema.
Respondi que sim, que a primeira coisa que iria fazer seria procurar saber quem são os donos e ter uma palavrinha com eles, e de uma forma pacífica pedir-lhes que cumpram a lei.
A J. insistia em terapia, e eu respondia que, para começar, a melhor das terapias, no meu caso, é o cumprimento da lei. (Sim, eu sei que sou casmurra!).
Há dias que não me cruzo com um cão à solta. Há dias que o meu nível de ansiedade está maravilhosamente baixo, não tive outro ataque de pânico, e os passeios com o Kiko têm sido formidáveis. Até noto que ando com uma postura mais descontraída.
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
cromices #107: Os filhos da mãe e as filhas do pai.
Nunca tive tantos trabalhos temporários como quando andei a estudar na faculdade, alguns através das típicas agências.
Nem sempre a coisa corria bem. Aliás, a coisa correu mesmo para o torto, quando através dessa mesma agência dei por mim num biscate para uma empresa de bebidas alcoólicas que precisava de mão de obra para o preenchimento de questionários sobre gestão de stocks junto dos seus clientes.
Bastou-me um dia para mandar esse cliente às urtigas. Não fui a única. É como no baseball - "3 strikes and you're out!"
Strike nº1 - Deixou-me plantada à espera, para além do aceitável. Profissionalmente, sempre fui exemplar na minha assiduidade e pontualidade. Não espero nada menos que o mesmo tratamento, independentemente de ser Fulano ou Sicrana e não faço por esconder o meu desagrado.
Strike nº2 - O primeiro membro da equipa a desistir foi uma rapariga de semblante frágil, completamente amedrontada e desagradada com o facto do seu itinerário incluir um spot em Santos de ar muito duvidoso e rasca. Fulaninho, com quem eu já estava pelos cabelos, por sua vez comenta o seu desagrado pela desistência. Não resisti a comentar que nem todas as mulheres se sentem bem em bares de alterne.
Strike nº3 - Depois de ter sido confundida com uma fiscal das Finanças, o que até achei imensa piada, calhou-me na rifa o dono de um restaurante finório cheio de falinhas mansas e insinuações.
Quando saí disse para mim mesma "Bardamerda! Tostões a recibos verdes não pagam para aturar disto!". Liguei para a agência e dei por terminada a minha colaboração com aquele cliente.
Nesse dia cheguei a casa piursa. Quando o meu pai me perguntou sobre o que tinha corrido mal durante o dia, contei-lhe.
Acontece que o meu pai conhecia tanto o restaurante como o fulano armado em conquistador. "Tenho que lhe dar uma palavrinha."
É que às vezes os filhos da mãe precisam de ser lembrados que, mesmo as filhas dos outros têm pai.
Quando falo de Amor #8
Amor (também) é quando o marido se oferece para limpar os meus ténis, quando depois de andarmos pela casa à procura da origem daquele pivete, nos demos conta que afinal tinha sido eu que tinha pisado uma bosta.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
100 coisas que diria a uma criança #1
Talvez o abecedário se devesse chamar abracadabra, ou algo assim. Porque há algo de realmente mágico em conhecer as vogais e as consoantes, em aprender a escrever e a ler. Cada letra é como uma runa mágica e saber dar-lhes uso é realmente algo digno de um universo de encantamento e feitiços.
Vou começar por te contar um segredo: a Magia é real e existe na mesma medida em acreditas nela.
Se acreditares com muita força, ela revela-se. Se duvidares da sua existência, ela, tímida, esconder-se-á.
Ao longo da vida, espero que tenhas a oportunidade de descobrir os muitos dons e poderes mágicos que possuis. Podem ainda ser só uma semente, mas se fores cuidadosa e os alimentares, tornar-se-ão grandiosos e fortes, e o seu poder será teu, sempre que quiseres ou precisares.
