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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Faltou dizer isto, e é importante.



Gosto de Reciprocidade.
Da mesma forma que defendo que o Voto deveria ser obrigatório, existindo sanções para os não-cumpridores, também defendo que o Estado, quando não garante a todos os cidadãos o exercício deste Direito primordial numa Democracia que se diz Participativa, deveria ressarcir os lesados com o mesmo ênfase. Porque votar tem que ser para todos!

Mais aqui.



Por aqui também se deixa um comentário sobre as Presidenciais.




Não votei em Marcelo, mas nunca tive grandes dúvidas que o Professor seria eleito. A questão, para mim, residia se a vitória seria alcançada à primeira ou à segunda volta.

Acredito que o nosso novo Presidente possui a capacidade para desempenhar bem o seu papel. Torço para que haja também vontade para isso, por todos nós, pois bem precisamos de todas as mãos dispostas a fazerem-nos avançar.

Também não votei Tino, mas vejo na sua candidatura um dos pontos mais positivos destas Presidenciais. É que defendo há muitos anos que a existência de uma Democracia real e frutífera depende da participação de todos na Política. A Política não deve ser exclusiva aos "políticos de carreira", deve incluir todos os cidadãos que sintam vocação para tal, sejam estes professores ou calceteiros. Tino, com o seu jeito algo peculiar, veio demonstrar que isso é possível.
Acho tremendamente positivo que comecemos a expurgar do nosso consciente colectivo, da nossa cultura, a noção que certas portas só se abrem à elite. Os cargos políticos, a participação activa na governação do país não pode nem deve ser exemplo disso, como tem sido.

Afinal, não é suposto a República ser diferente da Monarquia?!

Outro ponto positivo foi a participação de duas candidatas nestas eleições. Num país onde ser mulher ainda é visto como um handicap, também isto é sinal de um futuro mais auspicioso em termos de igualdade de género.

Também não votei em Maria de Belém. Ao contrário do que esta possa julgar, não acredito que o seu insucesso se deva às outras candidaturas. Pessoalmente risquei-a da minha lista imediatamente após aquilo das subvenções vitalícias dos políticos. Eu que defendo a Igualdade, como poderia dar o voto a alguém que demonstra confundir privilégios com direitos, especialmente quando pertence a uma classe de si já tão mais privilegiada que o cidadão comum?!

O terceiro e último ponto positivo foi a expressão de candidatos independentes: 7 em 10.
Eu, que não me revejo em nenhum partido o suficiente para me tornar militante, considero que ideologias partidárias, doutrinas e a imposição de perspectivas, códigos e afins que fazem parte da militância, só servem para poluir e toldar. O Presidente da República tem que transcender todas as limitações que possui enquanto membro de um qualquer partido, por uma questão ética e moral.

Por fim, considero que o grande ponto negativo continua a ser a elevada expressão do abstencionismo, quer este aconteça por falta de interesse ou decisão do eleitor, seja por culpa do Estado não garantir, especialmente no estrangeiro, as condições que permitam o voto.
Como disse o Tino: "metam alguém para atender o telefone!"

Como é algo que se repete em todos os actos eleitorais, defendo que o voto deveria ser obrigatório. Qualquer pessoa tem a liberdade de escolher em quem vota, ou até se vota em branco, ou nulo. E é uma liberdade que deve ser mantida a qualquer custo. Mas, creio que se justifica tornar obrigatória a participação eleitoral pela importância que a repercussão do abstencionismo, falta de interesse e alheamento de metade da população têm na realidade do país, para todos os portugueses.
Para mim, quem não cumprisse o seu dever, e já que é tão fácil saber de quem se trata, pagaria multa. Vendo o seu valor agravar por cada acto eleitoral em que não participasse.




segunda-feira, 5 de outubro de 2015

coisas de opinar: Legislativas 2015



Já gastei mais energia com a política, já me agastei mais com os resultados. Já ganhei, outrora, um ou outro cabelo branco, por concluir que, independentemente do desempenho, as rédeas da governação não passarão para outros partidos que não sejam os do costume.

Não sou militante de nenhum partido. Não podemos ter certezas absolutas nesta vida, mas creio que nunca o serei.
Revejo-me num pensamento de Agostinho da Silva: "Eu não voto por rótulos. (...) Eu não quero saber das campanhas eleitorais para nada. Eu quero saber das ideias que as pessoas têm e da maneira como depois as vão defender e praticar."

Já usei do meu tempo em conversas que giravam em torno de política. Não me enfada minimamente cruzar-me com pontos de vista divergentes do meu. Sou tolerante em relação à diferença e olho para esta como uma boa base para o crescimento. Tenho alma de mediadora e sempre acreditei ser possível, apesar de todas as possíveis diferenças, encontrar "chão comum".
Sempre investi muita da minha energia a reflectir nos problemas da nossa sociedade e em possíveis soluções.
Gosto de conversar, trocar ideias. Pouco há mais interessante que a mente humana e sempre me interessou comparar com outros a leitura que faço do mundo.

Agora é-me tremendamente raro participar numa conversa em redor destes temas. Dou uma imensa importância ao poder de raciocínio e argumentação. Para a minha mente todos os pontos de vista são válidos desde que bem sustentados. Grassa amiúde uma tremenda inércia e preguiça mental. Não é a diferença que desilude, é esta incapacidade.
Não desrespeito quem fez uma opção de voto diferente da minha. Não há nada mais valioso que a liberdade e o seu exercício. A nossa vida é menos livre que julgamos, o que faz de todos os momentos que se aproximem desta condição muito valiosos.

Enfadam-me as campanhas eleitorais, a propaganda política, as arruadas, comícios e discursos. São uma vã expressão, caricatura que fica muito aquém da seriedade e clareza com que deveriam ser abordadas as diferentes propostas e ideias. Arrastam-se idosos para encher plateias em troca de um almoço, tal qual as excursões barateiras onde em troca do passeio low cost e do presunto, levam com uma sessão de vendas hardcore de colchões e traquitanas.

Enfada-me que muitos do que se dirigem a uma urna para exercer o seu direito de voto nunca se deram ao trabalho de ler um programa eleitoral na vida. Que se lhes pedirmos para justificar o seu voto, nunca nos dirão que a sua decisão foi baseada numa premissa lógica e racional de A mais B.
São como aqueles médicos de família que só de olhar para o paciente durante uns segundos, sem recorrer a um exame de qualquer espécie, adivinham a maleita.

Enfada-me a abstenção porque tem sido fundamental para se atingir o estado de estagnação em que nos encontramos. Cidadãos politicamente activos, participativos, informados e alertas são a melhor defesa possível no combate à corrupção, ao abuso de poder e à má governação. O "não querer saber", independentemente do motivo, será sempre lido na prática como "laissez faire".

Nestas Legislativas dirigi-me bem cedo às urnas. Fomos os segundos ou terceiros a entrar.
Visto sermos uma população pouco "activa, participativa, informada e alerta" não olho para as eleições com a esperança de dali sair um grande momento evolutivo. Já não me chateio muito, vou com expectativas reais e fazíveis em mente.
Em boa consciência, votei pelo PAN. O meu objectivo era ajudar este partido a conquistar um lugar na Assembleia porque acho que faz falta neste organismo a presença de alguém cujo foco é o bem estar animal. O objectivo foi cumprido, o que me deixa naturalmente satisfeita.
Quanto ao resto...