quinta-feira, 19 de outubro de 2017
coisas de pensar: Da bipolaridade lusitana
Um destes dias andávamos nós, humana e cão, perdoem-me a redundância, nas andanças do costume.
O canito decide finalmente aliviar-se. Para tal escolhe um pedaço de terra paralelo ao passeio que não sei adjectivar de melhor forma. Tem uma árvore e algum verde, mas não é canteiro porque não está tratado. Está pejado de trampa de outros cães e lixo humano.
Mas não se pode ser esquisito quando queremos que sua Excelência finalmente ganhe o ímpeto de se aliviar, para podermos ir descansados para casa. Então lá vou, pé ante pé, de saquinho na mão para apanhar a trampa do meu cão, quando pelo nesga do olho vejo uma das senhoras com que por vezes nos cruzamos.
Esta pára para nos cumprimentar, enquanto eu continuo no meu movimento contínuo e faço o que tenho a fazer.
Parece surpreendida pela minha acção, (como se não fosse algo que repetisse todo o santo dia), e diz-me que deixe estar, que não apanhe, que ali não faz mal e que até faz bem às plantinhas (onde andam estas?!). E eu uso da maior síntese para responder que faço questão de apanhar, que não gosto, e que não , não faz bem às plantinhas, e quem me dera que todos cumprissem com o seu dever.
Senhora apressa-se a concordar, com um enfático sim, que somos muito porcos, que na Suiça é que é!
Assim passámos, em 10 segundos, de apelar ao não cumprimento da lei, ao deixar andar, para o discurso do lá fora é que é, eles são perfeitos enquanto por aqui somos uma turba que não cumpre.
Vim para casa segura que me tinha cruzado com a personificação da nossa sociedade.
sexta-feira, 13 de outubro de 2017
coisas da casa: Introdução aos telhados vivos
Estou apaixonada pelo conceito de telhados vivos.
Parece-me bem introduzir este tema por aqui através das palavras de Maria Amélia Martins-Loução, professora catedrática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e do seu artigo de opinião publicado no Público a 23 de Janeiro de 2013.
Aqui se segue:
"Na Avenida do Padre Cruz, em direcção ao Campo Grande, em Lisboa, sobressai um prédio coberto de verde, como se tivesse um jardim suspenso.
A imagem é tão diferente que nos obriga a chegar perto para perceber se é cobertura viva ou pintura. Qual terá sido a ideia dos arquitectos para cobrir integralmente um prédio com vegetação? Como conseguirão manter tal estrutura? Terá sido pelo aspecto paisagístico? Será sustentável?
O elevado investimento necessário para a implementação de coberturas ajardinadas é um dos principais argumentos contra esta solução paisagista. Pelo contrário, os benefícios ambientais e estruturais são sempre esquecidos e nunca contabilizados. Do ponto de vista global para o ecossistema urbano, a presença de telhados verdes aumenta o sequestro de carbono, facilita a circulação atmosférica e, consequentemente, dispersa o calor acumulado das cidades.
Absorve a poluição atmosférica, filtrando o ar e permitindo reduzir as doenças alérgicas respiratórias. Aumenta a retenção da água das chuvas, impedindo as escorrências fortes e os riscos de inundação. Contribui ainda para a diversificação de nichos ecológicos, devolve a natureza à cidade, aumentando a diversidade vegetal e animal.
Para os edifícios, tem papel relevante, porque permite um isolamento acústico, reduz as oscilações de temperatura, prolongando a vida útil da estrutura e, consequentemente, os gastos de manutenção. Este tipo de coberturas faz com que os edifícios fiquem menos sujeitos às agressões atmosféricas, criem um sistema de impermeabilização e, como atenuam os extremos de temperatura, permitem a redução significativa do consumo energético.
O edifício junto à Avenida do Padre Cruz, em Lisboa, sede da empresa MSF (Moniz da Maia, Serra e Fortunato, Empreiteiros, SA), é uma estrutura modelar e modular. Isto é, serve de modelo para evidenciar que é possível, em plena cidade de Lisboa, construir-se um edifício cujas paredes e telhado estão cobertos de vegetação. É modular porque se trata de peças de puzzle que se ajustam e se podem substituir de acordo com a necessidade de renovação.