O que comem as sementes? As da Imaginação, Raciocínio, Pensamento Crítico e Conhecimento, por serem tão especiais não se alimentam nem de chuva, nem de adubo, como as plantas que vivem no solo. Preferem sopa de letras, daquelas que vivem nas páginas dos livros.
Criança, se já sabes emparelhar as letras e saborear os sons que resultam desse jogo, estás pronta para mais um segredo. Vou-te ensinar como tratares bem dos teus poderes.
Vou dar-te uma missão: vai a uma livraria ou biblioteca e escolhe um livro.
Vai confiante. Nunca temas um livro, muito menos por este ter muitas páginas, com muito texto e poucas ou nenhumas ilustrações. Não tenhas medo de não perceber o significado de todas as palavras, ou do tempo que demorará a sua leitura.
De palavra em palavra, de página em página, os teus poderes aumentarão e, em menos de nada conseguirás cheirar, tocar e sentir todos os vocábulos. Saberás quais as palavras que sabem a sal, ou as que cheiram a tarte de maçã.
Como que por artes mágicas verás a história contada por todas aquelas letras transformar-se em filme, dentro da tua cabeça. É a tua Imaginação que germinou!
Há muito por onde escolher, mas aconselho-te a começares por Júlio Verne com as suas "Vinte mil léguas submarinas", Rudyard Kipling com o seu "Livro da Selva" ou Daniel Defoe com "Robison Crusoe", Mark Twain e o seu "Tom Sawyer", ou ainda "Alice no País das Maravilhas" de Lewis Carroll...
Começa pelos clássicos. Guarda para depois tudo o que tenha nascido neste novo século.
Como todas as demandas dos universos mágicos, esta também terá as suas contrariedades. Poderás encontrar dificuldades ou até não conseguires descobrir o encantamento que reside nos livros logo à primeira. Mas vale a pena continuar a tentar. Lembra-te dos teus poderes e nunca desistas!
Desistir é ceder à preguiça mental. Uma mente preguiçosa é um local escuro, onde o sol nunca brilha, e onde as sementes nunca germinam para se tornarem árvores frondosas, carregadas de frutos e folhagem viçosa.
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domingo, 17 de janeiro de 2016
coisas que gosto: Ode aos Domingos de Inverno.
Se há altura em que se torna especialmente convidativo ficar por casa é num Domingo invernoso.
Para muitos, só quando o clima se torna menos simpático é que estar entre quadro paredes ganha uma dimensão de refúgio, se torna acolhedor e desejado, ao invés de ser um castigo.
Eu, que sou caseira e retiro um especial prazer dos dias passados na tranquilidade do lar, sinto que esta é a única altura em os ponteiros do mundo abrandam o suficiente para se alinharem com o meu relógio. É como um eclipse. Algo que não acontece todos os dias.
E são dias com sabor a chocolate quente, macios e quentes como os pijamas, casaquinhos e mantas, que cheiram a chá de menta, incenso, a bolo de maçã com canela.
Que todos os Domingos se movam a este ritmo, Inverno ou não!
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
Quando falo de amor #7
E num instante passaram 16 anos.
Coisas de comer: Qual é a ementa da vossa vida?
Imaginem que vos pediriam para esboçar uma ementa com aqueles pratos que, por um qualquer motivo, sentem uma ligação emocional, vos trazem memórias. Quais seriam?
A minha ementa seria esta:
1 - Sopas de tomate com cação, porque era algo que a minha Avó Felizarda fazia sempre que íamos visitar os meus Avós ao Alentejo. Que saudades! Nunca voltei a comer sopas tão boas como as feitas pela minha Avó.
2 - Chouriças de mel de Trás-os-Montes. Esta memória gastronómica remete-me para os meus Avós maternos, especialmente para a minha Avó Teresa. Desde pequenina que me perdia por estas chouriças doces que, embora há quem coma como sobremesa, sempre as comi acompanhadas de batata cozida. Divinal! São tão raras, que a última vez que a minha mãe as conseguiu encontrar, (embora não fossem tão boas como as da minha Avó), até me vieram as lágrimas aos olhos.
