terça-feira, 24 de janeiro de 2017
coisas da casa: Não é seguramente a mais bonita, mas gostamos tanto dela!
Aqui há tempos, quando decidimos remodelar o escritório, decidimos aproveitar um dos sofás que nos havia servido na sala como solução temporária.
O pequeno sofá de dois lugares em rattan com almofadas brancas tinha o tamanho perfeito para aquela parede. Ao lado das estantes, e no recanto em que o sol da tarde bate com toda a sua força, providenciaria um perfeito recanto de leitura.
Era uma solução temporária porque o pequeno sofá sofria do pecado capital de não ser lá muito confortável embora fosse giro, e após anos de uso, e de imenso abuso por parte dos nossos saudosos gatos, estava mesmo pronto para a reforma.
Então o que colocar em seu lugar? - era a questão.
Corremos lojas de mobiliário. Apercebemo-nos que o espaço que tínhamos disponível iria ser um imenso entrave se a opção fosse um outro sofá: os confortáveis eram invariavelmente grandes demais, e os pequenos demasiado desconfortáveis.
Percorremos o dicionário dos assentos à procura de inspiração: otomanas, chaises-longues, cadeirões, cadeiras de baloiço, ou qualquer outra coisa que pudesse servir com alguma imaginação aquele propósito, de camas a bancos, ou até arcas...
Mas do que as lojas nos ofereciam, ou não partilhávamos da mesma opinião, do mesmo gosto, ou era demasiado caro para um simples assento para o escritório, ou não era suficientemente confortável, ou...
Concordámos que o conforto seria o atributo basilar. E aí o marido lembrou-se que queria mesmo um daqueles cadeirões de massagem.
Resisti ao início, mas depois rendi-me.
Estas poltronas não são propriamente as mais bonitas, embora também não sejam uns monstrengos. Mas, o que lhes falta em design, compensam largamente em conforto. De tal forma que passado algum tempo achámos que a melhor opção seria coloca-la na sala, por ser a divisão em que passamos mais tempo e assim dar-lhe mais uso.
Estamos completamente rendidos. Como sabe bem esticar as perninhas na poltrona, tapada com uma manta fofinha, a levar uma massagem, com ou sem calor, enquanto leio um livro ou vejo um filme.
Recomendo.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
cromices #143: O que fizeste no primeiro mês do ano?
Na manhã de Natal acordei doente. Uma gripe com direito a todos os tradicionais sintomas, das dores no corpo à garganta irritada.
"Fruta da época" - chamei-lhe eu, na brincadeira. Afinal temos passado por dias excepcionalmente frios e não havia canal de televisão que não noticiasse o quanto o vírus andava por aí em força.
Muni-me de agasalhos extra, sopinhas e chás quentes, dose reforçada de alimentos fonte de vitamina C, aspirina para ajudar a amenizar os sintomas, e acima de tudo muita paciência e sentido de humor, essenciais para quem, como eu, tem um organismo que demora a curar-se destas coisas.
Andei com todos os cuidados a desinfectar com maior frequência a casa na tentativa de não a pegar ao marido. Mas o que ele não apanhou em casa, apanhou no trabalho.
Dois doentes em casa. Com a passagem dos dias ele ia melhorando, felizmente, e eu nada. Não estranhei porque, normal ou não, o meu organismo demora mesmo mais tempo a restabelecer-se. Nem estranharia, não acordasse numa manhã num estado perfeitamente lastimoso, em que qualquer leve menear de cabeça provocava-me mau estar e dava-me vómitos, em que tremia de frio mesmo debaixo de grossas camadas de edredons e mantas.
"Queres que te leve ao hospital?" - perguntava ele.
"Credo! Nem pensar!" - respondia eu, só de pensar em fazer uma viagem de carro com tanto enjôo e frio, para depois enfrentar uma espera de 3 ou 4 horas, na melhor das hipóteses. Vinha-me à mente a notícia que reportava há pouco tempo períodos de espera na ordem das 13 horas, e parecia-me o pior dos infernos dantescos.
