segunda-feira, 16 de abril de 2018
segunda-feira, 9 de abril de 2018
terça-feira, 3 de abril de 2018
coisas de opinar: A revisão do PDM de Sintra, a história da pequena ermida e o futuro da aldeia pt.1
Há um par de semanas, mais coisa menos coisa, através de partilhas nas redes sociais, o tema Plano Director Municipal de Sintra e a sua revisão voltou a entrar no meu radar.
Pensar no PDM é, talvez mais que qualquer outra coisa, reflectir sobre a localidade onde habito, e a estratégia urbanística que gostaria de ver implementada. Tenho uma opinião forte sobretudo em relação aos erros que encontro em outras localidades do concelho e que gostaria que fossem evitados por aqui.
Não é que por aqui não existam "erros" urbanísticos. Aliás, a meu ver, a história desta pequena localidade tão próxima da sede de concelho assenta num erro crasso, ou numa sucessão destes.
Perante a premissa que todos os pedacinhos de terra têm a sua história, e alimentada pela natural curiosidade sobre a povoação que escolhemos habitar, iniciei há anos uma pesquisa.
O maior fruto que colhi da mesma é da autoria da Mestre em História de Arte, Maria Teresa Caetano, e intitula-se "A Ermida de São Romão de Lourel e a proposta de Norte Júnior".
Usarei alguns excertos da mesma para melhor descrição:
"À saída de Lourel, depois de se calcorrear serpenteante caminho submerso num imenso oceano de verdes e castanhos vivos' avista-se' finalmente, no alto de um outeiro, a ermida de São Romão (...).
Silenciosas, as velhas pedras guardam mistérios passados e 'na sua simplicidade de pequenino templo rural' evocam uma vivência há muito desaparecida. (...)
A ermida de São Romão vem já referenciada no Treslado do Lemitte (...) de 1253, (...) e a sua fundação remontará aos alvores da nacionalidade. (...) aproveitando materiais romanos anteriores ali subsistentes (...) - cumpriu primorosamente a função evangélica, cristianizando um antigo local fúnebre de culto pagão. (...)
Assim, para a edificação deste templo, orientado de nascente para poente, reutilizaram-se, (...) alguns monólitos de uma necrópole romana que ali existira, de entre os quais se destacam dois epigrafados, (datados dos séculos I e II dc) (...).
Junto à ermida terá funcionado uma necrópole medieval, (...) datando dessa mesma época a instituição de uma confraria e de uma albergaria. (...)
Em 1541, contudo, tanto a confraria como a albergaria se haviam desmembrado, pelo que: "a ermida de são Romão que he da dicta igreja de são Martinho tem huas terras de pam as quaes terras no tempo pasado eram de hua albergaria e confraria e os cônfrades eram dellas admynistradores e despendiam as Rendas das dictas terras segundo compromisso e ordenança sua a qual confraria he desfeita e nom há hay confrades pella quall rezão ficaram as ditas terras da dita ermida pera coffegimento della a saber as rendas segundo pello prelladi ffoy mandado emquanto nõ se Reformar outra veez a dicta confraria".
Desconhece-se, no entanto, se a confraria e albergaria de São Romão alguma vez chegaram a ser reformadas. Mais tarde, nas Memórias Paroquiais, de 1758, o prior António de Souza Sexas, pároco da freguesia de São pedro de penaferrim, aludiu ao lugar e à ermida de São Romão nos seguintes termos: "O Lugar de S. Romaó, que se compoem de 6 fogos em que habitaó 15 pessoas: Tem este lugar huma ermida da invocaçaó de S. Romaó, a qual está já no lemite da freguezía de S. Maria, deste arabalde de Cintra, e tem hum Eremitaó (sic), que he freguez desta minha freguezia de S. Pedro; e he administrada a Ermida, e aprezentado o ermitaó pella Collegiada de S. Martinho da Villa de Cintra".
A data de 1768 que Alves Pereira viu gravada na base do cruzeiro, de moldura simples, assinalava a vitalidade com que então se celebrava o santo. (...)
A voragem do tempo, porém, consumiu a devoção no "Santo Romano" e conduziu ao completo abandono da ermidinha que desamparada de fé e de gentes se foi arruinando, e, nos finais do século XIX, a festa que, no primeiro Domingo de Março, costumava celebrar o santo padroeiro deixou de se fazer.
O velho templo e o seu triste abandono pairava ainda na memória dos povos das redondezas, aqueles que nutriam maior devoção pelo santo patrono e, neste sentido, em 1941, Gonçalves afirmara a propósito " a reconstrução, (...) impossível, a não ser que algum benemérito pretenda restaurá-la radicalmente".