A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) pretende desenvolver um estudo-piloto experimental, instalando uma cobertura extensiva de 150 metros quadrados. Este primeiro projecto pretende ser emblemático. Por um lado, mostra que a FCUL está disposta a contribuir para a maior sustentabilidade. Por outro, possibilita o desenvolvimento de projectos de investigação em parceria com a empresa NeoTurf. Desenvolver e testar novos substratos, experimentar novas plantas e monitorizar a relação entre substrato e eficiência térmica no interior dos edifícios são alguns dos desafios propostos.
O tipo e a espessura dos substratos usados são fundamentais. Isto porque a limitação funcional de adaptação de um edifício à implantação de um telhado vivo é a sustentação. Usam-se, preferencialmente, materiais leves e reciclados. Novos substratos podem ser “redescobertos” na natureza, como as crostas onde, por exemplo, líquenes e briófitos podem crescer. O desafio é conseguir oferecer um tipo de vegetação que necessite entre três a cinco centímetros, o que constitui um ganho de investimento para o mesmo benefício ambiental.
As espécies vegetais mais usadas estão dependentes de rega para criar uma cobertura verde permanente. Exigem elevada manutenção e investimento. Mas podem ser substituídas por plantas mediterrânicas, que oferecem elevada economia de água, contribuindo para a maior diversidade de espécies e de habitats. Há toda a necessidade de educar, de explicar às pessoas que, no Verão, como nos campos, não é a cor verde que impera, mas antes um mosaico de verdes e de castanhos. É uma perspectiva sustentável de ecologia urbana.
Portugal necessita de diversificar o mercado e inovar a oferta sem reproduzir o que se faz lá fora. A capacidade de produzir ciência, tecnologia e inovação é um elemento central da universidade. A sua ligação a empresas e a transmissão de conhecimentos adquiridos em prol da sociedade são os novos paradigmas assumidos, com vista a aumentar o nível de conhecimento dos profissionais da área."
imagem do telhado vivo da ETAR de Alcântara
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segunda-feira, 9 de outubro de 2017
coisas da casa: "As casas de Hobbit", ou tenho a impressão que encontrei a nossa futura casa
Desde o dia em que fomos ao cinema, há muitos anos atrás, ver o primeiro "Senhor dos Anéis", já perdi a conta às inúmeras vezes que verbalizei entre suspiros que o Shire é que era sítio para mim, e que me imaginaria perfeitamente feliz na casa dos Baggins - "Bag End". Portanto não é de estranhar que quando apareceu no feed da minha rede social de eleição algo com um título onde "casas de hobbit" faziam parte, tive que satisfazer a curiosidade. Curiosidade em dupla dose, graças também ao meu crescente interesse sobre arquitectura, ecologia, engenharia, sustentabilidade e inovações tecnológicas que abracem estes campos.
E foi nesse momento, num casual e fortuito click que me levou a um artigo numa qualquer e-zine que tive o primeiro contacto com as Green Magic Homes.
Ao longo dos últimos anos tenho sentido uma presença cada vez maior e mais significativa de empresas que apresentam soluções alternativas à construção convencional, com base numa filosofia onde a preocupação ambiental é um dos alicerces. É uma tendência que me inspira e me alegra, embora não sinta a mesma afinidade por todos os projectos e conceitos que já visualizei, como é natural - é o lado humano e subjectivo em acção.
O conceito das Green Magic Homes é, de uma forma resumida, serem casas compostas por módulos pré-fabricados, em que na sua composição 80% são plásticos reciclados, o que é uma óptima forma de ajudar o planeta a ver-se livre desta praga ambiental, e simultaneamente reduzir ao mínimo a pegada ambiental porque não se retiram do planeta novos materiais para a construção. Este compósito/ polímero feito destes plásticos e resinas é um material muito mais resistente e durável que o tradicional betão, não apresentando problemas de rachas, infiltrações, humidades, e dispensando manutenções.
Os materiais utilizados são totalmente seguros, inclusive a nível de emissões.
Em conjunto com os seus arcos característicos formam uma estrutura capaz de suportar sismos, tornados e outras catástrofes naturais, assim como são ideais para qualquer clima, do deserto à neve.
A cobertura de terra não só permite que a temperatura no interior ronde todo o ano os 17º celsius, como é esteticamente apelativo a colocação do telhado vivo "living roof" com espécies adequadas ao local, ou até usar esse espaço para plantar alimentos.