"E ao centro de saúde?" - insistia o marido. Voltei a recusar pelos mesmos motivos.
No entanto precisava mesmo de ser vista por um médico, que isto não ia ao sítio só com chá e aspirina. A brilhante solução residiu em marcar uma consulta ao domicílio, e foi realmente o melhor: numa hora e meia, assim como prometido por telefone, tinha à porta a figura amável e zen do Dr. Arlindo.
Eu que nunca tinha utilizado esta coisa das consultas ao domicílio fiquei fã. Fui examinada com todos os cuidados e amabilidades, sem pressas. O doutor diagnosticou-me uma faringite, passou-me um receita com antibióticos, xarope e paracetamol. Ainda me deu o número de telemóvel para que lhe pudesse ligar em caso de surgir alguma dúvida ou qualquer outra questão.
O marido foi incansável: veio à hora de almoço, trouxe-me almoço, foi passear o Kiko e foi à farmácia aviar a receita. Durante dias foi ele a tratar do nosso jantar, das compras, da louça e de tudo o que houvesse para fazer, inclusive de todos os passeios matinais e nocturnos com o cão, estando ele próprio ainda em recuperação.
O Kiko foi excepcional: parecendo conhecer o meu estado, deixou de ser o espalha-brasas mexilhão do costume, e passou todos os dias deitado ao meu lado, a guardar-me.
Os meus pais, idem: a minha mãe ligava-me todos os dias a oferecer-se para tudo e mais alguma coisa, e eu, como sempre, ciosa das minhas bactérias, a reforçar a ideia que o pior que lhes poderia acontecer é apanharem o mesmo que eu. Que nem pensar em correr o risco de lhes pegar, que isto podia até ser fruta da época, mas não era pêra doce.
Passado quase um mês sinto-me de regresso ao mundo dos vivos, embora ainda não esteja a 100%. Imensamente grata por ter quem cuide de mim nestas alturas. Pela recuperação da saúde. Pela eficácia dos medicamentos.
Pelo sim, pelo não, continuarão a ver-me na rua com trajes que mais parecem de alguém que vai para a neve. Podia ser pior: confesso que só não ando de balaclava por vergonha, que vontade não me falta.
Espero não apanhar nada durante os próximos tempos. Honestamente, tendo em conta que já passei 1/12 do ano doente, acho que merecia estar imune a tudo e mais alguma coisa nos próximos dois anos, no mínimo!
cromices #142: Como te compreendo, miúdo!
Calhou observar, da janela, a tentativa de um dos meus vizinhos de sentar o filhote no carro.
A criança ia visivelmente descontente. Chorava. O pai tenta acalmá-lo em vão. Solta um lamento: "Casa! Caaaaaaaaasa!"
Como te compreendo, miúdo! Especialmente nas manhãs de Inverno.
sábado, 7 de janeiro de 2017
coisas sobre mim: Das resoluções de ano novo
Não guardo a tomada de resoluções para o ano novo. Sou mais de improvisos.
Não há quem me conheça tão bem quanto eu, portanto sei melhor que ninguém que não é por ditar uma lista de pontos, apelidá-los de algo tão sério quanto resolução, que me fará concretizá-los. Pelo contrário: sei tão bem o que a casa gasta, que fazê-lo seria convidar o meu lado rebelde a sabotar aqueles propósitos, só porque sim. Afinal quem sou eu para me dizer o que fazer?! Ou seja lá o motivo que leva os rebeldes a serem-no.
Também faço resoluções, não têm é hora marcada para acontecer. Aparecem. Entenda-se por estas alterações, grandes ou pequenas, que começam no pensamento e derivam na acção, motivadas por um qualquer desejo. É comum e bastante popular o desejo de se querer ser simplesmente melhor.
Há mais ou menos década e meia, adoptei como resolução que iria sorrir mais, sorrir muito, sorrir sempre, independentemente de receber esses sorrisos de volta. Hoje, essa resolução é-me intrínseca, faz parte mim, e nem me imagino a conseguir ser de outra maneira.