Poucos anos depois, Artur Soares Ribeiro - proprietário do casal de São Romão e de muitos dos terrenos envolventes - costumava ali reunir-se com alguns amigos, (...). Este grupo começou a interessar-se pela arruinada capela de São Romão, (...) e pensaram na sua restauração 'tendo, para tal fim, formado uma comissão ad hoc, (...)
Assim, em 1950, o Jornal de Sintra publicava, com destaque na sua primeira página, uma notícia sobre a reconstrução do templo (...)
O vogal Norte Júnior - (...) tomou a seu cargo o projecto de reedificação do edifício e, (...) a Comissão tratou de desenvolver as diligências necessárias junto das autoridades competentes."
Esta história não termina bem: o Arquitecto Norte Júnior quando contacta a Câmara Municipal de Sintra para apresentação e aprovação do projecto, aproveita para pedir, tendo em visto a natureza do mesmo, a isenção de taxas camarárias e licenças. A Câmara Municipal aprova eventualmente o projecto de recuperação do património mas insiste no pagamento das taxas, o que se torna um obstáculo, quiçá até aquele que enguiçou toda a campanha e a fadou ao insucesso.
Angariam-se mais de 10 mil escudos, (uma quantia bastante expressiva naqueles tempos), que mesmo assim não são suficientes para se erguer a que seria a Capela de São Romão. Deixam então de haver notícias sobre a Comissão e o projecto.
Ficam as plantas minuciosas do Arquitecto como testemunho do que poderia ter sido o fruto deste empreendimento.
"(...) o projecto concebido por Norte Júnior materializou - ainda que "temperado' pela sua própria época - uma moldagem muito próxima da original. Para isso, ter-se-á inspirado na arte românica, (...)
Saliente-se, por outro lado, que, apesar de ter praticamente refeito a ermidinha, parece ter havido total respeito pela estrutura pré-existente, (...) até porque as "raízes" da ermida de São Romão que aquele arquitecto tão incessantemente procurou, não se compadeceria, jamais, com a manutenção de uma estrutura "recente".
Décadas depois, nos anos 90, foi criada uma nova Comissão para a edificação de uma igreja em Lourel, visto que durante 20 anos as reuniões religiosas tinham lugar na escola básica por falta de lugar apropriado.
A que poderia ter sido uma renovada oportunidade para concretizar o projecto do reputado Arquitecto Norte Júnior, de preservar património incontavelmente mais antigo que os icónicos palácios e castelo de Sintra, e que seria uma mais-valia para a localidade e os seus habitantes, de então, de agora e de amanhã, pois poderia ser um espaço comum com aquele charme e beleza que são apanágio único das aldeias e da região, (quem não gosta do encanto de uma praça com a sua capelinha, com espaço para as pessoas se reunirem e, quem sabe até um coreto à moda antiga?!), de recuperar as festividades de São Romão que são património imaterial, peça de cultura e identidade da população, a escolha recaiu sobre a construção de uma igreja moderna, em cinzento betão, ainda inacabada, (creio eu), à beira de uma estrada movimentada com passeios quase inexistentes, onde é impossível estacionar, parar e até é perigoso para peões.
O motivo, (segundo apurei há anos numa conversa com alguém que habita na aldeia há muito tempo), não foi mais que as pessoas preferirem algo mais próximo às habitações. Ganhou a mobilidade, o comodismo, a preguiça, (que a distância não é assim tanta), e a incapacidade de valorizar o património e de planear a longo prazo.
Perdemos todos.
Se o trabalho da autoria da Mestre Maria Teresa Caetano nos dá conta que no passado distante a pequena ermida já se encontrava em ruínas, votada ao abandono, passar pela mesma em 2018 é desolador.
terça-feira, 20 de março de 2018
coisas de comer: Quinoa
Se eu escrevesse um livro de receitas, (coisa que não acontecerá), seria algo para preguiçosos como eu, com pratos nutritivos e saborosos, mas que gastem o mínimo de louça, tempo e esforço a serem confecionados. Tipo "vapt-vupt", e já está.
Sou especialmente preguiçosa quando se trata de cozinhar só para mim, como acontece ao almoço. Portanto procuro sempre algo que nunca demore mais que a preparação do frango ou peixe cozido com legumes do Kiko.
É que não estou mesmo para alimentar aquela sensação que passo a vida colada ao fogão e à pia, a lavar louça!