Mais algumas características que me agradam sobremaneira:
- Em primeiro lugar, a vertente financeira - porque sem ilusões e com toda a franqueza, o custo associado à aquisição de habitação há-de ser sempre, para a grande maioria das pessoas, não o único, mas certamente o maior obstáculo. Então obviamente que se tornam apelativas as habitações que para além de apresentarem preços competitivos em relação aos praticados no mercado imobiliário, afirmam não precisarem de manutenção como acontece com um edifício em betão, poupando-se também por aí. Só aí temos uma tremenda vantagem, especialmente quando nos lembramos, por exemplo, que a reparação/ reconstrução de um telhado "tradicional" ronda os 100 euros por metro quadrado, para além do que se poupa em chatices e preocupações.
Quão competitivos os preços? Na minha aldeia o preço ronda, neste momento, os 300/ 350 mil euros, por moradias que necessitam de renovações quase totais. O preço de uma magic home com uma área de quase 190m2, 4 quartos, 4 casas de banho, cozinha, sala de estar e de jantar, adquirido no sistema "chave na mão" fica por cerca de 161 mil euros mais iva, (se não estiver em erro, este é de 6%).
Obviamente não inclui os custos de aquisição de um terreno, mas mesmo assim...
- O segundo ponto que nos atrai é o tempo. A ideia de construir casa é agridoce: se por um lado é um sonho ver nascer algo em que foi possível opinar e decidir sobre as mais diversas características, o tempo que isso demora, (anos por vezes!), em combinação com flutuações de orçamento, e um mundo de chatices de toda a ordem a que ninguém escapa quando se mete nessas empreitadas assustam-nos e causam-nos stress.
Esta empresa afirma que entre encomendar a casa à fábrica, a sua viagem e montagem são cerca de 55 dias.
- O terceiro ponto que me agrada é o facto de existir um representante da marca em Portugal, assim como existem muitos outros distribuidores por vários países. Essa proximidade é mais que importante, é essencial, e faz com que qualquer conceito/ produto / serviço pareça imediatamente mais possível, menos abstracto. Há-de haver com certeza pessoas mais aventureiras que eu, mas para mim o acompanhamento presencial, a presença de profissionais pelo menos no mesmo país, é uma das minhas exigências. Nunca na vida teria coragem de encomendar uma casa como quem encomenda ração para o cão.
Mal posso esperar para a primeira destas casas estar concluída em território nacional para a visitar.
- O quarto aspecto é o design. Por ser modular é uma casa que pode facilmente ir sofrendo acrescentos ao longo do tempo. Embora a marca ofereça uma boa variedade de plantas pré-definidas, parece ser igualmente simples elaborar uma casa personalizada. O seu exterior e interior são apelativos, bonitos, confortáveis, - nada a ver com as casas pré-fabricadas de há muitos anos atrás.
Este texto já está enorme - é o quanto estou entusiasmada por ter encontrado este conceito, portanto vou acabar isto com alguns vídeos. Depois, se vos apetecer, digam-me se se imaginam, ou não, numa destas casas.
GMH-Awesome from REVOLUTIONARY TECHNOLOGIES on Vimeo.
quarta-feira, 4 de outubro de 2017
coisas sobre mim: Viver com dor, ou a provável necessidade de aulas de sociabilização para humanos
Sou péssima com cronologias, em ter que dar ordem temporal às coisas, dizer com acuidade há quanto foi isto ou aquilo.
Tenho 38 anos e uma dose de caruncho em cima que quase todos os dias me faz acreditar que alguém algures meteu a pata a poça, trocou os números e os registos lá no departamento das Cárites, e fez com que as três irmãs Moiras que fiam o destino de humanos e deuses me andem a confundir com alguém de 83.
Ao longo dos últimos tempos - lá está, não me peçam para quantificar, fiquemos por mais de 2 meses e menos de 1 ano - contam-se pelos dedos de uma mão os dias que passei sem qualquer dor. Todos os outros têm a presença crónica e constante dessa sombra que sente, mais ou menos, mas sempre lá, nas pernas, nas costas, nos braços...
O ponto positivo é que nunca tive tanto tema em comum para com algumas das amigas com quem me vou cruzando nas caminhadas com o Kiko, essas verdadeiramente octogenárias.
O lado negativo de viver com o ruído branco omnipresente da dor é que esta, embora tolerável e possível de ser domada, impossibilitada de ocupar o espaço central do plateau, através da presença de espírito e autodisciplina, e pronto, analgésicos de vez em quando, (gosto de pensar que quem se cruza comigo não faz a mais pálida ideia que está a receber um sorriso da parte de alguém que está com dores desde o minuto em que acordou), é acima de tudo a diminuição de tempo e atenção que temos para os outros.
