domingo, 14 de fevereiro de 2016

cromices #112: S.Valentim on the rocks



Aos Domingos temos uma rotina da qual nos custa abdicar, que é ir à praia com o Kiko.
Hoje, mesmo com os anúncios de temporal, não foi excepção. Não estava a chover quando nos metemos no carro, então pensámos que não estaria assim tão mau. Pelo sim, pelo não, também não nos demoraríamos muito. Somente uma voltinha e um café na esplanada - era o plano.

Éramos somente uma mão cheia de resistentes. No areal, só mais um cão. Um Springer Spaniel juvenil que andou em correrias loucas com o Kiko.
O vento fazia voar a espuma do mar.
O ar corria gélido, e a maior parte do tempo andei com a gola da camisola a servir de balaclava, a cobrir ouvidos, boca e nariz.

Quando chegámos ao café, onde éramos os únicos a ousar tomar café na esplanada, riamo-nos a bandeiras despregadas com todo aquele cenário. O Kiko abrigado, por ordem do dono, debaixo da mesa. A sensação de que até o gorro poderia voar da cabeça a qualquer momento, o café mais amargo que o normal porque os grãos de açúcar eram levados pelo vento antes de chegarem à chávena, a tentativa de fumar um cigarro. A noção que seríamos totalmente tolinhos por estar ali naquele momento não tivéssemos uma vista privilegiada sobre o areal, e para um senhor que andava em calções de banho, em passo de corrida com a água pela cintura.
Caso se perguntem, sim, chegou mesmo a mergulhar.

Há algo de fantástico em haver sempre alguém mais louco.

Entre risota, o marido solta um "Feliz dia dos namorados". Nem 10 segundos depois, começa a cair granizo. À séria. Uma saraivada que nos faz chegar ao carro, em corrida, totalmente ensopados.

Não faz mal. Há muita receita memorável que diz "agitar e servir com gelo".




Desejo de ano novo #6: A liberdade de deambular


Adoro dormir. De tal forma, que continua a ser das minhas coisas favoritas de todos os tempos e não acredito que haja, num tempo próximo ou longínquo, qualquer indício de mudança.

Um dos principais motivos porque adoro o sono, talvez até o principal, são os sonhos. O mundo no plano de Orfeu parece-me tão real quanto o deste lado: sonho a cores, com som, e juro que até já houve umas quantas vezes que também tive a impressão de sentir cheiros e impressões tácteis. Sonhar é vivenciar uma aventura, em que o argumento costuma bater aos pontos os da grande tela. O meu ponto de vista move-se como a câmara num filme, ora em grandes planos, ora em close-ups, ora do ponto de vista de uma qualquer personagem.
A experiência é tão real e inequivocamente tangível que, por vezes se torna difícil discernir qual o mundo onírico e o real, não fosse no primeiro possível levantar vôo sem esforço algum e fazer pouco de todas as leis da Física que regem o nosso lado da existência.

Não é por falta de amor à vida deste lado, mas o mundo de lá bate este aos pontos. Sobretudo porque nele a liberdade reina suprema e não existe medo nem consequências de maior. Em comparação, este mundo é uma prisão.

Enquanto sonho posso, embora de forma virtual, vivenciar o meu lado intrépido, explorador e aventureiro. Posso ser uma espécie de Indiana Jones ou Lara Croft e embrenhar-me selva adentro, descobrir zonas ainda inexploradas, dar com o caminho para o El Dorado, viajar ao centro da Terra, sondar o fundo dos oceanos a bordo do Nautilus, chegar à Atlântida, viajar no tempo e espaço...

Acordada sou a perfeita antítese de tudo isto. É o meu lado cauteloso e medricas o regente. Certamente também por uma questão de feitio, mas sobretudo pelo lugar que fizemos do mundo.