Ao mesmo tempo, cozinhar só para mim é algo de libertador, criativo e satisfatório, já que não tenho que pensar no que os outros comensais gostam ou deixam de gostar.
O que vale é que a boa comida pode ser rápida de executar, tudo depende de bons ingredientes.
No outro dia cozi quinoa vermelha, (deve ser sempre cozida, cerca de 15-20 minutos e a quantidade de água deve sempre ser o dobro da quinoa). Numa frigideira antiaderente coloquei cogumelos frescos fatiados, azeite, tomates cherry em metades, coentros frescos, sal, pimenta. Quando os cogumelos ficaram prontos, adicionei a quinoa e uma dose generosa de queijo ralado.
Hoje apeteceu-me quinoa com espinafres.
Quinoa, oriunda da região andina, significa na Língua Quechua, algo como "grão materno", e foi durante milénios a base da alimentação dos povos daquela região.
Embora seja apelidada de "supergrão" e incluída na categoria dos superalimentos, como a espirulina, a batata-doce, o açaí, as bagas de goji, o abacate, a chia, etc, a quinoa é a semente da Chenopodium Quinoa, planta da família da acelga e dos espinafres.
Basta fazer uma simples pesquisa pela internet para dar com incontáveis artigos sobre os inúmeros benefícios da Quinoa, portanto não vou enumera-los a todos.
Como pequeno resumo das suas propriedades bastará dizer que é a maior fonte vegetal de proteína; possui todos os aminoácidos considerados essenciais ao nosso organismo, (uma raridade!), portanto é um alimento essencial e importante para todos aqueles que não consomem proteína animal; não contém glutén; reduz o colesterol e o risco de doenças cardiovasculares; tem um baixo índice glicémico portanto é ideal para diabéticos e para combater a obesidade; antioxidante - possui flavonoides com acção anti-inflamatória, antiviral, anticancerígena, e antidepressiva.
Para as mulheres: ajuda também com a síndrome pré-menstrual e menopausa.
Pode ser encontrada em grão, flocos ou farinha. Pode ser consumida como um acompanhamento, (tal qual o arroz), risotto, em saladas, em sumos, em tartes, bolos, pães, pudins, papas... Ou seja, tudo e mais alguma coisa pode levar quinoa.
quarta-feira, 14 de março de 2018
terça-feira, 13 de março de 2018
coisas da casa: Mais verde, por favor, ou dá Deus nozes...
Agora com o Iqos, a maquineta fumante milagrosa sem cinza, fumos e cheiros quase inexistentes, escolho quase sempre fumar à janela do escritório de paredes "laranja budista". São momentos de contemplação.
Não me canso daquela vista, composta por vários planos e camadas, que começam em telhados e beirais de várias alturas, recreio de todo o tipo de aves; aqui e ali espalham-se buxos, canteiros floridos, árvores de folhagem caduca e perene. Um quadro que termina com uma vista desafogada da verde serra, do seu palácio e castelo, que ora se apresentam nítidos, ora desaparecem totalmente sob um manto de neblina.
Faço-o quer seja dia ou noite. À noite os monumentos iluminam-se e é realmente bonito de ver. Para além que me habituei a elevar o olhar e a certificar-me que as constelações que habitam por cima de nós não foram a lado nenhum, ao contrário da lua, que tem bichos carpinteiros e vai pululando pelo manto celeste, senhora da sua vontade.
Esta vista, este enquadramento digno de postal, é uma das coisas que mais gosto na nossa casa. Gosto tanto, que passados todos estes anos ainda não me fartei, nem acredito que tal aconteça tão cedo.
É este cenário que me alimenta pelos olhos, que eu sou pessoa para morrer de inanição se só me entrar betão e alcatrão pelas vistas adentro.
Embora pareça que nos tenhamos esquecido, o ser humano precisa de contacto frequente com a natureza, por mil motivos mas também em nome da sua saúde, tanto física quanto mental. Não há nada tão eficaz para reduzir a pressão arterial, melhorar a circulação, regular o relógio biológico, diminuir o stress, a ansiedade, a depressão, reduzir o risco de doenças cardíacas, avc e diabetes, reforçar o sistema imunológico e garantir uma sensação quase imediata de felicidade e tranquilidade que estar em contacto com a natureza, apanhar sol, mexer na terra.
Dizem que 30 minutos de jardinagem, longe de aparelhos tecnológicos, fazem autênticos milagres. Mais até que qualquer outra actividade de lazer.