Mais ou menos na mesma altura decidi igualmente que iria tomar atenção nos pequenos detalhes do mundo, procurar beleza nas pequenas coisas, reparar em flores, pequenos pormenores que nos passam geralmente despercebidos. Isso deu-me combustível para ultrapassar uma das épocas mentalmente mais desafiantes e complicadas que já tive. E hoje é uma das minhas filosofias de vida.
Também passei a dizer mais vezes "amo-te". Não precisa ser literalmente um "amo-te", pode ser outra qualquer expressão, mesmo que meio tonta mas que o expresse. Faço-o todas as manhãs quando o marido sai para trabalhar, por exemplo.
Este ano, após ter abordado uns vizinhos sobre algo que me incomodava grandemente, surgiu mais uma. Na minha mente tinha imaginado um diálogo racional e sereno. Saiu uma discussão emocional. Não gostei.
Como nunca mais quero perder a serenidade, independentemente do que se passa do lado do receptor, então decidi, que quando estou "naquela semana" em que por questões sobretudo biológicas e hormonais sou toda emoção e temperamento, então basicamente vou fugir de diálogos, debates, negócios, reuniões e etc durante essa altura.
Estou resoluta.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2017
quinta-feira, 5 de janeiro de 2017
cromices #141: Se eu abrisse um restaurante...
... seria, decididamente, um restaurante para cães.
Todos os dias, desde há cerca de 2 anos, que preparo almoço e jantar para o Kiko. Em todas as refeições ele reage como se lhe tivesse preparado o melhor maná do mundo, tal a satisfação.
Com a precisão de um relógio suíço, quando a hora da refeição se aproxima, vem-me lamber a boca, (é assim que os lobinhos pedem comida à mãe loba), fazendo uma espécie de choradinho. Segue-me até à cozinha e fica sentado no tapete onde temos as suas malgas, completamente vidrado em todos os meus movimentos.
O par de minutos em que coloco a malga no parapeito da janela, para que a comida esfrie um pouco, a excitação é tanta que as pernas lhe tremem.
Quando me vê aproximar para finalmente lhe servir a refeição, dá um par de voltinhas antes de aspirar tudo em segundos.
Já o vi comer inúmeras vezes, e continua a dar-me um prazer indescritível.
Deixa a malga impecável, sem qualquer migalha. Arrota. Vem-nos lamber as mãos, e volta para dar mais umas lambidelas na tigela. Passa os 5 minutos seguintes a lamber-se e a abanar a cauda.
Nunca cozinhei para nenhum humano que o fizesse. Que fosse tão efusivo e agradecido à "cozinheira", que nunca reclamasse ou fizesse cara feia ao que lhe aparece no prato, seja porque não lhe apetecia aquilo ou qualquer outro motivo.
O Kiko acabou de almoçar há minutos: salmão cozido com batata doce. Não há nada mais básico que peixe cozido com batatas, mas todos os dias faz-me sentir como uma finalista do masterchef.
Os cães rulam! Ponto.
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
coisas que recomendo: Como protegem os vossos aparelhos?
Já contabilizaram quanto têm investido em aparelhos eléctricos na vossa casa, desde a televisão (ou televisões), sistema de som, computadores, consolas de jogos, etc?
Mesmo que não tenham produtos topo de gama, os mais recentes e avançados que o mercado tem para oferecer, seria bastante dispendioso e nada agradável ter que substituir um ou vários, ou ter que esperar até ser possível adquirir novos, certo?
Pois bem, uma regra que deveria ser seguida religiosamente em todas as casas, é a de ter os aparelhos ligados, (pelo menos os de maior valor), a tomadas com fusível.
Estas tomadas protegem os equipamentos a ela ligados de picos de corrente, sobrecargas que os podem fritar. Basicamente elas "sacrificam-se" no lugar dos aparelhos. No caso de suceder um desses picos, o fusível da tomada rebenta e esta deixa de funcionar. Literalmente, morre. De vez.