Adoraria que vivêssemos num mundo onde as fronteiras estivessem abertas e existisse segurança para sermos livres de deambular por aí, ao sabor da vontade, ao ritmo do improviso. Que pudéssemos pôr uma mochila às costas, e sozinhos ou acompanhados, fossemos viver aventuras, conhecer gentes, hábitos e culturas, explorar cenários, encher os olhos com outras vistas, sem os perigos e os danos que infligimos aos nossos semelhantes.

Acho triste, frustrante e mais uma prova que a estupidez é um dos nossos traços dominantes, que enquanto espécie tenhamos sobrevivido a vários períodos de quase-extinção, a eras glaciares, ao apetite de animais selvagens, à doença e sabe-se lá mais o quê, apenas para nos tornarmos a nossa maior ameaça.




sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Desejo de ano novo #5: Ode ao Ócio ou a necessidade de ressuscitar as noções de Scholé e Licere.


A história da Humanidade está repleta de conquistas, coisas grandes e pequenas, todas elas mais ou menos fundamentais, mais ou menos notadas, que vieram contribuir para a sobrevivência e evolução da nossa espécie.

Se de todos esses milhões de peças que vieram contribuir para o bem estar e desenvolvimento do Homem tivesse que eleger uma lista de dez favoritas, encontraria, sem pestanejar, um lugar de honra para o Ócio.

Há muito para dizer sobre o Ócio, mas começo por afirmar que a sua existência é a derradeira prova da vitória da nossa espécie sobre um manancial de sérias adversidades.

De vez em quando gosto de assistir a um dos muitos programas que existem sobre sobrevivência. Lembro-me de um em particular que me fez pensar como deveria ter sido difícil a vida para os humanos nos primórdios, e do milagre que é a sobrevivência, prosperidade e evolução da nossa espécie. O anfitrião do programa encontrava-se sozinho num qualquer local onde se sabe que existiram tribos há muito tempo atrás. Era um daqueles locais ermos onde a passagem do tempo não implica obrigatoriamente grandes mudanças ao cenário.

Todos os dias ele tinha que fazer uma escolha sobre o que era mais prioritário naquele momento: abrigo, calor, água ou alimento. A maior dificuldade consistia no facto da fonte de água potável se encontrar distante da fonte de alimento, assim como do local mais seguro para a construção de um abrigo, e por fim do local onde se encontrava material combustível para fazer fogo. Qualquer uma das viagens era essencial à sobrevivência, mas difícil tanto pela distância, como pelo dispêndio de energia e a influência do calor, frio e vento castigadores e inclementes.

Portanto, chegar a um estágio da nossa existência em que se vê ser possível dedicar tempo ao Ócio tanto na sua vertente contemplativa como de lazer é o mais claro indício de prosperidade. O momento em que se deixou simplesmente de sobreviver para passar a viver. Para mim, uma das maiores vitórias de todos os tempos.

Sobre o Ócio, diz Schopenhauer:


"O Verdadeiro Ócio


A verdadeira riqueza é apenas a riqueza interior da alma, tudo o resto traz mais problemas do que vantagens (Luciano). Alguém assim rico interiormente de nada precisa do mundo exterior a não ser um presente negativo, a saber, o ócio, para poder cultivar e desenvolver as suas capacidades espirituais e fruir a sua riqueza interior. Portanto, requer propriamente apenas a permissão para ser ele mesmo durante toda a sua vida, a cada dia e a cada hora. Se alguém estiver destinado a imprimir, em toda a raça humana, o traço do seu espírito, haverá para ele apenas uma felicidade e infelicidade, ou seja, a de poder aperfeiçoar as suas disposições e completar as suas obras - ou disso ser impedido. O resto é-lhe insignificante. Sendo assim, vemos os grandes espíritos de todos os tempos atribuírem o valor supremo ao ócio. Pois este vale tanto quanto o homem. A felicidade parece residir no ócio, diz Aristóteles, e Diógenes Laércio relata que Sócrates louva o ócio como a mais bela posse.
Também corresponde a isso o facto de Aristóteles declarar a vida filosófica como a mais feliz. De modo semelhante, diz na Política: "Poder exercer livremente as próprias aptidões, sejam elas quais forem, é a verdadeira felicidade", o que coincide com a sentença de Goethe em Wilhelm Meister Quem nasceu com um talento, para um talento, encontra no mesmo a sua mais bela existência. Todavia, possuir ócio é estranho não só à sorte comum, mas também à natureza comum do homem, pois o seu destino natural é o de empregar o seu tempo com a aquisição do necessário para a sua existência e a da sua família. Ele é um filho da necessidade, não uma inteligência livre. Em conformidade com isso, o ócio logo se torna um fardo para o homem comum, por fim um tormento, se ele não conseguir preenchê-lo com os fins artificiais e fictícios de toda a espécie, mediante o jogo, a distração e passatempos de todo o tipo. Pelos mesmos motivos, o ócio também lhe traz perigo, pois com acerto se diz difícil é a quietude no ócio. Por outro lado, um intelecto que exceda em muito a medida normal também é uma anomalia, portanto, inatural. No entanto, uma vez que existe, o homem que dele dispõe, para poder encontrar a sua felicidade, precisa justamente daquele ócio que, para os outros, ou é inoportuno, ou é pernicioso. Quanto a ele, sem o ócio, será um Pégasus sob o jugo e, portanto, infeliz. Mas se as duas anomalias se encontram, a exterior e a interior, então é um caso de grande felicidade. Pois aquele assim favorecido levará uma vida de tipo superior, a saber, a de quem está eximido das duas fontes opostas do sofrimento humano, a necessidade e o tédio, ou do laborar preocupado pela existência e a incapacidade de suportar o ócio (isto é, a própria existência livre), que são males dos quais o homem escapará apenas quando eles se neutralizarem e se suprimirem reciprocamente."

Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'


O Ócio divide-se em duas categorias: o Scholé e o Licere. O primeiro remete-nos aos grandes filósofos atenienses como Aristóteles, ao tempo passado na Ágora em contemplação e debate, exercícios que deram frutos ainda tão significativos na edificação das sociedades e do Homem de hoje. Por isso, Scholé, palavra grega para "lugar de ócio" deu origem ao termo escola.
A noção de Licere, do latim, tal como o nome indica remete-nos ao lazer, à folga e descanso.

Foi no liceu, numa aula de História, a primeira vez que ouvi falar dos filósofos da Antiga Grécia e dos seus lugares de ócio, do quanto este conceito era considerado sublime e essencial. Marcou-me. Quis que existissem máquinas de viajar no tempo para regressar a essa época e lugar. Achei que seria vida para mim. Que o passar do tempo não significa forçosamente evolução e ali estava a prova. A nossa sociedade não vive o Ócio, despreza-o, não o entende, confunde-o com preguiça mesmo quando ainda hoje saboreamos os seus frutos, e isso é um claro sinal de estupidificação e regressão.

Este mundo não é para muitos, inclusive para Pensadores. Ou nos curamos ou este mundo não será para ninguém.
Para mim também não é. Sempre me senti uma tartaruga num mundo lebre. Este ritmo não é o meu. O tempo foge e não há forma de o apanhar.
Voltámos a ser, embora com outras roupagens, o homem primitivo que não tem tempo de viver, pois anda no lufa-lufa da sobrevivência. Mas agora que somos animais com consciência, sabê-lo torna-lo mais difícil.

Urge abrandar o passo do mundo, apostar no slow-living, na calma, dar tempo ao tempo. Há que viver o Ócio, e ao contrário do que se passava na Grécia Antiga, democratizar este conceito, não haver apenas uma elite a poder disfrutar deste à custa de trabalho escravo.

Tal é possível: ao contrário do que nos querem fazer crer não há qualquer necessidade de qualquer um de nós trabalhar 40 horas semanais. Muitos dos empregos existentes são absolutamente insignificantes para a sobrevivência da espécie. Também não há falta de recursos. Estes apenas estão mal distribuídos.
Diminua-se a carga laboral para três dias semanais. Dois dias para a folga, em parte vulgarmente usada para o labor doméstico e familiar. E sobram dois dias em que o mundo se dividiria: um dia para viver o Ócio sem qualquer preocupação material, e o outro para servir as necessidades materiais daqueles que estariam a vivenciar o seu dia de Ócio.