3 - Aletria à moda antiga. Para a minha Mãe não existe Natal se não houver Aletria à mesa. Faz parte das suas memórias de infância e tornou-se uma das nossas poucas tradições familiares. Uma que partilho com gosto.
4 - Arroz doce. Adoro arroz doce e ninguém o faz tão bem como o meu Pai.
5 - Sopa de feijão verde. Temo repetir-me, mas realmente a melhor é a da minha Mãe! Nunca fiz birra para comer a sopa, pelo contrário, e esta sempre foi uma das minhas favoritas.
6 - Pargo no Forno com Bacon e Batatas, cozinhado em dueto pelos meus pais. Daquelas receitas que me fazem lembrar os almoços de Domingo ao longo da minha vida, assim como as reuniões familiares em nossa casa.
7 - Peach Melba. Esta sobremesa clássica tornou-se também um clássico familiar nosso. A sobremesa predilecta dos meus pais para apresentar nas muitas ocasiões em que partilhávamos a mesa com convidados.
8 - Cozido à Portuguesa. Para mim, o expoente nacional máximo de "Comfort food". Por ser daquelas receitas tão típicas, toda a gente o sabe fazer, mas toda a gente o faz da sua maneira. Concordo a 100% com a minha Mãe quando diz que o melhor cozido tem que ter várias qualidades de couve, que em especial não pode faltar a couve portuguesa, que deve ter abundância de vegetais, carnes e enchidos de boa qualidade.
Lembro-me de chegar a casa, vinda da faculdade, por volta da 1h da manhã, esganada de fome, e a minha mãe levantar-se para me servir um bom prato de cozido, com beijinhos.
9 - Ovos mexidos com batatinhas aos cubos. Esta memória vem mesmo lá de trás, da minha infância. Quando era pequena a minha mãe servia-me este prato que consistia em batatas fritas aos cubinhos, que depois colocava na frigideira e despejava os ovos por cima. E não havia nada que eu gostasse mais!
Aliás, até levava a minha mãe a revirar os olhos de exaustão porque estava sempre a pedir-lhe ovos com batatinhas. Aliás, acho que vou voltar a pedir-lhe para me fazer uns ovinhos!
10 - Sopas de pão e leite. Antes de ter idade de ir para a escola primária, quem cuidava de mim enquanto os meus pais trabalhavam era a minha ama Gertrudes. A Gertrudes foi para mim muito mais que uma ama, e considero-a a minha terceira Avó. Como tinha que acordar muito cedo, e andava ensonada, dar-me o pequeno-almoço não era fácil. (O truque do meu pai, por exemplo, era dizer que havia uma surpresa no prato que só conseguiria ver se comesse o Nestum todo.)
Até que um dia me deu a provar sopas de pão e leite. E caramba, como eram boas!
Existem muitas mais memórias gastronómicas, mais comidas do coração. E é uma ementa que não é só composta por iguarias de um passado mais ou menos distante, mas que também inclui as memórias que vamos criando hoje, também na nossa casa, com o meu marido.
Mas isso fica para a próxima, que já vamos em duas mãos cheias.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
coisas da casa: Nota mental para quando remodelar a cozinha...
A nossa cozinha é branca. Toda ela, dos revestimentos, aos pavimentos, aos armários. E foi, desde o início, um dos pontos positivos desta casa.
Porque o branco é luminoso, cria uma sensação de amplitude especialmente necessária em espaços que não sejam generosos em dimensão. O branco é neutro e intemporal, logo não é uma tendência passageira, não passa de moda, não cansa, o que é importante quando falamos de algo que se trocará para aí uma ou duas vezes na vida.