O preço das mesmas depende da qualidade e do número de saídas, mas não são baratas: contem gastar umas boas dezenas de euros. Mas mais vale perder uns cinquenta euros, do que perder um aparelho ou um conjunto deles, na ordem das centenas ou até milhares.
Ainda ontem, do móvel de televisão, veio um som que parecia algo a fritar. Foi o fusível da tomada. Menos mal, que poderia ter sido uma perda tão maior não tivéssemos estes cuidados.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
coisas sobre mim: gosto, não gosto, edição natal.
Não gosto de farófias.
Gosto de arroz doce, especialmente do que o meu pai faz.
Gosto de aletria à moda antiga, feita pela minha mãe.
Gosto das minhas azevias de grão, feitas no forno.
Gosto de sonhos, especialmente quando saem fofos e sequinhos.
Gosto de algumas memórias de natais passados. Fecho os olhos e vejo a minha avó Felizarda a sovar a massa.
Não gosto de ir a shoppings nesta época.
Gosto das ruas enfeitadas com luzes.
Não gosto que se matem árvores só com o propósito de se montar a árvore de natal.
Gosto de levar o Kiko ao Reino do Natal.
Gosto da troca de votos, desejos e cordialidades da época. Pessoalmente, por telefone, chat, redes sociais, ou correio, tanto faz. Esse gesto é para mim prenda mais que suficiente e verdadeiramente satisfatória.
Não gosto que tenhamos perdido há muito o hábito de trocar postais natalícios.
Gosto de presépios, coroas e outros enfeites.
Não gosto de excesso.
Gosto da liberdade de vivenciar o Natal à nossa maneira.
Não gosto que nos tentem impingir tradições. Muitas vezes o termo "tradição" não passa de um argumento usado por alguém para convencer terceiros a fazer as coisas à sua maneira, para impor as suas preferências pessoais.
Não gosto de fazer nada por obrigação.
Não gosto de dar presentes por obrigação. Qualquer dia dos 365(6) é perfeito para oferecer um presente, basta encontrar aquela coisa que achamos mesmo, mesmo perfeita para aquela pessoa.
Não gosto que me ofereçam presentes por obrigação. Muito menos que gastem dinheiro nisso.
Gosto de prendas caseiras, feitas com as próprias mãos, especialmente das que se comem. Adorei receber de uma senhora amiga, caixinhas com vários doces de natal, feitos por ela. Só porque sim, porque disse que gosta de mim e lhe apeteceu.
Gosto de adiar as reuniões familiares para outros dias. Somos mais felizes assim.
Não gosto de ver as ruas a transbordar de lixo a seguir ao natal. Tanto desperdício, tanta embalagem e papel de embrulho por reciclar causa-me uma verdadeira tristeza.
Gosto de bolo-rei e bolo rainha. Não gosto que venha nem com brinde, nem com fava.
Gosto de rabanadas, mas sem molho ou calda.
Não gosto de doces demasiado doces.
Gosto de roupa velha, embora tenha que cozer couves propositadamente para a fazer, porque o marido não gosta de bacalhau.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
Lições dos intas #2: Este Halloween ficará na História...
Não na História do Mundo, mas na minha, com toda a certeza.
Passo a explicar.
Começo por vos colocar uma questão: que tipo de pessoas são vocês enquanto consumidores? São daquelas pessoas capazes expressar no momento o vosso desagrado com o produto ou serviço, ou ficam calados, e ficam a remoer no descontentamento, a pensar que deveriam ter dito ou feito algo, mas que sentem que não possuem feitio para tal?
Pois bem, nós por cá sempre pertencemos ao segundo perfil. Ficávamos aborrecidos quando a coisa não corria bem, às vezes ao ponto de riscarmos determinado estabelecimento da nossa lista, mas não tínhamos em nós o à-vontade para expressarmos a nossa insatisfação com a clareza desejada, naquele exacto momento. É acima de tudo uma questão de feitio.