E comecemos todos por vivenciar o Licere, exercício precioso de "dolce far niente" para limpar a mente, copo que transborda de tão cheio com tantos afazeres, compromissos, preocupações e mil pensamentos que nos poluem e tolhem a mente. Com o copo vazio poderemos semear a semente da Scholé, e ver que frutos surgirão.







quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Vida de cão #48: Dar comprimidos.



Uma das inegáveis e mais distintas diferenças entre ter cães e gatos, pelo menos no que toca à minha experiência, refere-se ao momento em que lhes temos que dar algum medicamento.

Com os gatos era um absoluto inferno. De cada vez que os levava, por um qualquer motivo, a uma consulta, rezava cá para os meus botões para que qualquer coisa que eles tivessem que tomar fosse dado mesmo ali, no consultório, e de preferência pelas mãos da veterinária.
Levar qualquer tipo de medicamento para dar em casa ia ser o cabo dos trabalhos, uma aventura que só visto.

O Zeus então era do pior. Aquele sacaninha nem para tomar a pasta de malte para bolas de pêlo, que a maioria adora, dava tréguas. Tinha que colocar uma bolinha desta em cima das patas para que ele sentisse a necessidade de se limpar e a acabasse por ingerir assim.

Mas isso não era nada. Inferno, inferno, mesmo a valer, foi quando lhe foi diagnosticada a trampa da insuficiência renal. Há pouca coisa mais horrível nesta vida que ter um animal doente, em natural sofrimento, que não entende que tem que tomar os medicamentos para se sentir melhor, e ter que prender aquele ser na sua altura mais frágil entre as pernas e segurá-lo pelo cachaço para lhe forçar a medicação goela abaixo, e este num estado totalmente feral e assanhado.

Em comparação, o Kiko é um paz de alma para tomar seja o que for, desde picas a comprimidos.
Por exemplo, para lhe dar o comprimido da desparasitação interna, basta ir com ele à clínica, comprar a coisa, e dar-lha ali mesmo que ele engole em menos de nada e ainda abana a cauda de contente.

Nestes dias ele anda a tomar uma cápsula e parte de um comprimido por dia. O truque, ao contrário do que me contam sobre outros cães, é não o tentar enganar. Ele é demasiado esperto, topa as coisas e fica sentido e desconfiado quando o tentam enganar. Foi algo que aprendemos.
Basta pegar num pedaço de queijo. Mostramos o comprimido numa mão e o queijo noutra. Mostramos que estamos a enrolar o pedacinho de queijo à volta do comprimido e ele engole-o sem qualquer alarido nem dificuldade.





terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

cromices #111: Panfletos vs pulseiras electrónicas



Se costumam seguir o que por aqui partilho já estão carecas de saber que não consigo ficar indiferente à questão das ruas sujas e de cães à solta.

Decidi tornar-me proactiva em relação a essas mesmas questões, de abraçar essas causas com o intuito de aumentar o nível de consciência sobre a importância de todos seguirem um par de princípios e regras na sua vida quotidiana, como "deitar o lixo no lixo", "apanhar os dejectos caninos" e "andar com o cão à trela" ou "andar com o cão solto só sob supervisão do dono e nem em todas as circunstâncias".

Digamos que me sinto, de certa forma, em campanha eleitoral: já perdi a conta ao número de pessoas a quem mostrei o rolinho de sacos que levo sempre no bolso para apanhar as "prendas" do Kiko, numa demonstração de "não custa nada, está a ver?!". Ou ainda dos desgraçados que já tiveram que gramar com as minhas queixas sobre cães à solta e os meus ataques de pânico. Faço-o não porque goste especialmente de partilhar coisas cá da minha vida, mas porque tenho sempre esperança que tal leve ao entendimento que o abuso de uma liberdade pode e é incómoda para terceiros. Que as consequências existem e não são assim tão invisíveis ou abstractas.