Como é como uma tela em branco são os detalhes que lhe dão personalidade, dependendo da nossa escolha de acessórios. Por exemplo, com apontamentos em ferro forjado, faiança e padrões botânicos e florais ficamos com uma cozinha rústica, um ambiente mais campestre. Se optarmos pelo inox criamos um ambiente mais moderno.
A vantagem é que, tratando-se simplesmente de acessórios, podemos variar com a frequência que desejarmos. Isso faz com que continue a gostar de cozinhas brancas.
Uma das modificações que fizemos e que mais me agradam, foi trocar o vidro da chaminé que era fosco, incolor e sensaborão, por um azul forte. Os restantes apontamentos são em verde maçã e madeira de bambu, uma mistura que me transmite vitalidade e jovialidade, uma espécie de cocktail vitamínico que se toma pelos olhos.
Um dia que a cozinha seja remodelada manteria o branco, mas gostaria de fazer algumas modificações.
Porque também é possível brincar com os brancos, escolheria azulejos de várias dimensões e texturas para dar ao espaço uma pitada de "design", carácter e sofisticação.
Mas, a nota mental, aquilo que realmente me quero lembrar quando chegar a altura é de optar pelo máximo de pormenores que sejam práticos, que facilitem o dia-a-dia e a manutenção do espaço. Particularmente importante num espaço branco, onde uma simples migalhinha ou gota de qualquer coisa salta à vista.
A começar pelos armários.
Tudo bem que não fui eu que escolhi este modelo, já cá estavam. Mas, só vos digo, portas de armários trabalhadas, com rococós e mariquices nunca mais! O tempo que passo à volta dos pormenores de uma só porta daria para limpar toda uma fila de armários lisos!
A escolha do acabamento dos mesmos também é importante, porque um dos grandes defeitos dos armários brancos é que tendem a amarelar com a passagem do tempo, e é efeito que não passa por mais que se limpe. Penso que, se entretanto não saírem novos materiais, a melhor escolha neste momento são os lacados de alto brilho.
Ainda a pensar de forma pragmática, os próximos armários de parede terão que ir até ao tecto. Aquele espaço intermédio para além de ser um desperdício de espaço, só serve para acumular sujidade e a sua limpeza lembra-me um número arriscado de circo, comigo a empoleirar-me em cima do escadote, ou em cima da bancada, a esticar-me até à pontinha dos dedos para chegar ao fundo.
Não, muito obrigada! Dispenso! Especialmente depois de um dia em que escorreguei do escadote e aterrei de costas no chão.
Outra grande mudança que faria seria colocar um tecto falso, com focos de luz embutidos. Talvez em madeira de bambu porque gosto mesmo da sua tonalidade, acho que combina muito bem com o branco e transmite-me aquele conforto que só a madeira consegue, sem ser demasiado escura, antiquada, opressiva.
A grande vantagem dos tectos falsos é que permitem personalizar a iluminação, colocando tantos focos de luz quanto desejarmos e nos pontos que acharmos bem. A sua manutenção é bem simples.
Lavo o tecto falso do corredor com detergente próprio para madeiras e passo um ou outro produto e este fica brilhante como um espelho.
Por fim, os lava-louças mais práticos, na minha opinião, serão sempre os de cuba dupla com escorredor.
vida de cão #44: Um cão ensonado...
... quando levanta a pata para fazer o chichizinho cai de lado.
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
Ideias de negócio #1
Em menina as histórias, fábulas e fantasias começavam por "era uma vez...". Como mulher, as fantasias são outras e muitas iniciam-se com "Se eu tivesse dinheiro para...".
Pego nos conceitos "produção local", "comunidade" e "ecologia". Coloco-os na misturadora e, este é um dos resultados possíveis:
Imagino uma quinta. Onde se cultiva um pouco de tudo, de acordo com as leis da Natureza e das estações do ano, onde se pratica Agricultura Biológica sem recursos a pesticidas e com respeito pelo meio ambiente e pela saúde, tanto de quem trabalha a terra como de quem irá consumir os produtos. Onde o resultado são produtos viçosos, fresquinhos e saudáveis.