Mas as pessoas mudam com o tempo, e tornam-se capazes de gestos que nunca pensaram ser possíveis. E ainda bem.
De vez em quando vamos dar uma volta diferente com o Kiko e aproveitamos para passar na pizzaria do costume, para encomendar o jantar.
A rotina é sempre a mesma: o marido fica na rua com o cão enquanto eu vou fazer o pedido. Dão-me o talão e informam-me que em 10-15 minutos o pedido estará pronto. Tempo que usamos para dar mais voltinha antes de regressar à loja.
Às vezes as coisas atrasam-se. Por vezes são pequenos atrasos, outras, atrasos monumentais. Daí ser algo que normalmente não fazemos em dias de grande afluência.
Embora o restaurante estivesse quase às moscas, pelos vistos havia um grande número de encomendas ao domicílio, o que desnorteou por completo a equipa.
Lá fiquei eu ao balcão, sempre amável e serena, (porque estas coisas acontecem, e não seria a ausência de serenidade que faria as nossas pizzas aparecerem mais rapidamente), durante o que foi, no total, uma hora, ou quase.
Entretanto já a gerente tinha tido a amabilidade de me pedir desculpa pelo atraso, explicar-me que tiveram que refazer todos os pedidos, porque entretanto haviam perdido o fio à meada sobre a quem pertencia cada pizza.
É claro que fui compreensiva. Mas, paralelamente, deu-se um clique: sim, - pensei para com os meus botões - tenho empatia e compreensão por eles, mas isso não faz com que tenha que desvalorizar o facto de estar há uma hora à espera. Uma coisa não anula a outra. Não quero sair daqui chateada, nem ficar a remoer no assunto, portanto sinto que tenho que ser compensada. O consumidor não tem culpa da desorganização, por mais compreensivo que seja.
Então, pela primeira vez na minha vida, saiu-me algo que nem eu estava à espera.
Quando a gerente me veio entregar o pedido, perguntou se estava tudo, se era necessária mais alguma coisa, ao que eu respondi com a maior da latas: "Sim, uma bebida de oferta caía muitíssimo bem!"
Assentiu com um "claro!" e perguntou-me qual era a minha preferência.
Despedimo-nos amavelmente.
E como não me caiu nenhum raio em cima, nem fiquei com nenhuma dor, nem algo que se pareça, percebi que afinal não é difícil como julgava esta postura de ser clara, logo no momento e no local. Sobretudo que esta passará a ser a minha postura.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
Mensagem de Natal
Vejo o Natal, na sua essência, como uma das mais belas manifestações do que é ser humano.
Não me refiro à forma deste ritual, com os seus enfeites, presentes e afins, ou qualquer outro, mas ao facto de, enquanto espécie, desde a aurora da existência, termos em comum o facto de adorarmos o Sol.
Primeiro intuitivamente depois empiricamente percebemos que este é a fonte que permite a vida na Terra, porque impulsiona as correntes atmosféricas e marítimas, porque... faz evaporar a água que depois regressa como chuva e neve, porque estimula a fotossíntese...
Então celebramos desde sempre o Sol e a Vida. Talvez não o saibamos fazer com a beleza natural das plantas que desabrocham magicamente quando tocadas pelos raios, ou que perseguem a grande estrela, como o girassol. Mas, não é menos poético, (e aqui reside a beleza na forma como por vezes interpretamos e damos significado à existência), que escolhamos o dia mais curto do ano, na estação mais fria, para esta celebração.
Poético e fecundo em significado porque figuramos o Sol como um menino recém-nascido, no cenário simbólico do nascimento daquele que nos permite viver.
Escolhemos a escuridão para celebrar a luz e a claridade, tanto no seu sentido literal como espiritual, talvez porque não há nada mais humano que só dar o devido valor a algo quando lhe sentimos a ausência. Da mesma forma, isto revela o melhor que existe em todos nós. Escolher o momento de maior breu para festejar a Luz revela que em todos nós reside uma capacidade inata, gigante e maravilhosa para a resiliência, a esperança, a alegria mesmo durante os momentos difíceis.