É o estar a ouvir a intervenção de um vizinho na reunião de condomínio e, passado alguns minutos não captar nada do que é dito, porque o caralho do velho não vai ao cerne da questão e decide aproveitar as luzes da ribalta para uma introdução histórica ao problema desde os tempos do Marquês de Pombal; é o desligar o chat do facebook como medida preventiva porque se se ouve mais um daqueles avisos sonoros e vai-se a ver é o enésimo contacto que decide andar a partilhar daquelas caganeiras com mensagens correntes, apelos, e merdinhas do género - uma pessoa não quer andar aí a partilhar póias com quem nos manda corações; é o já não conseguir não revirar os olhos, nem deixar de bocejar, ou ficar de olhar perdido no horizonte quando as conversas são uma seca; é o deixar para mais tarde a resposta a mensagens, mails e afins; é o não atender o telefone a um familiar porque leva-se muito a sério a regra de não nos levantarmos por algo tão menor quanto um telefone, e se ainda conversámos há poucos dias, foda-se, o que é pode haver para dizer de novo em tão curto espaço de tempo, há alguma maneira simpática de dizer que devíamos agendar as conversas para de mês a mês, de dois em dois meses?!
sexta-feira, 29 de setembro de 2017
Vida de cão: A dificil arte de enganar um cão
Quando digo que o Kiko entende tudo, é porque ele entende mesmo tudo. Garanto-vos que é uma afirmação que não tem por base o tremendo afecto que lhe tenho, mas antes as surpresas e as provas que ele próprio providencia quotidianamente.
Aliás, da minha experiência com animais de estimação ao longo dos anos, dos peixinhos de aquário, ao coelho, aos gatos e agora ao fiel canino, sobressai sempre a impressão de que seja qual a for a espécie, estes amiguinhos são muito mais inteligentes do que por vezes pensamos.
Uma das muitas provas, no caso do Kiko, é a trabalheira que dá tentar enganá-lo.
Este é um dos exemplos mais recentes:
Quando queremos ir dar um passeio maior com o Kiko, gostamos de sair uns minutos com ele à rua para que este se alivie antes de o enfiar no carro. Só para irmos mais descansados, já que ele gosta tanto de andar de carro, que vai numa constante excitação até chegarmos ao destino.
Se o sacana perceber que é dia de passeata, (o que não lhe é nada difícil), mal saia à rua vai procurar o carro e teimar naquela direcção tipo cão de trenó, e qualquer tentativa em puxá-lo para outro lado para que foque em fazer pelo menos um par de chichis é uma tarefa penosa.
Então, numa destas ocasiões, experimentámos uma estratégia em que consistia em fingir que era somente um dia como os outros, daqueles em que a voltinha se dá somente pela aldeia. Já havia combinado com o marido - "esperas 10/15 minutos e depois "coiso", ok?" - sendo a palavra "coiso" código para "preparas-te e encontramo-nos no estacionamento, até lá não dá pistas, não mexe, não respira, não nada.
Funcionou lindamente!
No fim de semana seguinte decidimos repetir a estratégia vencedora. Mas eis que houve um deslize no momento em que estávamos, ( eu e o cão), a sair de casa para a voltinha, e o marido comete o deslize de dizer "já vou ter convosco ao carro". Foi o suficiente para o miúdo perceber a marosca e transformar-se num possante husky do Alasca.
quinta-feira, 21 de setembro de 2017
cromices #154: Um ritual de claridade
Não sei viver sem música. Sempre senti a necessidade de acompanhar todos os momentos com uma banda sonora, sem esquecer de dar alguns momentos ao silêncio, já que este é em si um bálsamo, um ritual de higiene para a mente, tal como o duche é para o corpo.
Nada disto é pouco usual ou peculiar. Acho que a maioria das pessoas gosta de ouvir música em variadíssimas ocasiões, e até a usa como uma ferramenta auxiliar enquanto trabalha, enquanto descontrai, e em outros momentos.
Talvez o que mude de pessoa para pessoa seja a escolha de repertório, o que cada um ouve em cada situação.
Sendo algo que já que fiz inúmeras vezes, mas em piloto automático, ontem apercebi-me conscientemente que quando quero/ preciso entrar num estado de acuidade mental, essencial à análise e resolução de problemas objectivos, a minha escolha recai no heavy metal. E nada como começar com um dos hinos de guerra dos Manowar, é que lá por ser uma batalha travada no campo do intelectual e do burocrático, não deixa de ser uma.
sábado, 16 de setembro de 2017
coisas da casa: Ventosas rulam!