As portas da Quinta estariam sempre abertas: com frequência seriam ministrados workshops para ensinar a arte de cultivar a todos os que quisessem aprender.
Parte da Quinta seria dividida em pequenos lotes, que seriam utilizados por várias pessoas e famílias para cultivarem o seus alimentos em troca de um pagamento em dinheiro ou trabalho, ou ambos. Como uma horta comunitária. É de espantar a quantidade e diversidade de alimentos que se podem obter em escassos 10 metros quadrados!
Também as portas da Quinta estariam abertas aos consumidores. Imaginem-se a passear com a família num espaço verde, e a regressar a casa com uma cesta carregada de vegetais e frutos acabados de colher!
À entrada da Quinta, existiria o Restaurante da Quinta, onde a ementa iria variando conforme as estações do ano, as colheitas, utilizando somente produtos da época, da própria quinta e de outros produtores locais. Imaginem: produtos sempre frescos, de origem conhecida, amigos do ambiente e da saúde!
Também neste espaço seriam ministrados diversos workshops com as mais variadas temáticas, desde cozinha vegetariana, a como fazer pão, uso de ervas medicinais, doçaria conventual, entre tantos outros.
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Falar de Saúde #3: 1098 ou apresento-vos o Toxocara Canis.
Um cão é o motor de uma espécie de revolução social na vida de uma pessoa. Desde que tenho o Kiko o mais comum é que as pessoas nos venham abordar durante as saídas, seja para lhe dar festas, seja para conversar.
De vez em quando o tema gira em redor de um dos meus ódios de estimação, os cócós na rua. Por incrível que pareça, nem sempre sou eu a abordar o tema.
Seja qual for a opinião de quem me aborda, quase automaticamente saco do rolinho de sacos para cócós que trago no bolso, e quase como quem vende o produto e a ideia saio-me com um "Vê? Não custa nada! Até são baratinhos, e se todos fizermos a nossa parte as nossas ruas andam sempre limpinhas. Não é uma questão de trabalho, é de atitude!"
Que já ninguém corre o risco de sujar os sapatos, diminui-se o risco de transmissão de doenças como a parvovírose, deixam de haver enxames de moscas que se alimentam das fezes e propagam doenças, e que existem tantos microorganismos patogénicos nos dejectos caninos, imunes aos tratamentos que damos às águas, que inquinam a mesma.
Já me apresentaram várias vezes o argumento, (ainda há dias, um senhor se saiu com esta!), que o cócó serve para estrumar os espaços verdes, que não faz mal nenhum, que eles, (leia-se os jardineiros e canteiros ao serviço da câmara municipal), depois passam aí e limpam. Eu, tentando ser o menos antagonista possível, digo que gosto do meu sistema, que não tenho feitio para fazer dos outros meus criados, e encolho os ombros enquanto me recolho nos pensamentos deambulando pelos corredores da mente à procura de uma forma de tentar esclarecer as pessoas sobre algo que a maioria desconhece.
É que o cócó dos cães não funciona como fertilizante ao contrário que muita gente pensa. Nas fezes dos bichinhos, (especialmente daqueles que não se encontram desparasitados internamente como deve ser e que são mais do que possam pensar, pois há aí tanto dono que nem um regime de vacinas consegue cumprir de forma responsável), vive o Toxocara Canis.
Estes parasitas podem sobreviver até 10 anos no solo e são imunes a desinfectantes e ao frio. Cada fêmea pode depositar cerca de 700 ovos por dia, e só são visíveis ao microscópio. Quando ingeridos por um ser humano podem levar a infecções do sistema nervoso, pulmões, fígado e olhos. Se não for devidamente disgnosticado e tratado pode levar à cegueira.