E esta é a minha mensagem de Natal para todos vós: que nunca nos esqueçamos da nossa capacidade para a Luz, sobretudo na escuridão.
Festas Felizes!
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
coisas de Natal: A missão dos "Tios Natal"
Há anos atrás, lembro-me de ver uma qualquer entrevista com uma artista musical de relevo qualquer, e das poucas coisas que retive foi a descrição do momento em que descobriu que aquela era a sua paixão. Um qualquer familiar lhe havia oferecido uma guitarra aquando criança, e isso foi suficiente para despertar um interesse que se tornou numa enorme história de sucesso.
Embora não me lembre de quem é quem, esta é uma história bastante comum. É o prólogo de muitas histórias de sucesso, de adultos que descobriram a sua vocação, que não só se tornaram um exemplo por serem bons no que fazem, mas especialmente por inspirarem outros por serem felizes em fazê-lo.
Isto não ocorre só no campo da música, mas em todos os contextos. Também não ocorre somente na vida de pessoas que são nacional ou mundialmente famosas, aliás a fama é o que menos importa.
O ponto verdadeiramente importante destes exemplos, pelo menos o que retirei para a minha vida, é que nós, adultos, temos o dever de alargar o horizonte das nossas crianças, apresentar-lhes coisas novas, permitir-lhes novas experiências. Se gostarem, fantástico, se não gostarem, fantástico à mesma. Pois saber que não se gosta de algo, que o nosso caminho afinal não é por ali, também é uma grande ajuda na formação da personalidade de qualquer indivíduo.
Achamos que as épocas de oferecer presentes, como o Natal e aniversários, são ideais para aplicar esta máxima.
Não vou revelar o que escolhemos para as sobrinhas, não vá a mais velha ler o meu blogue. Só digo que quisemos proporcionar-lhe uma nova experiência, ajudar na autodescoberta.
Como é que tudo isto se traduz num objecto palpável? Fugindo das grandes tendências e definições de género.
Ou seja, os miúdos já passam demasiado tempo agarrados à tecnologia - aos telemóveis, tablets, pc's e consolas de jogos, então porque não optar por algo relacionado com uma qualquer Arte.
Só no campo da Arte temos um universo inteiro por onde escolher: desde equipamento fotográfico, a material de pintura, um instrumento musical, a kits que ensinam a desenhar cartoons... e tanta coisa mais.
Ou Desporto. Ou Ciência. Mesmo que seja para uma menina. Sobretudo se for uma menina: já chega de impôr limites, de classificar o que se julga adequado ou não por género. Devemos ser mais evoluídos que isso.
Há telescópios, microscópios, brinquedos que ensinam o básico da programação informática desde a mais tenra idade, e milhentos jogos e kits de ciência, trotinetas, patins, e todo um mundo relacionado com desporto que vai muito além do futebol.
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
Vida de cão: É tão bom quando a minha "maluquice" serve para algo...
Há umas semanas, durante um passeio nocturno com o meu marido, o Kiko foi atropelado numa passadeira. Felizmente foi "só" uma pancada. Felizmente o carro vinha devagar, e o Kiko não ficou com nenhuma mazela física do sucedido, como foi comprovado na clínica.
Digo "só", porque quando nessa noite os dois chegaram a casa num estado de nervos que só visto, o marido mais pálido que um fantasma, e eu só conseguia pensar em como o desfecho poderia ter sido bem pior. Como poderia ter ficado sem o meu filho-cão, ou até ambos, e senti-me incrivelmente grata por os ter ali comigo. Porque infelizmente há histórias assim, com finais infelizes, porque por um motivo qualquer um condutor decide não parar na passadeira. E eu cruzo-me com dezenas desses indivíduos por dia.