Eu bem sei e sinto o bem que nos faz a presença de plantas cá por casa, a meia dúzia de vasos floridos na nossa pequena varanda, e esta vista que vos descrevi. Melhor mesmo só um jardim.
Por falar em jardins...
Sabem quando vão de carro, numa qualquer estrada, param devido a um semáforo e ao vosso lado está, sei lá, um ferrari ou um qualquer bólide do género, e quando o sinal abre, ao invés de um ronronar possante chega-vos aos ouvidos a estridência de uma caixa de mudanças a ser brutalmente massacrada, e a imediata reacção é aspirar o ar pela boca, que ao passar pelos dentes cerrados provoca um particular sibilo, uma expressão de quase dor?
Esta é a minha reacção para com muitas das casas que vejo à venda.
Alguns prédios centenários testemunham que outrora, mesmo no centro das grandes urbes, não se abdicava de se manter algum contacto com a terra. Cada proprietário tinha um talhão: muitos seriam utilizados como hortas urbanas, outros como jardins ornamentais.
Infelizmente trata-se de um traço arquitectónico que se foi perdendo e, com este a noção do quanto é especialmente importante a existência destes oásis nos desertos de betão, muito para além de se ir podendo colher uns limões ou umas alfaces, o que por si só valeria a pena. O seu impacto é profundo na qualidade de vida das pessoas, dos animais e até do ar que todos respiramos.
Uma árvore adulta e saudável consegue absorver, no espaço de um ano, 22kg de dióxido de carbono, entre 55 e 109 kg de gases nocivos como o óxido nitroso oriundo dos escapes - zonas urbanas arborizadas possuem menos 60% de partículas poluentes; produz oxigénio suficiente para dois adultos e ainda ajudam a refrescar o ambiente: a sua sombra ajuda a diminuir a temperatura do asfalto em 2ºC e do interior dos carros até 8ºC, e o efeito de uma árvore é comparável a 10 aparelhos de ar condicionado ligados 20 horas por dia. Isto só para citar alguns dos seus benefícios.
Uma casa com área exterior suficiente para um jardim tornou-se um privilégio. Tal tornou-se atributo somente das moradias, e mesmo assim a grande maioria são geminadas e para maximizar o lucro, o tamanho dos lotes onde se inserem são mínimos, logo há logradouro para o estacionamento de uma viatura ou duas, espaço para um estendal, uma churrasqueira e olaré. Jardins nem vê-los. O verde foi remetido para um mísero canteiro ou totalmente retirado da equação.
Portanto, o meu momento "maçarico ao volante de um ferrari", a minha "dor por situação alheia", dá-se quando encontro casas que tendo espaço para um jardim, ainda que pequeno, a opção das pessoas recai em usá-lo para colecionar anexos, acrescentos, barracões e barraquinhas.
Onde poderia haver um solário (sundeck) com mobiliário de jardim confortável, um espaço para refeições "al fresco", e a puta da loucura, quem sabe até um jacuzzi, com vista para um verde e privado refúgio de inspiração mediterrânea, romântica, tropical ou até oriental, dependendo das espécies de plantas escolhidas, alguém optou - e é o que me mete muita confusão, o ser uma escolha - por ter marquises que são utilizadas para armazenar coisas, com vista para um pátio onde existem cubículos que servem presumivelmente para armazenar mais coisas, numa ode ao betão, ao alumínio e ao zinco.
Não há um relvado onde andar descalço, onde brincar ou fazer exercício, onde estender uma manta para fazer um piquenique, uma sesta, ler um livro ou observar as estrelas em noites de céu limpo; uma árvore sequer onde pendurar uma casa de pássaros, onde aproveitar a sua sombra, onde esticar uma cama de rede; uma sebe viva que encha as vistas ao mesmo tempo que protege dos olhares curiosos da vizinhança. Saberão as pessoas que as sebes vivas também nos protegem do vento, do frio e do ruído e ajudam a evitar a erosão do solo?
Não há meia dúzia de metros quadrados pensados para uma pequena horta urbana. Soubessem as pessoas o quanto se pode plantar em meia dúzia de metros, e sem pesticidas!
Não há arcos nem pérgolas enfeitados por plantas trepadeiras, fragantes roseiras inglesas ou jasmins, que recebessem quem lá entrasse com o seu perfume, e debaixo das quais se poderia sentar à mesa.
Mas há betão, mais que o suficiente para engordar pelos olhos quem o prefere, e que pelos vistos, são mais que as mães.
sexta-feira, 9 de março de 2018
quinta-feira, 8 de março de 2018
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