segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
caixa de ressonância
sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
coisas de pensar: Os verdadeiros heróis...
... são os pacifistas, os portadores de Luz que avançam indefesos, porém determinados, destemidos, para dentro da barriga do monstro.
Os verdadeiros heróis não se assemelham a personagens de filmes de acção, com perícia militar, armados até aos dentes e capazes de derrotar um exército sem grande esforço.
Já contava Tolkien, que os grandes feitos são atingidos, para a surpresa de quase todos, pelos mais pequenos e inocentes: os hobbits deste mundo. São os Frodos e os Sam que chegam a Mordor, que saem vitoriosos contra Sauron quando outros aparentemente bem mais fortes e capazes falharam.
São pessoas como estas que me inspiram e, sem as conhecer, lhes sou grata pelo enorme exemplo de como se é Luz numa era de trevas.
quarta-feira, 30 de novembro de 2016
vida de cão: Bromance, acto II
Outro cão por quem o Kiko nutre uma paixão assolapada é o Simba. Cão de porte médio, com cerca de 6 ou 7 anos.
É o meu marido que me vai relatando os contornos divertidos desta amizade, já que se encontram sempre quando é a sua vez de passear o Kiko, e optamos normalmente por itinerários diferentes.
O Simba mora numa parte da aldeia em que é, por enquanto, seguro soltar os cães, e dar-lhes uns minutos de liberdade para correr, brincar e gastar as pilhas.
O Kiko pode ir distraído nos seus afazeres caninos, farejando atenta e descontraidamente cada metro quadrado de chão, regando cada canteiro, arbusto e árvore, mas quando o "paizinho" lhe diz "Olha ali o Simba", em menos de dois segundos muda totalmente. A cabeça parece um cata-vento e quando vê o amigo, quer este esteja perto ou a 100 metros de distância, mete o turbo e corre em sua direcção na velocidade máxima, desenhando círculos em seu redor.
A reacção do amigo não é menos engraçada: ora arma-se em difícil, ou arranca também numa correria, alinhando nas brincadeiras.
A felicidade do Kiko é tamanha quando se apercebe do amigo que, numa destas manhãs ficou com o cocó a meio. Desatou a correr antes de terminar o serviço, obrigando o paizinho a uma perseguição para lhe limpar o rabo.
vida de cão: Bromance
Numa das ruas onde passeamos diariamente, vive um pequeno caniche sénior que o Kiko adora, ama de paixão.
Todos os dias o Kiko perde um par de minutos a cheirar o portão da casa do seu amigo. Notando que este não está continuamos caminho. Mas, independentemente de estarmos longe ou perto, se o amiguinho decide aparecer e ladrar, o Kiko fica histérico de alegria, uiva, e arrasta-me a correr ao seu encontro.
Segue-se um ritual entre amigos ao qual eu franzo o sobrolho, mas eles lá saberão do que gostam e como comunicar: ladram, abanam a cauda, cada um com a energia própria da sua idade, e fazem chichi no portão à vez.
O pequeno caniche farta-se rapidamente e vai inspecionar o outro lado do pátio, desaparecendo do raio de visão do Kiko, o que inicia da parte do meu miúdo uma sinfonia de uivos. Assim uma coisa profundamente emocional e sentida.
Eu estranho o outro não se sentir atraído pelo chamamento e ajudo à festa: "Amiguinho! Amiguinho! Olha o Kiko a chamar-te!"
Nada.
Aparece, mas sem grande reacção aos uivos.
Aparece a dona e ficamos uns minutos a conversar. Embevecidas pela forma como o meu tenta escavar o portão na tentativa de se juntar ao amigo.
Até que me confessa: o pequeno caniche é surdo que nem uma porta. Não é que estivesse a ignorar o Kiko conscientemente, simplesmente não o ouve, por maior que seja o escarcéu.
terça-feira, 29 de novembro de 2016
coisas de pensar: Público vs Privado, ou fosse isto um campo de batalha...
Os anos passam, os ciclos repetem-se, e eu continuo absolutamente incrédula e chocada como, da parte de quem nos governa, independentemente da sua cor política ou nome, a preferência continua a incidir em decisões que dividem a população activa, e que já se sabe, pela experiência da repetição que não resultam em nada de novo nem melhor.
Não. Minto. Incredulidade e choque não são os termos correctos. Adjectivar enquanto desilusão parece-me mais acurado.
A repetição quando deriva na ausência de evolução, quando resulta em prejuízo, desilude porque é sinal de máxima estupidez insistir numa solução que não o é. A não ser quando o objectivo não é solucionar. Quanto a isso, Maquiavel e os clássicos deveriam ser de leitura obrigatória.