Mas ainda está muito longe de chegar. É preciso fazer muito mais.

Ocorreu-me que talvez não fosse má ideia fazer um blogue dedicado a este tema, explicando tim-tim por tim-tim tanto os malefícios e as consequências da ausência de civismo, como o que é correcto fazer e porquê, e como a qualidade de vida pode aumentar exponencialmente para todos com ruas limpas e seguras.

Mas só um blogue não chega, ocorreu-me. Simultaneamente deveria fazer vários panfletos e espalhá-los por vários locais, ruas, lojas e caixas de correio.

Depois há dias, em que penso, que faça o que fizer nada será o suficiente para alcançar o tal objectivo de ruas limpas e seguras. Em que a existir uma verdadeira solução, eficaz, esta haveria de ser algo distópica, como andarmos todos com uma pulseira electrónica que nos desse um choque, tipo taser, de cada vez que se cospe no chão, quando deita lixo por aí, não se pára numa passadeira ou não se apanha os cócós dos patudos.

 Acho que só assim.


cromices #110: A quebrar recordes de velocidade!



Estes últimos dias foram de alguma agitação. Graças a quem? Ao Kiko, obviamente!

O malandro conseguiu comer uma qualquer porcaria na rua, (quatro olhos não chegam para o vigiar!), e como resultado andou um par de dias de diarreia e a vomitar.
Como cereja no topo do bolo, anteontem enquanto dormíamos conseguiu fazer sabe-se lá o quê, que o pôs a mancar de uma das pernas e a queixar-se de dores.
Nada que uma visita à vet ontem, uma pica e uns remédios não resolvam. Hoje já quer andar aos pinotes como se não se tivesse passado nada.

Como resultado ontem fartei-me de caminhar, entre ida à vet, passeios com o cão, idas às compras, e outros afazeres. Digamos que saí de casa pelas 11 horas e não parei até às cinco da tarde.

Logo que saímos da consulta decidi que quanto mais depressa fosse à farmácia aviar a receita melhor. Confesso que ainda parei cinco minutos na paragem de autocarro, mas como não tenho paciência para esperar decidi ir a pé.

E lá fui eu, a pensar, distraída, na lista de afazeres que tinha para o dia. Ainda me cruzei com um conhecido que comentou a minha velocidade, mas não liguei muito. Pensava apenas que quanto mais depressa concluísse aquela tarefa, mais rapidamente poderia passar à próxima coisa da minha lista.
Só quando regressei e tocou a sirene dos bombeiros é que me apercebi das horas, e consequentemente do meu feito: tinha caminhado quase 4 quilómetros, ido à farmácia e ainda parado na tal maravilhosa lojinha dos croissants nuns espectaculares 35 minutos, quando só a ida é coisa para demorar uns 25.

Calhou cruzar-me com o mesmo senhor que ficou simplesmente boquiaberto de me ver de volta tão rapidamente.
Confesso que ainda tive que olhar para as horas um par de vezes para confirmar o meu feito. Acho que isto de ter um cão já começa a dar frutos até na forma física!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Dúvidas que me atormentam #3



Um dos meus rituais matinais é dar uma voltinha pelos blogues da vizinhança. Dei com a opinião do caríssimo Gajo sobre as "nossas" tradições carnavalescas, e não pude deixar de sorrir por encontrar alguém com uma opinião semelhante.

Pelos vistos, o que conhecemos hoje como Carnaval teve origem na Grécia Antiga através de um festival onde se agradecia aos deuses pela abundância e fertilidade.
Quase mil anos depois este costume foi adoptado pela Igreja Católica e inserido no calendário cristão para que acontecesse antes da Quaresma, que é de certa forma uma antítese do Carnaval, visto ser um período de jejum e abstinência, enquanto este é dedicado aos prazeres da carne, uma despedida desta através da via do excesso.