As toxinas presentes nos dejectos caninos envenenam o solo e a água, e são prejudiciais ao meio ambiente e a outros animais. Se estes forem deixados em pastagens, facilitando o contacto entre rebanhos e os parasitas presentes nas fezes, os animais não ficarão visivelmente doentes mas tornar-se-ão portadores de doença que passará para os humanos através do consumo da sua carne e se denotará através da formação de quistos no fígado e nos pulmões, que terão que ser removidos cirurgicamente.
O Toxacara Canis está longe de ser o único parasita presente nos dejectos. Pelo menos, mais de uma dezena de bactérias e parasitas proliferam neste ambiente. Estima-se que numa grama de cócó canino estejam presentes 23 milhões de bactérias coliformes fecais. Todas elas inimigas da saúde humana e dos animais!
Também se estima que a matéria fecal produzida por 100 cães em 2-3 dias é mais que suficiente para produzir bactérias suficientes para levar ao encerramento de uma praia, baía, ou qualquer corpo de água num espaço de 30 km, tornando-a temporariamente perigosa demais para haver contacto com esta ou consumir bivalves dela provenientes. O efeito dos dejectos caninos na água é o mesmo que o dos esgotos não tratados.
As bactérias presentes levam à proliferação de determinadas algas que consomem o oxigénio presente e dessa forma matam muita da vida marinha.
Em 1991, a EPA, (a Agência de Protecção Ambiental Norte Americana), declarou que os dejectos caninos são um poluente ambiental ao mesmo nível que os herbicidas, insecticidas, petróleo, crude e diversos resíduos tóxicos.
Estudos conduzidos pela mesma entidade concluíram que a água potável, aquela que sai dos canos e bebemos, possui mais matéria fecal que a desejada.
Percebem agora a minha obsessão com esta questão?!
Tudo evitável se as pessoas deixarem de ser preguiçosas e usarem os saquinhos para apanhar os cócós dos seus animais.
Porque pensem assim: o meu Kiko faz, em média, 3 cócós por dia. Ao fim de uma semana são 21. Ao fim de um mês são 90 ou 93. Ao fim de este ano bissexto serão 1098. Já viram se eu não os apanhasse?!
100 donos irresponsáveis contribuem anualmente com mais de 100000 bostas por apanhar, onde em cada grama vivem mais bactérias altamente prejudiciais à nossa saúde e ao meio ambiente que mais cidadãos em Portugal.
Pensem nisso!
Podem ler mais aqui e aqui.
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
Desejo de ano novo #3: Direccionar a minha raiva a quem a merece.
Ontem à noite chateei-me com o Kiko. Hoje de manhãzinha cedo voltei a chatear-me com o Kiko.
E se há coisa que eu não gosto mesmo nada é de me chatear com ele. É um bom cão, adoro-o e odeio que hajam momentos em que demonstre algo menos nobre que esse amor que lhe tenho.
Mas é inevitável passar-me dos carretos. Assim como é inevitável ficar triste e de consciência pesada por tê-lo feito. Porque embora me expresse emocionalmente com a mesma subtileza que o Hulk, até sou bastante racional e sei que feitas as contas, se não fossem as pessoas não teria que me chatear com o meu cão nem um décimo das vezes.
Ele não tem a culpa que as pessoas sejam porcas. Que as ruas estejam minadas de dejectos caninos, lixo de toda a espécie e restos de comida. Que são tudo coisas que o atraem pelo olfacto e que ele quer explorar. A ele, não lhe passa pela cabeça, que não deve meter tal objecto na boca porque é cortante, que deve resistir a ir aos restos de comida que alguém deixa supostamente para os animais abandonados, mas que não se quer dar ao trabalho de os deitar no lixo após algum tempo e lá ficam meses.