O mundo não precisa ser um campo de batalha para que se apliquem as mesmas estratégias. Impera o "dividir para reinar". Termo e técnica que deriva do grego, e continua a dar frutos nos campos militar, sociológico e político.
"Esse conceito foi utilizado pelo governante romano César (divide et impera), Filipe II da Macedónia e imperador francês Napoleão (divide ut regnes). Também há o exemplo de Aulo Gabínio, que repartiu a nação judaica em cinco convenções, conforme relatado no livro I de A Guerra dos Judeus (De bello Judaico), do historiador Flávio Josefo. Em Geografia, Estrabão relata que a Liga Aqueia foi gradativamente dissolvida sob a posse romana da Macedónia, porque eles não lidavam com todos os estados da mesma maneira.
Na era moderna, Traiano Boccalini, em La bilancia politica, cita "divide et impera" como um princípio comum na política. O uso desta técnica refere-se ao controle que o soberano possui sobre populações ou facções de diferentes interesses, que juntas poderiam ser capazes de se opor ao seu governo. Sendo assim, o governante precisa evitar que os diferentes grupos e populações se entendam, pois uma união poderia causar uma oposição forte demais. Maquiavel cita uma estratégia militar parecida no livro IV de A Arte da Guerra (Dell'arte della guerra), dizendo que um capitão deve se esforçar ao máximo para dividir as forças do inimigo, seja fazendo-o desconfiar dos homens que confiava antes ou dando-lhe motivos para separar suas forças, enfraquecendo-as."
Talvez um dia seja finalmente parte do comum entendimento que o problema não reside no facto da função pública ter um horário de 35 horas semanais, mas sim no facto deste não ser alargado a toda a população activa.
O mesmo se aplica a todos os direitos e deveres.
A população activa portuguesa conta com mais de cinco milhões de indivíduos. Houvesse o poder de concertação, o entendimento que há muito tarda que numa casa justa ou há para todos os filhos (e filhas) ou não há para nenhum, expressada quiçá através de uma greve geral, e o uso bem sucedido da estratégia batida seria finalmente coisa do passado.
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
coisas de comer: O amigo forno e a alquimia das sobras
Regra geral, todas as semanas faço um prato de forno. Aliás, neste preciso momento, tenho um empadão de carne ainda lá dentro, acabadinho de fazer.
Nos pratos de forno aplico a mesma filosofia que às sopas: nunca faço quantidade somente para aquela refeição. Sobeja sempre e é de propósito.
Franzo o sobrolho a quem torce o nariz às sobras. Penso logo que não é pessoa que passe muito tempo na cozinha, senão saberia dar mais valor ao trabalho e tempo que poupam; que não é propriamente muito poupada, senão também saberia que vale mesmo a pena render a hora ou hora e meia de electricidade que gastamos por ter o forno ligado por duas ou mais refeições. E por fim, que não é muito imaginativa, senão saberia que as sobras são o alicerce de pratos muito saborosos.
Querem um exemplo:
Domingo passado assei um belo de naco de carne porco, generosamente temperado com ervas, sumo de laranja, pimentão, pimentas, alho, sal e azeite. Fi-lo com batatinhas novas.
Para além de sandes rápidas com queijo, verdes e mostarda, acompanhadas de sopa, para um dos meus almoços, ainda deu para um arroz de carne malandrinho à portuguesa. Basicamente faz-se o refogado com uma cebola picada, alho, ervas a gosto, e uma cenoura grande aos cubos. Junta-se vinho branco, duas ou três colheres de polpa de tomate, sal, e a carne cortada em pedaços. Adiciona-se o arroz e a quantidade necessária de água a ferver. Delicioso.
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
caixa de ressonância
terça-feira, 22 de novembro de 2016
caixa de ressonância
sábado, 19 de novembro de 2016
sexta-feira, 18 de novembro de 2016
Coisas do armário: As minhas camisolas de Inverno favoritas
Se costumam passar por aqui, não será novidade dizer-vos que quando escolho roupa para mim não são as tendências ou modas que me guiam, mas somente o meu gosto pessoal.
Quando chega o Inverno chega também a vontade de vestir uma camisola quente e aconchegante. E o que não falta é oferta e variedade em milhentas lojas, mas nesta estação do ano, não há modelo que eu prefira às camisolas de padrões tipicamente nórdicos, que associamos geralmente ao Natal, ornamentados com as figuras estilizadas de renas, árvores, flocos de neve, folhas, corações...