Se passarem pela Ikea, na secção de apetrechos para casa de banho, nas proximidades das cortinas de duche e afins, encontrarão uma secção de linear com acessórios com ventosas, de cestos a toalheiros.
Quando os encontrarem notarão que uma das suas características é o seu design. Sim, estão longe de serem a coisinha mais bonita e estilosa, mas como se costuma dizer a beleza não é tudo, especialmente quando há outros atributos que a suplantam. Neste caso a função ultrapassa em muito a forma.
Se forem como nós, pessoas que detestam sequer a ideia de andar a furar paredes, especialmente as revestidas a azulejo, encontrar acessórios com ventosas (daquelas que funcionam, e não andam a descolar-se por dá cá aquela palha, que é o principal motivo porque não comprava coisas com ventosas há uma vida) é tipo a invenção da pólvora.
Optámos por alguns itens da gama Stugvik : uns toalheiros que ainda possuem a vantagem de serem extensíveis, (que é outro conceito ao qual me rendi com o varão da cortina de duche, que sim, cai muito de vez em quando, mas quando isso acontece é algo que se resolve em menos de um minuto e não implica ficar com uma parede estragada), uns ganchos para panos de cozinha, pegas e luvas, copo para escovas de dentes e um cesto.
Encontrámos um segundo propósito para o cesto. Não serviu para a ideia original de suportar shampoos e gel de banho, mas está a funcionar lindamente na cozinha, para colocar o detergente da louça e esfregões.
Agora gostava de encontrar exactamente o mesmo conceito, mas aplicado à serventia de pendurar quadros e outras peças decorativas nas paredes.
quarta-feira, 30 de agosto de 2017
cromices #153: Eu, a pior cábula do mundo.
No total devo ter recorrido a cábulas não mais que meia-dúzia de vezes. Todas após o ingresso no ensino superior.
Aliás, se há coisa que me arrependo foi de não ter usado cábulas durante todo o meu percurso académico. Justifico-o com dois motivos:
1) O ensino de qualquer matéria há-de ter, (a meu ver), como principais objectivos a compreensão da mesma, a apetência para aprender mais, e o desenvolvimento da autonomia que permita a busca solitária pelo conhecimento ao longo da vida. Não há argumentos que justifiquem a validade da prática de decorar matéria de vários volumes, para depois chegar a um exame e debitar os mesmos para uma folha.
2) Tivesse eu adquirido prática nessa bela arte da cábula, não me teria sentido tão desajeitada e à rasca quando cedi à sua necessidade.
Deixo o meu agradecimento aos professores, que perante a minha falta de jeito e atrapalhação, ao nível de um Mr. Bean, optaram por fechar os olhos.
Deixem-me então partilhar um episódio para que percebam o porquê de me intitular a pior cábula de sempre.
1) Sala de aula cheia. Turma preparada e à espera que chegassem os professores para iniciarem todo o processo de exame. Eu, muito mais nervosa que o costume porque levava cábulas, sentia uns calores tremendos, e por causa dos nervos deu-me um ataque de riso quase histérico. Simplesmente não conseguia parar de rir.
Solta um colega: " O que se passa com a Ana?"
Retruca outro: "Está nervosa, trouxe cábulas". - "Ahhhhh, ok!"
Um mais próximo, passa-me a mão no ombro: "Respira fundo, vai correr bem."
terça-feira, 29 de agosto de 2017
Lições da minha infância: A freira, os doces de alcaçuz, e a lição aprendida ao contrário.
Sempre que o meu pai regressava a casa do seu trabalho além-fronteiras, aproveitava a espera no aeroporto para se abastecer nas lojas duty free.
Se era obviamente uma ocasião feliz ter o meu pai em casa, saber que ele regressava com um carregamento de chocolates e outras coisas boas era ouro sobre azul.
Isto é mesmo o mundo através dos olhos de uma criança de dez anos.
Numa dessas ocasiões, houve uma novidade que me despertou mais a atenção que qualquer outra coisa: um saco de doces de alcaçuz, rolinhos numa miríade de cores gulosas com um recheio escuro.
Mal vi o rótulo reconheci o termo "liquorice" de o haver ouvido na tv, o que aumentou o meu interesse. Afinal ia experimentar algo de outra cultura, e isto há quase trinta anos não havia a oferta que temos hoje, em que em quase qualquer loja se encontra quase tudo de todo o lado.