Dizem que foi o Carnaval de Paris que inspirou todas as outras festas carnavalescas, incluindo a brasileira, que acabou por suplantar todas as outras e tornar-se a referência mundial desta celebração.
No entanto, o Carnaval de Paris havia morrido, e só recomeçou a ser celebrado há 13 anos.

Segundo o Guiness não há maior Carnaval no mundo que o brasileiro. Talvez seja esse o factor que leve outros países a importar este modelo, no quais se incluí Portugal.

A dúvida que me atormenta volta a remeter-me ao post do Gajo: se por cá, (sabe-se lá porquê, quando, como e quem), se decidiu adoptar o carnaval brasileiro, porque é que não se soube adaptar este à nossa realidade?

Diz um dos muitos apps de prognósticos meteorológicos que, por exemplo, na terça-feira dia 16, estarão 12º em Lisboa e 25º no Rio de Janeiro, sendo que por aqui é Inverno e no hemisfério sul é Verão.
No Rio até deve saber bem andar com pouca roupa especialmente com tanto exercício que o samba implica, por cá há que tirar o chapéu às sambistas que dão tudo por tudo, que não seria eu a sair à rua naqueles preparos com este frio, e que inevitavelmente passam o desfile a tiritar.

Pois em Veneza é que são espertos!
Diz que terça-feira estarão por lá 11º, num cenário climatérico semelhante ao nosso, e por lá não há maluquinhos de bikini e fio dental. Lá saem totalmente cobertos e agasalhados, e mesmo assim, vai-se lá ver, conseguiram criar um Carnaval que é considerado único e um dos mais belos do mundo.




quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Falar de saúde #4: Mudar a cor dos olhos



Quando penso, por exemplo, em cirurgia plástica, dependendo de cada caso a minha opinião pode ser liberal ou conservadora.

Se por um lado acho realmente maravilhoso que existam técnicas que permitam corrigir lesões e deformidades, acho terrivelmente estúpido que existam pessoas dispostas a passar por uma intervenção cirúrgica com a maior das leviandades, esquecendo-se que existem sempre riscos e que se correr mal as consequências podem ser realmente penosas e irreversíveis.

Há dias apanhei por breves momentos durante um zapping, uma referência a uma nova intervenção cirúrgica que permitia mudar a cor dos olhos e, que estava a ter muita procura.

Garanto-vos que classificar esta nova modalidade de estúpida é o maior dos eufemismos!

Fico parva com a quantidade de pessoas dispostas a levar com um laser nos olhos, com o intuito de desgastar a camada de melanina presente, (quanto mais melanina mais escuro o olho), para saírem dali com olhos azuis ou verdes, quando o risco de cegueira é constante e bem real. Mais aqui.

Pessoalmente até acho ofensivo, enquanto míope, astigmática e amblíope, que daria tanto para ter olhos saudáveis, que exista gente disposta a correr o risco de cegar para mudar a cor dos olhos.

Juro-vos, dá-me vontade de correr tudo à chapada, a começar pelas mentes brilhantes que permitiram que tal ideia e tecnologia saísse do papel.

É verdade que gostos são gostos, mas encontrei no Google algumas imagens tipo "antes e depois" e com base na amostra que vi não gostei nada dos resultados.
Enquanto antes todos tinham um olhar único, com diferentes tonalidades de castanho, bonitos, após a intervenção exibem o mesmo tom de azul, sem nuances, pouco natural, tipo zombie, que honestamente não casa bem com todas as feições.






terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

vida de cão #47: o cão chamariz.



Nunca observei tantas aves de rapina como desde que temos o Kiko.

Digamos que um cão pequeno é o perfeito companheiro para um observador de aves, especialmente daquelas que, quando nos olham lá de cima, estão-se nas tintas se aquilo é um cão ou um coelho. Aliás, presumo que na sua perspectiva, se se parece com almoço, então é almoço.

Ainda ontem na praia, tivemos a companhia talvez de uma águia ou bútio, (não sou, de forma alguma, entendida em ornitologia!), que voava em círculos bem por cima de nós.


coisas de ver #62


"As Crónicas de Shannara".