Todos os anos compro mais algumas e não há maneira de me fartar!
cromices #140: Refém da C.P.
Longe vão os dias em que me deslocava de comboio diariamente. Agora é uma ocasião pontual.
Há um par de dias tive de fazê-lo.
Como não gosto de perder tempo, nem de fazer perder tempo a quem vai com mais ou igual pressa, opto por adquirir o cartão já carregado com viagem de ida e volta na bilheteira, ao invés de andar a engonhar na máquina de venda.
Ainda bem que tenho o hábito de sair de casa com alguma antecedência, para o caso de haver algum imprevisto, porque não houve estação em que as maquinetas não decidissem embirrar comigo.
Logo na ida, para conseguir aceder à plataforma, o senhor leitor de cartões obrigou-me a uma dança, que consistia em agitar o cartão da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, ora mais encostado ou afastado do sensor, ao som das indicações de uma amável senhora - "experimente assim, ora agora experimente assado", até se dignar a abrir a portinhola envidraçada.
No regresso, já na plataforma, a aventura consistia numa caça ao tesouro, ou melhor dizendo, a percorrer a dita de uma ponta à outra na demanda de um leitor que funcionasse, de preferência antes de ver mais um comboio a passar por mim.
Mas, a cereja no topo do bolo foi o fim da viagem, aquele momento em que se quer sair da estação e a maquineta diabólica decide que não, que me quer refém. Um senhor simpático, já do outro lado, livre da mecânica armadilha, questiona-me sobre o que diz a maquineta. Esta reclama "saldo insuficiente".
"A malandra aprisiona-me e agora pede-me resgate!" - pensei eu. "Agora é assim, Comboios de Portugal?! Apanha-se o utente num momento vulnerável, onde não há escapatória, e para além do preço da viagem ainda quer que se pague para sair da estação?!"
Salvou-me um simpático jovem que perguntou se queria sair com ele. E lá fomos os dois em passo de corrida no momento em que as portinholas se abriram.
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
coisas que gosto: Bons ventos sopram de Espanha, ou "dar vida à idade"
Gostava tanto que encarássemos a terceira idade como se fossem umas férias por tempo indeterminado, em que todos os dias fossem vividos ao máximo, numa personificação do carpe diem, enquanto a saúde e a vida o permitir.
O conceito é de uma tremenda simplicidade: porque não aproveitar da melhor forma a liberdade que representa o fim das obrigações familiares e compromissos profissionais?
Felizmente começam a proliferar notícias sobre pessoas que decidem tomar as rédeas da própria vida, e tomam decisões sobre como querem viver na velhice. Decisões que têm por base o desejo de independência e felicidade e desembocam em projectos inspiradores, como o relatado nesta notícia que nos chega de Cuenca, Espanha.
Motivados em grande parte pelo desejo de não querer passar a última fase da vida rodeados de estranhos ou "ser uma carga para os filhos", dois casais de amigos que se conheceram anos atrás numa excursão, decidiram viver juntos numa república autogerida em Cuenca - Convivir. A sua decisão entusiasmou e incentivou muitos mais a juntarem-se ao projecto.
Convivir é um condomínio, uma residência com todos os atributos específicos das residências para idosos, desde os serviços a pormenores arquitectónicos específicos para a terceira idade como as casas de banho, botões de emergência, etc.
No entanto, Convivir não é um lar de idosos mas um projecto de coshousing: projectado por arquitectos com a ajuda e intervenção directa dos sócios da cooperativa.
Elogia-se o ambiente juvenil, a forma como se mantém activos através da partilha de tarefas, de workshops diversos organizados pelos próprios como forma de partilhar o conhecimento de cada um, que no caso de Convivir pode significar tanto uma aula de risoterapia como de macramé. Sentem-se bem, felizes, e independentes. Guiam-se pelo lema "dar vida à idade". E isso é o mais importante.
Existem alguns projectos similares por todo o mundo. Também em Portugal existem residências onde o objectivo é uma maior qualidade de vida. Os preços que podem rondar, para além do investimento na residência, uma mensalidade de mais de 2000 euros por casal, faz com que seja impossível todos terem acesso a este estilo de vida.
O importante é que cada vez mais pessoas se mostram interessadas neste tipo de soluções, querem decidir de forma activa como viverão as suas vidas até ao último momento. Será esse interesse que vai alimentar mais e melhores conceitos, novas ideias, e por isso, acredito que quando for a nossa altura de tomar as rédeas da nossa velhice, não faltarão opções, até mais económicas, que permitam a todos os cidadãos viver a terceira idade com um espírito de férias, focando na felicidade e no que nos faz bem.
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