Experimentei um, dois, e talvez o terceiro, e concluí que infelizmente alcaçuz não era para o meu palato. Os meus pais foram da mesma opinião.
Pensei que poderia haver quem gostasse. Que lá por eu não gostar, não significava que não fosse bom. Então lembrei-me, na ingenuidade própria da minha idade e na melhor das intenções, de levar aquele saco de doces para partilhar com a minha turma. Achei que seria positivo os meus colegas experimentarem algo de novo, quer gostassem ou não. Se pelo menos um deles gostasse do sabor era missão cumprida, bem melhor que os deitar fora só por não sermos apreciadores lá em casa.
Este episódio, historieta tão pequenina, desinteressante e irrelevante, ficou-me somente na memória por ter dado mote a duas lições: a que me tentaram ensinar, e a que realmente aprendi.
Confrontada pela rambóia de vinte e tal crianças a fazerem caretas com bocas cheias de alcaçuz, a Irmã achou por bem transmitir-me a lição que gesto bonito, assim mesmo bonito e de valor, é dar aos outros aquilo que mais gostamos, aquilo que consideramos que temos de melhor.
Ouvi caladinha. Abri os ouvidos, mas os dois, que é para aquilo poder entrar a cem e sair a mil.
Em primeiro lugar, porque claro que não gostei da desvalorização da minha boa intenção. Não esperava palminhas, mas um "olha, não gostei, mas obrigada na mesma" fica sempre bem.
Em segundo, porque mesmo só com dez anos, achei que a mensagem que me tentava incutir era do mais hipócrita que há.
Que era mesquinho exigirem-me, de certa forma, que eu partilhasse as minhas coisas favoritas, com um grupo de pessoas que nunca trouxe nada para partilhar.
Que ninguém, por exemplo, compra roupa nova e a doa, ficando a servir-se daquela que já tinha por casa, e que já nem lhe serve.
A lição que apreendi resume-se no velho adágio "nenhuma boa acção fica sem punição". Nunca mais levei nada para partilhar.
quarta-feira, 23 de agosto de 2017
Vida de cão: sumos para cães
Qualquer coisa que tenha adição de açúcares não deve ser dada aos animais. Nem sequer são uma boa opção para a nossa saúde, muito menos para a deles, por causa do seu metabolismo.
De vez em quando, como miminho, damos um bocadinho de sumo ao Kiko, mas daqueles que são são somente fruta espremida, sem qualquer corante nem conservante. Ele adora o de melão.
É uma escolha mais saudável quando em comparação com qualquer néctar ou sumo, que lhes sabe tão bem quanto a nós, especialmente em dias de calor. Mas sem exageros, nem na dose nem na frequência.
Coisas que me irritam: Da irresponsabilidade...
Temos por ritual, mal o marido chega a casa, de nos sentarmos na varanda a tomar um café e a falar sobre o nosso dia, aproveitando o bom tempo e aquele recanto que se tornou agradável graças às plantas, que cheiram bem, e que tanto cresceram, providenciando-nos assim alguma privacidade.
Não fosse esse hábito não teríamos dado conta que houve, durante o dia, um qualquer condutor incauto que embateu no candeeiro de iluminação pública.
Não seria nada de mais, nem motivo para alarme, não estivesse, graças ao embate, aquele grande globo de vidro e metal inclinado e prestes a cair no chão, somente apoiado numa extremidade da lâmpada.
Isto numa praceta bastante movimentada, onde passam constantemente veículos, pessoas, (muitas crianças), e animais. Agora imaginem aquele enorme apêndice cair em cima de alguém, que pelo estado da coisa seria algo para não tardar muito a acontecer.
Contactei imediatamente com a linha de avarias da EDP e comecei a exposição com "houve um otário...", e nunca senti que alguma vez o adjectivo me tivesse servido tão bem na comunicação.
Porque, meus amigos, bater toda a gente bate. Pode acontecer a qualquer um, e a isso chama-se aselhice, inexperiência, distracção, azar até. Mas ser irresponsável ao ponto de se causar o dano e não requisitar a intervenção da EDP, estando-se nas tintas para os outros, e para a desgraça que a queda daquele globo poderia causar... A alguém assim é até elogioso e caridoso ficar-me pelo otário.
O atendimento foi impecável, e por sorte o piquete estava nas proximidades, o que ajudou a que viessem resolver a situação em tempo recorde.
Agora só queria identificar a pessoa para lhe soletrar a palavra "O" na cara.
quarta-feira, 16 de agosto de 2017
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