Na altura, quando desabafei o sucedido no meu face, fui sincera na minha expressão de gratidão, e em alguma compreensão para com os condutores. Afinal só se é perfeito em alguma coisa não a fazendo, porque na prática não há ser humano que não cometa erros. A civilidade requer alguma indulgência e empatia, sobretudo se a prioridade é inspirar a fazer melhor.
Para ser totalmente franca, a minha relação com os condutores que não param nas passadeiras é ambígua: obrigo-me à tal postura compreensiva e flexível, mas é muito difícil manter-me nessa frequência zen quando todos os dias atravesso n ruas, e lá ficamos, eu e o Kiko, parados à frente da passadeira, mostrando a nossa intenção de atravessar e a grande maioria dos condutores simplesmente opta por nos ignorar e seguir.
Sendo como sou, enquanto não aprendo a ser melhor, é claro que coloco o sorriso, o apelo ao cuidado e à concórdia e o zen no bolso e desato aos berros: "Oh filho de uma grande puta, a passadeira não é só para enfeitar, otário!"
E isto não é nada! Porque no dia que eu me fartar de vez começo a fotografar ou a filmar as transgressões e a fazer queixa na polícia. Da mesma forma que acharia muito bem que fizessem o mesmo aos peões que se atiram para a estrada impulsivamente sem qualquer respeito pelas regras de segurança, ou que ficam na converseta em frente às passadeiras, deixando os condutores na dúvida e em sobreaviso.
Retomando o fio à meada...
O meu Kiko não ficou com mazelas físicas, felizmente, mas este episódio traumatizou-o.
Daí também tanta hostilidade da minha parte para com os infractores. Porque há muito boa gente que considera não parar numa passadeira uma coisa menor, algo sem importância, mas por causa da distração, da preguiça em parar, da pressa, ou seja lá qual tenha sido o motivo daquele condutor, agora somos nós que temos que lidar com a batata quente. Algo tão fácil de evitar se meterem na cabeça que as regras foram definidas com um propósito claro e em nome da segurança de todos há que segui-las.
É uma lição de vida que se aplica a muita coisa: a irresponsabilidade de uns sobra sempre para terceiros.
Para começar, o Kiko quando levou a pancada, (que não tendo deixado marcas magoou-o, e não deve ter sido pouco), estava a olhar para o meu marido, então na sua cabecinha associou o evento ao paizinho.
E embora saibamos que com carinho, treino, tempo e persistência a coisa voltará ao normal, é muito mas muito triste lidar com um cãozinho que nos primeiros dias após o evento mostrava algum receio do seu paizinho, e a natural tristeza do meu marido, que tal como eu o adora como um filho.
Que especialmente à noite, (por ter sido o período em que ocorreu), saía à rua sempre assustado, com pavor da rua onde se sucedeu e a querer voltar para casa após menos de dez minutos na rua.
Semanas depois temos ainda muito trabalho pela frente.
As brincadeiras com a bola num dos jardins da aldeia com o meu marido ajudaram bastante, assim como muitos dos passeios nocturnos terem passado para mim.
Levo sempre um saquinho com bocadinhos de ração com que o suborno para seguirmos caminho, e uso a minha "maluquice", que quem diria, nos tem ajudado tanto.
O que chamo "maluquice" não é nada mais que ir falando com o Kiko durante todo o passeio, em voz alta e com o tom mais efusivo e alegre que sou capaz. Celebro tudo o que ele faz, desde os chichis, ao cocós, aos comandos que ele obedeça, ao manter-se calmo e feliz, etc, como se o Kiko tivesse ganho um Nobel mas com a energia própria de um concerto dos Rolling Stones:
"Bravo! Que lindo pipi"; "Que cocó maravilhoso, Kiko"; "Que corajoso! Que lindo! Que forte!"; "Uau! Boa Kiko!"; "Yeah! Maravilhoso! É assim mesmo!".
A cada elogio feito, o Kiko empina a cauda e o peito, e segue todo pimpão enfrentando medos.
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