quinta-feira, 21 de novembro de 2013

coisas que me irritam #10: A mulher tirana



Cada casal saberá das linhas com que se cose a sua relação. Cada caso é único, e o que funciona para uns poderá não funcionar para outros.

E esta coisa de sermos todos, pelo menos, um bocadinho diferentes uns dos outros, gera, de tempos a tempos, alguma estranheza de parte a parte.

Ao longo dos anos, já fui algumas vezes abordada para que puxasse dos galões de namorada/ companheira/ mulher para "dar uma forcinha", convencer o meu namorado/ companheiro/ marido a fazer qualquer coisa contra a sua vontade.

Insistem que eu insista, e eu dou a única resposta que me é possível:
"Não."

Como se trata de um monossílabo difícil de entender, geralmente voltam ao ataque com uma espécie de discurso motivador de treinador de bancada:
"O quê? Achas que não o consegues convencer?! Tu consegues! É insistir, é insistir!"

Aí levanto o sobrolho e replico secamente:
"Não. Eu não faço dessas coisas."

Tcharam, aí está o olhar de confusão, de veado encadeado pelos faróis! Sorriso interior.

Prossigo explicando que se desejam alguma coisa da parte dele, é com ele que devem falar. Se levarem uma nega, aguentem-se, que faz parte da vida. Que nem sempre as vontades estão em sintonia.
Que não insistam, que não somos pessoas que sejamos vencidas pelo cansaço. Que o que é demais enjoa. Que quanto muito, a insistência só resultará num afastamento.
Que lá por sermos um casal isso não dá direito a nenhum dos dois de tomar decisões pelo outro, de forçar, de "puxar pelos galões". 
Que quando se ama respeitam-se as decisões, as vontades, o livre arbítrio. Que na nossa casa o espírito da Democracia está presente e saudável.

Fim. Sorriso exterior.