Não entendo esta gente que se acha muito solidária e generosa por deixar restos na rua para os animais, mas que, por deixar a coisa a meio e nunca mais se ralarem com os saquinhos que deixam esquecidos pelas ruas, podem muito bem ser os grandes causadores do envenenamento de um qualquer animal. Porque senhores, caso não saibam, a comida estraga-se e torna-se imprópria para consumo! Imaginem que bem deve fazer a um qualquer ser vivo, um esparguete à bolonhesa há meses na rua!
Sim, há que matar a sede e a fome dos animais errantes. É um dever moral, e um acto de generosidade e amor com o próximo, mas há formas correctas de o fazer.
Não fossem as pessoas com os seus hábitos, o seu lixo, os seus animais à solta, os nossos passeios seriam um deleite. Bastaria um puxão ocasional pela trela para lembrar o Kiko que não deve ir para a estrada ao invés dos mil e quinhentos a que sou obrigada para que não abocanhe uma qualquer porcaria. Que inevitavelmente ele acabará por ser bem sucedido, e acabarei, como esta manhã, com os dedos na sua boca, a berrar-lhe que largue, com um nó na garganta e lágrimas nos olhos porque o que é demais também cansa, e há dias que estamos assim e pronto.
Acho que após um ano disto, 2016 será o ano em que perderei totalmente as estribeiras e a vergonha e começarei a interpelar as pessoas quando apanhar alguém em flagrante numa destas situações.
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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
coisas de comer: Os meus almoços vegetarianos
Actualmente, não somos nem vegetarianos, nem veganos. As proteínas de origem animal ainda fazem parte da nossa dieta. Talvez um dia abdiquemos das mesmas, mas hoje falta-me tempo e vontade para dedicar o meu discurso a esta temática, com a consideração, empenho e atenção que merece.
Hoje venho simplesmente falar-vos dos meus almoços.
Embora goste de cozinhar, quando tenho que o fazer só para mim opto por uma abordagem muito mais prática, rápida e simples.
Como não sou das pessoas mais pachorrentas deste mundo, poupo a minha paciência para a execução do jantar. Junte-se o facto de eu gostar da iniciativa "Segundas Feiras sem Carne". De acreditar que, mesmo que não sejamos nem vegetarianos nem veganos, a redução do consumo de proteína animal é uma acção que nos traz benefícios tanto em termos de saúde como em relação à protecção do meio ambiente. Que não custa absolutamente nada. Que se olharmos para a história da alimentação humana, o consumo desenfreado de proteína animal é algo extremamente recente.
Pois bem, junte-se tudo isso e o resultado foram os meus "almoços vegetarianos".
As receitas, tantas vezes improvisadas, dependem do apetite, do que me dá na telha no momento. O meu almoço pode ser uma sopa e uma peça de fruta, que não leva tempo nenhum a preparar, pois regra geral, há sempre sopa feita no frigorífico.
Por vezes apetecem-me tostas. E só vos digo que bem que sabe uma bola de pão de centeio ou de milho, ou outro qualquer que apeteça, barrado com manteiga e mostarda, polvilhado com orégãos, recheado com queijo, (ou até dois tipo de queijo), umas rodelas de tomate, e uma mão cheia de agriões, rúcula, ou uma mistura de salada daquelas que se compram já lavadas e ensacadas.
Outras vezes, apetecem-me saladas. Mais uma vez as combinações possíveis são infindáveis. E quem continua a julgar que as saladas não satisfazem e são desprovidas de sabor e suculência é porque vive num mundo à parte! Basicamente basta abrir um daqueles sacos de salada já preparada, (dá para notar que sou fã, não?!), adicionar, por exemplo, pêra rocha, queijo aos cubos, nozes, uns croutons.
Ou umas massas! Com legumes salteados na frigideira, por exemplo. Como uns tomates cherry e uma courgette. Ou beringela. Ou qualquer outro. É questão de andar a brincar com os tachos, inventar, experimentar. Como ontem, que me deu para saltear grão de bico com espinafres, com um pouco de sal, alho e azeite e ficou simples, mas tão saboroso.
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